Quem filma a floresta?
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POR MARCOS COLÓN, ARIZONA STATE UNIVERSITY · 25/09/2026
Cinema, território e o direito de narrar no Filmambiente 2026

A 15a edição do Filmambiente reúne 60 filmes em programação presencial e online. Entre as produções em destaque estão: Xingu, Nosso Rio Sagrado, Viver Bem: ñtse canseye, Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta e Katô: Sonhos da Terra Escura. Arte: Loan Bastos/Amazônia Latitude.
Um rio pode ocupar toda a tela e, ainda assim, permanecer sem voz.
Durante muito tempo, parte significativa das imagens produzidas sobre a Amazônia transformou a floresta em paisagem. Vista de cima, percorrida por rios monumentais, habitada por povos apresentados como personagens de um mundo distante, ela foi filmada sobretudo a partir de um olhar que chegava de fora.
A câmera observava. O território era observado. Jean-Louis Comolli, ao pensar o dispositivo cinematográfico, lembrava que filmar nunca é um ato neutro: a câmera não registra o mundo, ela o constitui, e essa constituição carrega sempre a marca de quem escolheu onde se posicionar.
Essa relação vem mudando. Mas a mudança não elimina uma pergunta fundamental: quando um filme denuncia a destruição de um território indígena, quem está contando essa história?
A questão atravessa alguns dos filmes mais instigantes da edição de 2026 do Filmambiente. O próprio festival propõe uma leitura que desloca o território da ideia de propriedade para a de relação. São terras habitadas, águas contaminadas e defendidas, florestas onde memória e vida material não podem ser separadas.
Segundo a curadoria, povos indígenas e comunidades historicamente colocadas à margem passam a ocupar o centro da imagem, da escuta e do tempo. O cinema aparece, nesse contexto, como ferramenta de autodeterminação.
É uma formulação importante. Mas também abre outra questão. Estar no centro da imagem significa controlar a imagem?
Entre os filmes apresentados pelo festival, quatro oferecem caminhos particularmente férteis para pensar essa pergunta: Katô: Sonhos da Terra Escura, Kopenawa: Sonhando com a Floresta, Xingu, Nosso Rio Sagrado e Viver Bem: ñtse canseye. Eles nos levam do Tapajós ao território Yanomami, do Xingu à Amazônia equatoriana.
São geografias e conflitos diferentes. Garimpo, mercúrio, barragens e petróleo aparecem como manifestações distintas de uma mesma lógica: transformar territórios vivos em recursos disponíveis para exploração.
Mas os filmes permitem fazer outra pergunta, menos visível e igualmente importante: como esses territórios são transformados em imagens?
Siga a leitura da matéria diretamente na fonte:
https://www.amazonialatitude.com/2026/09/25/quem-filma-a-floresta/
Maira Porongyta – o aviso do céu é exibido no 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte
A mostra reúne filmes brasileiros que dialogam com narrativas fantásticas, ancestralidade e espiritualidade. Estamos muito felizes por fazer parte dessa seleção e compartilhar espaço com obras tão potentes!
Maira Porongyta – o aviso do céu
Na trama, Itaarió, criador do mundo e o mais poderoso entre os Mait — deuses do povo Kaiabi — convoca uma reunião no céu para anunciar um aviso inquietante. A narrativa mergulha na cosmologia indígena e leva para a tela saberes ancestrais contados a partir do olhar de quem vive essa cultura.
Por que ver
O filme recebeu o Prêmio Cardume de Curtas-metragens na edição de 2025 do Olhar de Cinema 2026 — Festival de Curitiba. A obra tece a narrativa da cosmogonia indígena a partir da vivência daqueles que fazem parte dela e perpetuam suas histórias em um ato de fé e resistência. Diversas figuras e valores espirituais são retratados no curta-metragem que se distancia do que o imaginário coletivo caracteriza como “lenda” e se aproxima da realidade de saber ancestral e cultura.
O curta-metragem “Maira Porongyta – o aviso do céu” é baseado num sonho do pajé Tuiaraiup Kaiabi. Nesse sonho, Itaarió, criador do mundo, convoca os Mait, deuses dos kaiabi, para uma reunião no céu, onde transmite um aviso inquietante sobre as mudanças climáticas.
Ficha técnica:
Saiba mais sobre o coletivo visitando o instagram: https://www.instagram.com/coletivo.emaejeree/
Acesse a página no link abaixo e se inscreva para assistir a inúmeros filmes:
https://www.itauculturalplay.com.br/browser
Link para o Festival :
https://www.itauculturalplay.com.br/content/collections/6ab7149dbd7aa4e9398edf22
Realizado em Manaus, o Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à IC Play com uma seleção de mais de trinta filmes recentes, produzidos no Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Temas como a memória, as relações familiares e a ancestralidade combinam-se em narrativas íntimas e reflexões sobre território e cultura. Em cartaz até 12 de outubro, segunda-feira.
Eleições 2026: cartazes em línguas indígenas orientam votação em aldeias de São Paulo
Materiais em Guarani e Guarani Mbya trazem orientações sobre a votação e outros serviços da Justiça Eleitoral para o pleito de 4 de outubro
Garantir o direito ao voto também significa considerar as diferentes realidades de quem vive em regiões mais isoladas ou de difícil acesso. Nas Eleições 2026, eleitoras e eleitores indígenas terão acesso a cartazes com orientações sobre o pleito em suas próprias línguas. Os materiais reúnem informações sobre temas como proibição do uso do celular na seção eleitoral, justificativa, boca de urna, entre outros. A iniciativa integra o Programa de Inclusão Político-Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que, além de atuar nos territórios indígenas, desenvolve ações com o eleitorado quilombola, caiçara e de outras comunidades tradicionais que vivem em locais de difícil acesso.
Para o pleito deste ano, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRE-SP preparou modelos específicos para 15 zonas eleitorais que possuem eleitores da etnia Guarani-Mbya. Os cartazes explicam a ordem de votação, o uso da cola eleitoral e as regras de preferência na fila de votação, de acordo com as necessidades dessas comunidades. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também produziu e encaminhou ao estado cartazes na língua Guarani, que serão enviados a 14 aldeias.
A medida ocorre em um cenário de crescimento no estado do eleitorado que se identifica como indígena. São Paulo tem mais de 7.400 eleitoras e eleitores indígenas aptos a votar nas Eleições 2026, o dobro dos 3.700 registrados nas Eleições Municipais de 2024, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A iniciativa está alinhada à Resolução do TSE nº 23.659/2021, que estabelece que o atendimento aos povos indígenas deve considerar sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. A norma também assegura o uso das línguas maternas no atendimento eleitoral.

Cartaz transferência Guarani Mbya – TRE-SP
Voto mais perto de casa
Além do eleitorado índigena, as ações do TRE-SP contemplam ainda quilombolas, caiçaras e outras comunidades tradicionais com a transferência temporária de eleitoras e eleitores, o transporte e a participação de pessoas das próprias comunidades no atendimento durante o pleito.
Em 2026, por meio do Programa de Inclusão Político-Eleitoral, foram realizadas ações itinerantes e facilitadas de transferências temporárias para pessoas que vivem nessas localidades. Com as mudanças, alguns eleitores que antes precisavam percorrer cerca de duas horas para votar poderão chegar à seção em aproximadamente 20 minutos.
No entanto, quando o deslocamento ainda é necessário, o transporte também faz parte do planejamento. Neste pleito, 16 aldeias indígenas e quilombos terão transporte fornecido pela Justiça Eleitoral. Em outras regiões, o deslocamento será feito por meio de linhas disponibilizadas pelas prefeituras. Em Ilhabela, também houve articulação com a Polícia Militar para o transporte de urnas, materiais e pessoas até as comunidades caiçaras isoladas de Bonete e Castelhanos.
Apoio de quem conhece a comunidade
A preparação para o pleito conta ainda com a participação de pessoas que conhecem de perto a realidade de cada comunidade. Em diferentes zonas eleitorais, foram designados apoios logísticos e colaboradores para auxiliar no atendimento ao eleitorado indígena. Esses profissionais poderão prestar informações no idioma local, organizar o fluxo nos locais de votação, esclarecer dúvidas e ajudar na articulação do transporte entre as aldeias e as seções eleitorais.
Na 403ª Zona Eleitoral — Jaraguá, houve treinamento específico sobre os cartazes traduzidos, além da atuação de mesários e apoios indígenas. Na 381ª ZE — Parelheiros, foi convocado apoio indígena e estabelecida interlocução com lideranças e servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para reforçar o atendimento nas escolas que recebem eleitorado da Terra Indígena Tenondé. Em outras regiões do estado, também foram adotadas medidas para contar com integrantes das próprias comunidades ou colaboradores articulados com as lideranças locais.
Confira a matéria na fonte: https://www.tre-sp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/eleicoes-2026-cartazes-em-linguas-indigenas-orientam-votacao-em-aldeias-de-sao-paulo
“YANUNI – No coração da batalha pela Amazônia” – lançamento do documentário
Documentário-suspense ambiental premiado, YANUNI é uma história de amor e resistência.
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Mullu, la plataforma de cine y comunicación desde los pueblos originarios de Abya Yala!
¡Por fin, una plataforma de cine desde los pueblos!
Nuestras historias han vivido en la palabra, en las imágenes, en la memoria de los pueblos y en la defensa de los territorios y la vida. Hoy se encuentran en un espacio propio y común: Llega Mullu.tv, una plataforma de acceso libre para encontrarnos, compartir películas, memorias y narrativas, y cuidar las historias que nacen en los territorios. Un archivo vivo donde el cine de los pueblos circula desde la soberanía narrativa, el cuidado colectivo y la justicia climática.
confira… https://www.instagram.com/reels/DaWDmwaBKmr/
O que é Abya Yala?
Língua Tupi e Língua Indígena Potiguara de Sinais são oficializadas como língua cooficiais do território indígena de Monte-Mor em Rio Tinto (PB)
| 29 de abril de 2026

O legislativo do município de Rio Tinto (PB), no Litoral Norte do Estado, realizou na tarde de hoje (29/04), a sua 7ª Sessão Ordinária, do 2º Período Legislativo, sobre o comando do vice-presidente, vereador Felipe Pessoa, na ausência do presidente Sandro Gomes, por conta de compromisso no Recife (PE).
A recente sessão ordinária foi marcada por intensos debates e uma pauta recheada, com destaque para Projeto de Lei Indicativo, nº 15/2026, de autoria da vereadora Claudecir Braz – Cacica Cal, que dispõe sobre a oficialização da Língua Tupi e da Língua Indígena Potiguara de Sinais, como língua cooficiais do território indígena de Monte-Mor, no município de Rio Tinto.
Durante a sessão, os vereadores apresentaram demandas da comunidade, fizeram o uso da tribuna para registrar cobranças e discutiram temas relevantes para o desenvolvimento do município. As falas reforçaram a importância do diálogo entre Legislativo, gestão municipal e população, especialmente em áreas que necessitam de atenção mais urgente.
Luan Potigura

O vereador Lua Potiguara parabenizou a vereadora Cacica Cal, pela propositura da lei. “Somos cinco vereadores indígenas na Casa de Ponciano Pessoa. Então é importante que a gente traga mais Projeto de Lei. Esse espaço que a gente ocupa faça com que assegure cada vez mais os nossos direitos”, disse.
Felipe Pessoa

“Eu acompanho o raciocínio do vereador Luan Potiguara. Parabenizo também a vereadora Cal, muito louvável e dizer que essa casa vai está aqui de portas abertas, irmanadas, para a gente garantir o direito do nosso povo, de quem tanto reivindica a cada um de nós, sendo a voz de quem mais precisa”, disse.
Gratidão

A vereadora Cacica Cal agradeceu a todos da ‘Casa de Ponciano Pessoa’. “Agradeço aos pares da casa pela colaboração, não só em relação a esse projeto que acaba de ser aprovado, mais por todas as proposituras acolhidas por todos. Minha gratidão”, disse Cal.
Acesse a matéria na fonte: https://www.valenoticiapb.com.br/lingua-tupi-e-lingua-indigena-potiguara-de-sinais-sao-oficializadas-como-lingua-cooficiais-do-territorio-indigena-de-monte-mor-em-rio-tinto-pb/












