Compreender o patuá para contrariar o seu declínio

Fonte: IFT
O especialista em crioulos de base portuguesa Alan Baxter regressou a Macau no ano passado para liderar a Faculdade de Humanidades da Universidade de São José. O interesse assumido por dialectos levou-o a concretizar um dos objectivos a que se propôs quando assumiu funções na USJ: criar um curso de patuá direccionado para todos aqueles que se interessem pelos seus fundamentos linguísticos.
Regressado recentemente a Macau para dirigir a Faculdade de Humanidades da Universidade de São José (USJ), Alan Baxter é um especialista em crioulos de base portuguesa que encontra em Macau “mais liberdade” para se entregar à pesquisa, transversal a toda a sua carreira dedicada ao estudo científico da Linguagem.
A proximidade que a cidade lhe oferece a uma mão cheia de línguas que se vão “encolhendo” pela Ásia fora fomenta a vontade de permanecer no território e de privar de perto com um dos crioulos que mais o cativa. Baxter entrega-se, por estes dias, ao patuá com o propósito de“criar mais consciência e também informar melhor a comunidade” sobre o crioulo local: “Não estou ensinando o patuá, o que estou fazendo é simplesmente mostrando o que o patuá abrange e engloba em termos linguísticos e sócio-históricos”, explicou ao PONTO FINAL. O académico propõe um curso de introdução ao maquista que será ministrado na USJ, no final deste mês e no início do próximo.
A formação começa com textos tradicionais e lengalengas do século XIX, explora as cartas da colectânea editada por Danilo Barreiros na década de 1940 e os pasquins de cariz sócio-político e cultural enviados ao jornais locais a partir de meados do século XIX. Também analisa os textos de teatro da virada do século XIX para o século XX até, gradualmente – e passando pelos contos de José dos Santos Ferreira – chegar à época contemporânea. Alan Baxter desenhou um curso sobre os fundamentos do crioulo de Macau, “aberto a todo o mundo”, garante: “Vamos fazer apreciação das estruturas sintácticas centrais, comentar o léxico, as diversas fontes de léxico que provêm de variedades do português de séculos passados, também palavras que são de origem, digamos, indiana, malaia, chinesa, e faremos uma apreciação da gramática nuclear”, explicou o linguista.
O núcleo da formação gira em torno de material escrito, contudo vai haver tempo para “tratar a pronúncia”, os áudios cedidos a Baxter por Graciete Nogueira Batalha no início da década de 1990 e os vídeos de falantes de patuá que residem na América do Norte.
Aparentadao ao “kristang” de Malaca, agregando o português e o chinês, mas também outras línguas da região, o patuá foi noutros tempos a língua corrente da comunidade macaense, mas o reforço da escolaridade e a evolução sócio-política do território fez com que o crioulo caísse em desuso.
O director da Faculdade de Humanidades da Universidade de São José assume que “gostaria de ver algumas disciplinas em torno da preservação e conservação de línguas minoritárias ameaçadas”: “Acho que, em Macau, onde o patuá é parte da tradição sócio-histórica, deveria haver algum interesse nas escolas. Há literatura em patuá, há lengalenga, há poesia. Essas coisas poderiam estar presentes. Não estou dizendo que ofereçam uma disciplina de patuá a nível de escola, mas acho que é uma pena que não haja mais interesse nesse sentido”, defendeu Alan Baxter. O académico considera que “esta parte da Ásia e o sudeste asiático oferecem muitos contextos interessantes para esse tipo de trabalho essencial, porque há muitas línguas que estão se encolhendo, estão perdendo falantes”.
Uma das vontades do docente australiano passa por oferecer, todos os semestres, um curso em torno do patuá: “Há muita coisa que se pode fazer, o curso não tem de ser exactamente como eu descrevi, essa é uma primeira versão, digamos. Depois a gente irá ajustando conforme a resposta da comunidade e os interesses”, apontou Braxter.
Miguel de Senna Fernandes, o advogado impulsionador da preservação do crioulo através das artes de palco e do grupo Dóci Papiaçám, vê com agrado o projecto do linguista com quem já desenvolveu projectos no âmbito da promoção do patuá: “Parto do princípio que é uma coisa boa. Eu, pelo menos, há mais de 20 anos que ando a lutar por isto e é claro que eu olho sempre para estas iniciativas com muito agrado. (…) Ainda bem que ele [Alan Baxter] abraça este novo projecto deste teor e desejo os maiores sucessos”. J.F.
Fonte: Ponto Final
Liderança indígena do Acre lança livro sobre histórias contadas por Yawanawas

Obra lançada em Rio Branco sexta, 3/2, às 18h30, no Café Iris Tavares (Foto: Notícias do Acre)
Liderança da Aldeia Mutum da Terra Indígena do Rio Gregório, Tashka Peshaho Yawanawa decidiu colocar no papel histórias que eram contadas pelo Pajé Tatá aos jovens daquele local. Assim, nasceu o livro Vakehu Shenipahu – Contos Infantis Yawanawa, que contém sete narrativas e ilustrações feitas pelas próprias crianças da aldeia.
A obra será lançada em Rio Branco nesta sexta-feira, 3, às 18h30, no Café Iris Tavares. O evento é aberto ao público.
Antes, Tashka lançou o trabalho na Aldeia Matrixã, em outubro de 2016. Na oportunidade, as crianças que colaboraram com os desenhos puderam ter acesso em primeira mão ao resultado.
Escrito em duas línguas – português e yawanawa (língua indígena) –,
o livro conta com 84 páginas e capa dura.
A publicação foi possível graças ao patrocínio da Forest Trends,
em parceria com a Associação Sociocultural Yawanawa.
O próximo passo será a tradução para o inglês, com apoio da editora americana Chronic.
De acordo com o autor, as histórias presentes no exemplar são passadas de geração em geração há muito tempo. “São narrativas que fazem parte do nosso mundo, que ensinam como amar e proteger a natureza. Por isso, é tão importantes que elas sejam conhecidas não só por nós indígenas, mas também por pessoas da cidade”, diz.
Ele destaca, também, a escolha em publicá-lo bilíngue: “É uma forma de preservar e fortalecer nossa língua, cultura e história. É um legado que o Tatá, como nosso líder espiritual, nos deixou”, afirma.
O livro contou, ainda, com a colaboração da indigenista Dedê Maia e de Caboco, artista plástico que Tashka conheceu durante viagem a Paris, na França.
Fonte: Notícias do Acre
[Palmas | TO] MPE lançará curso de Libras para atendimento às pessoas surdas
Capacitação é composta de dez unidades didáticas,
subdivididas em quatro módulos
Da Redação
O Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Cesaf), lançará nesta sexta-feira, 3, o curso de Capacitação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). O curso tem o objetivo de qualificar membros e servidores da própria instituição e das instituições parceiras para a melhoria do atendimento às pessoas surdas. O lançamento será às 10 horas, no auditório do MPE, em Palmas.
O curso de capacitação é composto de dez unidades didáticas, subdivididas em quatro módulos. As atividades são ofertadas na modalidade de educação a distância, com carga horária total de 60 horas. Cada unidade conta com material complementar, atividades práticas para autoestudo, exercícios a distância em ambiente virtual próprio do MPE e acompanhamento tutorial por meio de fórum.
O material foi produzido por uma equipe multiprofissional, formada por educadores, intérprete de Libras, fotógrafos, jornalistas, programadores e cinegrafistas que atuam no Ministério Público do Tocantins.
O projeto foi construído utilizando boas práticas e teorias desenvolvidas no Brasil. A partir da análise das demandas e do perfil dos usuários dos serviços do MPE, foi elaborado um vocabulário das expressões mais usuais, que serviu de base para 705 tomadas fotográficas que integram um banco de imagens e ilustram o manual e os demais materiais do curso.
O curso de capacitação em Libras será disponibilizado virtualmente a todos os interessados. De acordo com o coordenador do Cesaf, Procurador de Justiça José Maria da Silva Júnior, a iniciativa é expressão de cidadania. “A Língua Brasileira de Sinais é oficial da comunidade surda do Brasil. Por isso, enquanto fiscal da lei, o Ministério Público deve estar preparado para melhor atender as comunidades de surdos e as pessoas usuárias da Libras”, considerou o coordenador.
Convidados
Entre os convidados para o lançamento do curso estão representantes do Poder Judiciário, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Tocantins, Defensoria Pública do Estado, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Secretarias Estadual e Municipal de Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime) e Conselho Estadual da Educação e representações das comunidades e associações de pessoas surdas. (Com informações da ascom do MPE)
Fonte: CT
Educamemória/FURG promove Projeto de Extensão Memória, Cultura e Promoção da Língua Pomerana
Núcleo Educamemória promove Promoção da Língua Pomerana
Memória, Cultura e Promoção da Língua Pomerana 2016-2017
Erinung, Kultur un Promotion fon dai Pomerisch Språk 2016-2017
Essa proposta é derivada de demandas do III Fórum Pomersul, realizado em 2014 em Canguçu, especialmente. Demanda sempre presente nos Fóruns do Pomersul (2010-2014), desde o I PomerBR (2011) em São Lourenço do Sul e nas Audiências Públicas do Povo Pomerano (2015-2016).
Este projeto de extensão tem por objetivo promover a Língua Pomerana na Serra dos Tapes por meio de Rodas de Diálogos sobre a Língua Materna e as Políticas Linguísticas de Bilinguismo. Compreender aspectos elementares da epistemologia linguístico-gramatical da língua pomerana. Discutir, compreender e promover a Língua Pomerana, falada e escrita, a partir de uma discussão das políticas linguísticas de Bilinguismo e dos pressupostos da Educação bilíngue na América Latina. O Público Alvo dessa ação são as lideranças locais; professores, membros de associações culturais, membros das comunidades pomeranas, sujeitos de Comunidades e Povos Tradicionais do Pampa, comunidade em geral interessada na temática.
Essa ação é realizada em parceria de co-promoção entre Associação Pomersul, Secretaria de Educação e Esportes de Canguçu, Secretaria de Educação e Cultura de São Lourenço do Sul e Núcleo Educamemória-FURG.
Interessados em participar devem enviar e-mail para: educamemoria@yahoo.com.br, declarando interesse de participação. A partir desse contato serão enviados a ficha de inscrição e o passo-a-passo de cadastramento.
Fonte: Email de Divulgação
Segunda Circular do XVIII Congresso Internacional da ALFAL
A Associação de Linguística e Filologia da América Latina (ALFAL) divulga a segunda circular de seu XVIII Congresso Internacional, que terá lugar na Universidade Nacional da Colômbia (Bogotá, D. C., – Colômbia) entre 24 e 28 de julho de 2017. O congresso faz parte das comemorações pelo 150º aniversário de fundação da Universidade Nacional da Colômbia.
A organização convoca todos os sócios a participar desta reunião acadêmica, em que se apresentarão trabalhos para discussão e estarão reunidos os projetos de pesquisa da ALFAL. Durante o congresso serão realizadas a assembleia geral ordinária e outras reuniões.
O convite estende-se também a todas as pessoas interessadas em temáticas relacionadas à linguagem e a profissionais de disciplinas afins.
As línguas oficiais do Congresso são o Espanhol e o Português Continue lendo



