Cooficialização de línguas

Santa Maria de Jetibá e a complementação da lei de cooficialização da língua pomerano

CÂMARA DE VEREADORES APROVA COMPLEMENTAÇÃO DA LEI DE COOFICIALIZAÇÃO DA LÍNGUA POMERANA

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Santa Maria de Jetibá deu mais um importante passo na valorização de seu patrimônio linguístico e cultural. Na noite desta segunda-feira, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei de autoria do vereador Luciano da Silva que complementa a Lei Municipal nº 1.136/2009, responsável pela cooficialização da língua pomerana no município.

A proposta visa fortalecer os mecanismos de promoção, valorização e uso da língua pomerana nos espaços públicos, educacionais, culturais e institucionais, ampliando a efetividade da legislação já existente e reafirmando o compromisso do município com a preservação de sua diversidade linguística.

A sessão contou com a presença de autoridades municipais, educadores, representantes da comunidade e lideranças envolvidas na promoção da língua pomerana. Entre os participantes esteve a coordenadora do Programa de Educação Escolar Pomerana (PROEPO), Sintia Bausen, que foi convidada a contribuir com o debate e apresentar reflexões sobre a importância da política linguística para a preservação da língua e da cultura pomeranas.

Durante sua fala, foi destacada a trajetória construída ao longo das últimas décadas em Santa Maria de Jetibá, marcada por ações educacionais, culturais e comunitárias voltadas ao fortalecimento da língua pomerana, reconhecida como um importante patrimônio histórico e cultural do município.

A aprovação da complementação da lei ocorre em um momento simbólico, próximo às comemorações dos 167 anos da imigração pomerana no Espírito Santo, reforçando o reconhecimento da contribuição dos imigrantes e de seus descendentes para a formação histórica, cultural, econômica e social da região.

Autor da proposta, o vereador Luciano da Silva destacou a importância de fortalecer os instrumentos legais de proteção à língua pomerana e de garantir condições para que ela continue sendo transmitida às futuras gerações.

A iniciativa representa o resultado de um diálogo construído com educadores, pesquisadores, lideranças comunitárias e instituições comprometidas com a valorização da herança cultural pomerana.

 

A Lei de Cooficialização da Língua Pomerana, aprovada em 2009, colocou Santa Maria de Jetibá entre os municípios pioneiros do Brasil na adoção de políticas públicas voltadas à proteção das línguas de imigração. A complementação agora aprovada busca ampliar e consolidar essas ações, fortalecendo a presença da língua pomerana nos diferentes espaços da vida pública municipal.

Mais do que uma medida legislativa, a aprovação do projeto representa o reconhecimento da língua pomerana como patrimônio vivo da comunidade, reafirmando o compromisso do município com a diversidade linguística, os direitos culturais e a preservação da memória de seu povo.

Confira a lei complementar aqui: L30272026


 

 

 

Saiba mais sobre a região dos imigrantes visitando https://regiaodosimigrantes.com.br/cidades/santa-maria-de-jetiba/

A única vila brasileira premiada pela ONU encanta como a “Itália Brasileira”, onde cerca de 80% da população ainda fala italiano

POR MAURA PEREIRA 20/05/2026
A única vila brasileira premiada pela ONU: a verdadeira Itália Brasileira onde 80% da cidade fala italiano

Antônio Prado, a Italia Brasileira na Serra Gaúcha (imagem ilustrativa)

Nas ruas de Antônio Prado, o “bom dia” soa como “bondì”. A 658 metros de altitude na Serra Gaúcha, essa cidade de 13 mil habitantes preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil, com casarões centenários de madeira que parecem ter saído de uma vila do Vêneto.

A última colônia italiana da serra que virou patrimônio nacional

Fundada em 1886 como a sexta e última colônia italiana da Serra Gaúcha, Antônio Prado nasceu às margens do Rio das Antas. Os imigrantes, vindos do norte da Itália, derrubaram matas e ergueram casarões com técnicas trazidas da Europa. O traçado das ruas, quadriculado, seguiu o padrão dos engenheiros militares do século XIX.

O isolamento geográfico que travou o crescimento econômico acabou preservando o casario intacto. Em 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico e urbanístico. São 48 edificações construídas entre 1890 e 1940, ornamentadas com lambrequins, os recortes decorativos de madeira que marcam os beirais. Em 2025, a ONU Turismo reconheceu Antônio Prado como uma das melhores vilas turísticas do mundo, a única brasileira entre 52 selecionadas.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano

Antônio Prado oferece o cenário de casarões centenários de madeira que transportam os 13 mil habitantes para uma autêntica vila do norte da Itália // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que 80% dos moradores ainda falam talian?

Porque o isolamento também preservou a língua. Cerca de 80% da população fala o talian, dialeto que mistura idiomas do norte da Itália com o português. Em 2014, a língua foi incluída no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), reconhecimento inédito para uma língua de imigração no país. Nas padarias, nas feiras de sábado e nas missas, o talian ainda é o idioma das conversas entre vizinhos.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano
Antônio Prado destaca-se na Serra Gaúcha, a 658 metros de altitude, como a cidade que preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que visitar no centro histórico de Antônio Prado?

O centro cabe numa caminhada de duas horas. As 48 construções tombadas se concentram ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal, transformadas em cafés, bistrôs, museus e lojas de produtos coloniais.

  • Casa da Neni: primeiro imóvel tombado da cidade, construído em 1910. Abriga o Museu Municipal e a Central de Informações ao Turista. Visitantes caminham por cômodos com mobiliário original.
  • Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus: erguida entre 1891 e 1897, tem pinturas internas do artista italiano Emilio Zanon e vitrais restaurados após o tornado de 2003.
  • Casa Grezzana: casarão de 1915 que recebe exposições culturais e eventos da FenaMassa.
  • Monumento Leão de São Marcos: réplica do símbolo da República de Veneza, esculpida em pedra de Vicenza pelo artista Enrico Pasquale.
  • Sociedade Pradense de Mútuo Socorro: prédio de 1912 que já abrigou farmácia, escola dos Irmãos Maristas e, durante a Segunda Guerra, teve documentos em italiano recolhidos pela polícia.

Quem quer conhecer a cidade mais italiana do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 567 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra a gastronomia, o centro histórico e o interior de Antônio Prado:

Cachoeiras e rotas rurais além do casario

O interior do município, chamado de “colônia” pelos moradores, guarda paisagens que contrastam com a delicadeza do centro histórico. A 6 km da área urbana, as Cascatas da Usina formam duas quedas d’água separadas por 300 metros, com três mirantes de contemplação. No local funcionou a primeira hidrelétrica de Antônio Prado, na década de 1920.

A Gruta Natural de Nossa Senhora de Lourdes recebe fiéis desde os anos 1930. Escavada na rocha, abriga um campanário de madeira e trilhas curtas em meio à mata. Nas estradas rurais, 25 capitéis religiosos marcam o caminho e revelam a devoção herdada dos colonizadores. O Armazém do Prado, na Linha 21 de Abril, oferece passeios de tuque-tuque e piqueniques coloniais com vista para o vale.

Que pratos experimentar na cidade mais italiana do Brasil?

A mesa pradense preserva receitas passadas de geração em geração. A brachola com polenta e bacon frito, preparada na Linha 21 de Abril, foi eleita o melhor prato italiano do Brasil no programa “Minha Receita”, do chef Erick Jacquin, na Rede Bandeirantes.

  • Sopa de capeletti: servida como entrada em praticamente todas as cantinas, com massa feita à mão.
  • Polenta brustolada: fatias grelhadas que acompanham galeto e radicci com bacon.
  • Grostoli: tiras de massa frita polvilhadas com açúcar, presente em festas e padarias.
  • Vinho colonial: produzido em pequenas vinícolas familiares, servido em jarra nas cantinas do centro.

A FenaMassa (Festival Nacional da Massa) acontece em novembro na Praça Garibaldi, com mais de 50 variedades de massa e estrutura para milhares de visitantes. A Noite Italiana, em agosto, reúne jantar dançante com cardápio típico e música ao vivo.

Como chegar a Antônio Prado saindo de Porto Alegre?

Antônio Prado fica a 184 km de Porto Alegre pela RS-122 e a 50 km ao norte de Caxias do Sul. De carro, o trajeto desde a capital leva cerca de 2h30. Ônibus intermunicipais partem de Cias do Sul com frequência regular. Quem vem do litoral gaúcho pode usar a Rota da Uva e Vinho como caminho cênico pela serra.

A vila onde o Brasil ainda fala italiano

Antônio Prado é um daqueles lugares que fazem o visitante desacelerar. Os casarões de madeira, as cantinas com cheiro de massa fresca e as conversas em talian nas calçadas criam uma atmosfera que nenhuma outra cidade da Serra Gaúcha reproduz.

Você precisa caminhar pela Praça Garibaldi num fim de tarde e ouvir o som do talian misturado ao barulho dos pratos nas cantinas, é quando Antônio Prado se revela por inteiro.

Acesse a matéria no link: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/a-unica-vila-brasileira-premiada-pela-onu-encanta-como-a-italia-brasileira-onde-cerca-de-80-da-populacao-ainda-fala-italiano/#google_vignette

O mistério do município brasileiro que preserva uma língua que não existe mais na Europa

Localizado no Espírito Santo, o município de Santa Maria de Jetibá se tornou uma cápsula do tempo para o pomerano, língua que foi apagada do mapa europeu após a Segunda Guerra Mundial

Vemos uma senhora idosa e uma criança em Santa Maria de Jetibá, em uma varanda rústica cercada pelas lavouras de café nas montanhas capixabas. Elas seguram um livro didático com o título claramente visível: 'POMMERANISCH LERNEN' / 'APRENDENDO O POMERANO'

A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano / Imagem ilustrativa

 

No entanto, um fenômeno linguístico raro transformou as montanhas do Espírito Santo em um “cofre” vivo. A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano, um idioma que foi praticamente apagado do continente europeu, mas que encontrou solo fértil no Brasil para sobreviver ao tempo.

A Pomerânia era uma região histórica entre a Alemanha e a Polônia que foi desmembrada após a Segunda Guerra Mundial.

Enquanto na Europa a língua original desapareceu devido às pressões políticas e geográficas, no interior capixaba o pomerano continuou a ecoar nas lavouras e no cotidiano das famílias.

Esse tipo de isolamento cultural não é um caso isolado em solo brasileiro.

O país abriga outros refúgios fascinantes, como o município onde o tempo parou para guardar os segredos de uma Ucrânia antiga, provando que o Brasil é um mosaico de culturas globais preservadas.

O idioma que sobreviveu ao próprio país

O pomerano não é uma curiosidade de museu em Santa Maria de Jetibá; ele é a língua do dia a dia.

É comum ouvir o dialeto nas feiras livres, nas rádios locais e nas conversas entre vizinhos no comércio.

Por décadas, o isolamento das comunidades agrícolas permitiu que o pomerano se mantivesse intacto, sem a influência direta do português.

Hoje, o município reconhece oficialmente o pomerano como língua cooficial.

Isso significa que placas de sinalização costumam ser bilíngues e o idioma tem o mesmo peso jurídico que o português em diversas instâncias municipais, um nível de reconhecimento raríssimo para línguas de imigrantes no Brasil.

Resistência nas salas de aula

A maior prova de vitalidade dessa cultura está nas novas gerações. Diferente de outros redutos europeus no Brasil onde a língua de origem se perdeu com o passar dos anos, em Santa Maria de Jetibá o pomerano é ensinado obrigatoriamente nas escolas municipais.

O ensino formal garante que os jovens mantenham o vínculo com a história de seus antepassados e consigam conversar com os mais velhos.

Como um patrimônio cultural imaterial, o pomerano deixou de ser apenas a herança de uma terra que não existe mais para se tornar um símbolo de identidade e resistência cultural no coração do Sudeste brasileiro.

 

 

 

Cátedra UNESCO, IPOL e GT GeoMultLing publicam e-book “Cooficialização e Regulamentação de Línguas”

 

Por GT Geopolíticas do Multilinguismo

 

Nos dias 1 e 2 de setembro de 2025, a Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM/UFSC), em parceria com o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), realizou o II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (II ENMP), em Florianópolis. O evento teve como objetivo aprofundar as discussões sobre a regulamentação das políticas de cooficialização de línguas no Brasil.

Realizado presencialmente na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o encontro reuniu especialistas, acadêmicos, ativistas, autoridades e representantes da comunidade em geral. Durante os dois dias, foram compartilhadas experiências já desenvolvidas em municípios plurilíngues, evidenciando os avanços e os desafios da cooficialização no país. Além das palestras, o II ENMP contou com sessões de comunicações online, ampliando o debate e reunindo trabalhos que abordaram diferentes experiências de cooficialização em municípios brasileiros. As contribuições apresentadas deram origem ao e-book Cooficialização e Regulamentação de Línguas: debates e experiências no II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues, organizado pelo GT Geopolíticas do Multilinguismo e disponível gratuitamente abaixo.

A obra reúne nove capítulos que abordam diferentes dimensões da temática da cooficialização e regulamentação de línguas. Além da discussão central, o volume contempla também experiências vinculadas ao ensino público. Nos capítulos I, VI e VII, são analisados, respectivamente, o papel do Programa de Educação Escolar Pomerana (Proepo) na promoção do pomerano e no fortalecimento das identidades culturais no Espírito Santo; a inserção do espanhol no currículo escolar como instrumento de diversidade e integração em regiões fronteiriças a partir do caso do município de Ramilândia (PR), localizado na divisa com Paraguai e Argentina; e os desafios e implicações da política curricular bilíngue na rede municipal de Blumenau. Numa perspectiva semelhante, o capítulo IV apresenta livros de herança nos espaços públicos a partir da experiência de uma biblioteca polonesa na Universidade Estadual do Paraná. Em um recorte político e jurídico, o capítulo III discute as recentes iniciativas de promoção e salvaguarda da língua polonesa no Brasil, enquanto o capítulo V, de forma mais específica, apresenta leis ordinárias municipais de cooficialização de línguas nas Missões Sul-Rio-Grandenses. O capítulo II, por sua vez, aborda os usos contemporâneos do talian em Garibaldi (RS), relacionando-os às políticas linguísticas passadas e atuais. Finalmente, o capítulo VIII, escrito em espanhol, sensibiliza o leitor para a compreensão da relação entre serviços de saúde e políticas linguísticas, destacando o papel central dos intérpretes em uma comunidade no sul do Peru.

A Carta do II Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues, redigida coletivamente no último dia do evento, encerra o e-book destacando a relevância da iniciativa por meio de uma retomada histórica das conquistas dos direitos linguísticos no Brasil e apresenta nove recomendações voltadas à continuidade desses avanços. A publicação do e-book, portanto, reforça os passos a serem dados, de modo que a próxima década propicie resultados tão significativos quanto os já alcançados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confira a matéria na fonte em https://geomultling.ufsc.br/catedra-unesco-ipol-e-gt-geopoliticas-do-multilinguismo-publicam-e-book-cooficializacao-e-regulamentacao-de-linguas/

Saiba mais sobre Políticas Linguísticas para o Multilinguismo visitando as páginas do IPOL 

e da https://geomultling.ufsc.br/

 

FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

Instituições compondo a mesa de abertura, Foto: Joelson Felix

A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.

Retomada após sete anos de paralisação

Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, Foto: Joelson Felix

Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.

Protagonismo indígena na construção do curso

Professor Maximiliano Menezes Foto: Gustavo Trindade

O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.

Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.

“O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,

afirmou.

FOIRN e a luta pela educação escolar indígena

O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.

Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

Aula inaugural com a professora Dra. Iraildes Caldas Torres, foto: Joelson Felix

Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro

Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.

Uma conquista coletiva

Foto: Joelson Felix

A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.

 

Leia diretamente na fonte: https://foirn.blog/2026/01/07/foirn-celebra-retomada-historica-do-curso-de-licenciatura-indigena-da-ufam-em-sao-gabriel-da-cachoeira/


Saiba mais sobre o FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a federação que representa 24 povos indígenas no Brasil

Com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o município brasileiro mais indígena, a Foirn articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de mais de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia.

A Foirn nasceu com o lema “Terra e Cultura”, tendo como principal bandeira de luta defender o território e valorizar a cultura dos povos que há pelo menos 3 mil anos habitam a região. Valorizar esse território, a floresta e seus habitantes é a nossa missão. A cada dia surgem novos desafios e, hoje, diante de incertezas e ameaças aos direitos constitucionais conquistados, sabemos que a luta é pela vida e pela sobrevivência da espécie humana no planeta. Enfrentamos, hoje, a maior ameaça à vida na Terra: as mudanças climáticas.

Acesse o link para saber mais sobre o FOIRN, acessar seu estatuto e blog.

https://foirn.org.br/saiba-quem-somos-foirn/

Ipol e Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM) no I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo awa guaja, em Santa Inês, Maranhão

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I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo Awa Guajá

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Programação AWA

O IFMA realiza, de 15 a 17 de dezembro, no Campus Santa Inês, o I Seminário de Formação Intercultural: Educação, Língua e Cultura do Povo Awá Guajá, em parceria com a Funai.

A abertura do seminário acontece na segunda-feira (15), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV IFMA, no YouTube, ampliando o acesso ao debate sobre as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas de recente contato.A programação de abertura contará com mesa institucional e a palestra “Princípios da educação escolar indígena: bilíngue, diferenciada, específica e comunitária”, ministrada pelos professores Awá Guajá e José Bessa. Na parte da tarde uma mesa redonda aborda o tema Ensino e aprendizagem em contextos multilíngues com a presença de Rosangela Morello, coordenadora do IPOL.

Confira a cerimônia de abertura e assista ao vivo pelo canal da TV IFMA!

A programação do evento está aqui Seminário. Confira!!!


Para saber mais, confira a crônica  “Os Awa: uma escola na língua da gente”, publicado em junho de 2024 no site TAQUIPRATI por Jose Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Jose Ribamar coordenou durante 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO). Consultor do projeto Formação de Professores Indígenas Awa Guajá Awa Pape Mumu’u#771;ha Ma’a Kwa Mataha

https://www.taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente

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