língua materna

A extinção no Brasil das línguas indígenas

A extinção no Brasil das línguas indígenas

A cultura indígena vem sendo, gradualmente, perdida no Brasil e um dos fatores de maior relevância nesse processo é a extinção de línguas indígenas. Um idioma vai muito além de um conjunto de palavras usadas para nomear sentimentos e objetos. Através da língua, um povo se expressa e mantém vivo o que existe à sua volta.

Ao longo desse artigo iremos explicar como essa extinção vem acontecendo. Vamos começar?

Extinção das línguas indígenas: por que está acontecendo?

Através do idioma, as sociedades transmitem seus conhecimentos de diferentes áreas e perspectivas em relação ao mundo. Um idioma é muito mais amplo do que apenas um conjunto de palavras.

As línguas trazem à tona tudo aquilo que um povo tem a oferecer. Dessa forma, podemos comparar o desaparecimento de uma língua com a destruição de um museu repleto de relíquias históricas.

Um indivíduo com o mínimo de conhecimento sobre a importância das relíquias históricas do museu ficaria bastante abalado com essa destruição. O Brasil tem assistido há anos uma destruição equivalente a essa do exemplo.

Cada vez mais línguas indígenas desparecem, deixando um vazio irreparável do ponto de vista cultural. Esse fenômeno de apagamento da cultura indígena não é recente. Diversos fatores contribuíram para esse processo no decorrer da história do nosso país.

Como teve início o processo de extinção das línguas indígenas no Brasil?

A extinção das línguas indígenas foi uma importante ferramenta utilizada pela Coroa Portuguesa para subjugar os povos que já viviam no território “recém-descoberto”, o Brasil. Os idiomas falados pelos indígenas foram sendo substituídos pela língua portuguesa.

Em meados do século XVIII, o português passou a ter status de língua oficial do país. Havia a proibição de que se falasse qualquer outro idioma que não ele. No entanto, mesmo assim, o tupi ainda era bastante falado nas ruas, inclusive pelos jesuítas.

Falta de preservação

Se na Era Colonial, houve um intenso trabalho de acabar com as línguas indígenas. Em tempos mais atuais não houve muito esforço no sentido de preservação desses idiomas. Para se ter uma ideia, foi apenas em 1988, ano da promulgação da nova Constituição Brasileira, que se observou algum esforço para valorizar e proteger as línguas nativas.

Porém, entre a Era Colonial e o começo desse esforço de proteção, houve um longo período de desatenção que gerou danos irreparáveis. Estima-se que eram faladas no Brasil entre 1.100 e 1.500 línguas. Desse amplo universo, conseguiram sobreviver apenas 190. Em 2016, identificou-se que 12 dessas línguas estavam extintas.

Em alguns casos, a língua é falada por menos de cem pessoas ou está apenas na memória de um grupo restrito entre dois e cinco indivíduos. Normalmente, esse grupo é formado por anciãos ou ouvintes não dotados de didática para transmitir a outras pessoas seu conhecimento.

Território e extinção das línguas indígenas

É importante assinalar que um dos fatores de maior peso no desaparecimento das línguas indígenas é a falta de rigor na preservação das terras destinadas a esses povos. Quando um povo não tem um território próprio e nem sua segurança garantida, não tem o mínimo necessário para manter viva a sua cultura.

A responsabilidade de garantir os direitos dos povos indígenas, sobre as terras tradicionalmente ocupadas por eles, é da União de acordo com a Constituição de 1988.

A Constituição Brasileira reconhece a organização social, costumes, tradições, idiomas e crenças indígenas. No entanto, alguns projetos de lei visam reduzir significativamente os territórios dos indígenas ou ainda permitir que os mesmos sejam explorados. Esses projetos se mostram totalmente contrários à necessidade de preservação da cultura e dos idiomas indígenas.

Qual é o papel da educação nesse processo?

Há diversas populações indígenas diferentes entre si e entre elas há algumas monolíngues, multilíngues ou plurilíngues. É relativamente comum que a alfabetização em escolas indígenas seja bilíngue. Dessa forma, os estudantes precisariam, em teoria, falar português e a língua da sua comunidade.

Contudo, há falta de professores capacitados para esse padrão educacional bilíngue. Dessa forma, não é incomum que o ensino bilíngue se encerre nos primeiros anos da educação fundamental.

Para os estudantes indígenas que anseiam por boas oportunidades acadêmicas, acaba se tornando mais interessante dominar o português, o idioma falado por boa parte do país. Nesse tópico não podemos deixar de mencionar ainda o afastamento, cada vez maior, dos indígenas da sua cultura nativa. Esse é o outro fator que corrobora para o desaparecimento de diversas línguas indígenas.

Como preservar as línguas indígenas?

Para que uma língua “escape” da extinção, precisa ter um número considerável de falantes. Os povos indígenas, no Brasil, constituem minorias que estão sob algum tipo de ameaça. Há projetos com foco na documentação e ensino de línguas indígenas. Porém, a responsabilidade dessa preservação é do Estado.

É papel do Estado garantir a proteção e a valorização das comunidades indígenas, assim como a preservação das suas línguas maternas.  O Estado precisa investir na valorização e criação de instrumentos eficientes para valorizar as línguas indígenas.

Esse é um tema de grande relevância para o futuro do Brasil, afinal se trata do apagamento de parte da cultura do país!

Escrito por Hexag Educação

Belarus comemora o Dia Internacional da Língua Materna

Belarus comemora o Dia Internacional da Língua Materna

 

Por Milton Atanazio

Em 21 de fevereiro, o Dia da Língua Materna é comemorado em todo o mundo e na República da Belarus tem uma comemoração especial.

Foi proclamado na 30ª sessão da UNESCO, sendo comemorado anualmente desde 2000.

O objetivo deste feriado é promover a diversidade linguística, a educação multicultural e propiciar a consciência das tradições linguísticas e culturais com base na compreensão mútua, tolerância e diálogo.

As línguas são essenciais para a identidade de indivíduos, grupos e para sua coexistência pacífica. Eles constituem um fator estratégico de progresso para o desenvolvimento sustentável e a relação harmoniosa entre o contexto global e local. Somente a plena aceitação do multilinguismo permitirá que todos os idiomas encontrem seu lugar em um mundo globalizado.

O Dias da Língua Materna foi lançado em Belarus no ano de 2009, após a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ter incluído a língua belarussa na lista das línguas ameaçadas de extinção.

A língua materna continua sendo a fonte de força e sabedoria do povo belarusso, a base de sua rica cultura. Graças a grandes escritores belarussos como Yanka Kupala, Yakub Kolas, Maksim Bogdanovich, Vasil Bykov, Vladimir Korotkevich e Ivan Shamyakin, a literatura belarussa é conhecida em todo o mundo.

Embaixada de Belarus realizou uma transferência solene Biblioteca Nacional do Brasil da edição fac-similar de obras de Francysk Skaryna (primeiro tipógrafo belarusso, filósofo humanista, escritor, figura pública e cientista médico), publicada em homenagem ao 500º aniversário da impressão gráfica belarussa.

O Dia da Língua Materna em Belarus já tem muitas tradições próprias. Entre outras, as livrarias oferecem descontos na compra de livros em belarusso.  Mas especialmente os programas ricos são preparados por universidades e escolas. Há encontros literários de estudantes de filologia com escritores belarussos e estrangeiros, apresentações de traduções da literatura popular mundial para a língua belarussa, jogos intelectuais e cognitivos para crianças em idade escolar e ditados universitários.

O Dia da Língua Materna é especial para cada nação, cada povo, porque não há nação sem língua, não há língua sem seu portador.

Com informações da Embaixada da Belarus no Brasil

Fonte: Embaixada da Belarus no Brasil

Associações na diáspora são decisivas na promoção de língua materna

por Lusa

A docente da Universidade de Toronto Manuela Marujo considera que as associações portuguesas e as manifestações culturais na diáspora desempenham um papel importantíssimo na promoção da “língua materna”.

Falando à Lusa por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, a docente, 72 anos, destaca o papel das associações, no esforço de manter unidos às raízes as gerações mais novas.”Muitas pessoas criticam porque as associações não fazem isto, considero que em comunidades como a que temos em Toronto, temos a sorte de ter muitas oportunidades para ouvir e para comunicarmos em português. Seja ir a um clube para um jantar, em que há música portuguesa, com muitos convidados vindos de Portugal ou de países de expressão portuguesa”, afirmou Manuela Marujo.

A professora associada emérita da Universidade de Toronto, natural de Santa Vitória (Beja), está no Canadá desde 1985, lecionando português como segunda língua na instituição de ensino canadiana durante mais de três décadas.

“Há muitas forças linguistas que nos contrariam e nos metem muitos obstáculos, mas o papel das associações, da rádio, da televisão em português, não se pode deixar de valorizar porque uma palavra aqui, uma música, uma dança, tudo isso vai influenciar um dia os alunos para compreender de onde vieram”, destacou Manuela Marujo.

Na opinião da docente, pela sua experiência durante os 33 anos em que “ensinou” na universidade, só com a aprendizagem da língua “é que os lusodescendentes podem compreender certas tradições e costumas” trazidos pelos pais e avós, com “muitos alunos a procurarem uma ligação à cultura e língua portuguesa” já no ensino secundário, ou mesmo na universidade.

“Tenho a experiência de muitos alunos que chegaram aos 18 anos e não sabiam uma palavra de português, mas agora querem aprender a língua, querem compreender algo que lhes falta na sua entidade”, frisou.

A docente realçou ainda que muitas das vezes “não nos apercebemos que é importante preservar e manter uma língua”.

Em 21 de fevereiro de 1952, um grupo de estudantes e ativistas em Bengala Oriental (Bangladesh) desafiaram o exército do Paquistão, para o reconhecimento do bengali como língua oficial, levando à criação do Bangladesh.

Atualmente o bengali é a língua oficial daquele estado soberano criado em 1971, tem cerca de 265 milhões de falantes. O protesto foi um exemplo mundial relacionado na “língua materna como parte dos direitos humanos”, que levou a UNESCO em 1999 a estabelecer o 21 de fevereiro, como o Dia Internacional da Língua Materna.

“É sempre bom recordar que há um Dia Internacional da Língua Materna. Não é só para nós, mas para todas as diásporas do mundo pensar em como a nossa identidade é muito afetada pela nossa língua, a língua em como nos podemos expressar de uma maneira mais natural”, sublinhou Manuela Marujo.

Segundo a UNESCO, o Dia Mundial da Língua Materna 2021, tem como tema “promover o multilinguismo para inclusão na educação e na sociedade” e reconhece que as línguas e o multilinguismo podem promover a inclusão e os objetivos de desenvolvimento sustentável concentram-se em não deixar ninguém para trás.

Existem pelo menos 7.117 línguas no mundo, segunda a plataforma de estatísticas das línguas Ethnologue, muitas delas correm o risco do desaparecimento.

O português, a quinta língua mais utilizada online, é falada globalmente por 265 milhões de pessoas, 3,7 por cento da população mundial. Estima-se que em 2050 haverá cerca de 400 milhões de falantes de português.

Segundo dados do Governo canadiano, residem no país mais de 480 mil portugueses e lusodescendentes.

Dia Internacional da Língua Materna promove inclusão por meio do multilinguismo

ONU alerta para desaparecimento de um idioma a cada duas semanas; cerca de 43% das 6 mil línguas existentes estão ameaçadas de extinção; somente menos de 100 idiomas circulam na esfera digital.

Eventos realizados em várias regiões do mundo celebram o Dia Internacional da Língua Materna neste 21 de fevereiro. O tema de 2021 é “Fomentando o multilinguismo para a inclusão na educação e na sociedade”.

Para além de permitir uma maior integração, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, defende que os idiomas e o multilinguismo podem promover a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de “não deixar ninguém para trás”.

Foto: Pnud Povos indígenas criaram e falam uma grande maioria das 7 mil línguas mundiais

Primeira infância

A agência ressalta ainda que a educação com base na primeira língua deve começar nos primeiros anos de vida, porque os cuidados e a instrução durante a primeira infância são a base da aprendizagem.

Em Paris, a Unesco marca a data acolhendo um evento virtual coorganizado com o Bangladesh. Na sexta-feira, uma conferência online abordou políticas e práticas inclusivas no ensino e aprendizagem multilíngues e como melhorar a integração pelo multilinguismo, a linguagem de sinais, a educação e os cuidados na primeira infância.

Em Addis Abeba, na Etiópia, outro evento abordará a questão de professores e a educação na língua materna na África. O evento agendado para a próxima quarta-feira será realizado em parceria com o Instituto Internacional para o Desenvolvimento de Capacidades no continente.

Foto: Unicef/Pirozzi De acordo com a ONU, a cada duas semanas uma língua deixa de existir e com ela a herança cultural e intelectual local

Extinção

De acordo com a ONU, a cada duas semanas uma língua deixa de existir e com ela a herança cultural e intelectual local. Pelo menos 43% dos cerca de 6 mil idiomas atualmente falados no mundo poderão desaparecer.

Algumas centenas de idiomas estão integrados em sistemas educacionais e no domínio público, e menos de 100 são usados no mundo digital. Globalmente, 40% da população não tem acesso à educação na língua que fala ou compreende.

A Unesco assinala progressos na educação multilíngue quando é compreendida a importância da língua materna, em especial na primeira fase de escolaridade. A agência fala ainda do compromisso com avanços nesta questão no setor público.

Foto: Pnud Filipinas/Orange Omengan Especialistas alertam que 40% das línguas indígenas correm o risco de desaparecer por completo.

Conhecimento e culturas

A Unesco realça que os idiomas sustentam sociedades multilíngues e multiculturais, porque “transmitem e preservam o conhecimento e as culturas tradicionais de forma sustentável”.

A celebração do Dia Internacional da Língua Materna foi proposta pelo Bangladesh na Conferência Geral da Unesco de 1999. A data foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2002.

Actividades del Día Internacional de la Lengua Materna y Día Nacional de las Lenguas Nativas

 

 

19 de febrero a partir de las 9:30 a.m. (BOG) hasta las 4:00 p.m. (BOG).

9:30 a.m. Carmen Millán – Instituto Caro y Cuervo, Bogotá, Colombia
Ponencia: Mi lengua materna ya no es seca – Bienvenida
10:00 a.m. Rainer Enrique Hamel – Universidad Autónoma Metropolitana Campus Iztapalapa, Ciudad de México, México
Ponencia: Fomentar la revitalización de las lenguas indígenas en los espacios sociales de prestigio
11:00 a.m. Sabine Gorovitz – Universidad de Brasilia, Brasil
Ponencia: La mediación lingüística como garantía de los derechos de las minorías lingüísticas que no hablan portugués en Brasil
2:00 p.m. Zoraida Fiquere – Secretaría de Educación de San Andrés
Ponencia: Ethnic and community language and culture in education: trilingual education
3:10 p.m. Thiago Chacón – Universidad de Brasilia
Ponencia: El multilingüismo en el Vaupés y la historia de larga duración en Amazonia

Compartimos las indicaciones para entrar a la plataforma Zoom, el evento se desarrollará en dos jornadas; una en la mañana y la otra en la tarde – hora (Bogotá), por favor seleccionar la jornada de su interés.

Jornada mañana

Unirse a la reunión Zoom https://zoom.us/j/98018082896?pwd=R2RiZWJselA3SGpXakZxaVNmdy9lZz09
ID de reunión: 980 1808 2896
Código de acceso: 006302

Jornada tarde

Unirse a la reunión Zoom https://zoom.us/j/95716127183?pwd=RERqMnRtbTNST3NiUUxlNHA0YlRXQT09
ID de reunión: 957 1612 7183
Código de acceso: 420441

El evento se transmitirá por el Facebook LIVE del Instituto en o en nuestra página 

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