Relações internacionais

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Por IELA em 25 de setembro de 2026

Diante das grandes mobilizações na Bolívia, as comunidades seguem se organizando e pensando estratégias de enfrentamento. No Primeiro Fórum Internacional – Povos Originários e Camponeses da América do Sul  – convocado pelo governo de Oruro, Bolivia, nos dias 21 e 22 de setembro a organização MUSUQ TAWANTINSUYU elaborou um documento com sua análise e reivindicações.  

MUSUQ  TAWANTINSUYUMAN  PACHAKUTISUN (RUMO AO NOVO TAWANTINSUYU) COM O EMPODERAMENTO DE NOSSA IDENTIDADE MILENAR

“Dessa forma, os tiranos seriam extintos, para finalmente dar lugar a um governo de quatro pessoas equilibradas, que não podiam chegar ao poder sem o aval de seu *Ayllu*, de sua família, de seu bairro. Hoje em dia, qualquer degenerado, qualquer delinquente tem o direito de ser eleito presidente; não precisa, de forma alguma, do aval de seu *Ayllu* ou de sua família.”[1]

O 1º Fórum Internacional de Povos Indígenas – Originários e Camponeses do Sul do Continente “Rumo ao Pachakuti”, realizado em Oruro (2026), na Bolívia, assume um caráter histórico em um momento em que o império do norte implementa medidas concretas de restauração do colonialismo — sobretudo em nosso continente, Abya Yala, e também na Bolívia — sob a denominação de “Escudo das Américas” e a doutrina “Donroe”. Onde a raiz colonialista permaneceu, brota o colonialismo capitalista que, além de escravizar seus vassalos, vive em guerra permanente. Sua cobiça por matérias-primas não tem limites. A estrutura de poder e a hierarquização social colonial mantêm-se presentes na mente, na fala e nas ações dos agentes coloniais. Sua essência é o racismo, o desprezo por toda forma de vida, o domínio absoluto sobre a vida no mundo e a sua gradual eliminação física. Eles se valem de seus vassalos de direita e de esquerda, de mentalidade escrava, que muitas vezes se autodeclaram mestiços. Fizeram-nos acreditar que fazemos parte de um Estado-Nação onde apenas eles, com sua essência corrupta, detêm o poder econômico-financeiro, midiático e educacional. Do colonialismo histórico até o presente, jamais respeitaram tratados ou acordos firmados com nossos representantes. Na Bolívia, o governo de fato de Paz Pereira eliminou nossa Constituição Plurinacional e todo vestígio da democracia demagógica. Não possui outro programa de governo além das imposições do FMI. Mantém-se no poder matando nossos irmãos e irmãs originários que o enfrentaram durante os 52 dias de bloqueio. Mantém nossos líderes encarcerados sem que nenhum órgão de direitos humanos interceda por eles. O pouco conteúdo e a institucionalidade construídos desde a República estão sendo destruídos por seus próprios autores, os centenários. Diante dessa ofensiva colonialista, nós, os originários milenares dos *Ayllus*, reunidos no I Fórum Internacional, decidimos proclamar e executar a RESTITUIÇÃO DO MUSUQ TAWANTINSUYU com as seguintes reivindicações específicas:

1. Pela obrigatoriedade de falar nossas línguas — Quechua, Aymara e outras. A Constituição nos garante o direito de exercer nossas línguas. Existem leis que nos autorizam a usá-las, mas ninguém as cumpre. Tivemos um presidente originário que não fala sua língua materna e se comunica em um espanhol precário. Autoridades do Órgão Eleitoral Plurinacional são corruptas e as ignoram intencionalmente. O censo de 2024 mostra que falamos cada vez menos nossas línguas. O originário urbanizado transformou-se, consciente e inconscientemente, em cúmplice da destruição de nossas raízes milenares. Antes éramos multilíngues; agora somos monolíngues iludidos. Enquanto o mundo caminha para o multilinguismo, a doença do monolinguismo apoderou-se dos originários. Estamos perdendo a riqueza fonética, semântica e cultural de nossas línguas. O que fazer, então? O princípio jurídico processual é claro: se ninguém pede a nulidade, a norma se consolida. Ou seja, o descumprimento das leis tornou-se a norma, e ninguém faz nada contra essa desobediência. É preciso haver a imposição de multas e sanções. Os promotores devem ser originários multilíngues. Precisamos de medidas punitivas para garantir o cumprimento das leis. Devemos adotar uma postura firme e transformadora — um *Pachakuti* — que incorpore a perspectiva feminina: é necessário criar sanções econômicas para aqueles que não respeitam as leis relativas ao uso de nossas línguas, incluindo políticos em cargos administrativos, meios de comunicação (tanto estatais quanto privados) e autoridades educacionais que não criem espaços concretos para a prática de nossos idiomas. As multas devem servir para constituir um fundo de fomento às nossas línguas. O Estado, os governos regionais e as prefeituras devem investir e — por meio da criação de impostos específicos — apoiar e incentivar todos os projetos de recuperação e revitalização de nossas línguas, com base em nossos saberes ancestrais e modernos, voltados para crianças, jovens e adultos.

 2. Pela participação de 80% dos nossos *Ayllus* nas empresas privadas, mistas e estatais. Desde a época colonial, as riquezas do nosso solo e subsolo têm apenas beneficiado outros países, empresas e famílias. As riquezas mundiais concentram-se nas mãos de poucos, nos centros coloniais. Os poderosos decidiram agora “higienizar” esses espaços e expulsar de lá qualquer pessoa que se assemelhe ao imigrante do Sul. Continuamos economicamente pobres, apesar de a Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais reconhecer o direito à terra e ao território como um aspecto fundamental para a subsistência, a cultura e a espiritualidade dos povos originários. Num ciclo de alternância, a direita privatiza e a esquerda nacionaliza… No fim das contas, a riqueza permanece nas mãos de famílias colonialistas, tanto de esquerda quanto de direita. Além disso, a nossa *Pachamama* está sendo envenenada, inclusive por pessoas de origem indígena com mentalidade colonizada. Os departamentos de Oruro, Potosí (onde se encontra a maior reserva mundial de lítio) e La Paz são exemplos desse desastre, sem falar nos rios contaminados por metais pesados ​​e nas florestas incendiadas na Amazônia.

3. Precisamos de um *pachakuti* tectônico: nós, os *ayllus*, exigimos uma participação de 80% na propriedade — nacional e internacional — dos consórcios que exploram os nossos minérios. A nossa parcela será coletiva, indivisível, impenhorável e não transmissível por herança individual. As nossas riquezas possuem um valor monetário superior ao registrado nas principais bolsas de valores do mundo. Convocamos os povos indígenas originários de todo o planeta — e também aqueles que não o são — a unir esforços para viabilizar a defesa dos nossos recursos naturais e o cultivo da vida. O direito à língua originária e o direito ao uso dos recursos naturais são dois pilares fundamentais para a sobrevivência, a identidade e a autonomia dos povos indígenas e comunidades nativas. Ambos os direitos estão profundamente interconectados, uma vez que a língua é o meio pelo qual se transmitem os conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o território.

4. Pela restituição de nossos lugares sagrados e pela formação institucionalizada de guias de turismo. Uma sociedade que não cuida de suas raízes culturais históricas está destinada a tornar-se escrava e submissa à cultura predatória e destrutiva que é a cultura ocidental. O Estado, em todas as suas esferas, deve destinar recursos financeiros concretos, com base em leis de investimento, para a pesquisa e a restauração de centros arqueológicos de nossas culturas. Com base no mapeamento de centros espirituais e rotas turísticas — como o Qhapaq Ñan, as Wak’akuna, etc. —, devem ser desenvolvidas iniciativas comunitárias, privadas e mistas de turismo nas comunidades. Paralelamente a essa iniciativa, deve haver o incentivo a instituições de formação multilíngue para guias territoriais e culturais, a fim de evitar que a energia de cura desses lugares seja depredada pelo turismo, como ocorreu no Peru com Machu Picchu.
Patentear, abrir e potencializar mercados e feiras controladas para nossos produtos originários. O mercado nasce na mente. Depois, apodera-se do nosso consumo diário. Os meios de comunicação e as instituições o consolidam. Sobretudo, os povos originários que vivem nas cidades caíram na tentação do *fast food*, propagada constantemente pela mídia. Nos mercados, nos supermercados e até na vendinha da avó, encontram-se produtos fabricados em centros coloniais. São produtos não apenas de procedência duvidosa, mas que também contêm substâncias como plásticos, as quais envenenam a vida de todos. Nossas crianças não sabem que são herdeiras de muitos produtos que hoje alimentam o mundo, como a batata, a quinoa, a oca, o amendoim e outros.
O Estado e os governos regionais devem destinar recursos financeiros para patentear, respeitar e, sobretudo, proteger — tanto na Bolívia quanto no exterior — todos os nossos produtos. Devem incentivar feiras urbanas e rurais para produtos orgânicos agropecuários, frutos do cuidado com a Pachamama. Não se deve poupar esforços para promover o consumo de nossos produtos orgânicos, manufaturas e instrumentos artísticos nos meios de comunicação privados e estatais. É preciso que a única feira mundial da quinoa, em Challapata, disponha de todas as condições padrão de uma feira internacional de primeiro nível mundial. Nossa quinoa vale mais do que o lítio.

Que viva o novo Tawantinsuyu,
Tawantinsuyumanta Amawtakuna (TA),
Conselho Amawtico do Tawantinsuyu (C.A.T)

Oruro, 22 de setembro de 2026

[1] (Ninan Kuyuchij Arze de la Barra Yupanqui. La Sociedad Tetraléctica. 2016, p. 65)

Saiba mais lendo a matéria diretamente na fonte, siga o link do IELA, INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS, Universidade Federal de Santa Catarina

https://iela.ufsc.br/bolivia-rumo-ao-novo-tawantinsuyo/

A geopolítica das línguas no podcast “Mundo, Vasto Mundo”, uma iniciativa da Rádio Cultura FM

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Semanalmente, a jornalista Laura Greenhalgh recebe convidados no podcast “Mundo, Vasto Mundo” para conversas com especialistas em múltiplos campos de atuação, sejam eles: cientistas sociais, politólogos, economistas, linguistas, entre outros.

No episódio desta semana a conversa é com os professores Gilvan Müller de Oliveira e Rosângela Morello, linguistas, abordando a importância dos idiomas para a integração entre diferentes culturas, sociedades e países.
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“No contexto global, como as grandes potências, como Estados Unidos e China, se comportam diante de diferentes comunidades no seio do Estado nacional? E como o português pode servir como soft power para Brasil, Angola, Moçambique e Timor-Leste?”
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Para explorar e desmistificar esses e outros aspectos do multilinguismo, eles discutem a geopolítica das línguas e como Estados nacionais articulam seus idiomas para influenciar vizinhos e estreitar ou desfazer laços históricos, políticos e econômicos.
Para saber mais, acesse essa conversa no link:
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Foto: Giovanna Zanetti/Acervo TV Cultura
Foto: Giovanna Zanetti/Acervo TV Cultura
A Rádio Cultura FM de São Paulo (103,3 MHz), emissora da Fundação Padre Anchieta, apresenta o podcast Mundo, Vasto Mundo conduzido por Laura Greenhalgh, nome de destaque no jornalismo brasileiro e colunista da Folha de S.Paulo.

O programa é dedicado à análise de fatos que são notícia no mundo e despertam o interesse do público brasileiro. A produção chega no momento em que as fronteiras da política doméstica e internacional se cruzam, e oferece aos ouvintes análises atualizadas, com independência e pluralidade.

Semanalmente, o projeto apresentará conversas com especialistas em múltiplos campos de atuação, sejam eles: cientistas sociais, politólogos, economistas, entre outros. Jornalistas e correspondentes que acompanham o desenrolar dos fatos em diferentes países também farão parte da iniciativa.

“Vivemos tempos desafiadores com a entrada de novos atores na cena global, em meio a uma aceleração tecnológica sem precedentes. Entender o que se passa num mundo multipolar, interconectado e frenético, é condição sine qua non para atravessar turbulências e vislumbrar horizontes. O podcast nasce para levantar perguntas e buscar entendimentos”, diz Laura Greenhalgh.

A produção do podcast é uma iniciativa da Rádio Cultura. Mundo, Vasto Mundo estará disponível no Spotify toda quarta, a partir das 18h, com versão radiofônica ao ar às quintas, às 22h, pela Cultura FM.

Link Spotify para todos os episódios:

https://open.spotify.com/show/033SWURe0EQ8LzjPjmHhG5?si=4bd3f627a8d04474

“Mundo, Vasto Mundo”, com a jornalista Laura Greenhalgh
Quartas, 18h, no Spotify
Quintas, 22h, na Cultura FM

📻 103,3 FM

💻 culturafm.com.br
📱 App Cultura Play

 

 

Laura Greenhalgh é jornalista, editora e consultora na área de comunicação. Atuou em inúmeros veículos da imprensa brasileira e atualmente é colunista da Folha de S.Paulo para temas internacionais. Foi fundadora e diretora-executiva da Comissão Arns de Direitos Humanos.

 

Formação internacional em Compostela reforça ensino do português na Galiza

11/07/2026

 

Conclui em Santiago o curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego. Ensino galego de português passou a ganhar projeção mundial com os novos materiais disponibilizados para mais de 25.000 docentes inscritos na plataforma.

 

Entre os dias 6 e 10 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.

A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em países como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Timor-Leste, Argentina ou Hungria.

Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse site existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspetos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

António Gil presidente da AGLP, Marta Coutinho subdiretora da Secretaria Geral da Língua, João Neves diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Xosé Lago subdiretor geral da Direção de Exteriores, Carme Saborido presidenta DPG

 

Os organizadores destacaram a visão global e pluricêntrica da língua que as formadoras do PPPLE promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas variedades e culturas que compõem hoje o mundo de língua portuguesa. Assim, os três graus de conhecimento prévio do aprendente estabelecidos para os materiais no Portal foram adaptados nestas unidades didáticas à realidade galega.

Fruto do trabalho realizado nestes cinco dias, as 36 novas unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte, pela primeira vez desde a inauguração do Portal, das propostas didáticas disponíveis para mais de 25.000 docentes de português inscritos na plataforma. Segundo os organizadores estas unidades corresponder-se-iam com mais de 70 sessões completas para a sala de aulas que agora poderão ser utilizadas de maneira gratuita pelos inscritos no Portal.

 

Formadora Edleise Mendes

Momento duma sessão de trabalho conduzida da equipa docente pela professora Edleise Mendes

Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa “representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas” na promoção do ensino do português e “reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais” dedicados à difusão da língua portuguesa. Em opinião da DPG a formação constituiu uma oportunidade para consolidar a comunidade especializada e para uma oferta educativa cada vez mais “ajustada à realidade sociolinguística galega“.

O evento foi organizado localmente pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração do governo galego e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A XVI edição do Curso, uma ação ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.

 


Confira a matéria no original: https://denorteasul.eu/2026/07/11/formacao-internacional-em-compostela-reforca-ensino-do-portugues-na-galiza/

GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS

 

O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.

Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau:  https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/


 

Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:

  • Khoisan ou hotentote-bochimanes
  • Vá­twa ou pré-bantu
  • Bantu

Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vá­twa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.

Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.

Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.

 

Visite a página do Instituto Kadila:  https://kadila.cfh.ufsc.br/


 

Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e  Justino Jorge José, publicado em  REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL

Resumo:

O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.

.LÍNGUAS NACIONAIS Angola

UNESCO Maputo recebe o Professor Gilvan Muller de Oliveira

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UNESCO Maputo recebe o Professor Gilvan Muller de Oliveira

O Escritório da UNESCO em Maputo teve a honra de receber o Professor Gilvan Muller de Oliveira, após sua participação no Fórum Lusófono de Governança da Internet. Durante sua visita, o professor reuniu-se com os sectores de Ciências Sociais e Humanas e Ministério da Educação e Cultura – MEC para discutir possíveis colaborações em projetos como o mapeamento de idiomas nos domínios lusófonos, a inclusão de Moçambique no Atlas das Línguas da UNESCO, o fortalecimento da parceria com a Universidade Eduardo Mondlane e o apoio à Conferência de Jovens Investigadores da CPLP 2026.

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A visita reforçou o compromisso conjunto com a promoção de um futuro digital inclusivo, ético e multilingue.
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UNESCO Maputo Welcomes Professor Gilvan Muller de Oliveira
UNESCO Maputo was honored to host Professor Gilvan Muller de Oliveira following his impactful participation in the 3rd Lusophone Internet Governance Forum in Maputo. His insights on Linguistic and Cultural Diversity on the Internet inspired meaningful dialogue on inclusive digital transformation across Lusophone countries.
During his visit, Professor Gilvan met with the Social and Human Sciences (SHS) and Education sectors to explore collaboration opportunities, including:
Mapping languages across Lusophone internet domains (.mz, .pt, .br, etc.), to be presented at the 2026 Forum in Angola with INTIC.
ncluding Mozambique in UNESCO’s Atlas of the World’s Languages, in partnership with Eduardo Mondlane University.
Strengthening cooperation with the UNESCO Chair on Language Policies for Multilingualism, including student engagement in its international diploma.
Supporting the CPLP Young Researchers Conference, to be held in Mozambique in March 2026.
Professor Gilvan’s visit highlighted the strong cultural ties among Mozambique, Brazil, and Portugal, emphasizing the role of multilingualism in peacebuilding and sustainable development. UNESCO Maputo looks forward to continued collaboration toward inclusive and ethical digital futures.

Brasil vai sediar o 9º Encontro Ibero-americano Redplanes: Leitura, Diversidade e Democracia

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As profundas desigualdades e a crise de aprendizagem e compreensão leitora que a Iberoamérica atravessa, com suas graves implicações culturais, socioeconômicas e democráticas, tornam essencial fortalecer e renovar o trabalho sobre políticas de leitura nos campos cultural e educacional de todos os países da região. Em reconhecimento a esses desafios e com a convicção de que a leitura, a escrita e a oralidade são ferramentas essenciais para fechar lacunas e garantir o pleno exercício da cidadania, o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e o Caribe (Cerlalc), junto com o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação do Brasil e a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), convocam para o IX Encontro Ibero-Americano de Redplanes.

Redplanes, um programa permanente do Cerlalc criado há mais de duas décadas, é a plataforma regional que reúne os responsáveis ​​pelos planos nacionais de leitura dos 21 países ibero-americanos. Sua missão é consolidar políticas públicas que fortaleçam a leitura como direito e como instrumento de inclusão social e desenvolvimento democrático. De 13 a 16 de outubro de 2025, no Museu de Arte do Rio (MAR), o Rio de Janeiro — Capital Mundial do Livro 2025 — sediará este encontro, que reunirá delegações governamentais e especialistas internacionais para compartilhar experiências, identificar prioridades comuns e traçar caminhos conjuntos para o futuro da região.

Margarita Cuéllar Barona, diretora do Cerlalc, destaca: “Hoje mais do que nunca precisamos que os governos se comprometam com a leitura, a escrita e a comunicação oral, reconhecendo-as como ferramentas poderosas para o exercício da democracia e a construção da cidadania. Esse compromisso deve se traduzir no fortalecimento de políticas públicas que fechem as brechas sociais e culturais e garantam que o direito à leitura, à escrita e à comunicação oral seja um direito efetivo do cidadão. O IX Encontro Ibero-Americano de Redplanes é uma oportunidade para renovar estratégias, compartilhar experiências e consolidar uma agenda comum que faça da cultura escrita e oral um motor de inclusão e equidade na região”.

O encontro no Rio de Janeiro representa um marco para as políticas de leitura, escrita e oralidade (LEO) na Iberoamérica por vários motivos. Primeiro, porque ocorre no contexto do reconhecimento da cidade como Capital Mundial do Livro pela Unesco. Além disso, coincide com a presidência brasileira do Conselho do Cerlalc, período em que o país liderou um processo de renovação das abordagens de cooperação regional em políticas de leitura. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério da Educação (MEC), está em fase final de construção do seu novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL 2025–2035); o decreto deve ser, em breve, sancionado pelo presidente Lula. O documento estabelece metas para democratizar o acesso aos livros, promover a leitura e apoiar toda a cadeia produtiva do livro.

Margareth Menezes, ministra da Cultura do Brasil, destaca: “A importância da leitura e da escrita para o exercício da democracia é uma realidade incontornável. Eu gostaria também de destacar a dimensão cultural dessas práticas como meios de expressão artística e transformação social, pois ler e escrever mudam os indivíduos e as comunidades. Por isso, quero reforçar a importância estratégica desse encontro como forma de trocarmos experiências e tornar mais eficazes políticas públicas que buscam construir uma região de leitores”.

Durante quatro dias, as pessoas responsáveis pelas políticas de leitura e especialistas de toda a região participarão de palestras, painéis e debates com figuras de destaque Judith Kalman, Eliana Yunes, Altaci Corrêa Rubim, Conceição Evaristo, Roger Chartier e Inés Miret. A programação também incluirá a apresentação de estudos e publicações relevantes, como o Estudo Regional sobre Políticas Públicas e Planos Nacionais de Leitura, Escrita, Oralidade e Livro na Iberoamérica, desenvolvido pelo Cerlalc e pela OEI com o apoio da CAF; um dossiê sobre prioridades estratégicas para a formulação e sustentabilidade de políticas de leitura; e o guia “Planos Nacionais de Leitura, Escrita e Oralidade: Um Roteiro de Ação e Renovação para sua Formulação e Implementação”. A OEI também apresentará o estudo “Percepções e Práticas de Adolescentes e Jovens na Iberoamérica em Relação à Leitura, Escrita e Oralidade”.

Raphael Callou, diretor-geral de Cultura da OEI, destaca: “Este encontro é uma oportunidade de estreitar os laços de cooperação na Ibero-América em matéria de leitura, escrita, oralidade e livro, gerando um espaço para o fortalecimento da articulação das políticas públicas na região, a partir de estudos e evidências”.

Credenciamento: Profissionais de imprensa devem preencher o formulário de credenciamento para participação na cobertura do evento, até às 17h do dia 10 de outubro (sexta-feira).

Sobre o Cerlalc

O Cerlalc é uma organização intergovernamental e um centro de categoria 2 da Unesco, com sede em Bogotá, Colômbia. Trabalha para criar condições adequadas para o desenvolvimento de sociedades leitoras e escritoras que possam exercer plenamente seus direitos educacionais e culturais em condições de inclusão, equidade, diversidade, interculturalidade, sustentabilidade ambiental e justiça. Para isso, concentra suas ações na promoção da produção e circulação de livros, na promoção da leitura e da escrita e no incentivo à criação intelectual e artística. O Cerlac é a única organização intergovernamental especializada nas áreas de leitura, escrita, bibliotecas e ecossistema editorial. Nascido a partir de um acordo de cooperação internacional entre o governo colombiano e a Unesco em 1971, o Centro conta atualmente com vinte e um países ibero-americanos como membros.

Sobre o Ministério da Cultura do Brasil

O Ministério da Cultura (MinC) é responsável pelo planejamento e execução das políticas nacionais de cultura e artes no Brasil. A atual estrutura da Pasta inclui órgãos de assistência direta e imediata à ministra Margareth Menezes, oito secretarias (Secretaria Executiva; Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural; Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura; Secretaria de Direitos Autorais e Intelectuais; Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura; Secretaria de Economia Criativa; Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura; e Secretaria do Audiovisual), quatro órgãos colegiados (Conselho Nacional de Política Cultural; Comissão Nacional de Incentivo à Cultura; Comissão do Fundo Nacional da Cultura; e Conselho Superior do Cinema), além de Escritórios Estaduais em todas as unidades da Federação. O MinC tem, ainda, sete entidades vinculadas: Agência Nacional do Cinema (Ancine); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Fundação Biblioteca Nacional; Fundação Casa de Rui Barbosa; Fundação Cultural Palmares; Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Sobre o Ministério da Educação do Brasil

O Ministério da Educação (MEC) é o órgão do Governo Federal que trata da política nacional de educação em geral no Brasil. De acordo com o Decreto n.º 12.003, de 23 de abril de 2024, são competências do Ministério da Educação, como órgão da administração pública federal direta: política nacional de educação; educação em geral, compreendidos educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, educação de jovens e adultos, educação profissional e tecnológica, educação especial e educação a distância, exceto ensino militar; avaliação, informação e pesquisa educacional; pesquisa e extensão universitária; magistério e demais profissionais da educação; e assistência financeira a famílias carentes para a escolarização de seus filhos ou dependentes. Dentre os serviços ofertados ao público estão os de inscrição no Sistema de Seleção Unificada (SISU); o Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec); o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Profissional e Emprego (Pronatec) e o Programa de Financiamento Estudantil (Fies).

Sobre a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI)

Sob o lema “Fazemos a cooperação acontecer”, a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) é a primeira organização intergovernamental de cooperação Sul-Sul na Iberoamérica desde 1949. Atualmente, conta com 23 Estados-membros e 19 escritórios nacionais, além da Secretaria-Geral em Madri. Em 2024, recebeu o prestigioso Prêmio Princesa das Astúrias de Cooperação Internacional “por seu frutífero trabalho na promoção do multilateralismo e por representar uma importante ponte nas relações entre a Europa e a Iberoamérica”.

SERVIÇO

9° Encontro Ibero-Americano de Redplanes:  Leitura, Diversidade e Democracia
Data: 13 a 16 de outubro de 2025
Local: Museu de Arte do Rio – Praça Mauá, Saúde – Rio de Janeiro (RJ)

Outras informações
Assessoria de Imprensa MinC
imprensa.minc@cultura.gov.br
Canal do MinC no WhatsApp

Cultura, Artes, História e Esportes

Saiba mais: https://www.gov.br/cultura/pt-br/centrais-de-conteudo/sala-de-imprensa/avisos-de-pauta/brasil-vai-sediar-o-9o-encontro-ibero-americano-redplanes-leitura-diversidade-e-democracia

 

 

Confira postagem anterior: http://ipol.org.br/ix-encuentro-iberoamericano-de-redplanes-lectura-diversidad-y-democracia-rio-de-janeiro-brasil-13-al-16-de-octubre-de-2025/

 

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I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

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