Direitos Humanos

Multilinguismo Digital e Governança de Plataforma

Janny H. C. Leung (Universidade de Hong Kong)

Publicado online pela Cambridge University Press:23 de abril de 2026

De acordo com Leung, mais da metade dos oito bilhões de pessoas do mundo não têm um forte suporte digital para sua primeira língua. Isso resulta em uma falta desproporcional de acesso a informações vitais de saúde e segurança, oportunidades benéficas de comércio eletrônico e sites populares de mídia social. Essas disparidades para falantes de línguas minoritárias são exacerbadas pela abordagem de lucro das grandes plataformas de tecnologia para o mercado linguístico digital. Por exemplo, as plataformas digitais investem menos na moderação de conteúdo, deixando os palestrantes vulneráveis à violência causada por discurso de ódio; elas não fornecem sistemas de tradução automática confiáveis, levando a sérios erros de comunicação com consequências criminosas; e não fornecem acesso multilíngue a documentos legais importantes, deixando milhões de palestrantes sem os recursos necessários para participar de suas comunidades on-line de forma legal ou segura. Para abordar esses problemas sistêmicos na governança da plataforma, Leung fornece ideias práticas e soluções realistas em todo o seu Element, enfatizando que a linguagem é o proxy mais poderoso para entender e combater a injustiça digital global.

Resumo

Como guardiões do discurso público global hoje, as plataformas tecnológicas transnacionais governam quem pode falar, com quem e como. Embora tenham ajudado a documentar e revitalizar as línguas minoritárias e conectar as comunidades diásporas, também tomam decisões relacionadas à linguagem que podem prejudicar desproporcionalmente os falantes dessas línguas. Em plataformas como o Facebook, usuários que não são ingleses navegam em um ambiente linguístico onde a moderação de conteúdo geralmente é severamente insuficiente em comparação com a disponível para falantes de inglês. Eles podem não receber avisos sobre desinformação ou conteúdo perturbador, podem não ser informados sobre quais regras se aplicam e podem ter seu conteúdo removido incorretamente – ou violar conteúdo deixado intocado – porque nem moderadores humanos nem sistemas automatizados podem entender sua linguagem. Este Elemento examina formas de justiça linguística global que as plataformas criam e reproduzem, destacando uma dimensão crítica, mas subexplorada, da desigualdade estrutural na governança de plataformas contemporâneas. Este título também está disponível como Acesso Aberto no Cambridge Core.
“Multilinguismo Digital e Governança de Plataformas” examina as formas de justiça linguística global que as plataformas criam e reproduzem, expondo as desigualdades linguísticas estruturais na governança das plataformas. Recomendo este artigo, pois oferece uma perspectiva ampla, senão abrangente, sobre a importância da justiça multilinguística no âmbito digital.

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Estreia Global do Filme Katô: Sonhos de Terra Preta (The Eternal Song)

(extraído do site https://theeternalsong.org/)

No coração da Amazônia brasileira, o povo Munduruku de Sawré Muybu resiste à destruição de seu território, ameaçado pela exploração madeireira ilegal e pela mineração de ouro. Na bacia do rio Tapajós, na Amazônia, o povo Munduruku de Sawré Muybu defende seu território tradicional da ameaça implacável do garimpo e da extração ilegal de madeira. Quando o Estado falha em agir, lideranças comunitárias se levantam para resistir à invasão e proteger a floresta como um arquivo vivo de seus conhecimentos e memórias ancestrais.

Katô: Dreams of Dark Earth segue líderes indígenas e um coletivo de mídia liderado por mulheres enquanto defendem sua terra, cultura e os pulmões da Mãe Terra.

Assista ao trailer: https://theeternalsong.org/kato-screenings/

O filme “Katô: Sonhos de terra preta” integra o projeto “The eternal song”. A série de documentários de 12 filmes SABEDORIA DOS ANCESTRAIS  carrega a missão de honrar a resiliência indígena, iluminar a sabedoria sagrada mantida para a humanidade e a Terra e convidar a cura em comunidades que enfrentam trauma e apagamento colonial.

Para saber mais sobre a série de 12 filmes SABEDORIA DOS ANCESTRAIS, acesse a página https://theeternalsong.org/

 

 

 

Cátedra UNESCO, IPOL e GT GeoMultLing publicam e-book “Cooficialização e Regulamentação de Línguas”

 

Por GT Geopolíticas do Multilinguismo

 

Nos dias 1 e 2 de setembro de 2025, a Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM/UFSC), em parceria com o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), realizou o II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (II ENMP), em Florianópolis. O evento teve como objetivo aprofundar as discussões sobre a regulamentação das políticas de cooficialização de línguas no Brasil.

Realizado presencialmente na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o encontro reuniu especialistas, acadêmicos, ativistas, autoridades e representantes da comunidade em geral. Durante os dois dias, foram compartilhadas experiências já desenvolvidas em municípios plurilíngues, evidenciando os avanços e os desafios da cooficialização no país. Além das palestras, o II ENMP contou com sessões de comunicações online, ampliando o debate e reunindo trabalhos que abordaram diferentes experiências de cooficialização em municípios brasileiros. As contribuições apresentadas deram origem ao e-book Cooficialização e Regulamentação de Línguas: debates e experiências no II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues, organizado pelo GT Geopolíticas do Multilinguismo e disponível gratuitamente abaixo.

A obra reúne nove capítulos que abordam diferentes dimensões da temática da cooficialização e regulamentação de línguas. Além da discussão central, o volume contempla também experiências vinculadas ao ensino público. Nos capítulos I, VI e VII, são analisados, respectivamente, o papel do Programa de Educação Escolar Pomerana (Proepo) na promoção do pomerano e no fortalecimento das identidades culturais no Espírito Santo; a inserção do espanhol no currículo escolar como instrumento de diversidade e integração em regiões fronteiriças a partir do caso do município de Ramilândia (PR), localizado na divisa com Paraguai e Argentina; e os desafios e implicações da política curricular bilíngue na rede municipal de Blumenau. Numa perspectiva semelhante, o capítulo IV apresenta livros de herança nos espaços públicos a partir da experiência de uma biblioteca polonesa na Universidade Estadual do Paraná. Em um recorte político e jurídico, o capítulo III discute as recentes iniciativas de promoção e salvaguarda da língua polonesa no Brasil, enquanto o capítulo V, de forma mais específica, apresenta leis ordinárias municipais de cooficialização de línguas nas Missões Sul-Rio-Grandenses. O capítulo II, por sua vez, aborda os usos contemporâneos do talian em Garibaldi (RS), relacionando-os às políticas linguísticas passadas e atuais. Finalmente, o capítulo VIII, escrito em espanhol, sensibiliza o leitor para a compreensão da relação entre serviços de saúde e políticas linguísticas, destacando o papel central dos intérpretes em uma comunidade no sul do Peru.

A Carta do II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues, redigida coletivamente no último dia do evento, encerra o e-book destacando a relevância da iniciativa por meio de uma retomada histórica das conquistas dos direitos linguísticos no Brasil e apresenta nove recomendações voltadas à continuidade desses avanços. A publicação do e-book, portanto, reforça os passos a serem dados, de modo que a próxima década propicie resultados tão significativos quanto os já alcançados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confira a matéria na fonte em https://geomultling.ufsc.br/catedra-unesco-ipol-e-gt-geopoliticas-do-multilinguismo-publicam-e-book-cooficializacao-e-regulamentacao-de-linguas/

Saiba mais sobre Políticas Linguísticas para o Multilinguismo visitando as páginas do IPOL 

e da https://geomultling.ufsc.br/

 

IV Congreso Internacional de Lenguas–Migraciones-Culturas (CILMiC-2026)

En el marco del IV Congreso Internacional de Lenguas–Migraciones-Culturas (CILMiC-2026): “Subjetividades Migrantes frente a la crueldad: debates relacionales políticos, discursivos y culturales en los territorios y los medios” que se realizará los días 27, 28 y 29 de mayo de 2026 en la Facultad de Lenguas, Universidad Nacional de Córdoba (Córdoba, Argentina), nos dirigimos a Ud. para compartirle la Tercera Circular del congreso. En esta circular podrán ver una extensión en el plazo para el envío de propuestas y los nuevos costos.

Acompanhe a preparação do evento aqui: https://www.lenguas.unc.edu.ar/jornadasycongresos/cilmic

 

 

A língua vietnamita no contexto da integração.

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Hoje, quando línguas estrangeiras, especialmente o inglês, se tornaram quase obrigatórias para a educação e o emprego, a língua vietnamita corre o risco de ser negligenciada em nossa comunicação e comportamento diários.

18/01/2026
Os alunos do primeiro ano da Escola Primária Le Lai estão entusiasmados com a série de atividades organizadas pelo Clube Vietnamita do primeiro ano. Foto: THU HA.
Alunos da Escola Primária Le Lai participam das atividades do Clube de Língua Vietnamita da 1ª série. Foto: THU HA.

Hoje, quando línguas estrangeiras, especialmente o inglês, se tornaram quase obrigatórias para a educação e o emprego, a língua vietnamita corre o risco de ser negligenciada em nossa comunicação e comportamento diários.

Reflete o nível cultural

Não é incomum encontrarmos no dia a dia exemplos de mistura aleatória de vietnamita e línguas estrangeiras na fala e na escrita. Os jovens tendem a usar gírias, desrespeitando as regras básicas de ortografia e gramática do vietnamita. Com o tempo, isso diminuiu a beleza e a pureza de sua língua materna, levando a um empobrecimento cada vez maior das habilidades de expressão em vietnamita.

Na conferência “100 Anos da Escrita Nacional Vietnamita”, organizada pela Associação de Ciências Históricas de Da Nang, a pesquisadora Chau Yen Loan destacou que a escrita nacional vietnamita representa o ápice da história, da cultura e da identidade nacional. Segundo ela, o uso descuidado, híbrido ou passageiro do vietnamita enfraquece inadvertidamente os alicerces da nossa própria cultura. A integração sustentável exige, antes de tudo, uma base sólida no território linguístico da nossa nação.

Na realidade, a integração internacional não significa perder a língua materna. Muitos países ao redor do mundo ainda utilizam línguas estrangeiras com proficiência, mas sempre colocam seu idioma nacional no centro da educação , da comunicação e da vida social. No Vietnã, o inglês e outros idiomas estrangeiros são ferramentas necessárias para expandir o conhecimento e acessar a ciência e a tecnologia modernas, mas o vietnamita permanece a “raiz”, o meio de pensar e expressar a identidade cultural vietnamita.

Segundo a pesquisadora Chau Yen Loan, preservar a pureza da língua vietnamita não significa negar ou rejeitar línguas estrangeiras, mas sim usar a língua de forma consciente, ponderada e responsável. Cada palavra escolhida, cada frase proferida, reflete o nível cultural e a consciência nacional de quem a utiliza. Quando a língua vietnamita é mal utilizada, distorcida ou mal interpretada, não só a língua é prejudicada, como também a profundidade do pensamento e da emoção humana é afetada.

Ela também enfatizou o importante papel da educação no fomento do amor e da proficiência na língua vietnamita entre as novas gerações. As escolas precisam inspirar os alunos a apreciar a beleza, a riqueza e a sutileza da língua vietnamita por meio de atividades e seminários de literatura, jornalismo e comunicação.

Compartilhando dessa visão, a Dra. Ho Tran Ngoc Oanh, da Faculdade de Letras e Comunicação da Universidade de Educação (Universidade de Da Nang ), acredita que a prática da língua vietnamita precisa ser feita de forma regular e sistemática, não apenas nas aulas de Literatura, mas também em outras disciplinas. Os alunos devem ser incentivados a ler livros, escrever, discutir e debater em vietnamita com seriedade, formando assim o hábito de usar uma língua diversificada, padronizada e academicamente rica, mas ainda próxima do cotidiano.

Escolha a abordagem adequada .

A partir da análise acima, percebe-se que o problema não reside em aprender uma língua estrangeira cedo ou tarde, mas sim no modelo e na filosofia de ensino de línguas escolhidos. Em muitas famílias jovens hoje em dia, o inglês é visto como um passaporte garantido para o futuro, enquanto o vietnamita é considerado algo que se desenvolverá naturalmente, sem investimento. Essa forma de pensar, segundo educadores, acarreta diversas consequências negativas a longo prazo.

Uma professora de pré-escola no bairro de Hai Chau relatou que muitos pais pedem que a escola se comunique com seus filhos inteiramente em inglês, mesmo nas atividades diárias. Algumas crianças falam inglês com bastante fluência, mas quando precisam expressar suas emoções em vietnamita, encontram dificuldades, pois seu vocabulário é limitado e têm dificuldade em contar uma história completa. Segundo ela, se o vietnamita não for adequadamente cultivado nos primeiros anos de vida, as crianças não terão a base necessária para o desenvolvimento integral do pensamento e das emoções.

Alguns estudos também indicam que a língua materna é a primeira língua do pensamento humano. Quando essa base é frágil, o aprendizado de uma língua estrangeira facilmente se torna uma memorização mecânica e imitação, carecendo de profundidade. Segundo a Dra. Ho Tran Ngoc Oanh, as crianças podem, sim, aprender o bilinguismo de forma eficaz se o vietnamita desempenhar um papel central na comunicação. Além disso, as línguas estrangeiras devem ser vistas como ferramentas para expandir o conhecimento, e não como substitutas da língua materna.

Do ponto de vista linguístico, a língua materna não é apenas um meio de comunicação inicial, mas a base para a formação do pensamento abstrato, da capacidade de raciocínio e das emoções sociais. Quando as crianças não possuem vocabulário suficiente em vietnamita para nomear emoções, expressar pensamentos ou relatar experiências, a transição para o aprendizado de uma língua estrangeira facilmente se torna um processo de “nomear conceitos em outro idioma” que elas não compreendem plenamente. A consequência é que as crianças podem até falar bastante a língua estrangeira, mas sua compreensão não é profunda e suas habilidades de pensamento crítico e expressão pessoal são limitadas.

Entretanto, estudos em algumas escolas bilíngues mostram que alunos com uma base sólida em vietnamita tendem a aprender um idioma estrangeiro rapidamente. Além de aprender vocabulário e estruturas de frases, eles sabem como comparar, relacionar e transferir ideias entre os dois idiomas. Por outro lado, aqueles com habilidades fracas na língua materna frequentemente têm dificuldades para escrever redações e apresentar opiniões, mesmo que suas habilidades de comunicação em inglês não sejam inferiores.

A professora Vo Thi Thuy Ngan, da Escola Internacional de Singapura em Da Nang, afirmou que manter o papel central da língua vietnamita é um fator decisivo para a qualidade da educação bilíngue. Segundo ela, o bilinguismo não se resume a ser “meio vietnamita, meio inglês”, mas sim a dois sistemas linguísticos paralelos, com a língua materna desempenhando um papel fundamental no pensamento. De uma perspectiva privilegiada, a professora Ngan acredita que os pais precisam ajustar suas expectativas ao matricular seus filhos em aulas de línguas estrangeiras desde cedo. Embora as crianças possam adquirir proficiência em inglês muito cedo, a questão mais importante é se elas conseguem contar uma história com emoção em vietnamita com facilidade.

Fonte: https://baodanang.vn/tieng-viet-trong-moi-truong-hoi-nhap-3320535.html

FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

Instituições compondo a mesa de abertura, Foto: Joelson Felix

A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.

Retomada após sete anos de paralisação

Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, Foto: Joelson Felix

Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.

Protagonismo indígena na construção do curso

Professor Maximiliano Menezes Foto: Gustavo Trindade

O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.

Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.

“O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,

afirmou.

FOIRN e a luta pela educação escolar indígena

O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.

Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

Aula inaugural com a professora Dra. Iraildes Caldas Torres, foto: Joelson Felix

Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro

Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.

Uma conquista coletiva

Foto: Joelson Felix

A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.

 

Leia diretamente na fonte: https://foirn.blog/2026/01/07/foirn-celebra-retomada-historica-do-curso-de-licenciatura-indigena-da-ufam-em-sao-gabriel-da-cachoeira/


Saiba mais sobre o FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a federação que representa 24 povos indígenas no Brasil

Com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o município brasileiro mais indígena, a Foirn articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de mais de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia.

A Foirn nasceu com o lema “Terra e Cultura”, tendo como principal bandeira de luta defender o território e valorizar a cultura dos povos que há pelo menos 3 mil anos habitam a região. Valorizar esse território, a floresta e seus habitantes é a nossa missão. A cada dia surgem novos desafios e, hoje, diante de incertezas e ameaças aos direitos constitucionais conquistados, sabemos que a luta é pela vida e pela sobrevivência da espécie humana no planeta. Enfrentamos, hoje, a maior ameaça à vida na Terra: as mudanças climáticas.

Acesse o link para saber mais sobre o FOIRN, acessar seu estatuto e blog.

https://foirn.org.br/saiba-quem-somos-foirn/

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