Direitos Humanos

A língua vietnamita no contexto da integração.

.

Hoje, quando línguas estrangeiras, especialmente o inglês, se tornaram quase obrigatórias para a educação e o emprego, a língua vietnamita corre o risco de ser negligenciada em nossa comunicação e comportamento diários.

18/01/2026
Os alunos do primeiro ano da Escola Primária Le Lai estão entusiasmados com a série de atividades organizadas pelo Clube Vietnamita do primeiro ano. Foto: THU HA.
Alunos da Escola Primária Le Lai participam das atividades do Clube de Língua Vietnamita da 1ª série. Foto: THU HA.

Hoje, quando línguas estrangeiras, especialmente o inglês, se tornaram quase obrigatórias para a educação e o emprego, a língua vietnamita corre o risco de ser negligenciada em nossa comunicação e comportamento diários.

Reflete o nível cultural

Não é incomum encontrarmos no dia a dia exemplos de mistura aleatória de vietnamita e línguas estrangeiras na fala e na escrita. Os jovens tendem a usar gírias, desrespeitando as regras básicas de ortografia e gramática do vietnamita. Com o tempo, isso diminuiu a beleza e a pureza de sua língua materna, levando a um empobrecimento cada vez maior das habilidades de expressão em vietnamita.

Na conferência “100 Anos da Escrita Nacional Vietnamita”, organizada pela Associação de Ciências Históricas de Da Nang, a pesquisadora Chau Yen Loan destacou que a escrita nacional vietnamita representa o ápice da história, da cultura e da identidade nacional. Segundo ela, o uso descuidado, híbrido ou passageiro do vietnamita enfraquece inadvertidamente os alicerces da nossa própria cultura. A integração sustentável exige, antes de tudo, uma base sólida no território linguístico da nossa nação.

Na realidade, a integração internacional não significa perder a língua materna. Muitos países ao redor do mundo ainda utilizam línguas estrangeiras com proficiência, mas sempre colocam seu idioma nacional no centro da educação , da comunicação e da vida social. No Vietnã, o inglês e outros idiomas estrangeiros são ferramentas necessárias para expandir o conhecimento e acessar a ciência e a tecnologia modernas, mas o vietnamita permanece a “raiz”, o meio de pensar e expressar a identidade cultural vietnamita.

Segundo a pesquisadora Chau Yen Loan, preservar a pureza da língua vietnamita não significa negar ou rejeitar línguas estrangeiras, mas sim usar a língua de forma consciente, ponderada e responsável. Cada palavra escolhida, cada frase proferida, reflete o nível cultural e a consciência nacional de quem a utiliza. Quando a língua vietnamita é mal utilizada, distorcida ou mal interpretada, não só a língua é prejudicada, como também a profundidade do pensamento e da emoção humana é afetada.

Ela também enfatizou o importante papel da educação no fomento do amor e da proficiência na língua vietnamita entre as novas gerações. As escolas precisam inspirar os alunos a apreciar a beleza, a riqueza e a sutileza da língua vietnamita por meio de atividades e seminários de literatura, jornalismo e comunicação.

Compartilhando dessa visão, a Dra. Ho Tran Ngoc Oanh, da Faculdade de Letras e Comunicação da Universidade de Educação (Universidade de Da Nang ), acredita que a prática da língua vietnamita precisa ser feita de forma regular e sistemática, não apenas nas aulas de Literatura, mas também em outras disciplinas. Os alunos devem ser incentivados a ler livros, escrever, discutir e debater em vietnamita com seriedade, formando assim o hábito de usar uma língua diversificada, padronizada e academicamente rica, mas ainda próxima do cotidiano.

Escolha a abordagem adequada .

A partir da análise acima, percebe-se que o problema não reside em aprender uma língua estrangeira cedo ou tarde, mas sim no modelo e na filosofia de ensino de línguas escolhidos. Em muitas famílias jovens hoje em dia, o inglês é visto como um passaporte garantido para o futuro, enquanto o vietnamita é considerado algo que se desenvolverá naturalmente, sem investimento. Essa forma de pensar, segundo educadores, acarreta diversas consequências negativas a longo prazo.

Uma professora de pré-escola no bairro de Hai Chau relatou que muitos pais pedem que a escola se comunique com seus filhos inteiramente em inglês, mesmo nas atividades diárias. Algumas crianças falam inglês com bastante fluência, mas quando precisam expressar suas emoções em vietnamita, encontram dificuldades, pois seu vocabulário é limitado e têm dificuldade em contar uma história completa. Segundo ela, se o vietnamita não for adequadamente cultivado nos primeiros anos de vida, as crianças não terão a base necessária para o desenvolvimento integral do pensamento e das emoções.

Alguns estudos também indicam que a língua materna é a primeira língua do pensamento humano. Quando essa base é frágil, o aprendizado de uma língua estrangeira facilmente se torna uma memorização mecânica e imitação, carecendo de profundidade. Segundo a Dra. Ho Tran Ngoc Oanh, as crianças podem, sim, aprender o bilinguismo de forma eficaz se o vietnamita desempenhar um papel central na comunicação. Além disso, as línguas estrangeiras devem ser vistas como ferramentas para expandir o conhecimento, e não como substitutas da língua materna.

Do ponto de vista linguístico, a língua materna não é apenas um meio de comunicação inicial, mas a base para a formação do pensamento abstrato, da capacidade de raciocínio e das emoções sociais. Quando as crianças não possuem vocabulário suficiente em vietnamita para nomear emoções, expressar pensamentos ou relatar experiências, a transição para o aprendizado de uma língua estrangeira facilmente se torna um processo de “nomear conceitos em outro idioma” que elas não compreendem plenamente. A consequência é que as crianças podem até falar bastante a língua estrangeira, mas sua compreensão não é profunda e suas habilidades de pensamento crítico e expressão pessoal são limitadas.

Entretanto, estudos em algumas escolas bilíngues mostram que alunos com uma base sólida em vietnamita tendem a aprender um idioma estrangeiro rapidamente. Além de aprender vocabulário e estruturas de frases, eles sabem como comparar, relacionar e transferir ideias entre os dois idiomas. Por outro lado, aqueles com habilidades fracas na língua materna frequentemente têm dificuldades para escrever redações e apresentar opiniões, mesmo que suas habilidades de comunicação em inglês não sejam inferiores.

A professora Vo Thi Thuy Ngan, da Escola Internacional de Singapura em Da Nang, afirmou que manter o papel central da língua vietnamita é um fator decisivo para a qualidade da educação bilíngue. Segundo ela, o bilinguismo não se resume a ser “meio vietnamita, meio inglês”, mas sim a dois sistemas linguísticos paralelos, com a língua materna desempenhando um papel fundamental no pensamento. De uma perspectiva privilegiada, a professora Ngan acredita que os pais precisam ajustar suas expectativas ao matricular seus filhos em aulas de línguas estrangeiras desde cedo. Embora as crianças possam adquirir proficiência em inglês muito cedo, a questão mais importante é se elas conseguem contar uma história com emoção em vietnamita com facilidade.

Fonte: https://baodanang.vn/tieng-viet-trong-moi-truong-hoi-nhap-3320535.html

FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

Instituições compondo a mesa de abertura, Foto: Joelson Felix

A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.

Retomada após sete anos de paralisação

Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, Foto: Joelson Felix

Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.

Protagonismo indígena na construção do curso

Professor Maximiliano Menezes Foto: Gustavo Trindade

O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.

Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.

“O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,

afirmou.

FOIRN e a luta pela educação escolar indígena

O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.

Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

Aula inaugural com a professora Dra. Iraildes Caldas Torres, foto: Joelson Felix

Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro

Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.

Uma conquista coletiva

Foto: Joelson Felix

A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.

 

Leia diretamente na fonte: https://foirn.blog/2026/01/07/foirn-celebra-retomada-historica-do-curso-de-licenciatura-indigena-da-ufam-em-sao-gabriel-da-cachoeira/


Saiba mais sobre o FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a federação que representa 24 povos indígenas no Brasil

Com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o município brasileiro mais indígena, a Foirn articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de mais de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia.

A Foirn nasceu com o lema “Terra e Cultura”, tendo como principal bandeira de luta defender o território e valorizar a cultura dos povos que há pelo menos 3 mil anos habitam a região. Valorizar esse território, a floresta e seus habitantes é a nossa missão. A cada dia surgem novos desafios e, hoje, diante de incertezas e ameaças aos direitos constitucionais conquistados, sabemos que a luta é pela vida e pela sobrevivência da espécie humana no planeta. Enfrentamos, hoje, a maior ameaça à vida na Terra: as mudanças climáticas.

Acesse o link para saber mais sobre o FOIRN, acessar seu estatuto e blog.

https://foirn.org.br/saiba-quem-somos-foirn/

Valorização da identidade linguística das comunidades indígenas sob o viés da política linguística: reflexões acerca de entraves e tentativas de superação

 

logo Revista Lingu´ística

O texto aborda os percalços e as buscas por mecanismos que possam propiciar a mitigação das dificuldades para valorização da identidade linguística das comunidades indígenas prevista constitucionalmente. O intuito da pesquisa é apresentar as previsões relativas à diversidade linguística existentes no ordenamento jurídico, verificar se há efetividade delas na sociedade brasileira, em especial, quanto às comunidades indígenas, e apresentar casos concretos pertinentes à temática. Para isso, serviram de base teórica conceitos atrelados à política linguística (Monteagudo, 2012) e ao direito linguístico (Abreu, 2018). De modo geral, apesar de relevantes avanços jurídicos, os direitos previstos legalmente ainda são ineficazes, ante a falta de conhecimento e de compromisso por parte dos poderes estatais, além da atuação da própria sociedade que, por meio de uma política linguística não oficial, imprime na sociedade atual o monolinguismo e a homogeneidade linguística (Shohamy, 2006). Desse modo, embora existam os entraves, parte da sociedade, principalmente os integrantes das comunidades indígenas, tenta buscar ferramentas para concretizar os direitos linguísticos, mesmo sem o apoio do aparato estatal, e, ao fim, ao valorizar as diversidades linguísticas, procura integrá-las à identidade nacional.

Por Solyany Soares Salgado e Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar Vitório


Introdução
O respeito à diversidade linguística das comunidades indígenas no Brasil consta na Constituição da República Federativa do Brasil (doravante CRFB), de 1988, chamada de Constituição Cidadã, na qual também estão previstas algumas garantias para a valorização das suas identidades, seja assegurando o uso das suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem no ensino fundamental (art. 210, §2º), protegendo as manifestações culturais (art. 215) ou reconhecendo “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (art. 231).
Validados pela CRFB, outros aparatos jurídicos surgiram no intuito de efetivar e ampliar os direitos pertinentes aos indígenas, como no caso do Decreto nº 7.387/2010, Inventário Nacional da Diversidade Linguística, da Lei de Diretrizes e Bases, do Plano de Educação Estadual de Alagoas e, no âmbito internacional, como o ingresso da Convenção nº 169, da Organização Internacional do Trabalho, no ordenamento jurídico brasileiro.
No entanto, como será abordado neste trabalho, existem vários percalços para a efetividade dessas garantias, os quais estão presentes tanto nas vias formais quanto nas informais da sociedade brasileira. Conforme teoriza Shohamy (2006), há, no cotidiano, uma tentativa de afirmar a hegemonia da língua portuguesa, de fazer crer que o país é monolíngue e que as demais línguas não possuem o mesmo status no quesito da nacionalidade.
Diante dos entraves, é notório que têm sido realizadas buscas por mecanismos que possam propiciar a mitigação das dificuldades para valorização da identidade linguística das comunidades indígenas e do atendimento às garantias legais no que diz respeito aos direitos linguísticos. Nesse sentido, na maioria das vezes, são os próprios indígenas, ao enfrentar o aparato estatal, que lutam para a efetivação dos seus direitos.
Vale destacar que, apesar de vasta literatura a respeito das políticas linguísticas atinentes às línguas indígenas brasileiras, este trabalho optou por adotar como base teórica os fundamentos de Monteagudo (2012), atrelados à origem do monolinguismo e da sua relação com a política linguística dos Estados, e de Abreu (2018), referentes ao direito linguístico.
Os preceitos apontados pelos supracitados autores se mostraram fundamentais para compreensão a respeito das previsões relativas à diversidade linguística existentes no ordenamento jurídico e para a análise sobre a efetividade delas na sociedade brasileira, em especial, quanto às comunidades indígenas, além de darem subsídios para reflexão sobre a atuação estatal, tendo, como exemplos, casos concretos pertinentes à temática.
Desse modo, o texto está organizado em três tópicos, sendo o primeiro referente à noção de Estado-nação e de Estado Constitucional, para esclarecer a relação entre hegemonia e monolinguismo na maioria das sociedades, inclusive a brasileira. No segundo tópico, será abordada a questão da educação indígena, a qual, mesmo apresentando resguardo no ordenamento jurídico, tem sido dificultada pelo próprio poder estatal, restando aos indígenas encontrarem seus próprios meios para ensinar a língua materna e manter viva a sua cultura. O terceiro tópico remete à necessária modificação da conduta dos integrantes da máquina pública, vez que lhes cabe, muitas vezes, a efetivação dos direitos previstos no ordenamento jurídico, posto que, infelizmente, falta compromisso e existe descaso para com os direitos dos indígenas, inclusive, o direito linguístico.
Por fim, com base no exposto sobre os referidos tópicos, serão apresentadas considerações relativas à temática, a qual não se esgota nestas poucas linhas, havendo inúmeras barreiras para serem identificadas e superadas para que ocorra, de fato, a valorização da identidade linguística desse grupo minoritário e o reconhecimento da diversidade linguística para a identidade nacional brasileira.
Para continuar a leitura acesse o link:  https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/article/view/60253 e confira os outros artigos desta edição especial aqui, edição completa: https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/issue/view/2805/1949

v. 19 n. Sup. (2023): Valorizando a Diversidade: em Defesa da Identidade de Comunidades Linguísticas Vulneráveis / Minorizadas

 Visualizar v. 19 n. Sup. (2023): Valorizando a Diversidade: em Defesa da Identidade de Comunidades Linguísticas Vulneráveis / Minorizadas

Organização: Ana Paula Quadros Gomes (UFRJ) e Beatriz Protti Christino (UFRJ)

Esta edição reúne, em dois volumes, vinte e cinco artigos, trazendo um conjunto de questões proporcionando múltiplas visões sobre a diversidade linguística e destacando a necessidade de ações em defesa de várias comunidades linguísticas minorizadas. O tema mobilizou pesquisadores de diversas áreas de atuação e diferentes linhas de pesquisa, colocando em foco reflexões atinentes aos direitos linguísticos.

Publicado: 2023-12-15

 

Publicado em Revista Linguíʃtica 19(Sup.):127-141, Dezembro/23

GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS

 

O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.

Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau:  https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/


 

Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:

  • Khoisan ou hotentote-bochimanes
  • Vá­twa ou pré-bantu
  • Bantu

Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vá­twa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.

Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.

Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.

 

Visite a página do Instituto Kadila:  https://kadila.cfh.ufsc.br/


 

Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e  Justino Jorge José, publicado em  REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL

Resumo:

O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.

.LÍNGUAS NACIONAIS Angola

UCLPM na 8ª edição do Saberes Indígenas nas Escolas do RS (UFRGS)

Por Emanuelli Oliveira

Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.

Nos dias 24 e 25 de novembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou a 8ª edição da ação Saberes Indígenas nas Escolas, coordenada pela Profa. Dra. Rosani Kamury[1], que contou com a assessoria da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na UFSC e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira. A convite da ação, a Cátedra atuou como assessora desta edição de formação de professores Kaingáng do estado do RS.

O projeto “Saberes Indígenas na Escola” (SIE) na UFRGS é um programa nacional de formação continuada para professores indígenas, focado na produção de materiais didáticos bilíngues (línguas originárias e português) e na valorização da cultura Kaingang e Guarani, formando uma rede de educadores que criam seus próprios currículos e fortalecem a autonomia das escolas indígenas no Rio Grande do Sul, com financiamento do Ministério da Educação do Brasil.

A proposta apresentada teve como foco a inserção e promoção da língua kaingáng no ciberespaço, ressaltando a importância de fortalecer sua circulação em ambientes digitais, ampliar o acesso ao conhecimento e combater processos de invisibilização linguística.

Durante a atividade, foi iniciado o projeto Wikikaingáng, que incentiva a criação de uma Wikipédia em língua kaingáng cujo primeiro passo é a produção de verbetes escritos em língua kaingáng. O objetivo é promover a produção e valorização de conteúdos na língua, integrando diferentes saberes em um espaço colaborativo de escrita.

A iniciativa contou com a participação ativa da comunidade Kaingáng do RS, incluindo falantes, professores, anciãos e lideranças culturais, assegurando a viabilidade do projeto e que os conteúdos reflitam suas perspectivas e modos próprios de expressão. Por se tratar de um projeto aberto e contínuo, a proposta poderá incluir outras comunidades interessadas, fortalecendo a presença digital de diferentes variedades linguísticas e ampliando o alcance colaborativo da ação.

Os resultados foram expressivos: mais de 30 verbetes foram criados e inseridos na Incubadora Wikimedia em apenas dois dias, demonstrando o potencial da iniciativa e o engajamento coletivo no fortalecimento da presença digital do kaingáng. Os próximos passos do projeto incluem o envolvimento dos alunos das escolas kaingáng, ampliando a formação para a comunidade escolar e estimulando a continuidade da criação de verbetes como prática pedagógica e de fortalecimento linguístico.

A assessoria da Cátedra conta com a participação fundamental de Artur Correa, assistente de projetos da associação Wikimedia Brasil, e Emanuelli Oliveira[2], integrante do GT Geopolíticas do Multilinguismo, a seção estudantil da Cátedra UNESCO LPM, e mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFSC.

Essa iniciativa e parceria reforça o compromisso com a presença digital das línguas indígenas, considerando metas da Década Internacional das Línguas Indígenas da UNESCO, destaca o papel das universidades públicas na promoção do multilinguismo e da valorização dos saberes tradicionais e, sobretudo, valoriza a agência dos professores indígenas na criação e desenvolvimento da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.

     

 

Siga a matéria na fonte: https://geomultling.ufsc.br/uclpm-na-8a-edicao-do-saberes-indigenas-nas-escolas-do-rs-ufrgs/

Adeus, Nacau Gakran!

 

nacau.jpeg

Adeus, Nacau Gakran!
É com muito pesar que anunciamos o falecimento hoje, em 09/12/2025, de nosso querido colega e colaborador Nacau Gakran.
Com palavras afetuosas e espírito acolhedor, Nacau fez parte de nossa equipe de pesquisadores e professores que atuam no campo da educação escolar indígena, sendo responsável por propor abordagens da e na língua xokléng/laklaño. Como aluno da Licenciatura Indígena da UFSC, afirmava sempre o seu compromisso com as demandas e sonhos de seu povo.
Com Nacau aprendemos que o que nos rodeia é parte de nós, e merece nossa atenção. Nacau nos deixou e por isso sentiremos saudade. Mas será sempre lembrado como um sopro de vida que cruzou nosso caminho. Nós do IPOL, agora queremos te dizer: vá em paz, querido Nacau!

Receba o Boletim

Facebook

Revista Platô

Revistas – SIPLE

Revista Njinga & Sepé

REVISTA NJINGA & SEPÉ

Visite nossos blogs

Forlibi

Forlibi - Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

GELF

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

Clique na imagem

Arquivo

Visitantes