FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.
Retomada após sete anos de paralisação
Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.
Protagonismo indígena na construção do curso

O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.
Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.
“O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,
afirmou.
FOIRN e a luta pela educação escolar indígena
O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.
Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.
Uma conquista coletiva

A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.
Leia diretamente na fonte: https://foirn.blog/2026/01/07/foirn-celebra-retomada-historica-do-curso-de-licenciatura-indigena-da-ufam-em-sao-gabriel-da-cachoeira/
Saiba mais sobre o FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a federação que representa 24 povos indígenas no Brasil
Com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o município brasileiro mais indígena, a Foirn articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de mais de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia.
A Foirn nasceu com o lema “Terra e Cultura”, tendo como principal bandeira de luta defender o território e valorizar a cultura dos povos que há pelo menos 3 mil anos habitam a região. Valorizar esse território, a floresta e seus habitantes é a nossa missão. A cada dia surgem novos desafios e, hoje, diante de incertezas e ameaças aos direitos constitucionais conquistados, sabemos que a luta é pela vida e pela sobrevivência da espécie humana no planeta. Enfrentamos, hoje, a maior ameaça à vida na Terra: as mudanças climáticas.
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IA reforça estereótipos contra falantes de dialetos

Quase todos os testes de modelos de linguagem, como o Chat GPT, associaram falantes de dialetos a estereótiposFoto: Mateusz Slodkowski IMAGO/SOPA Images
Sejam como assistentes virtuais em nossos smartphones ou na forma de chatbots em sites governamentais, os grandes modelos de linguagem (“LLMs”, na sigla em inglês) que alimentam ferramentas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT já se tornaram praticamente onipresentes na internet.
Mas cada vez mais evidências apontam para uma conclusão um tanto desconcertante: as respostas desses LLMs parecem revelar um considerável viés contra usuários falantes de dialetos.
Em 2024, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, testaram as respostas do ChatGPT a diversas variedades de dialetos do inglês de lugares como Índia, Irlanda e Nigéria.
Os resultados mostram que os modelos tendem a priorizar variedades “padrão” do inglês (americano ou britânico). Quando confrontados com comandos (prompts) formulados em dialetos, surgem problemas recorrentes: estereotipação (19% mais frequente), conteúdo depreciativo (25% mais), falta de compreensão (9% mais) e respostas condescendentes (15% mais).
Alguns modelos, por sua vez, sequer entendem dialetos. Em julho de 2025, um assistente de IA usado pelo Conselho Municipal de Derby, na Inglaterra, teve dificuldades para entender o dialeto de Derbyshire de uma apresentadora de rádio quando ela usou palavras como mardy (reclamar) e duck (querido) durante um telefonema feito ao vivo para testar o assistente de IA.
Outros falantes de dialetos têm sofrido impactos muito piores. À medida que cada vez mais empresas e governos lançam mão da IA em seus serviços, pesquisadores expressam preocupação. Enquanto isso, os desenvolvedores veem mais uma oportunidade: fornecer LLMs personalizados para falantes de dialetos.
“Trabalhadores rurais sem instrução”
Um novo estudo alemão apresentado na Conferência de Métodos Empíricos em Processamento de Linguagem Natural de 2025 em Suzhou, na China, analisou dez LLMs, incluindo o ChatGPT-5 mini, da OpenAI, e o Llama 3.1, da Meta. Para isso, os modelos foram alimentados com textos em diferentes variações do alemão: desde o padrão até sete outros dialetos, incluindo o bávaro, o frísio do norte e o de Colônia.
Os pesquisadores solicitaram então que os modelos descrevessem os falantes desses textos com atributos pessoais e, em seguida, classificassem-nos em diferentes cenários. Os modelos foram questionados, por exemplo, sobre quem deveria ser contratado para trabalhos que exigem pouca escolaridade ou onde acreditavam que esses falantes viviam.
Em quase todos os testes, os modelos associaram estereótipos aos falantes de dialetos. Os LLMs os descreveram como pessoas sem instrução, trabalhadores rurais e que precisavam de terapia para controlar os nervos. Esse viés aumentou ainda mais quando os LLMs foram informados de que o texto era um dialeto.
“Vemos adjetivos realmente chocantes sendo atribuídos aos falantes do dialeto”, disse à DW Minh Duc Bui, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, Alemanha, um dos coautores principais do estudo.
Viés “grave e alarmante”
Esse tipo de viés consistente contra dialetos é “grave e alarmante”, disse Emma Harvey, doutoranda em ciência da informação na Universidade Cornell, nos EUA.
Em julho, ela e seus colegas publicaram uma pesquisa que mostrou que o assistente de compras com IA da Amazon, Rufus, respondia com informações vagas ou até mesmo incorretas a pessoas que escreviam em um dialeto afro-americano do inglês. E quando essas informações contêm erros de digitação, as respostas podem ficar ainda piores.
“Com o uso cada vez mais amplo dos LLMs, eles podem não apenas perpetuar, mas também amplificar preconceitos e danos já existentes”, disse Harvey à DW.
Mudança de casta como sugestão de “melhoria”
Na Índia, um candidato a emprego recorreu ao ChatGPT para revisar seu inglês em uma candidatura para uma vaga. Para sua surpresa, o modelo de linguagem foi bem além, incluindo até mesmo a alteração do sobrenome do candidato para um que indicasse uma posição superior na estrutura de castas da Índia, conforme relatado pela publicação especializada MIT Technology Review em outubro de 2025.
Modelos de linguagem universais, portanto, parecem não funcionar – sugerindo que talvez seja a hora de a IA aceitar melhor os dialetos.
Um artigo publicado na revista Current Opinion in Psychology em agosto de 2024 aponta que uma IA treinada especificamente com um vocabulário dialetal pode ser percebida pelos usuários como mais calorosa, competente e autêntica.
O viés observado nos LLMs pode ser explicado pelo próprio mecanismo por trás deles: a fim de gerar um resultado para um determinado estímulo, eles precisam coletar uma grande quantidade de texto. E é justamente aqui que reside o problema: quem escreve esse texto?
“Isso significa que os LLMs que aprendem com dados da web também podem captar o que alguém escreve sobre um falante de dialeto”, explica Carolin Holtermann, da Universidade de Hamburgo e coautora principal do artigo alemão.
Mas Holtermann também aponta que uma das vantagens dos LLMs é que, ao contrário de muitos falantes humanos, esses preconceitos também podem ser eliminados do sistema. “Podemos, de fato, evitar esse tipo de expressão”, disse ela.
Novos LLMs personalizados para dialetos locais
Empresas de IA garantem que seus LLMs respondam da maneira que os usuários desejam e que não discriminem por gênero ou idade. Até o momento, porém, tudo indica que esse treinamento não inclui nuances, como dialetos.
A resposta pode estar em modelos de aprendizagem de línguas mais personalizados. Uma das empresas de IA envolvidas no estudo alemão, a Aya Expanse, afirmou que o modelo testado no artigo era exclusivo para pesquisa e que a empresa trabalha com clientes corporativos para personalizar seus LLMs levando em consideração fatores como dialetos.
Outras empresas de IA estão fazendo dessa personalização um diferencial de vendas. Um LLM chamado Arcee-Meraj, por exemplo, foca em diversos dialetos árabes, como o egípcio, o levantino, o magrebino e o do Golfo.
À medida que novos LLMs mais personalizados surgem, Holtermann afirma que a IA não deve ser considerada uma inimiga dos dialetos, mas sim uma ferramenta imperfeita que, assim como os humanos, pode ser aprimorada.
Siga o link para a leitura: https://p.dw.com/p/565K4
GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS
O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.
Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau: https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/
Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:
- Khoisan ou hotentote-bochimanes
- Vátwa ou pré-bantu
- Bantu
Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vátwa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.
Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.
Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.
Visite a página do Instituto Kadila: https://kadila.cfh.ufsc.br/
Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e Justino Jorge José, publicado em REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL
Resumo:
O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.
Ipol e Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM) no I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo awa guaja, em Santa Inês, Maranhão
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I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo Awa Guajá
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A abertura do seminário acontece na segunda-feira (15), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV IFMA, no YouTube, ampliando o acesso ao debate sobre as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas de recente contato.A programação de abertura contará com mesa institucional e a palestra “Princípios da educação escolar indígena: bilíngue, diferenciada, específica e comunitária”, ministrada pelos professores Awá Guajá e José Bessa. Na parte da tarde uma mesa redonda aborda o tema Ensino e aprendizagem em contextos multilíngues com a presença de Rosangela Morello, coordenadora do IPOL.
Confira a cerimônia de abertura e assista ao vivo pelo canal da TV IFMA!
A programação do evento está aqui Seminário. Confira!!!
Para saber mais, confira a crônica “Os Awa: uma escola na língua da gente”, publicado em junho de 2024 no site TAQUIPRATI por Jose Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Jose Ribamar coordenou durante 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO). Consultor do projeto Formação de Professores Indígenas Awa Guajá Awa Pape Mumu’u#771;ha Ma’a Kwa Mataha
https://www.taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente
UCLPM na 8ª edição do Saberes Indígenas nas Escolas do RS (UFRGS)
Por Emanuelli Oliveira
Publicado em 12/9/2025 12:52 PM

Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.
Nos dias 24 e 25 de novembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou a 8ª edição da ação Saberes Indígenas nas Escolas, coordenada pela Profa. Dra. Rosani Kamury[1], que contou com a assessoria da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na UFSC e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira. A convite da ação, a Cátedra atuou como assessora desta edição de formação de professores Kaingáng do estado do RS.
O projeto “Saberes Indígenas na Escola” (SIE) na UFRGS é um programa nacional de formação continuada para professores indígenas, focado na produção de materiais didáticos bilíngues (línguas originárias e português) e na valorização da cultura Kaingang e Guarani, formando uma rede de educadores que criam seus próprios currículos e fortalecem a autonomia das escolas indígenas no Rio Grande do Sul, com financiamento do Ministério da Educação do Brasil.
A proposta apresentada teve como foco a inserção e promoção da língua kaingáng no ciberespaço, ressaltando a importância de fortalecer sua circulação em ambientes digitais, ampliar o acesso ao conhecimento e combater processos de invisibilização linguística.
Durante a atividade, foi iniciado o projeto Wikikaingáng, que incentiva a criação de uma Wikipédia em língua kaingáng cujo primeiro passo é a produção de verbetes escritos em língua kaingáng. O objetivo é promover a produção e valorização de conteúdos na língua, integrando diferentes saberes em um espaço colaborativo de escrita.
A iniciativa contou com a participação ativa da comunidade Kaingáng do RS, incluindo falantes, professores, anciãos e lideranças culturais, assegurando a viabilidade do projeto e que os conteúdos reflitam suas perspectivas e modos próprios de expressão. Por se tratar de um projeto aberto e contínuo, a proposta poderá incluir outras comunidades interessadas, fortalecendo a presença digital de diferentes variedades linguísticas e ampliando o alcance colaborativo da ação.
Os resultados foram expressivos: mais de 30 verbetes foram criados e inseridos na Incubadora Wikimedia em apenas dois dias, demonstrando o potencial da iniciativa e o engajamento coletivo no fortalecimento da presença digital do kaingáng. Os próximos passos do projeto incluem o envolvimento dos alunos das escolas kaingáng, ampliando a formação para a comunidade escolar e estimulando a continuidade da criação de verbetes como prática pedagógica e de fortalecimento linguístico.
A assessoria da Cátedra conta com a participação fundamental de Artur Correa, assistente de projetos da associação Wikimedia Brasil, e Emanuelli Oliveira[2], integrante do GT Geopolíticas do Multilinguismo, a seção estudantil da Cátedra UNESCO LPM, e mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFSC.
Essa iniciativa e parceria reforça o compromisso com a presença digital das línguas indígenas, considerando metas da Década Internacional das Línguas Indígenas da UNESCO, destaca o papel das universidades públicas na promoção do multilinguismo e da valorização dos saberes tradicionais e, sobretudo, valoriza a agência dos professores indígenas na criação e desenvolvimento da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.



Siga a matéria na fonte: https://geomultling.ufsc.br/uclpm-na-8a-edicao-do-saberes-indigenas-nas-escolas-do-rs-ufrgs/
Adeus, Nacau Gakran!
Adeus, Nacau Gakran!
É com muito pesar que anunciamos o falecimento hoje, em 09/12/2025, de nosso querido colega e colaborador Nacau Gakran.
Com palavras afetuosas e espírito acolhedor, Nacau fez parte de nossa equipe de pesquisadores e professores que atuam no campo da educação escolar indígena, sendo responsável por propor abordagens da e na língua xokléng/laklaño. Como aluno da Licenciatura Indígena da UFSC, afirmava sempre o seu compromisso com as demandas e sonhos de seu povo.
Com Nacau aprendemos que o que nos rodeia é parte de nós, e merece nossa atenção. Nacau nos deixou e por isso sentiremos saudade. Mas será sempre lembrado como um sopro de vida que cruzou nosso caminho. Nós do IPOL, agora queremos te dizer: vá em paz, querido Nacau!


