Valorização da identidade linguística das comunidades indígenas sob o viés da política linguística: reflexões acerca de entraves e tentativas de superação

O texto aborda os percalços e as buscas por mecanismos que possam propiciar a mitigação das dificuldades para valorização da identidade linguística das comunidades indígenas prevista constitucionalmente. O intuito da pesquisa é apresentar as previsões relativas à diversidade linguística existentes no ordenamento jurídico, verificar se há efetividade delas na sociedade brasileira, em especial, quanto às comunidades indígenas, e apresentar casos concretos pertinentes à temática. Para isso, serviram de base teórica conceitos atrelados à política linguística (Monteagudo, 2012) e ao direito linguístico (Abreu, 2018). De modo geral, apesar de relevantes avanços jurídicos, os direitos previstos legalmente ainda são ineficazes, ante a falta de conhecimento e de compromisso por parte dos poderes estatais, além da atuação da própria sociedade que, por meio de uma política linguística não oficial, imprime na sociedade atual o monolinguismo e a homogeneidade linguística (Shohamy, 2006). Desse modo, embora existam os entraves, parte da sociedade, principalmente os integrantes das comunidades indígenas, tenta buscar ferramentas para concretizar os direitos linguísticos, mesmo sem o apoio do aparato estatal, e, ao fim, ao valorizar as diversidades linguísticas, procura integrá-las à identidade nacional.
Por Solyany Soares Salgado e Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar Vitório
v. 19 n. Sup. (2023): Valorizando a Diversidade: em Defesa da Identidade de Comunidades Linguísticas Vulneráveis / Minorizadas
Organização: Ana Paula Quadros Gomes (UFRJ) e Beatriz Protti Christino (UFRJ)
Esta edição reúne, em dois volumes, vinte e cinco artigos, trazendo um conjunto de questões proporcionando múltiplas visões sobre a diversidade linguística e destacando a necessidade de ações em defesa de várias comunidades linguísticas minorizadas. O tema mobilizou pesquisadores de diversas áreas de atuação e diferentes linhas de pesquisa, colocando em foco reflexões atinentes aos direitos linguísticos.
Publicado em Revista Linguíʃtica 19(Sup.):127-141, Dezembro/23
IA reforça estereótipos contra falantes de dialetos

Quase todos os testes de modelos de linguagem, como o Chat GPT, associaram falantes de dialetos a estereótiposFoto: Mateusz Slodkowski IMAGO/SOPA Images
Sejam como assistentes virtuais em nossos smartphones ou na forma de chatbots em sites governamentais, os grandes modelos de linguagem (“LLMs”, na sigla em inglês) que alimentam ferramentas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT já se tornaram praticamente onipresentes na internet.
Mas cada vez mais evidências apontam para uma conclusão um tanto desconcertante: as respostas desses LLMs parecem revelar um considerável viés contra usuários falantes de dialetos.
Em 2024, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, testaram as respostas do ChatGPT a diversas variedades de dialetos do inglês de lugares como Índia, Irlanda e Nigéria.
Os resultados mostram que os modelos tendem a priorizar variedades “padrão” do inglês (americano ou britânico). Quando confrontados com comandos (prompts) formulados em dialetos, surgem problemas recorrentes: estereotipação (19% mais frequente), conteúdo depreciativo (25% mais), falta de compreensão (9% mais) e respostas condescendentes (15% mais).
Alguns modelos, por sua vez, sequer entendem dialetos. Em julho de 2025, um assistente de IA usado pelo Conselho Municipal de Derby, na Inglaterra, teve dificuldades para entender o dialeto de Derbyshire de uma apresentadora de rádio quando ela usou palavras como mardy (reclamar) e duck (querido) durante um telefonema feito ao vivo para testar o assistente de IA.
Outros falantes de dialetos têm sofrido impactos muito piores. À medida que cada vez mais empresas e governos lançam mão da IA em seus serviços, pesquisadores expressam preocupação. Enquanto isso, os desenvolvedores veem mais uma oportunidade: fornecer LLMs personalizados para falantes de dialetos.
“Trabalhadores rurais sem instrução”
Um novo estudo alemão apresentado na Conferência de Métodos Empíricos em Processamento de Linguagem Natural de 2025 em Suzhou, na China, analisou dez LLMs, incluindo o ChatGPT-5 mini, da OpenAI, e o Llama 3.1, da Meta. Para isso, os modelos foram alimentados com textos em diferentes variações do alemão: desde o padrão até sete outros dialetos, incluindo o bávaro, o frísio do norte e o de Colônia.
Os pesquisadores solicitaram então que os modelos descrevessem os falantes desses textos com atributos pessoais e, em seguida, classificassem-nos em diferentes cenários. Os modelos foram questionados, por exemplo, sobre quem deveria ser contratado para trabalhos que exigem pouca escolaridade ou onde acreditavam que esses falantes viviam.
Em quase todos os testes, os modelos associaram estereótipos aos falantes de dialetos. Os LLMs os descreveram como pessoas sem instrução, trabalhadores rurais e que precisavam de terapia para controlar os nervos. Esse viés aumentou ainda mais quando os LLMs foram informados de que o texto era um dialeto.
“Vemos adjetivos realmente chocantes sendo atribuídos aos falantes do dialeto”, disse à DW Minh Duc Bui, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, Alemanha, um dos coautores principais do estudo.
Viés “grave e alarmante”
Esse tipo de viés consistente contra dialetos é “grave e alarmante”, disse Emma Harvey, doutoranda em ciência da informação na Universidade Cornell, nos EUA.
Em julho, ela e seus colegas publicaram uma pesquisa que mostrou que o assistente de compras com IA da Amazon, Rufus, respondia com informações vagas ou até mesmo incorretas a pessoas que escreviam em um dialeto afro-americano do inglês. E quando essas informações contêm erros de digitação, as respostas podem ficar ainda piores.
“Com o uso cada vez mais amplo dos LLMs, eles podem não apenas perpetuar, mas também amplificar preconceitos e danos já existentes”, disse Harvey à DW.
Mudança de casta como sugestão de “melhoria”
Na Índia, um candidato a emprego recorreu ao ChatGPT para revisar seu inglês em uma candidatura para uma vaga. Para sua surpresa, o modelo de linguagem foi bem além, incluindo até mesmo a alteração do sobrenome do candidato para um que indicasse uma posição superior na estrutura de castas da Índia, conforme relatado pela publicação especializada MIT Technology Review em outubro de 2025.
Modelos de linguagem universais, portanto, parecem não funcionar – sugerindo que talvez seja a hora de a IA aceitar melhor os dialetos.
Um artigo publicado na revista Current Opinion in Psychology em agosto de 2024 aponta que uma IA treinada especificamente com um vocabulário dialetal pode ser percebida pelos usuários como mais calorosa, competente e autêntica.
O viés observado nos LLMs pode ser explicado pelo próprio mecanismo por trás deles: a fim de gerar um resultado para um determinado estímulo, eles precisam coletar uma grande quantidade de texto. E é justamente aqui que reside o problema: quem escreve esse texto?
“Isso significa que os LLMs que aprendem com dados da web também podem captar o que alguém escreve sobre um falante de dialeto”, explica Carolin Holtermann, da Universidade de Hamburgo e coautora principal do artigo alemão.
Mas Holtermann também aponta que uma das vantagens dos LLMs é que, ao contrário de muitos falantes humanos, esses preconceitos também podem ser eliminados do sistema. “Podemos, de fato, evitar esse tipo de expressão”, disse ela.
Novos LLMs personalizados para dialetos locais
Empresas de IA garantem que seus LLMs respondam da maneira que os usuários desejam e que não discriminem por gênero ou idade. Até o momento, porém, tudo indica que esse treinamento não inclui nuances, como dialetos.
A resposta pode estar em modelos de aprendizagem de línguas mais personalizados. Uma das empresas de IA envolvidas no estudo alemão, a Aya Expanse, afirmou que o modelo testado no artigo era exclusivo para pesquisa e que a empresa trabalha com clientes corporativos para personalizar seus LLMs levando em consideração fatores como dialetos.
Outras empresas de IA estão fazendo dessa personalização um diferencial de vendas. Um LLM chamado Arcee-Meraj, por exemplo, foca em diversos dialetos árabes, como o egípcio, o levantino, o magrebino e o do Golfo.
À medida que novos LLMs mais personalizados surgem, Holtermann afirma que a IA não deve ser considerada uma inimiga dos dialetos, mas sim uma ferramenta imperfeita que, assim como os humanos, pode ser aprimorada.
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Saúde mental é foco de projeto com povo indígena Mura em Itacoatiara
Iniciativa desenvolvida pela Afya Faculdade de Ciências Médicas na Aldeia Correnteza, na TI Rio Urubu, une ciência e saberes tradicionais, para fortalecer as práticas de saúde e bem-estar.

Foto: Divulgação
Estudantes e docentes da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, no Amazonas, desenvolveram um projeto de extensão na área de saúde mental, voltado ao povo indígena Mura. A iniciativa, que está sendo implementada desde o segundo semestre de 2025, une conhecimento científico e saberes tradicionais, promovendo o cuidado emocional e fortalecendo as práticas coletivas de saúde e bem-estar na Aldeia Correnteza, localizada na Terra Indígena (TI) Rio Urubu.
O projeto, denominado ‘Saúde Mental Indígena: abordagem intercultural e promoção de saúde e bem-estar em comunidade originária’ nasceu a partir da identificação de vulnerabilidades emocionais decorrentes da perda de território, do choque cultural e de outros desafios enfrentados.
Diante disso, a instituição propôs uma ação de inclusão, voltada à valorização dos saberes tradicionais, por meio de uma abordagem intercultural, conforme detalha a diretora da Afya Itacoatiara, Soraia Tatikawa.
O Amazonas concentra a segunda maior população indígena do país, representando 12,45% dos habitantes do estado, segundo o Censo de 2022. Em Itacoatiara, 1.218 pessoas se autodeclararam indígenas. Boa parte das comunidades indígenas da região, entretanto, enfrenta barreiras históricas no acesso a serviços especializados.
Leia também: Pesquisa inédita inicia mapeamento na Região Norte sobre desafios de saúde mental em universidades
A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) aponta a escassez de profissionais e a dificuldade de acesso a atendimentos psicossociais em áreas remotas, como problemas persistentes. Isso torna a atenção à saúde mental um dos maiores desafios dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
A coordenadora do projeto da Afya Itacoatiara, professora Ádria Cortez, explica que a ação é uma resposta humanística e acadêmica direta a esse quadro. O projeto, diz ela, faz parte de um dos eixos de pesquisa da instituição. A ação se insere no eixo Projetos de Intervenção e Extensão na Educação Profissional em Enfermagem e Medicina (Piepe), que aborda a saúde mental.
Segundo Ádria Cortez, a instituição também foi motivada a implementar esse projeto com o objetivo de reconhecer e valorizar formas de cuidado e bem-viver dos povos originários, tema ainda pouco presente nos serviços tradicionais de saúde.
“Na região do Médio Amazonas, construímos um projeto que promove diálogo intercultural, respeitando os saberes e valorizando as práticas que fazem parte da vida dessa população”, acrescenta.
O projeto é executado na Aldeia Correnteza, que abriga 46 famílias e mais de 130 pessoas na TI Rio Urubu. A participação ativa das lideranças Mura foi crucial para garantir a pertinência cultural das ações. “A presença delas foi fundamental para que as atividades fossem culturalmente adequadas. As lideranças mediaram o conhecimento, orientando sobre as formas corretas de abordar determinados temas e ajudando a criar um ambiente de confiança entre a equipe e a comunidade”, reforça a coordenadora.
As atividades incluem rodas de conversa, dinâmicas, palestras educativas e consultas médicas, com o objetivo de valorizar a identidade cultural e incentivar o autocuidado.
“Antes das ações, ouvimos as lideranças. O planejamento foi construído de forma participativa, considerando o tempo, o espaço e os rituais da comunidade, para garantir uma comunicação acessível e respeitosa”, complementa a professora.
Para Ádria Cortez, a abordagem intercultural no campo da saúde mental é transformadora. “Significa reconhecer que existem múltiplas formas de compreender e tratar o sofrimento psíquico. Essa abordagem propõe um encontro entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, considerando o contexto espiritual, social e cultural de cada povo”, afirma. Na prática, ela ressalta, isso envolve escuta sensível, respeito aos rituais, uso do idioma local e valorização das práticas comunitárias de cura e acolhimento.
A participação de estudantes e professores da Afya é intrínseca à disciplina Piepe, articulando teoria e prática por meio de experiências de campo. “Os estudantes vivenciam o contato direto com as comunidades, aprendem sobre a importância da interculturalidade e desenvolvem competências humanísticas essenciais à formação em saúde”, destaca Ádria Cortez.
Essa vivência contribui para formar profissionais mais sensíveis à diversidade cultural amazônica. “O contato com as comunidades permite reconhecer as dimensões sociais, culturais e espirituais do cuidado. Essa experiência os torna profissionais mais empáticos, críticos e preparados para atuar em diferentes contextos da Amazônia”, completa a professora.
A diretora da Afya de Itacoatiara, Soraia Tatikawa, ressalta que a iniciativa reforça o compromisso social da instituição. “O projeto consolida o papel da faculdade como espaço que valoriza o saber local e atua de forma colaborativa, promovendo a troca de conhecimentos e o desenvolvimento regional sustentável”, observa.
Entre os resultados esperados, Soraia Tatikawa cita o fortalecimento do diálogo e a construção de práticas de saúde mental mais inclusivas. “A médio prazo, buscamos ampliar o número de comunidades atendidas. A longo prazo, pretendemos estabelecer uma rede de apoio e formação continuada voltada à saúde mental indígena”.
Nesse aspecto, a academia tem papel fundamental. A universidade, na sua visão, deve atuar como um espaço de diálogo intercultural, valorizando os saberes tradicionais e fortalecendo a identidade indígena. Assim, torna-se um agente de transformação social, comprometido com a equidade e o respeito à diversidade. … – Veja mais em https://portalamazonia.com/saude/faculdade-saude-mental-povo-mura/
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GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS
O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.
Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau: https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/
Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:
- Khoisan ou hotentote-bochimanes
- Vátwa ou pré-bantu
- Bantu
Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vátwa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.
Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.
Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.
Visite a página do Instituto Kadila: https://kadila.cfh.ufsc.br/
Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e Justino Jorge José, publicado em REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL
Resumo:
O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.
Ipol e Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM) no I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo awa guaja, em Santa Inês, Maranhão
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I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo Awa Guajá
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A abertura do seminário acontece na segunda-feira (15), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV IFMA, no YouTube, ampliando o acesso ao debate sobre as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas de recente contato.A programação de abertura contará com mesa institucional e a palestra “Princípios da educação escolar indígena: bilíngue, diferenciada, específica e comunitária”, ministrada pelos professores Awá Guajá e José Bessa. Na parte da tarde uma mesa redonda aborda o tema Ensino e aprendizagem em contextos multilíngues com a presença de Rosangela Morello, coordenadora do IPOL.
Confira a cerimônia de abertura e assista ao vivo pelo canal da TV IFMA!
A programação do evento está aqui Seminário. Confira!!!
Para saber mais, confira a crônica “Os Awa: uma escola na língua da gente”, publicado em junho de 2024 no site TAQUIPRATI por Jose Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Jose Ribamar coordenou durante 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO). Consultor do projeto Formação de Professores Indígenas Awa Guajá Awa Pape Mumu’u#771;ha Ma’a Kwa Mataha
https://www.taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente
UCLPM na 8ª edição do Saberes Indígenas nas Escolas do RS (UFRGS)
Por Emanuelli Oliveira
Publicado em 12/9/2025 12:52 PM

Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.
Nos dias 24 e 25 de novembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou a 8ª edição da ação Saberes Indígenas nas Escolas, coordenada pela Profa. Dra. Rosani Kamury[1], que contou com a assessoria da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na UFSC e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira. A convite da ação, a Cátedra atuou como assessora desta edição de formação de professores Kaingáng do estado do RS.
O projeto “Saberes Indígenas na Escola” (SIE) na UFRGS é um programa nacional de formação continuada para professores indígenas, focado na produção de materiais didáticos bilíngues (línguas originárias e português) e na valorização da cultura Kaingang e Guarani, formando uma rede de educadores que criam seus próprios currículos e fortalecem a autonomia das escolas indígenas no Rio Grande do Sul, com financiamento do Ministério da Educação do Brasil.
A proposta apresentada teve como foco a inserção e promoção da língua kaingáng no ciberespaço, ressaltando a importância de fortalecer sua circulação em ambientes digitais, ampliar o acesso ao conhecimento e combater processos de invisibilização linguística.
Durante a atividade, foi iniciado o projeto Wikikaingáng, que incentiva a criação de uma Wikipédia em língua kaingáng cujo primeiro passo é a produção de verbetes escritos em língua kaingáng. O objetivo é promover a produção e valorização de conteúdos na língua, integrando diferentes saberes em um espaço colaborativo de escrita.
A iniciativa contou com a participação ativa da comunidade Kaingáng do RS, incluindo falantes, professores, anciãos e lideranças culturais, assegurando a viabilidade do projeto e que os conteúdos reflitam suas perspectivas e modos próprios de expressão. Por se tratar de um projeto aberto e contínuo, a proposta poderá incluir outras comunidades interessadas, fortalecendo a presença digital de diferentes variedades linguísticas e ampliando o alcance colaborativo da ação.
Os resultados foram expressivos: mais de 30 verbetes foram criados e inseridos na Incubadora Wikimedia em apenas dois dias, demonstrando o potencial da iniciativa e o engajamento coletivo no fortalecimento da presença digital do kaingáng. Os próximos passos do projeto incluem o envolvimento dos alunos das escolas kaingáng, ampliando a formação para a comunidade escolar e estimulando a continuidade da criação de verbetes como prática pedagógica e de fortalecimento linguístico.
A assessoria da Cátedra conta com a participação fundamental de Artur Correa, assistente de projetos da associação Wikimedia Brasil, e Emanuelli Oliveira[2], integrante do GT Geopolíticas do Multilinguismo, a seção estudantil da Cátedra UNESCO LPM, e mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFSC.
Essa iniciativa e parceria reforça o compromisso com a presença digital das línguas indígenas, considerando metas da Década Internacional das Línguas Indígenas da UNESCO, destaca o papel das universidades públicas na promoção do multilinguismo e da valorização dos saberes tradicionais e, sobretudo, valoriza a agência dos professores indígenas na criação e desenvolvimento da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.



Siga a matéria na fonte: https://geomultling.ufsc.br/uclpm-na-8a-edicao-do-saberes-indigenas-nas-escolas-do-rs-ufrgs/



