Línguas de imigração

Curso de extensão “Fundamentos para a leitura & escrita do Hunsrückisch falado no Brasil”

.

Atenção professores e estudantes de diferentes áreas, com conhecimentos básicos de Hunsrückisch e/ou de língua alemã.


Venham participar do curso com Prof. Dr. Cléo V. Altenhofen Dra. Jussara M. Habel. O curso é no formato de aulas online, com carga horária de 15 horas-aula distribuídos em 05 encontros online de 2h-aula + atividade prática da semana equivalente a 1h-aula

 


O curso de extensão “Fundamentos para a leitura & escrita do Hunsrückisch falado no Brasil” é uma iniciativa diretamente ligada aos trabalhos de mapeamento e codificação linguística desenvolvidos no âmbito do PPG-Letras (Programa de Pós-Graduação em Letras) da UFRGS

OBJETIVO GERAL:
Introduzir, de forma sistemática e reflexiva, fundamentos para a leitura e escrita do Hunsrückisch como língua de imigração alemã no Brasil.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
a) Instrumentalizar os participantes na leitura e escrita do Hunsrückisch;
b) Contribuir com a educação para o plurilinguismo voltada para a valorização e transferência de conhecimentos entre línguas e variedades diferentes.

.
Faça sua inscrição aqui:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScyyr02OYnCp-ex-P1o1wDhNNwEmwTDEoYI3Ue6GwN3mt_DJQ/viewform

Confira o programa:

INDL – IPOL realiza o Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira PNPI 05/2023



O IPOL realiza, após o guarani m’bya, hunsrick, pomerano e libras, mais um inventário de línguas brasileiras.  Agora o foco é a língua polaca brasileira através do Projeto Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira, executado conforme o Termo de Colaboração nº 947721, celebrado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) pelo EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 05/2023 – PROGRAMA NACIONAL DO PATRIMÔNIO IMATERIAL.

As línguas eslavas chegaram ao Brasil, sobretudo, a partir da segunda metade do século XIX, anos 1860 e 1889, e se estenderam até 1950, no período Pós-Segunda Guerra Mundial. Dentre tais língua está a polonesa, cujos primeiros núcleos de colonização datam de 1847, com poloneses que chegaram ao Espírito Santo, provenientes da Prússia Oriental e da Silésia (Vicroski,2022).

Retrato de uma família de imigrantes / Museu Museu Sto Lat (Museu dos 100 Anos) fundado pela BRASPOL em 19/11/2005

Dentre os imigrantes eslavos estão os que entraram como russos, os quais vieram em três levas, também a partir de 1847 (BYTSENKO,2006). Os imigrantes ucranianos vieram por volta de 1895 e 1897 (Maciel, 2010). São considerados os primeiros imigrantes ucranianos a se instalarem no Brasil. De qualquer forma, mais justo e adequado se torna considerar as territorialidades constituídas por esses grupos, que abrangem seguramente uma área bem superior à atual Polônia.

Diante de tais circunstâncias, além do desafio da manutenção de uma língua eslava (o polonês), havia o contato interétnico que ocorria tanto com língua portuguesa, língua latina e oficial do Brasil, quanto com as demais línguas de outros grupos europeus que igualmente passaram a ocupar e colonizar o território brasileiro, particularmente a região sul do Brasil.

 

As famílias mantinham vivos os laços através de correspondências onde se contava sobre as terras e realidade brasileiras (Reprodução correspondência acervo famíliar de Dona Cacimira Nadloviski)

A história da imigração no Brasil está marcada, portanto,  por fluxos de diferentes grupos étnico-linguísticos que, ao se estabelecerem em território nacional, trouxeram consigo suas línguas, culturas e tradições. Entre esses grupos, destaca-se a comunidade polonesa/polaca, cuja presença no país remonta ao século XIX. Nesse contexto, o Inventário da Língua polonesa/polaca brasileira configura-se como uma ação fundamental para o resgate, valorização e preservação dessa herança linguística, que ainda se mantém viva em algumas comunidades por meio da transmissão intergeracional.

Região da Colonia D. Pedro II, próxima de Curitiba

Casa do Povo em Mallet, Distrito de Rio Claro restaurada com apoio do governo da Polônia e Braspol

Casas de comércio em Paulo Frontin carregam os nomes dos antepassados

Assim, entre os dias 7 e 16 de junho, uma das equipes do Instituto de Desenvolvimento em Política Línguística- IPOL responsável pelo Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira realizou mais uma etapa de pesquisa de campo em comunidades dos estados do Paraná e Santa Catarina.

Comunidade reunida na Igreja Centenária da Comunidade Água Branca – São Mateus do sul,  responde a pesquisa

Duas gerações contam suas lembranças no Bairro Colônia Iguaçu- Centro comunitário Cepom

Entevista com Sr. Luciano Otto, 93 anos

Durante a etapa de campo, foram desenvolvidas atividades de aplicação de questionários sociolinguísticos, realização de entrevistas, coleta de autorizações para participação na pesquisa e registro de listas de palavras, procedimentos metodológicos que permitem compreender a vitalidade linguística, as práticas culturais e os processos de transmissão intergeracional da língua. As atividades abrangeram as localidades de Colônia Dom Pedro, São Bento do Sul (Distrito de Bateias de Baixo), São Mateus do Sul (Colônia Iguaçu e comunidade Água Branca), Mallet (Distrito de Rio Claro), Paulo Frontin, Cruz Machado (incluindo a comunidade de Santana), União da Vitória, Porto União e Itaiópolis, contemplando diferentes contextos de manutenção da língua polonesa/polaca brasileira.

Detalhe de um dos Instruments de pesquisa sobre a língua polaca-brasileira

O material reunido constitui importante fonte para a caracterização das comunidades pesquisadas, contribuindo para a documentação da diversidade linguística brasileira e para a consolidação de informações que subsidiarão estudos, ações de salvaguarda e futuras políticas públicas voltadas ao patrimônio cultural de natureza imaterial.

A etapa também evidenciou o comprometimento das comunidades participantes com a preservação de seu patrimônio linguístico. Em localidades como Massaranduba e a comunidade Legru, em Porto União, os moradores manifestaram interesse na continuidade das atividades e solicitaram novos agendamentos em finais de semana, ampliando as possibilidades de participação da população local nas ações de pesquisa.

Josiane Choynaski, ativista de Paulo Frontin; Professor Evaldo José Drabeski de São Mateus; Sra. Ana Milczuk em Cruz Machado, distrito de Santana; izabel Landovski Kollross, Moinho Kollroos no bairro Paraguaçu, Itaiópolis, tombado pelo IPHAN; Irmãos Szymanak: Leon Szymanak e Polan Szymanak, Edvino Pedro Gaias e dona Francisca Szymaonska Gaia Cruz Machado – Distrito de Santanta; Aurea Lis e Aline Lis proprietárias do Restaurante Pierogarnia, Bairro Paraguaçu / Itaiópolis; a cruz está no cemitério de Paraguaçu / Itaiópolis

O Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira integra as ações de documentação do patrimônio cultural de natureza imaterial desenvolvidas pelo IPHAN com responsabilidade do IPOL e reafirma o compromisso institucional com a valorização da diversidade linguística brasileira. Por meio da pesquisa de campo e do diálogo com as comunidades detentoras desse patrimônio, o projeto contribui para registrar memórias, práticas culturais e formas de transmissão da língua, fortalecendo sua preservação e reconhecimento como parte da riqueza cultural do Brasil.

As próximas etapas do projeto darão continuidade às atividades de campo no Espirito Santo e no Rio Grande do Sul, comunidades de referências escolhidas para compor o inventário neste momento. E consequentemente ampliando a documentação e aprofundando o diálogo com os detentores desse patrimônio cultural, em consonância com as diretrizes do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.

 

 

Santa Maria de Jetibá e a complementação da lei de cooficialização da língua pomerano

CÂMARA DE VEREADORES APROVA COMPLEMENTAÇÃO DA LEI DE COOFICIALIZAÇÃO DA LÍNGUA POMERANA

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Santa Maria de Jetibá deu mais um importante passo na valorização de seu patrimônio linguístico e cultural. Na noite desta segunda-feira, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei de autoria do vereador Luciano da Silva que complementa a Lei Municipal nº 1.136/2009, responsável pela cooficialização da língua pomerana no município.

A proposta visa fortalecer os mecanismos de promoção, valorização e uso da língua pomerana nos espaços públicos, educacionais, culturais e institucionais, ampliando a efetividade da legislação já existente e reafirmando o compromisso do município com a preservação de sua diversidade linguística.

A sessão contou com a presença de autoridades municipais, educadores, representantes da comunidade e lideranças envolvidas na promoção da língua pomerana. Entre os participantes esteve a coordenadora do Programa de Educação Escolar Pomerana (PROEPO), Sintia Bausen, que foi convidada a contribuir com o debate e apresentar reflexões sobre a importância da política linguística para a preservação da língua e da cultura pomeranas.

Durante sua fala, foi destacada a trajetória construída ao longo das últimas décadas em Santa Maria de Jetibá, marcada por ações educacionais, culturais e comunitárias voltadas ao fortalecimento da língua pomerana, reconhecida como um importante patrimônio histórico e cultural do município.

A aprovação da complementação da lei ocorre em um momento simbólico, próximo às comemorações dos 167 anos da imigração pomerana no Espírito Santo, reforçando o reconhecimento da contribuição dos imigrantes e de seus descendentes para a formação histórica, cultural, econômica e social da região.

Autor da proposta, o vereador Luciano da Silva destacou a importância de fortalecer os instrumentos legais de proteção à língua pomerana e de garantir condições para que ela continue sendo transmitida às futuras gerações.

A iniciativa representa o resultado de um diálogo construído com educadores, pesquisadores, lideranças comunitárias e instituições comprometidas com a valorização da herança cultural pomerana.

 

A Lei de Cooficialização da Língua Pomerana, aprovada em 2009, colocou Santa Maria de Jetibá entre os municípios pioneiros do Brasil na adoção de políticas públicas voltadas à proteção das línguas de imigração. A complementação agora aprovada busca ampliar e consolidar essas ações, fortalecendo a presença da língua pomerana nos diferentes espaços da vida pública municipal.

Mais do que uma medida legislativa, a aprovação do projeto representa o reconhecimento da língua pomerana como patrimônio vivo da comunidade, reafirmando o compromisso do município com a diversidade linguística, os direitos culturais e a preservação da memória de seu povo.

Confira a lei complementar aqui: L30272026


 

 

 

Saiba mais sobre a região dos imigrantes visitando https://regiaodosimigrantes.com.br/cidades/santa-maria-de-jetiba/

Iphan lança plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística

Evento, no dia 22 de junho, celebra novo acervo de pesquisas, imagens, sons e vídeos sobre as línguas brasileiras.

Capa Aviso de Pauta
Publicado em 18/06/2026

O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) lança na próxima segunda-feira (22/6), às 14h, a plataforma digital oficial do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). O evento acontece na sede do Instituto, em Brasília, e poderá ser acompanhado ao vivo pelo Canal do Iphan no YouTube. A plataforma centraliza mais de 2 mil itens entre pesquisas, registros, imagens, sons e vídeos produzidos no âmbito do inventário.

Convite para o evento de lançamento da plataforma digital oficial do INDL.

“O lançamento da plataforma do INDL é um marco na difusão da diversidade linguística brasileira, pois permite fácil acesso a diagnósticos sociolinguísticos, informações gerais sobre as línguas e conteúdos qualificados para o público em geral. É uma forma de mostrar que o Brasil é mais do que apenas o português”, afirma a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Marina Lacerda.

Estarão presentes o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, e a diretora do Patrimônio Imaterial do Iphan, Marina Lacerda, o diretor da Faculdade de Ciências da Informação, Dalton Martins, e demais representantes da Universidade de Brasília (UnB), parceira no projeto.

Estima-se que, no Brasil, são faladas mais de 250 línguas entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas variedades.

Desenvolvida pelo Iphan, em parceria com Laboratório de Inteligência de Redes da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Brasília (FCI/UnB), a ferramenta oferece ao público a possibilidade de conhecer diferentes aspectos das línguas brasileiras, compreender o funcionamento do Inventário e acompanhar informações sobre as línguas já reconhecidas e aquelas em processo de inclusão. Atualmente, o acervo contempla pesquisas sobre 27 línguas, com diferentes níveis de documentação.

O Inventário 

Fruto da mobilização de setores da sociedade civil e de instâncias governamentais, o  Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) foi criado em 2010 e é o instrumento federal de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

A atuação se estrutura em cinco eixos: promoção e valorização; engajamento comunitário; documentação linguística; pesquisa e estudo; publicação e disseminação.

A plataforma 

A plataforma reúne mais de 2 mil itens produzidos ao longo dos anos de execução do INDL, organizados entre línguas indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras. O conjunto reúne pesquisas, registros, imagens, sons e vídeos que documentam e difundem a pluralidade linguística do país.

Além de registrar essa diversidade, os estudos sociolinguísticos disponibilizados estimulam a mobilização das comunidades em torno de suas línguas maternas, fortalecendo seu protagonismo na preservação e gestão do próprio patrimônio cultural.

O Inventário é construído de forma colaborativa. Órgãos e instituições públicas federais, estaduais, distritais e municipais, além de entidades da sociedade civil e representações de falantes, podem solicitar a inclusão de línguas ou a complementação das informações já existentes.

SERVIÇO 

Data: 22/06/2026

Horário: 14h às 18h

Local: Auditório Heloísa Alberto Torres – Iphan sede

Endereço: SEPS 702/902 Centro Empresarial Brasília Torre Iphan – Asa Sul, Brasília – DF, 70390-025

Programação 

14h – Mesa de Abertura com a presença de autoridades

14h45 – Apresentação de vídeo sobre o INDL

15h – 16h – Mesa 1: Panorama da Diversidade Linguística brasileira

16h – 16h45 – Mesa 2: Dados e informações sobre cultura e o diálogo com o cidadão

16h45 – 17h30 – Mesa 3: Acervos Digitais do Patrimônio Cultural no Tainacan na Perspectiva do ensino e pesquisa

 

Confira a matéria na página do IPHAN: https://www.gov.br/iphan/pt-br/sala-de-imprensa/notas-e-avisos-de-pauta/iphan-lanca-plataforma-digital-do-inventario-nacional-da-diversidade-linguistica

A única vila brasileira premiada pela ONU encanta como a “Itália Brasileira”, onde cerca de 80% da população ainda fala italiano

POR MAURA PEREIRA 20/05/2026
A única vila brasileira premiada pela ONU: a verdadeira Itália Brasileira onde 80% da cidade fala italiano

Antônio Prado, a Italia Brasileira na Serra Gaúcha (imagem ilustrativa)

Nas ruas de Antônio Prado, o “bom dia” soa como “bondì”. A 658 metros de altitude na Serra Gaúcha, essa cidade de 13 mil habitantes preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil, com casarões centenários de madeira que parecem ter saído de uma vila do Vêneto.

A última colônia italiana da serra que virou patrimônio nacional

Fundada em 1886 como a sexta e última colônia italiana da Serra Gaúcha, Antônio Prado nasceu às margens do Rio das Antas. Os imigrantes, vindos do norte da Itália, derrubaram matas e ergueram casarões com técnicas trazidas da Europa. O traçado das ruas, quadriculado, seguiu o padrão dos engenheiros militares do século XIX.

O isolamento geográfico que travou o crescimento econômico acabou preservando o casario intacto. Em 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico e urbanístico. São 48 edificações construídas entre 1890 e 1940, ornamentadas com lambrequins, os recortes decorativos de madeira que marcam os beirais. Em 2025, a ONU Turismo reconheceu Antônio Prado como uma das melhores vilas turísticas do mundo, a única brasileira entre 52 selecionadas.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano

Antônio Prado oferece o cenário de casarões centenários de madeira que transportam os 13 mil habitantes para uma autêntica vila do norte da Itália // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que 80% dos moradores ainda falam talian?

Porque o isolamento também preservou a língua. Cerca de 80% da população fala o talian, dialeto que mistura idiomas do norte da Itália com o português. Em 2014, a língua foi incluída no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), reconhecimento inédito para uma língua de imigração no país. Nas padarias, nas feiras de sábado e nas missas, o talian ainda é o idioma das conversas entre vizinhos.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano
Antônio Prado destaca-se na Serra Gaúcha, a 658 metros de altitude, como a cidade que preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que visitar no centro histórico de Antônio Prado?

O centro cabe numa caminhada de duas horas. As 48 construções tombadas se concentram ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal, transformadas em cafés, bistrôs, museus e lojas de produtos coloniais.

  • Casa da Neni: primeiro imóvel tombado da cidade, construído em 1910. Abriga o Museu Municipal e a Central de Informações ao Turista. Visitantes caminham por cômodos com mobiliário original.
  • Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus: erguida entre 1891 e 1897, tem pinturas internas do artista italiano Emilio Zanon e vitrais restaurados após o tornado de 2003.
  • Casa Grezzana: casarão de 1915 que recebe exposições culturais e eventos da FenaMassa.
  • Monumento Leão de São Marcos: réplica do símbolo da República de Veneza, esculpida em pedra de Vicenza pelo artista Enrico Pasquale.
  • Sociedade Pradense de Mútuo Socorro: prédio de 1912 que já abrigou farmácia, escola dos Irmãos Maristas e, durante a Segunda Guerra, teve documentos em italiano recolhidos pela polícia.

Quem quer conhecer a cidade mais italiana do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 567 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra a gastronomia, o centro histórico e o interior de Antônio Prado:

Cachoeiras e rotas rurais além do casario

O interior do município, chamado de “colônia” pelos moradores, guarda paisagens que contrastam com a delicadeza do centro histórico. A 6 km da área urbana, as Cascatas da Usina formam duas quedas d’água separadas por 300 metros, com três mirantes de contemplação. No local funcionou a primeira hidrelétrica de Antônio Prado, na década de 1920.

A Gruta Natural de Nossa Senhora de Lourdes recebe fiéis desde os anos 1930. Escavada na rocha, abriga um campanário de madeira e trilhas curtas em meio à mata. Nas estradas rurais, 25 capitéis religiosos marcam o caminho e revelam a devoção herdada dos colonizadores. O Armazém do Prado, na Linha 21 de Abril, oferece passeios de tuque-tuque e piqueniques coloniais com vista para o vale.

Que pratos experimentar na cidade mais italiana do Brasil?

A mesa pradense preserva receitas passadas de geração em geração. A brachola com polenta e bacon frito, preparada na Linha 21 de Abril, foi eleita o melhor prato italiano do Brasil no programa “Minha Receita”, do chef Erick Jacquin, na Rede Bandeirantes.

  • Sopa de capeletti: servida como entrada em praticamente todas as cantinas, com massa feita à mão.
  • Polenta brustolada: fatias grelhadas que acompanham galeto e radicci com bacon.
  • Grostoli: tiras de massa frita polvilhadas com açúcar, presente em festas e padarias.
  • Vinho colonial: produzido em pequenas vinícolas familiares, servido em jarra nas cantinas do centro.

A FenaMassa (Festival Nacional da Massa) acontece em novembro na Praça Garibaldi, com mais de 50 variedades de massa e estrutura para milhares de visitantes. A Noite Italiana, em agosto, reúne jantar dançante com cardápio típico e música ao vivo.

Como chegar a Antônio Prado saindo de Porto Alegre?

Antônio Prado fica a 184 km de Porto Alegre pela RS-122 e a 50 km ao norte de Caxias do Sul. De carro, o trajeto desde a capital leva cerca de 2h30. Ônibus intermunicipais partem de Cias do Sul com frequência regular. Quem vem do litoral gaúcho pode usar a Rota da Uva e Vinho como caminho cênico pela serra.

A vila onde o Brasil ainda fala italiano

Antônio Prado é um daqueles lugares que fazem o visitante desacelerar. Os casarões de madeira, as cantinas com cheiro de massa fresca e as conversas em talian nas calçadas criam uma atmosfera que nenhuma outra cidade da Serra Gaúcha reproduz.

Você precisa caminhar pela Praça Garibaldi num fim de tarde e ouvir o som do talian misturado ao barulho dos pratos nas cantinas, é quando Antônio Prado se revela por inteiro.

Acesse a matéria no link: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/a-unica-vila-brasileira-premiada-pela-onu-encanta-como-a-italia-brasileira-onde-cerca-de-80-da-populacao-ainda-fala-italiano/#google_vignette

O mistério do município brasileiro que preserva uma língua que não existe mais na Europa

Localizado no Espírito Santo, o município de Santa Maria de Jetibá se tornou uma cápsula do tempo para o pomerano, língua que foi apagada do mapa europeu após a Segunda Guerra Mundial

Vemos uma senhora idosa e uma criança em Santa Maria de Jetibá, em uma varanda rústica cercada pelas lavouras de café nas montanhas capixabas. Elas seguram um livro didático com o título claramente visível: 'POMMERANISCH LERNEN' / 'APRENDENDO O POMERANO'

A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano / Imagem ilustrativa

 

No entanto, um fenômeno linguístico raro transformou as montanhas do Espírito Santo em um “cofre” vivo. A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano, um idioma que foi praticamente apagado do continente europeu, mas que encontrou solo fértil no Brasil para sobreviver ao tempo.

A Pomerânia era uma região histórica entre a Alemanha e a Polônia que foi desmembrada após a Segunda Guerra Mundial.

Enquanto na Europa a língua original desapareceu devido às pressões políticas e geográficas, no interior capixaba o pomerano continuou a ecoar nas lavouras e no cotidiano das famílias.

Esse tipo de isolamento cultural não é um caso isolado em solo brasileiro.

O país abriga outros refúgios fascinantes, como o município onde o tempo parou para guardar os segredos de uma Ucrânia antiga, provando que o Brasil é um mosaico de culturas globais preservadas.

O idioma que sobreviveu ao próprio país

O pomerano não é uma curiosidade de museu em Santa Maria de Jetibá; ele é a língua do dia a dia.

É comum ouvir o dialeto nas feiras livres, nas rádios locais e nas conversas entre vizinhos no comércio.

Por décadas, o isolamento das comunidades agrícolas permitiu que o pomerano se mantivesse intacto, sem a influência direta do português.

Hoje, o município reconhece oficialmente o pomerano como língua cooficial.

Isso significa que placas de sinalização costumam ser bilíngues e o idioma tem o mesmo peso jurídico que o português em diversas instâncias municipais, um nível de reconhecimento raríssimo para línguas de imigrantes no Brasil.

Resistência nas salas de aula

A maior prova de vitalidade dessa cultura está nas novas gerações. Diferente de outros redutos europeus no Brasil onde a língua de origem se perdeu com o passar dos anos, em Santa Maria de Jetibá o pomerano é ensinado obrigatoriamente nas escolas municipais.

O ensino formal garante que os jovens mantenham o vínculo com a história de seus antepassados e consigam conversar com os mais velhos.

Como um patrimônio cultural imaterial, o pomerano deixou de ser apenas a herança de uma terra que não existe mais para se tornar um símbolo de identidade e resistência cultural no coração do Sudeste brasileiro.

 

 

 

Receba o Boletim

Facebook

Revista Platô

Revistas – SIPLE

Revista Njinga & Sepé

REVISTA NJINGA & SEPÉ

Visite nossos blogs

Forlibi

Forlibi - Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

GELF

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

Clique na imagem

Arquivo

Visitantes