FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.
Retomada após sete anos de paralisação
Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.
Protagonismo indígena na construção do curso

O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.
Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.
“O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,
afirmou.
FOIRN e a luta pela educação escolar indígena
O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.
Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.
Uma conquista coletiva

A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.
Leia diretamente na fonte: https://foirn.blog/2026/01/07/foirn-celebra-retomada-historica-do-curso-de-licenciatura-indigena-da-ufam-em-sao-gabriel-da-cachoeira/
Saiba mais sobre o FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a federação que representa 24 povos indígenas no Brasil
Com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o município brasileiro mais indígena, a Foirn articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de mais de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia.
A Foirn nasceu com o lema “Terra e Cultura”, tendo como principal bandeira de luta defender o território e valorizar a cultura dos povos que há pelo menos 3 mil anos habitam a região. Valorizar esse território, a floresta e seus habitantes é a nossa missão. A cada dia surgem novos desafios e, hoje, diante de incertezas e ameaças aos direitos constitucionais conquistados, sabemos que a luta é pela vida e pela sobrevivência da espécie humana no planeta. Enfrentamos, hoje, a maior ameaça à vida na Terra: as mudanças climáticas.
Acesse o link para saber mais sobre o FOIRN, acessar seu estatuto e blog.
Ipol e Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM) no I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo awa guaja, em Santa Inês, Maranhão
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I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo Awa Guajá
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A abertura do seminário acontece na segunda-feira (15), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV IFMA, no YouTube, ampliando o acesso ao debate sobre as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas de recente contato.A programação de abertura contará com mesa institucional e a palestra “Princípios da educação escolar indígena: bilíngue, diferenciada, específica e comunitária”, ministrada pelos professores Awá Guajá e José Bessa. Na parte da tarde uma mesa redonda aborda o tema Ensino e aprendizagem em contextos multilíngues com a presença de Rosangela Morello, coordenadora do IPOL.
Confira a cerimônia de abertura e assista ao vivo pelo canal da TV IFMA!
A programação do evento está aqui Seminário. Confira!!!
Para saber mais, confira a crônica “Os Awa: uma escola na língua da gente”, publicado em junho de 2024 no site TAQUIPRATI por Jose Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Jose Ribamar coordenou durante 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO). Consultor do projeto Formação de Professores Indígenas Awa Guajá Awa Pape Mumu’u#771;ha Ma’a Kwa Mataha
https://www.taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente
A língua falada no Sul do Brasil por antepassados de Gisele Bündchen e Rodrigo Hilbert que está desaparecendo

Como muitos das gerações posteriores, Gisele Bündchen e Rodrigo Hilbert não falam a língua dos trisavós. CRÉDITO, GETTY IMAGES
Por Luiz Antônio AraujoDe Porto Alegre para a BBC News Brasil
Se uma máquina do tempo permitisse à modelo Gisele Bündchen, ao goleiro Alisson Becker e ao ator Rodrigo Hilbert encontrar seus ancestrais vindos da Europa, seria necessária a presença de um intérprete.
Caso o profissional escalado falasse exclusivamente o alemão padrão (Standarddeutsch), ainda assim a comunicação seria truncada.
Como a maioria dos alemães que vieram para o Brasil no século 19, os Bündchen, os Becker e os Hilbert usavam cotidianamente um vernáculo diferente do idioma dominante na atual Alemanha.
Tratava-se de uma variedade baseada no que os linguistas chamam de “continuum dialetal”: uma série de formas assumidas por uma língua ao longo de uma região, com variações cumulativas à medida que a distância aumenta.
Os antepassados dessas celebridades não chamariam sua língua de Deutsch (língua alemã, no alemão padrão), e sim Deitsch, Düütsk, Plattdeitsch ou simplesmente Platt (baixo-alemão ou Plattdeutsch).
Assim era denominado o idioma falado na área delimitada pelos rios Mosela e Reno, nas imediações das cidades de Bingen, Trier e Koblenz, na Renânia Central, entre os atuais Estados da Renânia-Palatinado e do Sarre.
Dessa região, conhecida como Hunsrück (pronuncia-se “runs-rík”), partiu a maior parte dos primeiros alemães a pisar em solo brasileiro.
Por mais de 200 anos, o hunsriqueano ou Hunsrückisch (“língua do Hunsrück”) foi transmitido de geração em geração no Brasil — onde surgiu, após transformações a partir do Platt.
Ainda hoje, é utilizado por mais de 1,2 milhão de pessoas — população equivalente à do município de Campinas (SP) —, segundo o livro Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) (Editora Garapuvu, 2018).
Há ainda comunidades que o utilizam na Argentina, Paraguai e Bolívia.
Essa língua padece, no entanto, de um fenômeno comum a milhares de vernáculos minoritários: a perda linguística, quando um idioma deixa de ser usado, transmitido ou plenamente dominado.
É por isso que nem uma engenhoca de ficção científica permitiria aos famosos mencionados no início desta reportagem — todos descendentes de alemães do Hunsrück e arredores — conversar com seus antepassados.
Gisele, Alisson e Rodrigo não falam a língua dos trisavós.
Universidade guarda coleção de raridades linguísticas

O professor da UFRGS Cleo Vilson Altenhofen guarda o maior acervo de hunsriqueano do mundo. CRÉDITO, LUIZ ANTÔNIO ARAUJO/BBC NEWS BRASIL
“Como uma língua subsiste por 200 anos sendo falada por poucas pessoas?”, indagou o professor titular do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Cleo Vilson Altenhofen ao receber a reportagem da BBC News Brasil, no final de setembro.
Nos armários, prateleiras e caixas que abarrotam sua sala, há um tesouro: o maior acervo de hunsriqueano do mundo.
São centenas de livros, cadernetas, cartas, diários, arquivos de áudio e vídeo, CDs, DVDs, fotos, cartazes, mapas, anúncios publicitários, roteiros, entre outros itens, neste idioma.
Muitas das vozes contidas nesse emaranhado arquivístico já desapareceram, ecoando apenas nos registros preservados pela UFRGS.
Não foi Altenhofen quem inventou o termo “hunsriqueano” para designar a língua de seus familiares, que chegaram a São Leopoldo (RS) dois dias depois do Natal de 1827.
Ele foi o primeiro, porém, a fazer referência à variante hunsriqueano rio-grandense (Riograndenser Hunsrückisch) em sua tese de doutorado pela Johannes Gutenberg-Universität Mainz, uma universidade na Alemanha, em 1996.
O termo ganhou até um verbete da Wikipédia.
Com o projeto Escrithu, o professor capitaneou a formalização da ortografia, de regras gramaticais e do vocabulário do hunsriqueano.
Também organizou, junto com Rosângela Morello, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração.
A obra, que mapeou uso consistente da língua em bastiões distribuídos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Espírito Santo), levou a encaminhamento de um pedido de reconhecimento do hunsriqueano como referência cultural brasileira no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL).
Entretanto, o INDL foi atingido em 2019 por um decreto presidencial que acabou com órgãos colegiados federais, como a Comissão Técnica do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (CTINDL).
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a conclusão do pedido sobre o hunsriqueano depende da criação de um Conselho Nacional de Políticas para a Diversidade Linguística (CNPDL), o que está em tramitação no Ministério da Cultura.
“A Comissão é necessária para que se tenha condições técnicas para submeter a proposta de inclusão da língua Hunsrückisch (e de outras 25 línguas já inventariadas e mais 10 com pesquisas em andamento) no Inventário Nacional de Diversidade Linguística”, explicou o IPHAN.

Apesar de perceber a perda linguística em sua própria família, Altenhofen vê esse processo como algo natural. CRÉDITO, LUIZ ANTÔNIO ARAUJO/BBC NEWS BRASIL
Atualmente, sete línguas obtiveram o reconhecimento: seis indígenas (asurini, guarani m’bya, nahukuá, matipo, kuikuro e kalapalo) e uma europeia (o talian, falado por migrantes da região do Vêneto, hoje na Itália).
As línguas que recebem esse reconhecimento viram foco de ações de valorização por parte do Estado brasileiro.
Nem mesmo um erudito como Altenhofen, de 62 anos, está imune à perda linguística.
“Minha geração ainda teve a transmissão [do hunsriqueano]”, observa, referindo-se a si próprio, aos dois irmãos e às duas irmãs.
As filhas e sobrinhas do professor, por outro lado, são a primeira geração dos Altenhofen a não dominar o idioma dos ancestrais.
“A estrutura social mudou: Porto Alegre [onde vive e trabalha] não é Harmonia [município do Vale do Caí onde cresceu, fundado por migrantes alemães], e as novas gerações vivem em um mundo em que o português está muito mais presente”, reflete.
Mas o pesquisador considera a perda linguística um processo natural. Ele não se preocupa com o aumento — como ocorreu com o hunsriqueano no Brasil no século 19 — ou com a diminuição do número de falantes, e sim com a transmissão, o que move seu trabalho.
Na Alemanha, hunsriqueano é dialeto
Segundo o Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração, o hunsriqueano é uma das 14 línguas alemãs do Brasil.
Já na Alemanha, essa divisão não se aplica, explica Gilvan Müller de Oliveira, professor associado de Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).
Para o Estado alemão, existe uma única língua alemã, o alemão padrão, e dezenas de dialetos — incluindo o Pfälzisch, forma próxima do Hunsrückisch ainda hoje falada em certas partes do país europeu.
“A formação do estado-nação na Alemanha, na Itália e em outros países europeus está baseada na ideia de uma única língua, legitimada no caso alemão pela Bíblia de Lutero, no italiano pela Divina Comédia, de Dante Alighieri, e assim por diante”, explica Oliveira.
O restante, afirma o linguista, são dialetos colocados em segundo plano e que tiveram sua transmissão interrompida ou dificultada por uma “ideologia de língua única”.
“Isso é exatamente o contrário do que nós estamos fazendo no Brasil”, diz o professor.

Altenhofen (na foto, à dir.) durante entrevista para o projeto Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrükisch (ALMA-H). CRÉDITO, DIVULGAÇÃO/PROJETO ALMA-H/UFRGS
Oliveira explica que classificar o hunsriqueano como dialeto do alemão faz com que este pareça descartável.
“Temos de reconhecer a existência de várias línguas, como o alemão, o hunsriqueano, o pomerano, o vestfaliano, o bávaro, o suábio falado no Paraná e outras ilhas linguísticas reunidas no conceito de línguas alemãs”, diz.
Com essa política, o Brasil adota um curso inverso ao de boa parte de sua história, quando, segundo Oliveira, reprimiu os não falantes de português.
No Estado Novo, regime ditatorial liderado por Vargas entre 1937 e 1945, o uso público de línguas estrangeiras e indígenas foi proibido.
Um levantamento de Oliveira identificou 243 páginas de legislação federal e de leis em Santa Catarina que contribuíram com o combate à existência de várias línguas entre 1911 e 1963.
Atualmente, de acordo com os entrevistados, o Brasil avançou bem em políticas governamentais — municipais, estaduais e federais — para a preservação da diversidade linguística, incluindo por exemplo esforços relativos às línguas indígenas.
Em Nova Petrópolis, queda abrupta do número de falantes
Em Nova Petrópolis (RS), município de 23,8 mil habitantes na Serra Gaúcha, o hunsriqueano é uma das variantes do alemão cotidianamente utilizadas pela população.
O município foi um dos 41 pontos visitados entre 2017 e 2018 pela equipe de especialistas responsáveis pelo Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração.
“Não é fácil manter o Hunsrückisch por múltiplas razões: as novas gerações não frequentam mais a casa dos avós, e sim creches, e estão muito influenciadas pelo inglês”, afirma Célia Weber Heylman, de Nova Petrópolis.
Professora aposentada de alemão (padrão), Célia testemunhou em sala de aula a queda no número de falantes.
“Nos últimos anos, apenas um ou dois de cada 10 alunos falava alemão em família”, relata.
Como a maioria dos professores de alemão no Brasil, Célia vê o hunsriqueano como uma ponte para a aprendizagem do alemão padrão e de idiomas em geral — mas crê que o ensino deve ter por base o alemão padrão.
Distante 46 quilômetros de Nova Petrópolis, o município gaúcho de Santa Maria do Herval é palco de uma experiência distinta.
Em 2004, por iniciativa da linguista alemã Ursula Wiesemann, a localidade tornou-se laboratório de uma iniciativa inédita de valorização do hunsriqueano — chamado de Hunsrik nessa versão.
Batizado de Projeto Hunsrik Plat Taytx, o programa idealizado por Ursula incluiu a formalização de um sistema de escrita, a inclusão da língua no currículo escolar a partir de 2017 e a publicação de materiais didáticos e obras literárias.
O sistema foi registrado pelos criadores no Ethnologue, órgão responsável por catalogar as línguas do mundo e que serve de referência para organismos internacionais como a Unesco, braço das Nações Unidas para a educação.
No ano passado, o Hunsrik foi incluído como idioma no Google Tradutor.

Santa Maria do Herval oficializou o ensino do Hunsrik.CRÉDITO, DIVULGAÇÃO/PROJETO ALMA-H/UFRGS
Até o momento, além de Santa Maria do Herval, pelo menos outros quatro municípios oficializaram o ensino do sistema Hunsrik Plat Taytx: Estância Velha e Nova Hartz, também no Rio Grande do Sul; e Antônio Carlos e Treze Tílias, em Santa Catarina.
A pedagoga Márcia Fenner, de Santa Maria do Herval, relata que o Hunsrik faz parte do currículo da pré-escola ao 5º ano do ensino fundamental e, a partir desse ponto, é oferecido alemão padrão como língua estrangeira.
Márcia conta que, quando fazia contação de histórias em uma escola do interior onde não havia creche, 90% das crianças que falavam hunsriqueano em casa ficavam indiferentes ao ouvir relatos feitos em português.
De início, ela decidiu combinar as duas línguas mas, em seguida, passou a utilizar mais hunsriqueano.
“A interação foi incrível porque quando se conta uma historinha ou piadinha em alemão, sempre parece mais engraçado”, diverte-se a pedagoga.
Professora de alemão e ex-secretária municipal de Educação de Santa Maria do Herval, Maria Rejane Schuh Kuhn opôs-se à implantação do sistema Hunsrik Plat Taytx durante sua gestão, em 2009.
“As ações de preservar o hunsriqueano são importantes, mas o incentivo ao alemão padrão serve à conexão com a comunidade e os antepassados e abre muito mais portas [para o estudante] do que o dialeto”, afirma Maria Rejane.
Para Altenhofen, o desuso é fatal para o hunsriqueano e outras línguas minoritárias.
“Essas são línguas de comunidade, que fortalecem o pertencimento, a identidade”, afirma.
Uma palavra hunsriqueana sintetiza essa dimensão afetiva: mottersproch (língua materna).
Leia a matéria na fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy0vx0p7l07o
Saiba mais sobre o Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração.
Serafina Corrêa sediará o XXIX Encontro dos Difusores do Talian e IV Fórum da Língua Talian
Programação ocorre de 21 a 23 de novembro

Entre os dias 21 e 23 de novembro, o município de Serafina Corrêa será o cenário do XXIX Encontro Nacional dos Difusores do Talian e do IV Fórum Nacional da Língua Talian.
Entre os dias 21 e 23 de novembro, o município de Serafina Corrêa será o cenário do XXIX Encontro Nacional dos Difusores do Talian e do IV Fórum Nacional da Língua Talian.
Integrando as comemorações dos 150 anos da Imigração Italiana, o encontro reunirá professores, pesquisadores, comunicadores, radialistas, lideranças culturais, autoridades e comunidades de diversas regiões do Brasil, todos unidos por um mesmo propósito: preservar, valorizar e difundir a Língua Talian, reconhecida desde 2014 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN. Cultura, história e emoção em três dias de celebração.
A abertura, na sexta-feira (21), será marcada pelo tradicional Filò Talian, um encontro de partilha e memória com a presença do Frei Arlindo Itacir Battistel, que abordará o tema “A Imigração Italiana: Legado e Fé”. A noite também contará com jantar típico e a apresentação do grupo Cantanti dei Monti, além de espaço aberto para manifestações culturais.
No sábado (22), as atividades iniciam com os painéis temáticos que abordarão temas como a formação da identidade cultural, o ensino da Língua Talian na universidade, a regulamentação das línguas minoritárias nas escolas e a comunicação oral e escrita do Talian. Durante a tarde, haverá apresentações culturais com os Núcleos do Projeto Cucagna Scola de Talian.
Também para os participantes do Encontro inscritos, haverá a apresentação da peça teatral Chi Sparagna Gata Magna, além do lançamento da Pedra Fundamental do Marco dos 150 Anos da Imigração Italiana, na Via Gênova. A noite será marcada pelo Jantar de Confraternização dos 150 Anos da Imigração Italiana, com a entrega do Troféu e Diploma Mérito 150 Anos e do Troféu Mérito Talian 2025, além de apresentação musical com Jessica e Robson.
Encerrando o evento, o domingo (23) será dedicado às Vozes do Talian, com um encontro aberto de radialistas e comunicadores, reafirmando o compromisso coletivo com a preservação da língua e da cultura.
Realizado pela ASSODITA, FIBRA/RS, CONTALIAN e FEIBEMO, o evento conta com o apoio de entidades, instituições de ensino e patrocinadores que acreditam no poder da cultura como ponte entre gerações.
Faça sua inscrição: https://forms.gle/Ty6Lq2EoyJLvVxPE7
Realização: ASSODITA, FIBRA/RS, CONTALIAN, DIFUSORES DO TALIAN e FEIBEMO.
Patrocínio: ACISCO, BANRISUL, COOPERLATE, CRESOL, EDGAR MARÓSTICA, ROTTA E ZANELLA ADVOCACIA, SICRED, SICOOB, UNICRED PIONEIRA, UNIMED VALE DAS ANTAS E VISÃO ESCRITÓRIO CONTÁBIL.
Confira a matéria na fonte: https://www.vangfm.com.br/noticia/serafina-correa-sediara-o-xxix-encontro-dos-difusores-do-talian-e-iv-forum-da-lingua-talian/44012
Curso inédito em curitiba sobre a cooficialização da língua polonesa no brasil!

O objetivo do curso foi capacitar os participantes para promover e efetivar os direitos linguísticos da diáspora polonesa, com foco em ações de cooficialização da língua em municípios com forte presença da comunidade polono-brasileira, em especial no sul do Brasil.
A formação foi organizada pela Associação de Egressos dos Cursos de Letras Polonês da UFPR e pelos Cursos de Letras Polonês da Universidade Federal do Paraná, em parceria com a Sociedade Científica da Universidade Católica de Lublin, com financiamento do Senado da Polônia. O evento teve apoio do Consulado Geral da República Polônia em Curitiba, da Sociedade Polono-Brasileira Marechal Piłsudski e do Grupo Folclórico Wisła.

Durante três dias de atividades intensas, os participantes discutiram:
- Políticas linguísticas e a legislação brasileira
- Identidade cultural e transmissão intergeracional
- História da imigração polonesa no Brasil
- O papel da língua polonesa como patrimônio vivo
- A língua polonesa falada no Brasil.
A abertura do evento contou com a presença do Sr. Wojciech Baczyński, Cônsul-Geral da República da Polônia em Curitiba. O encerramento foi prestigiado pelo Sr. Lourival Araújo Filho, representante do Brasil no Conselho Polônico do Senado da Polônia.
O professor Fabricio Vicroski – coordenador do curso e líder das articulações para a reconhecimento da língua polonesa como oficial em municípios brasileiros -, destaca o ineditismo da iniciativa. “É a primeira vez que um curso do gênero é realizado no Brasil. Também é a primeira vez que a Polônia, através do Senado, apoia ações de cooficialização da língua polonesa no país. Meu desejo é formar um exército de pessoas que promoverão os direitos linguísticos da Polonia brasileira.

Segundo a Professora Sônia Eliane Niewiadomski, responsável pela organização do evento, “o curso foi mais do que uma formação técnica — foi um espaço significativo de diálogo, articulação e construção de políticas linguísticas voltadas à diversidade cultural do Brasil”.
O professor Tomasz Nowicki, coordenador do projeto pelo lado polonês e representante da Sociedade Científica da Universidade Católica de Lublin, destacou a importância de fortalecer e ampliar esse tipo de iniciativa.
“Creio que os projetos que estamos realizando no Brasil continuarão a se desenvolver. Talvez, no próximo ano, possamos ampliá-los territorialmente e organizar oficinas semelhantes em outros estados brasileiros. É possível também que abordemos temas de forma mais aprofundada, especialmente a questão da cooficialização. Pois não se trata apenas de introduzir a língua polonesa na administração das prefeituras brasileiras, mas também de pensar em ações futuras que essa mudança poderá gerar, quando o polonês já for reconhecido oficialmente em determinados municípios. Acredito ainda que existe aqui um amplo espaço para atuação — para mostrar aos líderes da comunidade polônica de que maneira essas oportunidades podem ser melhor aproveitadas.”
Um momento histórico de formação e articulação em defesa da diversidade linguística no Brasil.
Fonte: Associação de Egressos dos Cursos de Letras Polonês da Universidade Federal do Paraná.
Confira a matéria em https://www.polskieradio.pl/399/9815/Artykul/3587685,Curso-inédito-em-curitiba-sobre-a-cooficialização-da-l%C3%ADngua-polonesa-no-brasil
UNPRECEDENTED COURSE ON THE CO-OFFICIALIZATION OF THE POLISH LANGUAGE IN BRAZIL!
UNPRECEDENTED COURSE ON THE CO-OFFICIALIZATION OF THE POLISH LANGUAGE IN BRAZIL!

From September 19 to 21, 2025, the first edition of the course “Co-officialization of the Polish Language in Brazil – The Implementation of Brazilian Legislation” was held in Curitiba.
The goal of the course was to train participants to promote and implement the linguistic rights of the Polish diaspora, focusing on co-officialization initiatives in municipalities with a strong Polish-Brazilian community presence.
Participants came from various municipalities in the southern states of Brazil, including: Campina Grande do Sul/PR, Cruz Machado/PR, Curitiba/PR, Erechim/RS, Irati/PR, Joinville/SC, Mallet/PR, Nova Prata/RS, Pinhais/PR, Santo Antônio do Palma/RS, São Mateus do Sul/PR, Treze Tílias/SC, União da Vitória/PR, and Virmond/PR.
The training was organized by the Association of Alumni of the Polish Language and Literature Program at UFPR and the Polish Language and Literature Program at the Federal University of Paraná, in partnership with the Scientific Society of the Catholic University of Lublin, with funding from the Senate of Poland. The event was supported by the Consulate General of the Republic of Poland in Curitiba, the Polish-Brazilian Society Marshal Piłsudski, and the Wisła Folkloric Group.Over three days of intense activities, participants discussed:
● Language policies and Brazilian legislation
● Cultural identity and intergenerational transmission
● History of Polish immigration to Brazil
● The role of the Polish language as a living heritage
● The Polish language spoken in Brazil
The event’s opening was attended by Mr. Wojciech Baczyński, Consul General of the Republic of Poland in Curitiba. The closing ceremony was honored by Mr. Lourival Araújo Filho, Brazil’s representative on the Polish Council of the Senate of Poland.
Teaching team
• Dr. Fabricio J. Nazzari Vicroski (Coordinator in Brazil)
• Dr. hab. Tomasz Nowicki (Coordinator in Poland)
• Ma. Sônia Eliane Niewiadomski (Organizer)
• Dr. Rosângela Morello
• Dr. Eduardo Nadalin
• Dr. Rhuan Zaleski Trindade
The event was more than just technical training — it was a meaningful space for dialogue, coordination, and the building of language policies aimed at Brazil’s cultural diversity.A historic moment of training and coordination in defense of linguistic diversity in Brazil!
For more information:
. The Polish language in Brazil builds bonds – https://uwr.edu.pl/en/the-polish-language-in-brazil-builds-bonds/
. Polish made official language in Brazilian town founded by Poles – https://notesfrompoland.com/2022/08/01/polish-made-official-language-in-brazilian-town-founded-by-poles/
. How Polish became one of Brazil’s official languages – https://www.polskieradio.pl/395/7785/artykul/3398988,how-polish-became-one-of-brazils-official-languages
. Polish is now the official language in Brazil – https://polanddaily24.com/5561-polish-is-now-the-official-language-in-brazil/world-news/11247#goog_rewarded


