Pesquisadores do Sul do país analisarão dialeto alemão falado na Região Serrana do Estado
A força do idioma alemão, presente nas conversas de muitas famílias de imigrantes da Região Serrana do Estado, será objeto de um estudo nesta semana. Os municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano e Santa Leopoldina, a partir do próximo sábado (12), serão o foco de uma pesquisa que irá mapear os moradores que falam o dialeto hunsruckisch.
O projeto, que é patrocinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é promovido por uma parceira entre o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio do Projeto Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata – ALMA-H. A pesquisa terá duração de uma semana e fará parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística do Brasil (INDL), que tem como objetivo conhecer a variedade linguística do Brasil.
Equipe do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) chega em Piratuba, SC

Equipe IHLBrI em Piratuba, SC.

Equipe IHLBrI na Rádio Piratuba FM. Foto de Vagner Luiz Silva
A chegada da equipe do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) em Piratuba, SC, foi cheia de atividades. Primeiro, a equipe participou do programa de entrevistas na Piratuba FM, 104,9 (ouça aqui) em dois dias da campanha de campo, sendo que no primeiro, foi apresentado o projeto e seus objetivos, e no segundo, sobre o andamento dos trabalhos, ouça as entrevistas abaixo
Entrevista 1:
Entrevista 2:
Conclusão das ações em São João Do Oeste pela equipe do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI)

Equipe IHLBrI sendo recebida pelo Prefeito de São João do Oeste.
A Equipe do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI), composta pelos pesquisadores do IPOL, Chari Gonzales, Lívia Gomes, Mariela Silveira, Rodrigo Schelenker e Tamissa Godói, e da UFRGS, Ana Carolina Winckelmann, concluiu suas atividades na Cidade de São João do Oeste, após ter ótimas experiências e atuação excelente para a composição do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI).
Tudo só foi possível com a recepção calorosa da cidade, a qual, mesmo durante sua tradicional e importante Semana Alemã, nos recebeu com muita abertura e disponibilidade.
Terceira campanha do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI)

Igreja em SJO, a qual é a maior igreja de madeira em uso da América latina. Fonte: acervo próprio
Terceira Campanha para constituição do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI)
E a equipe IPOL do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) segue em plena atividade durante a 9ª Semana Alemã | 9. Deutsche Woche, que acontece do dia 15 ao dia 22 desse mês em São João do Oeste, em Santa Catarina, a qual faz a divulgação da história dos imigrantes alemães nessa região do Brasil, com peças de dança, teatro, decoração, alimentos e bebidas típicos. A cidade possui cerca de 6.260 habitantes e localiza-se no extremo Oeste Catarinense, com colonização alemã.
Nossa equipe aproveitou para conhecer essa importante semana para a Comunidade Alemã e também para dar continuidade nas ações de levantamento de dados que comporão o Inventário da língua hunriqueana, conforme o Guia INDL, tais como:
- Caracterização territorial;
- Identificação e caracterização da comunidade linguística;
- Identificação e caracterização da língua de referência;
- Diagnóstico sociolinguístico;
- Avaliação da vitalidade linguística, revitalização e promoção.
A partir de agora, equipe passará os próximos 7 dias em campo, onde atuará intensamente para a pesquisa e documentação da língua.
Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) vai a campo
No último sábado, 20 de Maio, a equipe técnica do IPOL, responsável pela execução do Inventário do Hunsrückisch (hunriqueano) como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) foi a campo.

Fonte: acervo próprio
O município de Antonio Carlos, Estado de Santa Catarina, faz parte da área de abrangência de Inventário. Assim, foi realizado o primeiro encontro com moradores locais interessados em fazer parte do projeto. Em especial, nessa primeira vez, todos participaram da testagem dos instrumentos de coleta, bem como foi feita a reunião de apresentação de intenções e expectativas.
Ao longo, das atividades, divulgaremos os resultados alcançados.

O Hunsrüsckisch em Marechal Floriano, Espírito Santo
Por Edenize Ponzo Peres – pesquisadora associada ao IPOL
Nos meses de outubro e novembro de 2016, André Ricardo Kuster Cid, Reni Klippel Machado, Wagner Machado e eu estivemos em Marechal Floriano. O município, localizado na região serrana do Espírito Santo, dista 56 km da capital do estado, Vitória. Marechal Floriano foi colonizado por imigrantes alemães – vindos da Renânia – e também italianos – originários do Vêneto -, embora estes sejam em número menor, que aí chegaram em 1858 segundo registros da Prefeitura Municipal.
Durante as visitas, gravamos entrevistas com as Secretarias de Educação e de Saúde, com funcionários da Câmara de Vereadores e com muitas pessoas da comunidade, na Sede e na zona rural, com o objetivo de descrever um pouco a sócio-história da língua hunsrückisch, falada pelos imigrantes alemães. Segundo os entrevistados, a principal causa da substituição do hunsrückisch pelo português foi o temor dos imigrantes e seus descendentes, causado pela proibição das línguas estrangeiras no Brasil, imposta pelo Governo de Getúlio Vargas, em 1938. Por outro lado, em vários distritos rurais de Marechal Floriano – como Santa Maria, Soído de Baixo e Boa Esperança – constatamos que o hunsrüsckisch ainda é falado, inclusive por jovens. Como exemplo, temos a família do Sr. Cornélio Littig, cujos membros somente conversam na língua ancestral. Assim como eles, há outras famílias na vizinhança que fazem o mesmo.
Também foi possível observar o apreço dos moradores das localidades visitadas pelo hunsrückisch, apesar de alguns terem dúvidas quanto a sua importância e à validade de transmiti-lo às gerações futuras. Exemplo desse apreço é do Sr. Nilson Littig, dono de um bar no distrito de Soído de Baixo. Sr Nilson, falante do hunsrückisch, estava atendendo os seus fregueses em língua portuguesa. Com a nossa chegada, ele passou a conversar em hunsrückisch com o André; as pessoas que estavam no bar e que também conheciam a língua se juntaram a nós, e passamos horas agradáveis falando na língua. Ao final, o proprietário nos informou que, a partir daquele dia, atenderia aos fregueses em português e em hunsrückisch, dependendo do conhecimento ou não da língua. Assim, a inibição inicial e a preocupação em desagradar os monolíngues em português desapareceram.
Por meio das entrevistas realizadas com a população e com as autoridades de Marechal Floriano, pudemos perceber que o município apresenta boas perspectivas para a o trabalho de revitalização e de manutenção do hunsrückisch. Ainda se encontram muitos falantes e a cultura alemã está bastante presente na vida da comunidade. A discriminação e o preconceito que os hunsrückianos sofrem por parte de quem não fala a língua ainda são grandes, mas acreditamos que o esclarecimento e o incentivo são boas armas em favor dessa língua minoritária.

Foto antiga da cidade de Domingos Martins-Sede, comumente chamada de “Campinho”. A casa mais alta ainda existe e é a mais antiga da cidade, onde mora a família Schlenz, que fala o hunsriquiano em casa e em qualquer lugar onde encontrarem outros falantes. Foto sem data, coletada por André Ricardo Kuster Cid, durante a pesquisa na região.
Fonte: Edenize Ponzo Peres/Edição IPOL Comunicação


