Línguas Indígenas

MS tem 69 escolas indígenas e mais de 20 mil alunos; 64 ensinam na língua materna

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Por: João Paulo Ferreira em 02/11/2026

Dados do Censo Escolar mostram unidades em 24 municípios, com internet em 68 delas

Escola Estadual Indígena Intercultural Guateka – Marçal de Souza, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, uma das 22 unidades indígenas da rede estadual - Foto: Juarez Júnior

Escola Estadual Indígena Intercultural Guateka – Marçal de Souza, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, uma das 22 unidades indígenas da rede estadual – Foto: Juarez Júnior

 

Mato Grosso do Sul tem 69 escolas indígenas, com 20.219 estudantes matriculados, distribuídas em 24 dos 79 municípios do Estado, o equivalente a 30,4% das cidades sul-mato-grossenses. Os dados são do Censo Escolar da Educação Básica 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento foi organizado pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS), programa da UFMS em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania.
Há escolas indígenas em Amambai, Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Caarapó, Campo Grande, Coronel Sapucaia, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Dourados, Eldorado, Japorã, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sete Quedas, Sidrolândia e Tacuru. Do total, 47 unidades pertencem às redes municipais e 22 à rede estadual.

Língua materna em 64 escolas
Das 69 escolas, 61 são bilíngues: ensinam a língua do povo atendido e também o português. Outras três utilizam somente a língua indígena, e cinco apenas o português. Pela legislação, a escola indígena não é definida apenas pela origem étnica dos alunos. A Resolução CNE/CEB nº 5/2012 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena estabelecem quatro critérios: proposta pedagógica própria, que integra os saberes da comunidade; uso da língua materna ao lado do português; gestão comunitária e territorial; calendário e materiais adaptados à realidade local. Por isso, a matrícula de estudantes não indígenas, como moradores do entorno ou filhos de servidores, não descaracteriza a escola.

Perfil dos alunos
Dos 20.219 estudantes, 17.900 (88,5%) se declaram indígenas, 1.075 (5,3%) pardos, 701 (3,5%) brancos, 23 (0,1%) pretos e 15 (0,1%) amarelos. Outros 505 (2,5%) não declararam cor ou raça. São 10.216 meninos (50,5%) e 10.003 meninas (49,5%).
O transporte escolar público atende 8.121 alunos: 6.794 pela rede municipal e 1.327 pela estadual.

Garantir o acesso a essas unidades virou preocupação recente em parte das aldeias. Em Tacuru, um dos municípios da lista, indígenas deixaram de beber água após servidores da prefeitura ameaçarem envenenamento. O caso é apurado pelo Ministério Público Federal.

 

Internet chega a 68 unidades

O acesso à internet está presente em 68 das 69 escolas. Há equipamentos multimídia em 61 e computador em 59. O laboratório de informática existe em 34 unidades, a biblioteca ou sala de leitura em 30 e a quadra de esportes em 57.

Duas escolas têm laboratório de Ciências. Outras 15 contam com sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), espaço de apoio pedagógico a estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) ou altas habilidades/superdotação.

Recursos de acessibilidade

Entre os recursos de acessibilidade, 25 escolas têm portas com vão livre de pelo menos 80 cm, 17 têm rampas, oito têm corrimão, oito têm piso tátil e uma tem elevador. Em 28 unidades, o Censo não registrou nenhum dos recursos listados.

“Reunir essas informações permite conhecer diferentes aspectos da educação escolar indígena em Mato Grosso do Sul, desde o número e o perfil dos estudantes até as condições de infraestrutura, acessibilidade e tecnologia das unidades. O papel do Observatório é organizar esses dados públicos e torná-los mais acessíveis para a sociedade e para quem atua no planejamento e na construção de políticas públicas”, afirma o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel de Oliveira.

 

Confira o link: https://osulmatogrossense.com.br/noticia/39289/ms-tem-69-escolas-indigenas-e-mais-de-20-mil-alunos-64-ensinam-na-lingua-materna

Brasil terá primeira Universidade Federal Indígena, com início das aulas previsto para 2027

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A instituição terá sede em Brasília e campi distribuídos por diferentes regiões do país. Os dez primeiros cursos começarão em 2027, com atenção especial à formação de professores, à saúde e à proteção ambiental. O objetivo é valorizar os conhecimentos ancestrais e garantir aos povos originários novas oportunidades de educação e autonomia.

Francesco Citterich – Cidade do Vaticano

O Brasil dá um passo histórico no reconhecimento dos direitos e das culturas dos povos originários com a criação de sua primeira Universidade Federal Indígena. Denominada Uninind, a instituição nasce com a proposta de construir uma ponte entre a formação científica, os conhecimentos acadêmicos e os saberes ancestrais das comunidades indígenas, reconhecendo nestes últimos um papel central na produção e na transmissão do conhecimento. Trata-se de um projeto inovador, que pretende transformar o ensino superior em um instrumento de emancipação, autonomia e valorização das identidades culturais.

Os primeiros cursos em 2027

A sede central será em Brasília, enquanto a estrutura acadêmica contará com campi distribuídos por diferentes regiões do país, de modo a alcançar as numerosas comunidades indígenas presentes no território nacional. Os dez primeiros cursos universitários deverão começar no segundo semestre de 2027, marcando o início concreto de um projeto aguardado há muito tempo. A oferta inicial de cursos responderá, sobretudo, a algumas das necessidades mais urgentes dos povos originários.

Formação, educação e saúde

Entre as áreas contempladas estão a formação de professores, a saúde pública indígena e a gestão territorial e ambiental. São setores estratégicos nos quais a qualificação profissional pode contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida das comunidades e para a proteção de seus direitos.

O objetivo não é apenas formar novos profissionais, mas preparar pessoas capazes de atuar no interior de suas próprias comunidades, compreendendo suas necessidades e valorizando suas particularidades.

No campo da educação, por exemplo, a universidade poderá favorecer a formação de professores capazes de integrar aos programas escolares as línguas, as tradições e os conhecimentos dos povos originários. Na área da saúde, por sua vez, o encontro entre a medicina científica e as práticas tradicionais poderá contribuir para o desenvolvimento de modelos de atendimento mais atentos às especificidades culturais e sociais das diferentes populações.

A proteção do território e do meio ambiente

Uma atenção especial também será dedicada à gestão ambiental. Para muitos povos indígenas, o território não representa simplesmente um recurso econômico, mas constitui um elemento fundamental de sua identidade, memória coletiva e organização social.

Dessa forma, os conhecimentos ancestrais relacionados à biodiversidade, à conservação das florestas e ao uso sustentável dos recursos naturais poderão dialogar com os instrumentos da pesquisa científica, oferecendo novas perspectivas para enfrentar os desafios ambientais.

O direito à educação e à identidade cultural

A criação da Uninind representa também uma resposta a uma reivindicação histórica dos povos indígenas brasileiros: ter acesso ao ensino superior sem serem obrigados a abandonar sua identidade cultural.

Durante muito tempo, as dificuldades de acesso às universidades e a distância entre os modelos educacionais tradicionais e aqueles adotados pelas instituições acadêmicas constituíram obstáculos importantes.

A nova universidade pretende superar essa separação, reconhecendo que os saberes das comunidades originárias não são um patrimônio a ser relegado ao passado, mas conhecimentos vivos, capazes de contribuir para o futuro do país.

Novas oportunidades para as comunidades indígenas

A autonomia econômica e as oportunidades de trabalho também representam componentes essenciais do projeto. Formar profissionais provenientes das comunidades indígenas significa fortalecer sua capacidade de administrar diretamente serviços, programas e iniciativas relacionados aos próprios territórios, reduzindo a dependência de competências externas e favorecendo um desenvolvimento mais inclusivo.

As projeções indicam que, nos primeiros quatro anos de funcionamento, a universidade poderá alcançar aproximadamente 2.800 estudantes matriculados. Uma meta que demonstra a dimensão da iniciativa e as expectativas em torno de sua concretização.

Uma ponte entre conhecimentos e culturas

Com a Uninind, o Brasil procura, portanto, repensar o próprio significado da universidade: não mais apenas um espaço de transmissão do conhecimento acadêmico, mas um lugar de encontro entre culturas, experiências e diferentes visões de mundo.

Trata-se de um desafio educativo e cultural que reconhece aos povos indígenas não apenas o direito de acessar o conhecimento, mas também o de serem seus protagonistas e produtores, contribuindo para construir um futuro no qual o progresso científico, a diversidade cultural e a proteção ambiental possam caminhar juntos.

 

Confira o link: https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-11/brasil-universidade-indigenas-cultura-tradicoes.html

Saiba mais visitando: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/educacao/audio/2026-05/lula-sanciona-lei-que-cria-primeira-universidade-federal-indigena

 

Maira Porongyta – o aviso do céu é exibido no 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte

A mostra reúne filmes brasileiros que dialogam com narrativas fantásticas, ancestralidade e espiritualidade. Estamos muito felizes por fazer parte dessa seleção e compartilhar espaço com obras tão potentes!


Maira Porongyta – o aviso do céu

Sinopse: Uma história que vem do céu

Na trama, Itaarió, criador do mundo e o mais poderoso entre os Mait — deuses do povo Kaiabi — convoca uma reunião no céu para anunciar um aviso inquietante. A narrativa mergulha na cosmologia indígena e leva para a tela saberes ancestrais contados a partir do olhar de quem vive essa cultura.

Por que ver

O filme recebeu o Prêmio Cardume de Curtas-metragens na edição de 2025 do Olhar de Cinema 2026 — Festival de Curitiba. A obra tece a narrativa da cosmogonia indígena a partir da vivência daqueles que fazem parte dela e perpetuam suas histórias em um ato de fé e resistência. Diversas figuras e valores espirituais são retratados no curta-metragem que se distancia do que o imaginário coletivo caracteriza como “lenda” e se aproxima da realidade de saber ancestral e cultura.

O curta-metragem “Maira Porongyta – o aviso do céu” é baseado num sonho do pajé Tuiaraiup Kaiabi. Nesse sonho, Itaarió, criador do mundo, convoca os Mait, deuses dos kaiabi, para uma reunião no céu, onde transmite um aviso inquietante sobre as mudanças climáticas.

Ficha técnica:

Ano: 2025
Direção: Kujãesage Kaiabi
Elenco: Tuiaraiup Kaiabi, Mairepy Kaiabi e Pa’at Kaiabi
Duração: 20 minutos
País: Brasil (Mato Grosso)
Direção: Kujãesage Kaiabi
Produção: Julia Bernstein, Tiago Carvalho
Fotografia: Ukaraiup Kaiabi, Tairi’i Kaiabi, Paulo Castiglioni
Gênero: Ficção / Documentário (Cosmogonia Kaiabi

 

 

Saiba mais sobre o coletivo visitando o instagram: https://www.instagram.com/coletivo.emaejeree/

 

 

 

Acesse a página no link abaixo e se inscreva para assistir a inúmeros filmes:

https://www.itauculturalplay.com.br/browser

Link para o Festival :

https://www.itauculturalplay.com.br/content/collections/6ab7149dbd7aa4e9398edf22

 

Realizado em Manaus, o Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à IC Play com uma seleção de mais de trinta filmes recentes, produzidos no Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Temas como a memória, as relações familiares e a ancestralidade combinam-se em narrativas íntimas e reflexões sobre território e cultura. Em cartaz até 12 de outubro, segunda-feira.

 

Eleições 2026: cartazes em línguas indígenas orientam votação em aldeias de São Paulo

Materiais em Guarani e Guarani Mbya trazem orientações sobre a votação e outros serviços da Justiça Eleitoral para o pleito de 4 de outubro

Garantir o direito ao voto também significa considerar as diferentes realidades de quem vive em regiões mais isoladas ou de difícil acesso. Nas Eleições 2026, eleitoras e eleitores indígenas terão acesso a cartazes com orientações sobre o pleito em suas próprias línguas. Os materiais reúnem informações sobre temas como proibição do uso do celular na seção eleitoral, justificativa, boca de urna, entre outros. A iniciativa integra o Programa de Inclusão Político-Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que, além de atuar nos territórios indígenas, desenvolve ações com o eleitorado quilombola, caiçara e de outras comunidades tradicionais que vivem em locais de difícil acesso.

Para o pleito deste ano, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRE-SP preparou modelos específicos para 15 zonas eleitorais que possuem eleitores da etnia Guarani-Mbya. Os cartazes explicam a ordem de votação, o uso da cola eleitoral e as regras de preferência na fila de votação, de acordo com as necessidades dessas comunidades. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também produziu e encaminhou ao estado cartazes na língua Guarani, que serão enviados a 14 aldeias.

A medida ocorre em um cenário de crescimento no estado do eleitorado que se identifica como indígena. São Paulo tem mais de 7.400 eleitoras e eleitores indígenas aptos a votar nas Eleições 2026, o dobro dos 3.700 registrados nas Eleições Municipais de 2024, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A iniciativa está alinhada à Resolução do TSE nº 23.659/2021, que estabelece que o atendimento aos povos indígenas deve considerar sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. A norma também assegura o uso das línguas maternas no atendimento eleitoral.

                      Cartaz transferência Guarani Mbya – TRE-SP

Voto mais perto de casa

Além do eleitorado índigena, as ações do TRE-SP contemplam ainda quilombolas, caiçaras e outras comunidades tradicionais com a transferência temporária de eleitoras e eleitores, o transporte e a participação de pessoas das próprias comunidades no atendimento durante o pleito.

Em 2026, por meio do Programa de Inclusão Político-Eleitoral, foram realizadas ações itinerantes e facilitadas de transferências temporárias para pessoas que vivem nessas localidades. Com as mudanças, alguns eleitores que antes precisavam percorrer cerca de duas horas para votar poderão chegar à seção em aproximadamente 20 minutos.

No entanto, quando o deslocamento ainda é necessário, o transporte também faz parte do planejamento. Neste pleito, 16 aldeias indígenas e quilombos terão transporte fornecido pela Justiça Eleitoral. Em outras regiões, o deslocamento será feito por meio de linhas disponibilizadas pelas prefeituras. Em Ilhabela, também houve articulação com a Polícia Militar para o transporte de urnas, materiais e pessoas até as comunidades caiçaras isoladas de Bonete e Castelhanos.

                  Cartaz manual do eleitor traduzido para Guarani Mbya

Apoio de quem conhece a comunidade

A preparação para o pleito conta ainda com a participação de pessoas que conhecem de perto a realidade de cada comunidade. Em diferentes zonas eleitorais, foram designados apoios logísticos e colaboradores para auxiliar no atendimento ao eleitorado indígena. Esses profissionais poderão prestar informações no idioma local, organizar o fluxo nos locais de votação, esclarecer dúvidas e ajudar na articulação do transporte entre as aldeias e as seções eleitorais.

Na 403ª Zona Eleitoral — Jaraguá, houve treinamento específico sobre os cartazes traduzidos, além da atuação de mesários e apoios indígenas. Na 381ª ZE — Parelheiros, foi convocado apoio indígena e estabelecida interlocução com lideranças e servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para reforçar o atendimento nas escolas que recebem eleitorado da Terra Indígena Tenondé. Em outras regiões do estado, também foram adotadas medidas para contar com integrantes das próprias comunidades ou colaboradores articulados com as lideranças locais.

imprensa@tre-sp.jus.br

 

Confira a matéria na fonte: https://www.tre-sp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/eleicoes-2026-cartazes-em-linguas-indigenas-orientam-votacao-em-aldeias-de-sao-paulo

Instituto Federal abre 300 vagas em especialização EaD gratuita em Línguas Indígenas de Sinais

Por Marina Damasceno

 

O  Instituto Federal da Bahia (IFBA), por meio do Campus Porto Seguro, abriu 300 vagas gratuitaspara a Especialização em Línguas  Indígenas de Sinais (LIS). O curso será oferecido a distância, tem 450 horas e inscrições de 3 a 18 de outubro de 2026. A seleção, regulamentada pelo Edital nº 24/2026/PRPGI/IFBA, alcança candidatos de todas as regiões do país.

IFBA abre edital para Especialização em Língua Brasileira de Sinais:

O curso é uma pós-graduação lato sensu gratuita, conduzida em ambiente virtual institucional. A programação combina atividades síncronas e assíncronas, permitindo que os conteúdos sejam acessados ao longo da semana, de acordo com a organização de cada estudante. A duração prevista é de 12 meses.

O foco formativo é relevante porque as línguas de sinais usadas em povos  indígenas não devem ser reduzidas a uma simples variação da Libras. Elas podem ter vocabulários, usos sociais e formas de transmissão ligados a histórias e comunidades específicas. Na escola, ignorar essa dimensão pode produzir barreiras de comunicação e de participação, mesmo quando há boa intenção de inclusão.

Para docentes, coordenadores e equipes de apoio, o curso pode contribuir para qualificar o diálogo entre  educação especial, educação escolar indígena e práticas pedagógicas interculturais. O ganho não está em prometer uma solução pronta para cada realidade, mas em construir repertório para escuta, planejamento conjunto e encaminhamentos respeitosos com as comunidades e suas lideranças.

Vagas por região

As vagas não foram concentradas apenas na Bahia. O edital prevê a mesma quantidade de lugares para cada região geográfica brasileira, uma distribuição que pode favorecer a formação de redes de troca entre profissionais de diferentes territórios. A classificação e as reservas de vagas devem ser verificadas diretamente no documento oficial.

Região Vagas
Norte 60
Nordeste 60
Centro-Oeste 60
Sudeste 60
Sul 60
Total 300

Quem pode se inscrever

O edital é voltado a profissionais graduados. Entre os perfis destacados pelo IFBA estão professores de comunidades indígenas com licenciatura, egressos de cursos de Licenciatura ou Bacharelado em Letras-Libras, Licenciatura Intercultural Indígena, Pedagogia Intercultural Indígena e Pedagogia. Também entram no público potencial professores não indígenas, gestores e técnicos da Educação Básica pública ou privada.

Há ainda a possibilidade de participação de graduados de outras áreas que pretendam contribuir para a estruturação de redes de ensino para indígenas surdos, desde que atendam às exigências previstas. Essa abertura não dispensa a conferência cuidadosa do edital: o candidato deve checar se sua formação, o nível de conhecimento linguístico e os documentos solicitados correspondem à modalidade de concorrência escolhida.

Como fazer a inscrição

As inscrições são exclusivamente on-line, no site do  IFBA Campus Porto Seguro, de 3 a 18 de outubro de 2026.

Etapa Informação
Inscrições 03 a 18/10/2026
Curso Especialização em Línguas Indígenas de Sinais (LIS)
Modalidade Educação a Distância, com atividades síncronas e assíncronas
Custo Gratuito

O candidato deve usar um e-mail que acompanhe com frequência e guardar os comprovantes de envio. Eventuais retificações, cronograma detalhado, critérios de seleção e o acesso ao formulário são divulgados na página do processo seletivo. Não deixe a conferência de documentos para o último dia, principalmente se precisar obter declarações de experiência ou de formação.

Inscrições abertas até 18 de outubro de 2026

A seleção é gratuita e ocorre pela internet. Consulte as regras, os documentos e o formulário na página oficial do IFBA Campus Porto Seguro.

Acessar o Edital nº 24/2026/PRPGI/IFBA

Confira a matéria na fonte: https://www.pebsp.com/instituto-federal-abre-300-vagas-em-especializacao-ead-gratuita-em-linguas-indigenas-de-sinais/

 

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Por IELA em 25 de setembro de 2026

Diante das grandes mobilizações na Bolívia, as comunidades seguem se organizando e pensando estratégias de enfrentamento. No Primeiro Fórum Internacional – Povos Originários e Camponeses da América do Sul  – convocado pelo governo de Oruro, Bolivia, nos dias 21 e 22 de setembro a organização MUSUQ TAWANTINSUYU elaborou um documento com sua análise e reivindicações.  

MUSUQ  TAWANTINSUYUMAN  PACHAKUTISUN (RUMO AO NOVO TAWANTINSUYU) COM O EMPODERAMENTO DE NOSSA IDENTIDADE MILENAR

“Dessa forma, os tiranos seriam extintos, para finalmente dar lugar a um governo de quatro pessoas equilibradas, que não podiam chegar ao poder sem o aval de seu *Ayllu*, de sua família, de seu bairro. Hoje em dia, qualquer degenerado, qualquer delinquente tem o direito de ser eleito presidente; não precisa, de forma alguma, do aval de seu *Ayllu* ou de sua família.”[1]

O 1º Fórum Internacional de Povos Indígenas – Originários e Camponeses do Sul do Continente “Rumo ao Pachakuti”, realizado em Oruro (2026), na Bolívia, assume um caráter histórico em um momento em que o império do norte implementa medidas concretas de restauração do colonialismo — sobretudo em nosso continente, Abya Yala, e também na Bolívia — sob a denominação de “Escudo das Américas” e a doutrina “Donroe”. Onde a raiz colonialista permaneceu, brota o colonialismo capitalista que, além de escravizar seus vassalos, vive em guerra permanente. Sua cobiça por matérias-primas não tem limites. A estrutura de poder e a hierarquização social colonial mantêm-se presentes na mente, na fala e nas ações dos agentes coloniais. Sua essência é o racismo, o desprezo por toda forma de vida, o domínio absoluto sobre a vida no mundo e a sua gradual eliminação física. Eles se valem de seus vassalos de direita e de esquerda, de mentalidade escrava, que muitas vezes se autodeclaram mestiços. Fizeram-nos acreditar que fazemos parte de um Estado-Nação onde apenas eles, com sua essência corrupta, detêm o poder econômico-financeiro, midiático e educacional. Do colonialismo histórico até o presente, jamais respeitaram tratados ou acordos firmados com nossos representantes. Na Bolívia, o governo de fato de Paz Pereira eliminou nossa Constituição Plurinacional e todo vestígio da democracia demagógica. Não possui outro programa de governo além das imposições do FMI. Mantém-se no poder matando nossos irmãos e irmãs originários que o enfrentaram durante os 52 dias de bloqueio. Mantém nossos líderes encarcerados sem que nenhum órgão de direitos humanos interceda por eles. O pouco conteúdo e a institucionalidade construídos desde a República estão sendo destruídos por seus próprios autores, os centenários. Diante dessa ofensiva colonialista, nós, os originários milenares dos *Ayllus*, reunidos no I Fórum Internacional, decidimos proclamar e executar a RESTITUIÇÃO DO MUSUQ TAWANTINSUYU com as seguintes reivindicações específicas:

1. Pela obrigatoriedade de falar nossas línguas — Quechua, Aymara e outras. A Constituição nos garante o direito de exercer nossas línguas. Existem leis que nos autorizam a usá-las, mas ninguém as cumpre. Tivemos um presidente originário que não fala sua língua materna e se comunica em um espanhol precário. Autoridades do Órgão Eleitoral Plurinacional são corruptas e as ignoram intencionalmente. O censo de 2024 mostra que falamos cada vez menos nossas línguas. O originário urbanizado transformou-se, consciente e inconscientemente, em cúmplice da destruição de nossas raízes milenares. Antes éramos multilíngues; agora somos monolíngues iludidos. Enquanto o mundo caminha para o multilinguismo, a doença do monolinguismo apoderou-se dos originários. Estamos perdendo a riqueza fonética, semântica e cultural de nossas línguas. O que fazer, então? O princípio jurídico processual é claro: se ninguém pede a nulidade, a norma se consolida. Ou seja, o descumprimento das leis tornou-se a norma, e ninguém faz nada contra essa desobediência. É preciso haver a imposição de multas e sanções. Os promotores devem ser originários multilíngues. Precisamos de medidas punitivas para garantir o cumprimento das leis. Devemos adotar uma postura firme e transformadora — um *Pachakuti* — que incorpore a perspectiva feminina: é necessário criar sanções econômicas para aqueles que não respeitam as leis relativas ao uso de nossas línguas, incluindo políticos em cargos administrativos, meios de comunicação (tanto estatais quanto privados) e autoridades educacionais que não criem espaços concretos para a prática de nossos idiomas. As multas devem servir para constituir um fundo de fomento às nossas línguas. O Estado, os governos regionais e as prefeituras devem investir e — por meio da criação de impostos específicos — apoiar e incentivar todos os projetos de recuperação e revitalização de nossas línguas, com base em nossos saberes ancestrais e modernos, voltados para crianças, jovens e adultos.

 2. Pela participação de 80% dos nossos *Ayllus* nas empresas privadas, mistas e estatais. Desde a época colonial, as riquezas do nosso solo e subsolo têm apenas beneficiado outros países, empresas e famílias. As riquezas mundiais concentram-se nas mãos de poucos, nos centros coloniais. Os poderosos decidiram agora “higienizar” esses espaços e expulsar de lá qualquer pessoa que se assemelhe ao imigrante do Sul. Continuamos economicamente pobres, apesar de a Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais reconhecer o direito à terra e ao território como um aspecto fundamental para a subsistência, a cultura e a espiritualidade dos povos originários. Num ciclo de alternância, a direita privatiza e a esquerda nacionaliza… No fim das contas, a riqueza permanece nas mãos de famílias colonialistas, tanto de esquerda quanto de direita. Além disso, a nossa *Pachamama* está sendo envenenada, inclusive por pessoas de origem indígena com mentalidade colonizada. Os departamentos de Oruro, Potosí (onde se encontra a maior reserva mundial de lítio) e La Paz são exemplos desse desastre, sem falar nos rios contaminados por metais pesados ​​e nas florestas incendiadas na Amazônia.

3. Precisamos de um *pachakuti* tectônico: nós, os *ayllus*, exigimos uma participação de 80% na propriedade — nacional e internacional — dos consórcios que exploram os nossos minérios. A nossa parcela será coletiva, indivisível, impenhorável e não transmissível por herança individual. As nossas riquezas possuem um valor monetário superior ao registrado nas principais bolsas de valores do mundo. Convocamos os povos indígenas originários de todo o planeta — e também aqueles que não o são — a unir esforços para viabilizar a defesa dos nossos recursos naturais e o cultivo da vida. O direito à língua originária e o direito ao uso dos recursos naturais são dois pilares fundamentais para a sobrevivência, a identidade e a autonomia dos povos indígenas e comunidades nativas. Ambos os direitos estão profundamente interconectados, uma vez que a língua é o meio pelo qual se transmitem os conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o território.

4. Pela restituição de nossos lugares sagrados e pela formação institucionalizada de guias de turismo. Uma sociedade que não cuida de suas raízes culturais históricas está destinada a tornar-se escrava e submissa à cultura predatória e destrutiva que é a cultura ocidental. O Estado, em todas as suas esferas, deve destinar recursos financeiros concretos, com base em leis de investimento, para a pesquisa e a restauração de centros arqueológicos de nossas culturas. Com base no mapeamento de centros espirituais e rotas turísticas — como o Qhapaq Ñan, as Wak’akuna, etc. —, devem ser desenvolvidas iniciativas comunitárias, privadas e mistas de turismo nas comunidades. Paralelamente a essa iniciativa, deve haver o incentivo a instituições de formação multilíngue para guias territoriais e culturais, a fim de evitar que a energia de cura desses lugares seja depredada pelo turismo, como ocorreu no Peru com Machu Picchu.
Patentear, abrir e potencializar mercados e feiras controladas para nossos produtos originários. O mercado nasce na mente. Depois, apodera-se do nosso consumo diário. Os meios de comunicação e as instituições o consolidam. Sobretudo, os povos originários que vivem nas cidades caíram na tentação do *fast food*, propagada constantemente pela mídia. Nos mercados, nos supermercados e até na vendinha da avó, encontram-se produtos fabricados em centros coloniais. São produtos não apenas de procedência duvidosa, mas que também contêm substâncias como plásticos, as quais envenenam a vida de todos. Nossas crianças não sabem que são herdeiras de muitos produtos que hoje alimentam o mundo, como a batata, a quinoa, a oca, o amendoim e outros.
O Estado e os governos regionais devem destinar recursos financeiros para patentear, respeitar e, sobretudo, proteger — tanto na Bolívia quanto no exterior — todos os nossos produtos. Devem incentivar feiras urbanas e rurais para produtos orgânicos agropecuários, frutos do cuidado com a Pachamama. Não se deve poupar esforços para promover o consumo de nossos produtos orgânicos, manufaturas e instrumentos artísticos nos meios de comunicação privados e estatais. É preciso que a única feira mundial da quinoa, em Challapata, disponha de todas as condições padrão de uma feira internacional de primeiro nível mundial. Nossa quinoa vale mais do que o lítio.

Que viva o novo Tawantinsuyu,
Tawantinsuyumanta Amawtakuna (TA),
Conselho Amawtico do Tawantinsuyu (C.A.T)

Oruro, 22 de setembro de 2026

[1] (Ninan Kuyuchij Arze de la Barra Yupanqui. La Sociedad Tetraléctica. 2016, p. 65)

Saiba mais lendo a matéria diretamente na fonte, siga o link do IELA, INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS, Universidade Federal de Santa Catarina

https://iela.ufsc.br/bolivia-rumo-ao-novo-tawantinsuyo/

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