Maira Porongyta – o aviso do céu é exibido no 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte
A mostra reúne filmes brasileiros que dialogam com narrativas fantásticas, ancestralidade e espiritualidade. Estamos muito felizes por fazer parte dessa seleção e compartilhar espaço com obras tão potentes!
Maira Porongyta – o aviso do céu
Na trama, Itaarió, criador do mundo e o mais poderoso entre os Mait — deuses do povo Kaiabi — convoca uma reunião no céu para anunciar um aviso inquietante. A narrativa mergulha na cosmologia indígena e leva para a tela saberes ancestrais contados a partir do olhar de quem vive essa cultura.
Por que ver
O filme recebeu o Prêmio Cardume de Curtas-metragens na edição de 2025 do Olhar de Cinema 2026 — Festival de Curitiba. A obra tece a narrativa da cosmogonia indígena a partir da vivência daqueles que fazem parte dela e perpetuam suas histórias em um ato de fé e resistência. Diversas figuras e valores espirituais são retratados no curta-metragem que se distancia do que o imaginário coletivo caracteriza como “lenda” e se aproxima da realidade de saber ancestral e cultura.
O curta-metragem “Maira Porongyta – o aviso do céu” é baseado num sonho do pajé Tuiaraiup Kaiabi. Nesse sonho, Itaarió, criador do mundo, convoca os Mait, deuses dos kaiabi, para uma reunião no céu, onde transmite um aviso inquietante sobre as mudanças climáticas.
Ficha técnica:
Saiba mais sobre o coletivo visitando o instagram: https://www.instagram.com/coletivo.emaejeree/
Acesse a página no link abaixo e se inscreva para assistir a inúmeros filmes:
https://www.itauculturalplay.com.br/browser
Link para o Festival :
https://www.itauculturalplay.com.br/content/collections/6ab7149dbd7aa4e9398edf22
Realizado em Manaus, o Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à IC Play com uma seleção de mais de trinta filmes recentes, produzidos no Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Temas como a memória, as relações familiares e a ancestralidade combinam-se em narrativas íntimas e reflexões sobre território e cultura. Em cartaz até 12 de outubro, segunda-feira.
Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo
Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo
Diante das grandes mobilizações na Bolívia, as comunidades seguem se organizando e pensando estratégias de enfrentamento. No Primeiro Fórum Internacional – Povos Originários e Camponeses da América do Sul – convocado pelo governo de Oruro, Bolivia, nos dias 21 e 22 de setembro a organização MUSUQ TAWANTINSUYU elaborou um documento com sua análise e reivindicações.
MUSUQ TAWANTINSUYUMAN PACHAKUTISUN (RUMO AO NOVO TAWANTINSUYU) COM O EMPODERAMENTO DE NOSSA IDENTIDADE MILENAR
“Dessa forma, os tiranos seriam extintos, para finalmente dar lugar a um governo de quatro pessoas equilibradas, que não podiam chegar ao poder sem o aval de seu *Ayllu*, de sua família, de seu bairro. Hoje em dia, qualquer degenerado, qualquer delinquente tem o direito de ser eleito presidente; não precisa, de forma alguma, do aval de seu *Ayllu* ou de sua família.”[1]
O 1º Fórum Internacional de Povos Indígenas – Originários e Camponeses do Sul do Continente “Rumo ao Pachakuti”, realizado em Oruro (2026), na Bolívia, assume um caráter histórico em um momento em que o império do norte implementa medidas concretas de restauração do colonialismo — sobretudo em nosso continente, Abya Yala, e também na Bolívia — sob a denominação de “Escudo das Américas” e a doutrina “Donroe”. Onde a raiz colonialista permaneceu, brota o colonialismo capitalista que, além de escravizar seus vassalos, vive em guerra permanente. Sua cobiça por matérias-primas não tem limites. A estrutura de poder e a hierarquização social colonial mantêm-se presentes na mente, na fala e nas ações dos agentes coloniais. Sua essência é o racismo, o desprezo por toda forma de vida, o domínio absoluto sobre a vida no mundo e a sua gradual eliminação física. Eles se valem de seus vassalos de direita e de esquerda, de mentalidade escrava, que muitas vezes se autodeclaram mestiços. Fizeram-nos acreditar que fazemos parte de um Estado-Nação onde apenas eles, com sua essência corrupta, detêm o poder econômico-financeiro, midiático e educacional. Do colonialismo histórico até o presente, jamais respeitaram tratados ou acordos firmados com nossos representantes. Na Bolívia, o governo de fato de Paz Pereira eliminou nossa Constituição Plurinacional e todo vestígio da democracia demagógica. Não possui outro programa de governo além das imposições do FMI. Mantém-se no poder matando nossos irmãos e irmãs originários que o enfrentaram durante os 52 dias de bloqueio. Mantém nossos líderes encarcerados sem que nenhum órgão de direitos humanos interceda por eles. O pouco conteúdo e a institucionalidade construídos desde a República estão sendo destruídos por seus próprios autores, os centenários. Diante dessa ofensiva colonialista, nós, os originários milenares dos *Ayllus*, reunidos no I Fórum Internacional, decidimos proclamar e executar a RESTITUIÇÃO DO MUSUQ TAWANTINSUYU com as seguintes reivindicações específicas:
1. Pela obrigatoriedade de falar nossas línguas — Quechua, Aymara e outras. A Constituição nos garante o direito de exercer nossas línguas. Existem leis que nos autorizam a usá-las, mas ninguém as cumpre. Tivemos um presidente originário que não fala sua língua materna e se comunica em um espanhol precário. Autoridades do Órgão Eleitoral Plurinacional são corruptas e as ignoram intencionalmente. O censo de 2024 mostra que falamos cada vez menos nossas línguas. O originário urbanizado transformou-se, consciente e inconscientemente, em cúmplice da destruição de nossas raízes milenares. Antes éramos multilíngues; agora somos monolíngues iludidos. Enquanto o mundo caminha para o multilinguismo, a doença do monolinguismo apoderou-se dos originários. Estamos perdendo a riqueza fonética, semântica e cultural de nossas línguas. O que fazer, então? O princípio jurídico processual é claro: se ninguém pede a nulidade, a norma se consolida. Ou seja, o descumprimento das leis tornou-se a norma, e ninguém faz nada contra essa desobediência. É preciso haver a imposição de multas e sanções. Os promotores devem ser originários multilíngues. Precisamos de medidas punitivas para garantir o cumprimento das leis. Devemos adotar uma postura firme e transformadora — um *Pachakuti* — que incorpore a perspectiva feminina: é necessário criar sanções econômicas para aqueles que não respeitam as leis relativas ao uso de nossas línguas, incluindo políticos em cargos administrativos, meios de comunicação (tanto estatais quanto privados) e autoridades educacionais que não criem espaços concretos para a prática de nossos idiomas. As multas devem servir para constituir um fundo de fomento às nossas línguas. O Estado, os governos regionais e as prefeituras devem investir e — por meio da criação de impostos específicos — apoiar e incentivar todos os projetos de recuperação e revitalização de nossas línguas, com base em nossos saberes ancestrais e modernos, voltados para crianças, jovens e adultos.
2. Pela participação de 80% dos nossos *Ayllus* nas empresas privadas, mistas e estatais. Desde a época colonial, as riquezas do nosso solo e subsolo têm apenas beneficiado outros países, empresas e famílias. As riquezas mundiais concentram-se nas mãos de poucos, nos centros coloniais. Os poderosos decidiram agora “higienizar” esses espaços e expulsar de lá qualquer pessoa que se assemelhe ao imigrante do Sul. Continuamos economicamente pobres, apesar de a Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais reconhecer o direito à terra e ao território como um aspecto fundamental para a subsistência, a cultura e a espiritualidade dos povos originários. Num ciclo de alternância, a direita privatiza e a esquerda nacionaliza… No fim das contas, a riqueza permanece nas mãos de famílias colonialistas, tanto de esquerda quanto de direita. Além disso, a nossa *Pachamama* está sendo envenenada, inclusive por pessoas de origem indígena com mentalidade colonizada. Os departamentos de Oruro, Potosí (onde se encontra a maior reserva mundial de lítio) e La Paz são exemplos desse desastre, sem falar nos rios contaminados por metais pesados e nas florestas incendiadas na Amazônia.
3. Precisamos de um *pachakuti* tectônico: nós, os *ayllus*, exigimos uma participação de 80% na propriedade — nacional e internacional — dos consórcios que exploram os nossos minérios. A nossa parcela será coletiva, indivisível, impenhorável e não transmissível por herança individual. As nossas riquezas possuem um valor monetário superior ao registrado nas principais bolsas de valores do mundo. Convocamos os povos indígenas originários de todo o planeta — e também aqueles que não o são — a unir esforços para viabilizar a defesa dos nossos recursos naturais e o cultivo da vida. O direito à língua originária e o direito ao uso dos recursos naturais são dois pilares fundamentais para a sobrevivência, a identidade e a autonomia dos povos indígenas e comunidades nativas. Ambos os direitos estão profundamente interconectados, uma vez que a língua é o meio pelo qual se transmitem os conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o território.
4. Pela restituição de nossos lugares sagrados e pela formação institucionalizada de guias de turismo. Uma sociedade que não cuida de suas raízes culturais históricas está destinada a tornar-se escrava e submissa à cultura predatória e destrutiva que é a cultura ocidental. O Estado, em todas as suas esferas, deve destinar recursos financeiros concretos, com base em leis de investimento, para a pesquisa e a restauração de centros arqueológicos de nossas culturas. Com base no mapeamento de centros espirituais e rotas turísticas — como o Qhapaq Ñan, as Wak’akuna, etc. —, devem ser desenvolvidas iniciativas comunitárias, privadas e mistas de turismo nas comunidades. Paralelamente a essa iniciativa, deve haver o incentivo a instituições de formação multilíngue para guias territoriais e culturais, a fim de evitar que a energia de cura desses lugares seja depredada pelo turismo, como ocorreu no Peru com Machu Picchu.
Patentear, abrir e potencializar mercados e feiras controladas para nossos produtos originários. O mercado nasce na mente. Depois, apodera-se do nosso consumo diário. Os meios de comunicação e as instituições o consolidam. Sobretudo, os povos originários que vivem nas cidades caíram na tentação do *fast food*, propagada constantemente pela mídia. Nos mercados, nos supermercados e até na vendinha da avó, encontram-se produtos fabricados em centros coloniais. São produtos não apenas de procedência duvidosa, mas que também contêm substâncias como plásticos, as quais envenenam a vida de todos. Nossas crianças não sabem que são herdeiras de muitos produtos que hoje alimentam o mundo, como a batata, a quinoa, a oca, o amendoim e outros.
O Estado e os governos regionais devem destinar recursos financeiros para patentear, respeitar e, sobretudo, proteger — tanto na Bolívia quanto no exterior — todos os nossos produtos. Devem incentivar feiras urbanas e rurais para produtos orgânicos agropecuários, frutos do cuidado com a Pachamama. Não se deve poupar esforços para promover o consumo de nossos produtos orgânicos, manufaturas e instrumentos artísticos nos meios de comunicação privados e estatais. É preciso que a única feira mundial da quinoa, em Challapata, disponha de todas as condições padrão de uma feira internacional de primeiro nível mundial. Nossa quinoa vale mais do que o lítio.
Que viva o novo Tawantinsuyu,
Tawantinsuyumanta Amawtakuna (TA),
Conselho Amawtico do Tawantinsuyu (C.A.T)
Oruro, 22 de setembro de 2026
[1] (Ninan Kuyuchij Arze de la Barra Yupanqui. La Sociedad Tetraléctica. 2016, p. 65)
Saiba mais lendo a matéria diretamente na fonte, siga o link do IELA, INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS, Universidade Federal de Santa Catarina
Iphan reconhece novos bens como Patrimônio Cultural do Brasil
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Publicado em 22/09/2026
Apreciação ocorreu na 114ª reunião do Conselho Consultivo, nesta terça-feira (22)


Foto: Mariana Alves/Iphan
Importantes patrimônios culturais brasileiros foram apreciados nesta terça-feira (22) durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), e a Capela do Cristo Operário tiveram seu registro e tombamento aprovados pelo Instituto. Além disso, o Conselho declarou o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz (no Rio de Janeiro – RJ) e revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE).
Confira as deliberações da parte da manhã aqui.
Confira as deliberações da parte da tarde aqui.
O Quilombo Ferreira Diniz está localizado no bairro da Glória, na capital fluminense, e é o primeiro quilombo do estado tombado pelo Instituto, conforme a Portaria nº 135/2023. O reconhecimento formaliza a inscrição do local no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, que reúne bens relacionados à presença e à trajetória das comunidades quilombolas. Mais do que um espaço de moradia, o quilombo é lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira.
O registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), tradição que leva, anualmente, a cada Domingo de Páscoa, cerca de dois mil cavaleiros às ruas da cidade, será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. O cortejo reúne duas tradições: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba; e a devoção afro-católica.
Também foi aprovado o tombamento da Capela do Cristo Operário, localizada em São Paulo (SP). Remanescente da antiga Fábrica Unilabor, a edificação é reconhecida como importante lugar de memória da história social, industrial e do movimento operário paulistano entre as décadas de 1930 e 1950. O bem será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.
A programação da 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural segue nesta quarta-feira (23), com a apreciação de novos processos relacionados à proteção e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. A transmissão pode ser acompanhada neste link.
Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan – comunicacao@iphan.gov.br
www.iphan.gov.br
www.instagram.com/iphangovbr/
www.facebook.com/IphanGov
www.x.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr
Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
Confira a matéria na fonte: http://ipol.org.br/wp-admin/post-new.php
Saiba mais:
Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito: fé e tradição tropeira
Em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista, o Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. Realizada anualmente no Domingo de Páscoa, a manifestação reúne cerca de dois mil cavaleiros que percorrem as ruas da cidade.
A celebração articula duas tradições profundamente presentes na formação cultural da região: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro-católica. O cortejo mantém viva essa combinação de práticas, religiosidade e memória coletiva, transmitida ao longo das gerações.

Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito
Curso de extensão “Fundamentos para a leitura & escrita do Hunsrückisch falado no Brasil”
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Atenção professores e estudantes de diferentes áreas, com conhecimentos básicos de Hunsrückisch e/ou de língua alemã.
Venham participar do curso com Prof. Dr. Cléo V. Altenhofen Dra. Jussara M. Habel. O curso é no formato de aulas online, com carga horária de 15 horas-aula distribuídos em 05 encontros online de 2h-aula + atividade prática da semana equivalente a 1h-aula
O curso de extensão “Fundamentos para a leitura & escrita do Hunsrückisch falado no Brasil” é uma iniciativa diretamente ligada aos trabalhos de mapeamento e codificação linguística desenvolvidos no âmbito do PPG-Letras (Programa de Pós-Graduação em Letras) da UFRGS
OBJETIVO GERAL:
Introduzir, de forma sistemática e reflexiva, fundamentos para a leitura e escrita do Hunsrückisch como língua de imigração alemã no Brasil.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
a) Instrumentalizar os participantes na leitura e escrita do Hunsrückisch;
b) Contribuir com a educação para o plurilinguismo voltada para a valorização e transferência de conhecimentos entre línguas e variedades diferentes.
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Faça sua inscrição aqui:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScyyr02OYnCp-ex-P1o1wDhNNwEmwTDEoYI3Ue6GwN3mt_DJQ/viewform
Confira o programa:
INDL – IPOL realiza o Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira PNPI 05/2023
O IPOL realiza, após o guarani m’bya, hunsrick, pomerano e libras, mais um inventário de línguas brasileiras. Agora o foco é a língua polaca brasileira através do Projeto Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira, executado conforme o Termo de Colaboração nº 947721, celebrado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) pelo EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 05/2023 – PROGRAMA NACIONAL DO PATRIMÔNIO IMATERIAL.
As línguas eslavas chegaram ao Brasil, sobretudo, a partir da segunda metade do século XIX, anos 1860 e 1889, e se estenderam até 1950, no período Pós-Segunda Guerra Mundial. Dentre tais língua está a polonesa, cujos primeiros núcleos de colonização datam de 1847, com poloneses que chegaram ao Espírito Santo, provenientes da Prússia Oriental e da Silésia (Vicroski,2022).

Retrato de uma família de imigrantes / Museu Museu Sto Lat (Museu dos 100 Anos) fundado pela BRASPOL em 19/11/2005
Dentre os imigrantes eslavos estão os que entraram como russos, os quais vieram em três levas, também a partir de 1847 (BYTSENKO,2006). Os imigrantes ucranianos vieram por volta de 1895 e 1897 (Maciel, 2010). São considerados os primeiros imigrantes ucranianos a se instalarem no Brasil. De qualquer forma, mais justo e adequado se torna considerar as territorialidades constituídas por esses grupos, que abrangem seguramente uma área bem superior à atual Polônia.
Diante de tais circunstâncias, além do desafio da manutenção de uma língua eslava (o polonês), havia o contato interétnico que ocorria tanto com língua portuguesa, língua latina e oficial do Brasil, quanto com as demais línguas de outros grupos europeus que igualmente passaram a ocupar e colonizar o território brasileiro, particularmente a região sul do Brasil.

As famílias mantinham vivos os laços através de correspondências onde se contava sobre as terras e realidade brasileiras (Reprodução correspondência acervo famíliar de Dona Cacimira Nadloviski)
A história da imigração no Brasil está marcada, portanto, por fluxos de diferentes grupos étnico-linguísticos que, ao se estabelecerem em território nacional, trouxeram consigo suas línguas, culturas e tradições. Entre esses grupos, destaca-se a comunidade polonesa/polaca, cuja presença no país remonta ao século XIX. Nesse contexto, o Inventário da Língua polonesa/polaca brasileira configura-se como uma ação fundamental para o resgate, valorização e preservação dessa herança linguística, que ainda se mantém viva em algumas comunidades por meio da transmissão intergeracional.
Assim, entre os dias 7 e 16 de junho, uma das equipes do Instituto de Desenvolvimento em Política Línguística- IPOL responsável pelo Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira realizou mais uma etapa de pesquisa de campo em comunidades dos estados do Paraná e Santa Catarina.

Comunidade reunida na Igreja Centenária da Comunidade Água Branca – São Mateus do sul, responde a pesquisa
Durante a etapa de campo, foram desenvolvidas atividades de aplicação de questionários sociolinguísticos, realização de entrevistas, coleta de autorizações para participação na pesquisa e registro de listas de palavras, procedimentos metodológicos que permitem compreender a vitalidade linguística, as práticas culturais e os processos de transmissão intergeracional da língua. As atividades abrangeram as localidades de Colônia Dom Pedro, São Bento do Sul (Distrito de Bateias de Baixo), São Mateus do Sul (Colônia Iguaçu e comunidade Água Branca), Mallet (Distrito de Rio Claro), Paulo Frontin, Cruz Machado (incluindo a comunidade de Santana), União da Vitória, Porto União e Itaiópolis, contemplando diferentes contextos de manutenção da língua polonesa/polaca brasileira.
O material reunido constitui importante fonte para a caracterização das comunidades pesquisadas, contribuindo para a documentação da diversidade linguística brasileira e para a consolidação de informações que subsidiarão estudos, ações de salvaguarda e futuras políticas públicas voltadas ao patrimônio cultural de natureza imaterial.
A etapa também evidenciou o comprometimento das comunidades participantes com a preservação de seu patrimônio linguístico. Em localidades como Massaranduba e a comunidade Legru, em Porto União, os moradores manifestaram interesse na continuidade das atividades e solicitaram novos agendamentos em finais de semana, ampliando as possibilidades de participação da população local nas ações de pesquisa.

Josiane Choynaski, ativista de Paulo Frontin; Professor Evaldo José Drabeski de São Mateus; Sra. Ana Milczuk em Cruz Machado, distrito de Santana; izabel Landovski Kollross, Moinho Kollroos no bairro Paraguaçu, Itaiópolis, tombado pelo IPHAN; Irmãos Szymanak: Leon Szymanak e Polan Szymanak, Edvino Pedro Gaias e dona Francisca Szymaonska Gaia Cruz Machado – Distrito de Santanta; Aurea Lis e Aline Lis proprietárias do Restaurante Pierogarnia, Bairro Paraguaçu / Itaiópolis; a cruz está no cemitério de Paraguaçu / Itaiópolis
O Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira integra as ações de documentação do patrimônio cultural de natureza imaterial desenvolvidas pelo IPHAN com responsabilidade do IPOL e reafirma o compromisso institucional com a valorização da diversidade linguística brasileira. Por meio da pesquisa de campo e do diálogo com as comunidades detentoras desse patrimônio, o projeto contribui para registrar memórias, práticas culturais e formas de transmissão da língua, fortalecendo sua preservação e reconhecimento como parte da riqueza cultural do Brasil.
As próximas etapas do projeto darão continuidade às atividades de campo no Espirito Santo e no Rio Grande do Sul, comunidades de referências escolhidas para compor o inventário neste momento. E consequentemente ampliando a documentação e aprofundando o diálogo com os detentores desse patrimônio cultural, em consonância com as diretrizes do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.
Mullu, la plataforma de cine y comunicación desde los pueblos originarios de Abya Yala!
¡Por fin, una plataforma de cine desde los pueblos!
Nuestras historias han vivido en la palabra, en las imágenes, en la memoria de los pueblos y en la defensa de los territorios y la vida. Hoy se encuentran en un espacio propio y común: Llega Mullu.tv, una plataforma de acceso libre para encontrarnos, compartir películas, memorias y narrativas, y cuidar las historias que nacen en los territorios. Un archivo vivo donde el cine de los pueblos circula desde la soberanía narrativa, el cuidado colectivo y la justicia climática.
confira… https://www.instagram.com/reels/DaWDmwaBKmr/
O que é Abya Yala?



















