Diversidade linguística

Ciclo de Palestras “Políticas Linguísticas para o Multilinguismo” – evento online, participe!

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O NILT/SINTER e a Cátedra UNESCO de Políticas Linguísticas para o Multilinguismo da UFSC realizam um ciclo de palestras online sobre políticas linguísticas. O primeiro encontro ocorre em 20 de agosto, das 10h às 11h30, com participação gratuita e foco em ciência, educação superior e multilinguismo.

 

Profa. Dra. Paula Clarice Santos Grazziotin de Jesus é Doutora em Linguística (UFSC, 2018), com Pós-Doutorado em Educação UFSC, 2022), Mestra em Educação (UNIPLAC 2013); Especialista em Ciências Penais (UNIDERP 2012); Especialista em Língua Portuguesa – Produção e Revisão de textos (UNIPLAC 2008); Bacharel em Direito (UNIPLAC 2007); Licenciada em Letras – Português, Inglês e Literaturas Correspondentes (UNIPLAC 2006). Atualmente é docente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) na área de Língua Portuguesa.

 Faça sua inscrição através do e-mail nilt.sinter@gmail.com

Participe!

Projeto Wikikaingáng fortalece a presença digital da língua Kaingáng

Por Emanuelli Oliveira

A Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na Universidade Federal de Santa Catarina e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira, concluiu, em maio de 2026, a assessoria ao projeto Wikikaingáng, iniciativa desenvolvida no âmbito da Ação Saberes Indígenas na Escolada Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenada neste ano pelo professor Bruno Ferreira Kaingang, com foco na criação da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.

O povo Kaingáng está entre os povos indígenas mais numerosos do Brasil, com presença principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Sua língua pertence ao tronco linguístico Macro-Jê, mais especificamente ao grupo Jê Meridional, apresentando diferentes variantes linguísticas relacionadas às diversas regiões onde as comunidades estão localizadas. Além disso, o povo Kaingáng possui uma importante atuação no campo da educação indígena onde diferentes escolas indígenas desenvolvem ações voltadas ao fortalecimento da língua, da memória e dos conhecimentos tradicionais nas comunidades.

O encerramento das atividades de assessoria da UCLPM ocorreu durante o encontro presencial realizado entre os dias 4 e 6 de maio, na Faculdade de Educação da UFRGS, em Porto Alegre/RS, reunindo orientadores, professores e lideranças Kaingáng.

Profº Gilvan M. de Oliveira, Profº Bruno F. Kaingang, Emanuelli Oliveira e Artur Correa. Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.

Ao longo dos três dias de atividades, os participantes compartilharam experiências pedagógicas desenvolvidas nas escolas indígenas, realizaram leituras coletivas de verbetes elaborados por eles, discutiram categorias próprias de organização do conhecimento Kaingáng, escreveram e aprimoraram novos verbetes e deram continuidade à tradução da interface da Wikipédia para a língua Kaingáng.

Os trabalhos envolveram diferentes eixos temáticos, como cantigas, alimentação, remédios, artesanato, histórias tradicionais, brincadeiras, frutas, memória coletiva, povo e escola indígena Kaingáng, fortalecendo a construção de uma plataforma digital alinhada às formas próprias de organização cultural e linguística do povo Kaingáng. Durante o encontro, houve um avanço expressivo no processo de tradução da interface da Wikipédia, alcançando a marca de 334 dos 584 principais termos traduzidos para o Kaingáng.

Por se tratar de um ambiente aberto e colaborativo, o projeto também foi pensado de modo a possibilitar a participação de diferentes regiões Kaingáng e de suas variedades linguísticas, buscando construir um espaço digital capaz de acolher a diversidade linguística presente entre as comunidades.

Outro ponto importante do encontro foi a discussão sobre a integração de recursos de áudio e vídeo aos verbetes, buscando valorizar a oralidade e os registros de memória da comunidade. Também houve troca de experiências com participantes da comunidade Mbyá-Guarani, fortalecendo o diálogo intercultural entre os povos indígenas envolvidos na iniciativa.

Desenvolvido entre novembro de 2025 e maio de 2026, o projeto contou com assessoria da UCLPM, com participação de Emanuelli Oliveira, do GT Geopolíticas do Multilinguismo, e de Artur Corrêa Souza, da Wikimedia Brasil. A iniciativa contou também com a participação ativa da equipe da Ação Saberes Indígenas nas Escolas do RS, composta pela profª Magali Mendes de Menezes, profª Daniela Pinheiro Machado Kern, Juliana Schneider Medeiros, Mariana Martins Maciel, Bianka Biazuz Vicente, Iracema Nascimento, Derli Bento e Sueli Krengre Candido.

Encontro na UFRGS: parte da equipe da Ação Saberes Indígenas na Escola e professores orientadores. Fonte: Ação Saberes Indígenas na Escola do RS.

Entre os principais resultados alcançados ao longo da assessoria, destacam-se a criação de 305 verbetes em língua Kaingáng na Incubadora Wikimedia, a formação de mais de 50 professores/as Kaingáng para atuação em ambientes digitais colaborativos e o fortalecimento das discussões sobre soberania linguística digital, circulação de conhecimentos indígenas e presença das línguas indígenas no ciberespaço. Mais do que uma proposta tecnológica, a Wikikaingáng consolidou-se como uma iniciativa voltada à valorização da língua Kaingáng, da memória coletiva e dos sistemas próprios de conhecimento indígena em ambientes digitais colaborativos, articulando universidade, comunidade e plataformas abertas de circulação do conhecimento.
Como encaminhamento final do projeto, está sendo elaborado o relatório técnico que será enviado ao Comitê de Novas Línguas da Fundação Wikimedia, etapa importante para a futura abertura oficial da Wikipédia em língua Kaingáng. O documento consolida os resultados alcançados ao longo da assessoria da UCLPM, fortalecendo a presença digital da língua Kaingáng e a circulação de conhecimentos indígenas em ambientes digitais.

Cacica Iracema Gãh Té e professora kaingáng. Fonte: Ação Saberes Indígenas na Escola do RS.

Emanuelli Oliveira

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina. Licenciada e bacharela em Letras – Língua Francesa e Literaturas e Graduada em Secretariado Executivo pela Universidade Federal de Santa Catarina.

 

Confira no link: https://geomultling.ufsc.br/projeto-wikikaingang-avanca-na-criacao-da-primeira-wikipedia-em-lingua-indigena-brasileira/

Valorização da identidade linguística das comunidades indígenas sob o viés da política linguística: reflexões acerca de entraves e tentativas de superação

 

logo Revista Lingu´ística

O texto aborda os percalços e as buscas por mecanismos que possam propiciar a mitigação das dificuldades para valorização da identidade linguística das comunidades indígenas prevista constitucionalmente. O intuito da pesquisa é apresentar as previsões relativas à diversidade linguística existentes no ordenamento jurídico, verificar se há efetividade delas na sociedade brasileira, em especial, quanto às comunidades indígenas, e apresentar casos concretos pertinentes à temática. Para isso, serviram de base teórica conceitos atrelados à política linguística (Monteagudo, 2012) e ao direito linguístico (Abreu, 2018). De modo geral, apesar de relevantes avanços jurídicos, os direitos previstos legalmente ainda são ineficazes, ante a falta de conhecimento e de compromisso por parte dos poderes estatais, além da atuação da própria sociedade que, por meio de uma política linguística não oficial, imprime na sociedade atual o monolinguismo e a homogeneidade linguística (Shohamy, 2006). Desse modo, embora existam os entraves, parte da sociedade, principalmente os integrantes das comunidades indígenas, tenta buscar ferramentas para concretizar os direitos linguísticos, mesmo sem o apoio do aparato estatal, e, ao fim, ao valorizar as diversidades linguísticas, procura integrá-las à identidade nacional.

Por Solyany Soares Salgado e Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar Vitório


Introdução
O respeito à diversidade linguística das comunidades indígenas no Brasil consta na Constituição da República Federativa do Brasil (doravante CRFB), de 1988, chamada de Constituição Cidadã, na qual também estão previstas algumas garantias para a valorização das suas identidades, seja assegurando o uso das suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem no ensino fundamental (art. 210, §2º), protegendo as manifestações culturais (art. 215) ou reconhecendo “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (art. 231).
Validados pela CRFB, outros aparatos jurídicos surgiram no intuito de efetivar e ampliar os direitos pertinentes aos indígenas, como no caso do Decreto nº 7.387/2010, Inventário Nacional da Diversidade Linguística, da Lei de Diretrizes e Bases, do Plano de Educação Estadual de Alagoas e, no âmbito internacional, como o ingresso da Convenção nº 169, da Organização Internacional do Trabalho, no ordenamento jurídico brasileiro.
No entanto, como será abordado neste trabalho, existem vários percalços para a efetividade dessas garantias, os quais estão presentes tanto nas vias formais quanto nas informais da sociedade brasileira. Conforme teoriza Shohamy (2006), há, no cotidiano, uma tentativa de afirmar a hegemonia da língua portuguesa, de fazer crer que o país é monolíngue e que as demais línguas não possuem o mesmo status no quesito da nacionalidade.
Diante dos entraves, é notório que têm sido realizadas buscas por mecanismos que possam propiciar a mitigação das dificuldades para valorização da identidade linguística das comunidades indígenas e do atendimento às garantias legais no que diz respeito aos direitos linguísticos. Nesse sentido, na maioria das vezes, são os próprios indígenas, ao enfrentar o aparato estatal, que lutam para a efetivação dos seus direitos.
Vale destacar que, apesar de vasta literatura a respeito das políticas linguísticas atinentes às línguas indígenas brasileiras, este trabalho optou por adotar como base teórica os fundamentos de Monteagudo (2012), atrelados à origem do monolinguismo e da sua relação com a política linguística dos Estados, e de Abreu (2018), referentes ao direito linguístico.
Os preceitos apontados pelos supracitados autores se mostraram fundamentais para compreensão a respeito das previsões relativas à diversidade linguística existentes no ordenamento jurídico e para a análise sobre a efetividade delas na sociedade brasileira, em especial, quanto às comunidades indígenas, além de darem subsídios para reflexão sobre a atuação estatal, tendo, como exemplos, casos concretos pertinentes à temática.
Desse modo, o texto está organizado em três tópicos, sendo o primeiro referente à noção de Estado-nação e de Estado Constitucional, para esclarecer a relação entre hegemonia e monolinguismo na maioria das sociedades, inclusive a brasileira. No segundo tópico, será abordada a questão da educação indígena, a qual, mesmo apresentando resguardo no ordenamento jurídico, tem sido dificultada pelo próprio poder estatal, restando aos indígenas encontrarem seus próprios meios para ensinar a língua materna e manter viva a sua cultura. O terceiro tópico remete à necessária modificação da conduta dos integrantes da máquina pública, vez que lhes cabe, muitas vezes, a efetivação dos direitos previstos no ordenamento jurídico, posto que, infelizmente, falta compromisso e existe descaso para com os direitos dos indígenas, inclusive, o direito linguístico.
Por fim, com base no exposto sobre os referidos tópicos, serão apresentadas considerações relativas à temática, a qual não se esgota nestas poucas linhas, havendo inúmeras barreiras para serem identificadas e superadas para que ocorra, de fato, a valorização da identidade linguística desse grupo minoritário e o reconhecimento da diversidade linguística para a identidade nacional brasileira.
Para continuar a leitura acesse o link:  https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/article/view/60253 e confira os outros artigos desta edição especial aqui, edição completa: https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/issue/view/2805/1949

v. 19 n. Sup. (2023): Valorizando a Diversidade: em Defesa da Identidade de Comunidades Linguísticas Vulneráveis / Minorizadas

 Visualizar v. 19 n. Sup. (2023): Valorizando a Diversidade: em Defesa da Identidade de Comunidades Linguísticas Vulneráveis / Minorizadas

Organização: Ana Paula Quadros Gomes (UFRJ) e Beatriz Protti Christino (UFRJ)

Esta edição reúne, em dois volumes, vinte e cinco artigos, trazendo um conjunto de questões proporcionando múltiplas visões sobre a diversidade linguística e destacando a necessidade de ações em defesa de várias comunidades linguísticas minorizadas. O tema mobilizou pesquisadores de diversas áreas de atuação e diferentes linhas de pesquisa, colocando em foco reflexões atinentes aos direitos linguísticos.

Publicado: 2023-12-15

 

Publicado em Revista Linguíʃtica 19(Sup.):127-141, Dezembro/23

IX Encuentro Iberoamericano de Redplanes Lectura, diversidad y democracia – Río de Janeiro, Brasil – 13 al 16 de octubre de 2025

 

Redplanes 2025: Cerlalc, Ministerio de Cultura de Brasil y líderes de políticas de lectura de toda Iberoamérica se preparan para un nuevo encuentro internacional en Río de Janeiro

Con el objetivo de incentivar las prácticas de Lectura, Escritura y Oralidad en la región de América Latina y el Caribe, el Cerlalc continúa impulsando la Red Iberoamericana de Responsables de Políticas y Planes de Lectura —RedPlanes, que integra a los líderes de las políticas y planes de LEO en la región.

El pasado 7 de marzo se llevó a cabo la primera reunión regional virtual de la red, que contó con la participación de 28 representantes de 16 países y 3 ciudades. En la reunión, Margarita Cuéllar Barona, directora del Cerlalc, y Fabiano dos Santos Piúba, secretario de Formación, Libro y Lectura del Ministerio de Cultura de Brasil —Presidente del Consejo del Cerlalc —, anunciaron la realización del IX Encuentro Iberoamericano de Redplanes. Rio de Janeiro – 13 al 16 de octubre de 2025

Rede Ibero-americana de Responsáveis por Políticas e Planos de Leitura

Redplanes é uma rede conformada pelos responsáveis pela elaboração e a execução de políticas e planos nacionais de leitura dos países membros do Cerlalc. Foi criada para fortalecer os esforços de cada país para posicionar a leitura como uma política de Estado, por fomentar o desenvolvimento e a sustentabilidade de políticas e planos de leitura na América Ibérica, facilitar o encontro e trocas de conhecimentos e experiências, compartilhar boas práticas e promover a integração regional em torno da questão.

 

 

 

Acesse o programado evento aqui: Agenda_IX_Encuentro_Redplanes_13-8-25

II ENMP – Prorrogado o prazo para envio de resumos!! Participe!!!

Prorrogado o prazo para envio de resumos!

O II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues está com chamada aberta até 27/07/2025 para envio de resumos simples (200–300 palavras).
O II ENMP se propõe a discutir as ricas experiências já realizadas pelos 80 municípios plurilíngues do Brasil e avançar para o processo de regulamentação, abrindo para as administrações municipais novas possibilidades.
Confira as normas e o cronograma no site:
✅ Faça sua inscrição pela plataforma Even3:
Aguardamos sua proposta e sua presença
Saiba mais acessando a segunda circular do evento:

II ENCONTRO NACIONAL DE MUNICÍPIOS PLURILÍNGUES – 1 e 2 de setembro de 2025

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O Brasil abriga uma rica diversidade linguística, com mais de 250 línguas faladas, entre
indígenas, de imigração, de sinais e afro-brasileiras. Dos seus 5.570 municípios, 80 já
cooficializaram uma ou mais línguas através de leis das Câmaras de Vereadores, em todas as
cinco regiões do país, perfazendo um total hoje de 60 línguas.

A cooficialização de línguas em nível municipal, nascida da experiência de São Gabriel da
Cachoeira, Amazonas, que deu este status ao baniwa, ao nheengatu e ao tukano em 2002,representa uma inovação na política linguística nacional, permitindo que diferentes
comunidades tenham suas línguas reconhecidas e valorizadas institucionalmente.
O processo de cooficialização, no entanto, tem três fases: a) a declaração de oficialidade,
através de uma lei municipal b) a regulamentação da oficialidade, que vem a ser uma segunda
lei municipal e c) a implementação da oficialidade. A regulamentação define as atuações, os
agentes, os prazos e os resultados esperados pela política de cooficialização; a implementação,
por sua vez, coloca em prática a regulamentação através dos instrumentos jurídicos da gestão
municipal: decretos municipais, portarias e instruções normativas, medidas provisórias
municipais, convênios e termos de cooperação, entre outros.

Este encontro será um espaço de troca de experiências, capacitação e debate sobre a
regulamentação e a implementação da cooficialização, seus desafios e oportunidades, reunindo
gestores públicos, pesquisadores, educadores, agentes culturais e demais interessados na
promoção do multilinguismo brasileiro.

A Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM/UFSC) e
o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) tem o prazer
de anunciar a realização do II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (II ENMP).
O evento ocorrerá nos dias 1º e 2 de setembro, na Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), e tem como objetivo aprofundar as discussões sobre a regulamentação das políticas
de cooficialização de línguas no Brasil.
Este encontro será um espaço de troca de experiências, capacitação e debate sobre a
regulamentação e a implementação da cooficialização, seus desafios e oportunidades, reunindo
gestores públicos, pesquisadores, educadores, agentes culturais e demais interessados na
promoção do multilinguismo brasileiro.

O evento tem limite de capacidade na modalidade presencial

Acesse a 1ª Circular aqui: https://geomultling.ufsc.br/wp-content/uploads/2025/05/1a-Circular-II-Encontro-Nacional-de-Municipios-Plurilingues.pdf

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