Embaixador da Bélgica destaca língua neerlandesa como expressão de identidade, cultura e diversidade
Encontro reuniu integrantes do corpo diplomático e convidados para celebrar uma língua que conecta Bélgica, Países Baixos e Suriname
DIPLOMACIA E EMBAIXADAS|Fabiana CeyhanOpens in new window
Brasília recebeu, nesta quinta-feira (1º), uma celebração especial pela , promovida pelas Embaixadas da Bélgica, dos Países Baixos e do Suriname, em colaboração com a Universidade de Brasília (UnB). Com o tema “Juntos em Neerlandês”, o encontro reuniu integrantes do corpo diplomático e convidados para celebrar uma língua que conecta os três países, apesar de suas diferentes histórias, culturas e realidades geográficas.
Entre as principais presenças estiveram o embaixador da Bélgica no Brasil, Chris Hoornaert, o embaixador dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, e o embaixador do Suriname, Ike Desmond Antonius, representando três nações ligadas pelo uso da língua neerlandesa.
A presença conjunta dos chefes de missão reforçou o caráter diplomático e multicultural da iniciativa, além de evidenciar o papel da língua, da educação e da cultura como instrumentos de aproximação entre povos.
A participação da Universidade de Brasília acrescentou uma dimensão acadêmica à celebração, aproximando o universo universitário das representações diplomáticas e estimulando o interesse pelo idioma e pela diversidade cultural das sociedades que o utilizam.
A Semana da Língua Neerlandesa vai além da celebração de um idioma. A iniciativa evidencia como uma língua compartilhada pode atravessar continentes, conectar diferentes identidades e contribuir para o fortalecimento das relações culturais, acadêmicas e regionais.
Fabiana Ceyhan — Embaixador, vivemos em um mundo cada vez mais conectado, no qual algumas línguas, como o inglês e o espanhol, têm grande projeção internacional. Nesse contexto, qual é a importância de preservar e promover o neerlandês, tanto como instrumento de comunicação quanto como expressão cultural e de identidade dos povos que o utilizam?
Embaixador da Bélgica destaca língua neerlandesa como expressão de identidade, cultura e diversidade em entrevista ao R7
Embaixador Chris Hoornaert — Acho que é uma necessidade no mundo sermos capazes de falar uns com os outros. Por isso, não é ruim existirem algumas línguas que são conhecidas mundialmente. Mas a especificidade dos países e das populações, a preservação de sua própria identidade, história e cultura, também está ligada à língua. Portanto, não podemos perder isso. Mesmo que uma língua não tenha importância mundial, ela será importante quando o mundo vier nos visitar. Como disse o meu colega Aart, as pessoas vêm nos visitar e um dos elementos da nossa cultura será justamente a língua. É algo específico.
É sempre um prazer perceber como as coisas estão conectadas e podem ser semelhantes. O neerlandês, por exemplo, eu diria que está entre o alemão e o inglês.
Fabiana Ceyhan — Em inglês, utiliza-se o termo “Dutch”. É esse o nome da língua?
Embaixador Chris Hoornaert — “Dutch” é a palavra utilizada em inglês. Nós falamos “Nederlands”, ou neerlandês.
Fabiana Ceyhan — E em quantos países o neerlandês é falado?
Embaixador Chris Hoornaert — Nos Países Baixos, na Bélgica e no Suriname. Mas, quando olhamos para a história, vemos que as fronteiras também mudam. Foi por isso que mencionei em meu discurso que, às vezes, pessoas são perseguidas porque falam uma língua diferente.
Nós, por exemplo, também tínhamos o neerlandês no norte da França. Em determinado momento, porém, houve a ideia de construir um Estado centralizado, com uma única cultura. Dialetos e línguas regionais, como aqueles próximos do occitano ou do neerlandês na região de Flandres, acabaram perdendo espaço.
Há essa concepção de que reunir todos em torno de uma única língua e de um único sistema seria melhor.
Também mencionei isso porque ainda existem países onde as pessoas não têm liberdade para falar sua própria língua. E isso é uma questão cultural. A cultura nos fortalece. É como acontece com nossas famílias: cada família possui hábitos específicos dos quais se orgulha. Uma cidade também pode ter algo especial. Até a comida faz parte disso.
Fabiana Ceyhan — Claro. Tudo isso faz parte da cultura.
Embaixador Chris Hoornaert — Exatamente. É tudo sobre cultura. E, por isso, também é uma questão de respeito por aqueles que são diferentes.
Quando falamos de uma língua, falamos igualmente das diferenças e da diversidade existentes dentro dela. E isso não é algo ruim.
Fabiana Ceyhan — Bélgica, Países Baixos e Suriname também trabalham conjuntamente para preservar e promover o neerlandês. Essa celebração reúne os três países todos os anos?
Embaixador Chris Hoornaert — Aqui fazemos isso com os três embaixadores, mas nossos governos também trabalham juntos. Temos um tratado internacional sobre o neerlandês e sobre sua preservação.
Nossos ministros da Cultura e da Educação já se reuniram mais de cem vezes para discutir como estimular nossa língua, como promovê-la e como garantir sua continuidade. Portanto, a língua também nos une.
É muito positivo observar, por exemplo, como o neerlandês conseguiu sobreviver e se desenvolver no Suriname, provavelmente recebendo influências diferentes de outras línguas. Na Bélgica, certamente temos maior influência do francês, enquanto nos Países Baixos existe uma influência muito forte do inglês.
Mas também existe um sentimento de pertencimento conjunto, de estarmos unidos. E há a questão do respeito: o mundo exterior deve respeitar aquilo que somos, mesmo que sejamos apenas um pequeno grupo.
Fabiana Ceyhan — Podemos dizer, então, que a língua é também parte fundamental da identidade de um povo.
Embaixador Chris Hoornaert — Sim. E devemos sempre respeitar as diferentes identidades e as diferentes culturas.
Às vezes nos esquecemos disso. Quando voltamos mil ou dois mil anos na história e observamos diferentes culturas, percebemos que elas também possuíam línguas diferentes. Tudo começa também pela língua, pela capacidade de nos comunicarmos.
E mesmo que não seja necessário voltar tanto no tempo, encontramos muitos exemplos interessantes dessa relação entre língua, cultura e identidade.
Fabiana Ceyhan — Muito obrigada, embaixador.
Confira a matéria no link: https://noticias.r7.com/prisma/diplomacia-e-embaixadas/embaixador-da-belgica-destaca-lingua-neerlandesa-como-expressao-de-identidade-cultura-e-diversidade-em-entrevista-ao-r7-03102026/
NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras (ISSN: 2764-1244) lança nova publicação
v. 6 n. 4 (2026): Educação inclusiva e inovação pedagógica: desafios e competência para a educação do futuro
Prezados leitores, Prezadas leitoras!
Voltamos mais uma vez com uma produção científica. Trata-se do Vol.6, nº 4 (2026)composto por vinte artigos que somam 367 páginas. O interesse pela pesquisa e pela publicação é de salutar e faz parte da vida acadêmica e profissional. Criamos esta revista (Njinga & Sepé) gratuita e de acesso livre para permitir a circulação do conhecimento de qualidade e proporcionar debates permanentes entre investigadores, docentes e estudantes. Pesquisar é examinar, é observar um fenomeno, um objeto a partir de uma prisma ou por uma perspectiva. Todas as perspectivas podem ser válidas a partir do ponto em que observamos e isso torna o conhecimento científico mais democrático. Nenhuma sociedade evoluiu sem apostar em estudos e pesquisas que revelam novas reflexões, caminhos e descobertas. Por isso, a Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Linguas Africanas de Brasileiras (ISSN: 2764-1244) aposta no compartilhamento de estudos e pesquisas redigidas por pesquisadores brasileiros e dos países africanos, europeus, asiáticos, americanos e australianos. Esta revista é a única no Brasil (talvez no mundo) que respeita as linguas dos povos minoritários (muitas dellas não oficiais) e aceita a publicação de materiais em línguas brasileiras, em línguas africanas (incluindo as línguas de sinais).
Esta publicação resulta de parcerias entre a Revista Njinga & Sepé (UNILAB) e as universidades africanas. Desta feita convidamos três docentes angolanos para organizar a publicação. Convidamos o Prof. Leonardo Tuyenikumwe Pedro (FCSH – Universidade do Namibe), o Prof. Dinis Fernando da Costa (FCSH – Universidade do Namibe) e o Prof. Reginaldo Ngola dos Santos Brinco (ISCED-Huila). Eles aceitaram o desafio e nos proporcionam este momento rico de aprendizagem a quem agradecemos.
Agora convidamos ao leitor e à leitora a percorrer a revista, compartilhando e lendo os trabalhos publicados. A democratização do conhecimento passa necessariamente por permitir que pesquisadores, docentes e estudantes de outros países (muitos deles sem revista na sua universidade) possam ter a oportunidade de divulgar seus trabalhos, estudos e pesquisas. Por isso caro e caro leitor aproveite o máximo nesta revista revista. No fim de cada artigo colocamos as possiveis formas de apresentar as referências em trabalhos acadêmico-científicos. Copie e cole as referências do seu artigo lido e citado.
Caso deseja organizar uma publicação entre em contato com o Editor-Chefe por meio do e-mail da revista. Agradecemos aos avaliadores, aos tradutores e aos organizadores pela dedicação na organização desta obra. O nosso muito obrigado, pois sem vocês seria impossivel. Esta publicação é uma das primeiras de tantas outras que serão publicadas ao longo do semestre. Encontrem nesta publicação temáticas linguisticas, literárias, de educação, de Gestão, de Psicopedagogia, entre várias.
Desejamos a todos uma boa leitura!
Alexandre António Timbane (Editor-Chefe)
Conheça o Repositório institucional da UNILAB. Lá encontra muitos livros, anais, revistas e outras publicações que podem ser úteis para a sua pesquisa. Visite:
1.A gramaticalização do português nas suas variedades e as políticas linguísticas para a autoestima e democracia linguística
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7815
2.Ensino-aprendizagem de línguas e estudos literários na perspectiva cultural no século XXI
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7816
3.As línguas africanas e o português na África lusófona: reflexões, descrições e políticas de ensino
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/4424
4.A lexicografia, a lexicologia e a onomástica em português: a língua em constante evolução
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7814
5.O português de/em Angola: peculiaridades linguísticas
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/2305
6.O cabo-verdiano e o português em convivência: descrição, ensino, literatura e cultura
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/3527
7.Estudos linguísticos, literários e culturais da Guiné-Bissau
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7487
8.Descrição linguística, educação e cultura em contextos pós-coloniais
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/2966

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo
Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo
Diante das grandes mobilizações na Bolívia, as comunidades seguem se organizando e pensando estratégias de enfrentamento. No Primeiro Fórum Internacional – Povos Originários e Camponeses da América do Sul – convocado pelo governo de Oruro, Bolivia, nos dias 21 e 22 de setembro a organização MUSUQ TAWANTINSUYU elaborou um documento com sua análise e reivindicações.
MUSUQ TAWANTINSUYUMAN PACHAKUTISUN (RUMO AO NOVO TAWANTINSUYU) COM O EMPODERAMENTO DE NOSSA IDENTIDADE MILENAR
“Dessa forma, os tiranos seriam extintos, para finalmente dar lugar a um governo de quatro pessoas equilibradas, que não podiam chegar ao poder sem o aval de seu *Ayllu*, de sua família, de seu bairro. Hoje em dia, qualquer degenerado, qualquer delinquente tem o direito de ser eleito presidente; não precisa, de forma alguma, do aval de seu *Ayllu* ou de sua família.”[1]
O 1º Fórum Internacional de Povos Indígenas – Originários e Camponeses do Sul do Continente “Rumo ao Pachakuti”, realizado em Oruro (2026), na Bolívia, assume um caráter histórico em um momento em que o império do norte implementa medidas concretas de restauração do colonialismo — sobretudo em nosso continente, Abya Yala, e também na Bolívia — sob a denominação de “Escudo das Américas” e a doutrina “Donroe”. Onde a raiz colonialista permaneceu, brota o colonialismo capitalista que, além de escravizar seus vassalos, vive em guerra permanente. Sua cobiça por matérias-primas não tem limites. A estrutura de poder e a hierarquização social colonial mantêm-se presentes na mente, na fala e nas ações dos agentes coloniais. Sua essência é o racismo, o desprezo por toda forma de vida, o domínio absoluto sobre a vida no mundo e a sua gradual eliminação física. Eles se valem de seus vassalos de direita e de esquerda, de mentalidade escrava, que muitas vezes se autodeclaram mestiços. Fizeram-nos acreditar que fazemos parte de um Estado-Nação onde apenas eles, com sua essência corrupta, detêm o poder econômico-financeiro, midiático e educacional. Do colonialismo histórico até o presente, jamais respeitaram tratados ou acordos firmados com nossos representantes. Na Bolívia, o governo de fato de Paz Pereira eliminou nossa Constituição Plurinacional e todo vestígio da democracia demagógica. Não possui outro programa de governo além das imposições do FMI. Mantém-se no poder matando nossos irmãos e irmãs originários que o enfrentaram durante os 52 dias de bloqueio. Mantém nossos líderes encarcerados sem que nenhum órgão de direitos humanos interceda por eles. O pouco conteúdo e a institucionalidade construídos desde a República estão sendo destruídos por seus próprios autores, os centenários. Diante dessa ofensiva colonialista, nós, os originários milenares dos *Ayllus*, reunidos no I Fórum Internacional, decidimos proclamar e executar a RESTITUIÇÃO DO MUSUQ TAWANTINSUYU com as seguintes reivindicações específicas:
1. Pela obrigatoriedade de falar nossas línguas — Quechua, Aymara e outras. A Constituição nos garante o direito de exercer nossas línguas. Existem leis que nos autorizam a usá-las, mas ninguém as cumpre. Tivemos um presidente originário que não fala sua língua materna e se comunica em um espanhol precário. Autoridades do Órgão Eleitoral Plurinacional são corruptas e as ignoram intencionalmente. O censo de 2024 mostra que falamos cada vez menos nossas línguas. O originário urbanizado transformou-se, consciente e inconscientemente, em cúmplice da destruição de nossas raízes milenares. Antes éramos multilíngues; agora somos monolíngues iludidos. Enquanto o mundo caminha para o multilinguismo, a doença do monolinguismo apoderou-se dos originários. Estamos perdendo a riqueza fonética, semântica e cultural de nossas línguas. O que fazer, então? O princípio jurídico processual é claro: se ninguém pede a nulidade, a norma se consolida. Ou seja, o descumprimento das leis tornou-se a norma, e ninguém faz nada contra essa desobediência. É preciso haver a imposição de multas e sanções. Os promotores devem ser originários multilíngues. Precisamos de medidas punitivas para garantir o cumprimento das leis. Devemos adotar uma postura firme e transformadora — um *Pachakuti* — que incorpore a perspectiva feminina: é necessário criar sanções econômicas para aqueles que não respeitam as leis relativas ao uso de nossas línguas, incluindo políticos em cargos administrativos, meios de comunicação (tanto estatais quanto privados) e autoridades educacionais que não criem espaços concretos para a prática de nossos idiomas. As multas devem servir para constituir um fundo de fomento às nossas línguas. O Estado, os governos regionais e as prefeituras devem investir e — por meio da criação de impostos específicos — apoiar e incentivar todos os projetos de recuperação e revitalização de nossas línguas, com base em nossos saberes ancestrais e modernos, voltados para crianças, jovens e adultos.
2. Pela participação de 80% dos nossos *Ayllus* nas empresas privadas, mistas e estatais. Desde a época colonial, as riquezas do nosso solo e subsolo têm apenas beneficiado outros países, empresas e famílias. As riquezas mundiais concentram-se nas mãos de poucos, nos centros coloniais. Os poderosos decidiram agora “higienizar” esses espaços e expulsar de lá qualquer pessoa que se assemelhe ao imigrante do Sul. Continuamos economicamente pobres, apesar de a Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais reconhecer o direito à terra e ao território como um aspecto fundamental para a subsistência, a cultura e a espiritualidade dos povos originários. Num ciclo de alternância, a direita privatiza e a esquerda nacionaliza… No fim das contas, a riqueza permanece nas mãos de famílias colonialistas, tanto de esquerda quanto de direita. Além disso, a nossa *Pachamama* está sendo envenenada, inclusive por pessoas de origem indígena com mentalidade colonizada. Os departamentos de Oruro, Potosí (onde se encontra a maior reserva mundial de lítio) e La Paz são exemplos desse desastre, sem falar nos rios contaminados por metais pesados e nas florestas incendiadas na Amazônia.
3. Precisamos de um *pachakuti* tectônico: nós, os *ayllus*, exigimos uma participação de 80% na propriedade — nacional e internacional — dos consórcios que exploram os nossos minérios. A nossa parcela será coletiva, indivisível, impenhorável e não transmissível por herança individual. As nossas riquezas possuem um valor monetário superior ao registrado nas principais bolsas de valores do mundo. Convocamos os povos indígenas originários de todo o planeta — e também aqueles que não o são — a unir esforços para viabilizar a defesa dos nossos recursos naturais e o cultivo da vida. O direito à língua originária e o direito ao uso dos recursos naturais são dois pilares fundamentais para a sobrevivência, a identidade e a autonomia dos povos indígenas e comunidades nativas. Ambos os direitos estão profundamente interconectados, uma vez que a língua é o meio pelo qual se transmitem os conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o território.
4. Pela restituição de nossos lugares sagrados e pela formação institucionalizada de guias de turismo. Uma sociedade que não cuida de suas raízes culturais históricas está destinada a tornar-se escrava e submissa à cultura predatória e destrutiva que é a cultura ocidental. O Estado, em todas as suas esferas, deve destinar recursos financeiros concretos, com base em leis de investimento, para a pesquisa e a restauração de centros arqueológicos de nossas culturas. Com base no mapeamento de centros espirituais e rotas turísticas — como o Qhapaq Ñan, as Wak’akuna, etc. —, devem ser desenvolvidas iniciativas comunitárias, privadas e mistas de turismo nas comunidades. Paralelamente a essa iniciativa, deve haver o incentivo a instituições de formação multilíngue para guias territoriais e culturais, a fim de evitar que a energia de cura desses lugares seja depredada pelo turismo, como ocorreu no Peru com Machu Picchu.
Patentear, abrir e potencializar mercados e feiras controladas para nossos produtos originários. O mercado nasce na mente. Depois, apodera-se do nosso consumo diário. Os meios de comunicação e as instituições o consolidam. Sobretudo, os povos originários que vivem nas cidades caíram na tentação do *fast food*, propagada constantemente pela mídia. Nos mercados, nos supermercados e até na vendinha da avó, encontram-se produtos fabricados em centros coloniais. São produtos não apenas de procedência duvidosa, mas que também contêm substâncias como plásticos, as quais envenenam a vida de todos. Nossas crianças não sabem que são herdeiras de muitos produtos que hoje alimentam o mundo, como a batata, a quinoa, a oca, o amendoim e outros.
O Estado e os governos regionais devem destinar recursos financeiros para patentear, respeitar e, sobretudo, proteger — tanto na Bolívia quanto no exterior — todos os nossos produtos. Devem incentivar feiras urbanas e rurais para produtos orgânicos agropecuários, frutos do cuidado com a Pachamama. Não se deve poupar esforços para promover o consumo de nossos produtos orgânicos, manufaturas e instrumentos artísticos nos meios de comunicação privados e estatais. É preciso que a única feira mundial da quinoa, em Challapata, disponha de todas as condições padrão de uma feira internacional de primeiro nível mundial. Nossa quinoa vale mais do que o lítio.
Que viva o novo Tawantinsuyu,
Tawantinsuyumanta Amawtakuna (TA),
Conselho Amawtico do Tawantinsuyu (C.A.T)
Oruro, 22 de setembro de 2026
[1] (Ninan Kuyuchij Arze de la Barra Yupanqui. La Sociedad Tetraléctica. 2016, p. 65)
Saiba mais lendo a matéria diretamente na fonte, siga o link do IELA, INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS, Universidade Federal de Santa Catarina
A geopolítica das línguas no podcast “Mundo, Vasto Mundo”, uma iniciativa da Rádio Cultura FM
Semanalmente, a jornalista Laura Greenhalgh recebe convidados no podcast “Mundo, Vasto Mundo” para conversas com especialistas em múltiplos campos de atuação, sejam eles: cientistas sociais, politólogos, economistas, linguistas, entre outros.

O programa é dedicado à análise de fatos que são notícia no mundo e despertam o interesse do público brasileiro. A produção chega no momento em que as fronteiras da política doméstica e internacional se cruzam, e oferece aos ouvintes análises atualizadas, com independência e pluralidade.
Semanalmente, o projeto apresentará conversas com especialistas em múltiplos campos de atuação, sejam eles: cientistas sociais, politólogos, economistas, entre outros. Jornalistas e correspondentes que acompanham o desenrolar dos fatos em diferentes países também farão parte da iniciativa.
“Vivemos tempos desafiadores com a entrada de novos atores na cena global, em meio a uma aceleração tecnológica sem precedentes. Entender o que se passa num mundo multipolar, interconectado e frenético, é condição sine qua non para atravessar turbulências e vislumbrar horizontes. O podcast nasce para levantar perguntas e buscar entendimentos”, diz Laura Greenhalgh.
A produção do podcast é uma iniciativa da Rádio Cultura. Mundo, Vasto Mundo estará disponível no Spotify toda quarta, a partir das 18h, com versão radiofônica ao ar às quintas, às 22h, pela Cultura FM.
Link Spotify para todos os episódios:
https://open.spotify.com/show/033SWURe0EQ8LzjPjmHhG5?si=4bd3f627a8d04474
“Mundo, Vasto Mundo”, com a jornalista Laura Greenhalgh
Quartas, 18h, no Spotify
Quintas, 22h, na Cultura FM
📻 103,3 FM
💻 culturafm.com.br
📱 App Cultura Play
Laura Greenhalgh é jornalista, editora e consultora na área de comunicação. Atuou em inúmeros veículos da imprensa brasileira e atualmente é colunista da Folha de S.Paulo para temas internacionais. Foi fundadora e diretora-executiva da Comissão Arns de Direitos Humanos.
Formação internacional em Compostela reforça ensino do português na Galiza
11/07/2026
Conclui em Santiago o curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego. Ensino galego de português passou a ganhar projeção mundial com os novos materiais disponibilizados para mais de 25.000 docentes inscritos na plataforma.
Entre os dias 6 e 10 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.
A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em países como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Timor-Leste, Argentina ou Hungria.
Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse site existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspetos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

António Gil presidente da AGLP, Marta Coutinho subdiretora da Secretaria Geral da Língua, João Neves diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Xosé Lago subdiretor geral da Direção de Exteriores, Carme Saborido presidenta DPG
Os organizadores destacaram a visão global e pluricêntrica da língua que as formadoras do PPPLE promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas variedades e culturas que compõem hoje o mundo de língua portuguesa. Assim, os três graus de conhecimento prévio do aprendente estabelecidos para os materiais no Portal foram adaptados nestas unidades didáticas à realidade galega.
Fruto do trabalho realizado nestes cinco dias, as 36 novas unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte, pela primeira vez desde a inauguração do Portal, das propostas didáticas disponíveis para mais de 25.000 docentes de português inscritos na plataforma. Segundo os organizadores estas unidades corresponder-se-iam com mais de 70 sessões completas para a sala de aulas que agora poderão ser utilizadas de maneira gratuita pelos inscritos no Portal.
Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa “representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas” na promoção do ensino do português e “reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais” dedicados à difusão da língua portuguesa. Em opinião da DPG a formação constituiu uma oportunidade para consolidar a comunidade especializada e para uma oferta educativa cada vez mais “ajustada à realidade sociolinguística galega“.
O evento foi organizado localmente pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração do governo galego e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A XVI edição do Curso, uma ação ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.
Confira a matéria no original: https://denorteasul.eu/2026/07/11/formacao-internacional-em-compostela-reforca-ensino-do-portugues-na-galiza/
GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS
O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.
Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau: https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/
Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:
- Khoisan ou hotentote-bochimanes
- Vátwa ou pré-bantu
- Bantu
Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vátwa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.
Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.
Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.
Visite a página do Instituto Kadila: https://kadila.cfh.ufsc.br/
Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e Justino Jorge José, publicado em REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL
Resumo:
O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.










