Unesco

Vem aí!!! Jornada de mobilização da década internacional das línguas indígenas

“Esse evento tem como objetivo mobilizar as comunidades indígenas para o engajamento nas ações da Década das Línguas Indígenas e sensibilizar a sociedade envolvente para o reconhecimento da diversidade linguística e cultural dos povos indígenas por meio de mesas de discussão e reuniões com os Grupos de Trabalho que já estão atuando no Brasil e na América Latina.” – Equipe Executiva da Década Internacional das Línguas Indígenas no Brasil (2022-2032)
“Nada para nós sem nós” (A Declaração de Los Pinos – Chapoltepek)

Dia Internacional da Língua Materna: a aliança com a tecnologia

Dia Internacional da Língua Materna é celebrado por iniciativa do Bangladesh, tendo sido aprovado na Conferência Geral da UNESCO de 1999, e é observado mundialmente desde 2000.

Para a UNESCO, a celebração das línguas maternas reflete a importância da diversidade cultural e linguística, que são componentes essenciais para sociedades sustentáveis em todo o mundo.

A preservação das diferenças de culturas e línguas, que fomentam a tolerância e o respeito entre seres humanos, é uma das componentes fundamentais do trabalho da agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, principalmente devido à diversidade linguística estar cada vez mais ameaçada e a certas línguas estarem a extinguir-se, gradualmente.

© UNICEF / Mawa

É importante sublinhar que 40% da população não tem acesso a uma educação numa língua que fala ou compreende. Por isso mesmo, estão a ser feitos esforços por melhorar os sistemas educativos, tornando-os multilinguística com base na língua materna dos estudantes, para que ninguém seja deixado para trás e para que seja mais inclusivo e alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Há muitas línguas maternas em risco de extinção, ao contrário do Português, que conta com mais de 220 milhões de falantes e, inclusivamente, é a 7ª língua do mundo mais falada por pessoas nativas, enquanto língua materna. Neste aspeto, é importante relembrar a relevância de celebrar cada uma das línguas do mundo, tal como a importância das mesmas para a transmissão e preservação dos conhecimentos e culturas tradicionais de uma forma sustentável.

O tema do Dia Internacional da Língua Materna de 2022 é a “Utilização da tecnologia para a aprendizagem multilinguística: Desafios e oportunidades”, em que se explorará o papel da tecnologia para a melhoria e a expansão de uma educação multilinguística e para o apoio do desenvolvimento de um ensino e aprendizagem de qualidade para todos.

© Dana Smillie / World Bank

A tecnologia abre novas portas e possibilidades, porque tem a capacidade de acelerar os esforços no sentido de garantir oportunidades de aprendizagem ao longo da vida equitativas e inclusivas para todos.

“A tecnologia pode fornecer novas ferramentas para proteger a diversidade linguística. Por exemplo, por via de instrumentos que facilitem a sua divulgação e análise, que nos permitam registar e preservar línguas, que por vezes só existem nas suas formas orais. Simplificando isto, a tecnologia permite que os dialetos locais se tornem em património comum. Contudo, como a Internet [também] representa um risco de uniformização linguística, devemos estar conscientes de que o progresso tecnológico só servirá o plurilinguismo enquanto nos esforçarmos por assegurar que o faça”, declara a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna.

O encerramento de escolas, devido à pandemia da covid-19, veio alargar o uso de soluções de base tecnológica para manter a continuidade da aprendizagem, em muitos países do mundo. No entanto, verificou-se uma falta de igualdade no acesso ao equipamento necessário, à Internet, a materiais acessíveis, a conteúdos adaptados e ao apoio humano, que são componentes necessárias para que o ensino à distância seja possível e eficiente. Esta crise sanitária criou a oportunidade de se testar o uso de tecnologia na educação, demonstrando as suas limitações, mas também reconhecendo o seu potencial.

É essencial que se melhore o paradigma atual e que se o transforme num que seja mais inclusivo e multilinguístico, para respeitar as diferentes línguas maternas existentes no mundo.

Para celebrar este dia internacional, a UNESCO organizou um evento on-line, sobre o qual poderá saber mais aqui.

Mondiacult 2022: UNESCO abre a Consulta Regional para a América Latina e o Caribe

A Consulta faz parte das ações da Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável, a ser realizada dias 14 e 15/02. Participarão Estados-membros da UNESCO, atores, organizações intergovernamentais e sociedade civil

A Conferência Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável –MONDIACULT 2022– caminha para seu evento principal, que acontecerá na Cidade do México de 28 a 30 de setembro de 2022. Nesse contexto, a Consulta Regional para a América Latina e o Caribe, organizada pela UNESCO e com a participação de 37 países da região, Organizações Não-Governamentais, Governo e Sociedade Civil, academia e outros atores, será realizada virtualmente nos dias 14 e 15 de fevereiro. A Consulta tem os seguintes objetivos:

 

  • Captar tendências nacionais e regionais nas políticas culturais, especialmente apontando as áreas que podem exigir revisão ou adaptação.
  • Identificar caminhos de reflexão sobre os desafios e oportunidades para as políticas culturais em toda a região, especialmente em relação às prioridades específicas para o desenvolvimento sustentável em nível regional, em linha com os resultados dos estudos regionais realizados para o Fórum de Ministros da Cultura de 2019.
  • Apoiar a inclusão da cultura nos processos regionais.
  • Preparar o caminho para a identificação de um conjunto focado de prioridades que possam informar a declaração final do MONDIACULT.

A Consulta Regional contribuirá para aprofundar a reflexão sobre a cultura como um bem público e social, assim como um espaço constituído por um sistema de direitos universais. No total, cinco consultas regionais serão realizadas em todo o mundo. O encontro focado na América Latina e no Caribe contará com a participação de Estados-membros da UNESCO e Estados associados da região, organizações intergovernamentais de cooperação regional, além de organizações não-governamentais e da sociedade civil.

 

No primeiro dia, o protocolo da sessão de abertura será presidido pelo diretor-geral adjunto de Cultura da Organização, sr. Ernesto Ottone, e pelo secretário de Cultura do México, na qualidade de presidente da Mesa Consultiva. Posteriormente, serão quatro mesas temáticas sobre cultura para a paz; apoio à diversidade cultural e linguística para os direitos individuais e coletivos; defesa do patrimônio cultural para maior cooperação internacional, solidariedade e proteção, e acesso aos direitos culturais e liberdade criativa.

O segundo dia será focado nas experiências das organizações intergovernamentais de cooperação regional, organizações não-governamentais e sociedade civil, que abordarão os mesmos quatro temas do dia anterior, mas sob sua própria perspectiva. Além disso, será organizada uma mesa sobre os desafios e oportunidades das políticas culturais no âmbito da cooperação regional.

 

Os resultados, conclusões, interesses, prioridades e recomendações obtidos em cada uma das Consultas Regionais serão parte fundamental da preparação da Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais – MONDIACULT 2022.

 

A primeira Conferência Mundial deste tipo foi realizada no México em 1982. O MONDIACULT 2022 faz parte das ações de articulação da cultura com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, aproveitando a implementação de estratégias, objetivos, indicadores e metas comuns onde a cultura pode ser reconhecida em termos de desenvolvimento econômico e social e é utilizada como parte de sistemas sustentáveis de governança cultural, que entendem a cultura como um direito humano e um gatilho para o desenvolvimento humano, com base nos quatro pilares da sustentabilidade: meio ambiente, economia, sociedade e cultura.

2022 começa com a Década Internacional das Línguas Indígenas

Brasil possui hoje cerca de 180 línguas indígenas, sendo 75% delas faladas por povos de até 100 pessoas
Tarde Nacional – Amazônia desta segunda-feira (17) falou sobre a importância da preservação das línguas indígenas brasileiras e a agenda da Década Internacional das Línguas Indígenas, instituída na Assembleia Geral das Nações Unidas. O entrevistado foi o chefe da Divisão Técnica de Diversidade Linguística do Departamento do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Marcus Vinícius Carvalho Garcia.  Ouça a entrevista completa  AQUI.
A Década Internacional das Línguas Indígenas será celebrada entre os anos de 2022 e 2032. Na entrevista, ele menciona que o Brasil possui cerca de 180 línguas indígenas, mas que muitas delas correm risco de extinção. Segundo dados do IBGE, 75% dessas línguas são faladas por povos de até 100 pessoas.Para Garcia, preservar as línguas indígenas é uma estratégia de sobrevivência dessas culturas.

“Em Rondônia, por exemplo, temos de 3 a 4 línguas faladas por grupos de 4 pessoas, ou seja, com alto risco de extinção. Mas com o fim da língua, se perde também a cultura e o modo de ver o mundo daquele povo”, finaliza o especialista.

VIA O Tarde Nacional – Amazônia que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h às 15h, na Rádio Nacional da Amazônia. A apresentação é de Juliana Maya.

Década Internacional de Línguas Indígenas

UNESCO lança consultas mundiais sobre a preparação do Plano de Ação Global da Década Internacional das Línguas Indígenas (IDIL 2022 – 2032).

A UNESCO está lançando uma pesquisa online para a preparação do Plano de Ação Global da Década Internacional das Línguas Indígenas (IDIL 2022-2032). Todas as partes interessadas são convidadas a enviar seus comentários até 1º de abril de 2021.

A pesquisa online, disponível em inglês, francês e espanhol, facilitará um processo consultivo global para a elaboração do Plano de Ação Global e definirá um caminho para uma década de ação para as línguas indígenas e seus usuários.

A preparação do Plano de Ação Global para o IDIL2022-2032 é uma resposta imediata à implementação da Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas (A / RES / 74/135). O IDIL2022-2032 é um dos principais resultados do Ano Internacional das Línguas Indígenas 2019 (IYIL2019).

Um dos primeiros passos do processo preparatório para a organização da Década Internacional é a preparação de um Plano de Ação Global para assegurar a cooperação internacional e uma ação conjunta e bem coordenada a todos os níveis. O IDIL2022-2032 é uma oportunidade única para aumentar a conscientização sobre a importância das línguas indígenas para o desenvolvimento sustentável, construção da paz e reconciliação em nossas sociedades, bem como para mobilizar partes interessadas e recursos em todo o mundo para apoiar e promover as línguas indígenas em todo o mundo.

A pesquisa online está estruturada em várias seções, a saber:

Introdução

Abordagem estratégica

Estrutura de orientação

Diretrizes de implementação

Monitoramento e avaliação

Sustentabilidade financeira

Consultas regionais

Plano de Ação Global
A pesquisa online foi preparada com base na Declaração de Los Pinos [Chapoltepek] e contribuições recebidas do Grupo Ad-hoc para a Preparação do Plano de Ação Global para a Década Internacional das Línguas Indígenas (IDIL2022-2032) que inclui especialistas indígenas e representantes de diferentes regiões, e os membros do Comitê Diretor para o acompanhamento do IYIL2019.

A UNESCO, como agência líder da ONU para o IDIL2022-2032, também facilitará a organização de outras reuniões consultivas regionais e temáticas no final de 2020 e ao longo de 2021, a fim de identificar considerações específicas que podem ser incluídas nos planos ao longo da década. Após as consultas, uma versão final do Plano de Ação Global deve ser apresentada nas próximas sessões do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas (2021 e 2022) e na reunião dos órgãos de governo da UNESCO em 2021.

Faça parte do planejamento estratégico, compartilhando suas ideias para a preparação do Plano de Ação Global para o IDIL2022-2032!

Fonte: ONU
Tradução Acácio Banja


VIA pravda 

A Década Internacional das Línguas Indígenas no Brasil

“Nós, povos indígenas do Brasil e do mundo,

estamos juntos, fortalecendo nosso espírito,

nossa ancestralidade, nosso território,

nossa língua” (Altaci Kokama)

 

A Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) – DILI – foi instituída na Assembleia Geral das Nações Unidas, como resultado do Ano Internacional das Línguas Indígenas, proclamado pela UNESCO em 2019, e motivada pelos povos indígenas da Bolívia que compreenderam a importância de uma ação efetiva e contínua em prol do reconhecimento, da valorização e da manutenção das línguas indígenas.

A Declaração de Los Pinos[1], elaborada em 2020 no México, instituiu os fundamentos para a construção do Plano de Ação Global para a DILI, e estabeleceu como princípio norteador a participação efetiva dos povos indígenas na tomada de decisão, consulta, planejamento e implementação, tendo como lema “Nada para nós sem nós”. Em Paris, 22 de março de 2021, foi lançado o GT Mundial da DILI, com a presença da representante brasileira, Altaci Kokama.

Como desdobramento, os povos indígenas do Brasil, protagonistas dessas ações, criaram dois grupos de trabalho – GT: Línguas Indígenas e Português Indígena, os quais elaboraram planos de ações que fundamentarão a agenda no país, objetivando a promoção, valorização, difusão e vitalização das línguas indígenas brasileiras. No Brasil, os povos indígenas estão se organizando e reafirmando seu protagonismo na construção das ações para essa década, e foi pela, recém-criada, Rede de Pesquisadores/as Indígenas de Línguas Ancestrais que as primeiras reuniões foram se delineando para a criação do GT, em abril deste ano.

O GT do Brasil está constituído de uma equipe composta por representantes indígenas de cada região do Brasil e representantes de organizações indígenas, a saber: Articulação do Povos Indígenas do Brasil (APIB), Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Rede de Pesquisadores Indígenas de Línguas Ancestrais. Trata-se da Equipe Executiva do GT que coordena as ações e dialoga diretamente com a Unesco. Compõem também o GT um conjunto de parceiros: instituições governamentais e não-governamentais, entidades indigenistas e científicas.

A partir de um trabalho coletivo e colaborativo, elaboramos um Plano de Ação da DILI no Brasil. Esse plano reúne as propostas e os anseios dos povos indígenas brasileiros e dos diferentes agentes engajados com os direitos linguísticos desses povos, voltados à promoção, valorização, reconhecimento, difusão e vitalização das línguas indígenas brasileiras.

No dia 18 de agosto, deste ano, deu-se o lançamento do GT Nacional e da DILI no Brasil. Os próximos passos do GT Nacional são os encontros regionais que serão espaços de apresentação do plano e início de uma articulação para a criação dos GTs regionais e locais. Já realizamos o Encontro Regional Norte, dia 10 de setembro, e o Encontro Regional Nordeste, dia 24 de setembro. Os próximos são os encontros das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, respectivamente nos dias 8 de outubro, 29 de outubro e 12 de novembro.

A partir do lema da DILI, compreendemos que há um chamado ancestral para os povos indígenas e seus parceiros. Nesse sentido, a autonomia e o protagonismo são os princípios que têm guiado nossa articulação para a DILI e para além dela.

Compreendemos que a DILI é um momento de articular ações que já acontecem em vários lugares, estreitar os laços e colocar essas ações em rede, construindo políticas linguísticas para as línguas indígenas brasileiras. A DILIA é o momento de construirmos um espaço colaborativo, conectar projetos de fortalecimento, revitalização, retomada, tanto aqueles protagonizados pelos próprios povos, quanto aqueles que são construídos em parceria ou dirigidos por organizações não indígenas. Nesse sentido, pretendemos, durante a década, visibilizá-los, apoiá-los e encontrar meios para financiá-los.

A DILI tem como objetivo fundamental a valorização, o reconhecimento das línguas indígenas em todos os âmbitos da cultura, da educação, da ciência, da tecnologia e sócio-políticos, em todos os níveis, do local ao nacional. Para isso, pretendemos mobilizar as comunidades indígenas para o engajamento e execução das ações da DILI e sensibilizar a sociedade envolvente para o reconhecimento da diversidade linguística e cultural dos povos indígenas.

No espírito do movimento de mulheres indígenas no Brasil, declarado no manifesto “Reflorestarmentes”, lançado na II Marcha das Mulheres Indígenas, a DILI no Brasil se apresenta como um grande chamado para construirmos um novo tempo para as línguas indígenas brasileiras: “fortalecendo nosso espírito, nossa ancestralidade, nosso território, nossa língua” (Altaci Kokama).

 

Equipe Executiva da Década Internacional das Línguas Indígenas – Brasil

 

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[1] https://es.unesco.org/news/declaracion-pinos-chapoltepek-sienta-bases-planificacion-global-del-decenio-internacional

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