Curta de animação “Teyxokawa Puri” (Resistência Puri), produzido pela‘Txâma Xmabé Puri’ – Assista!
Curta bilíngue (Puri-Port) estreia no agosto Indígena da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
O filme conta a História de resistência do povo Puri e sua retomada linguística.
Foi produzido reunindo desenhos da família de Chicão Puri, em sua memória.
Línguas e culturas locais no currículo escolar: caminhos possíveis

Participação do IPOL no I Ciclo de Palestras “Educação para o Plurilinguismo”
23/09/2021 | 19h às 20h30
Línguas e culturas locais no currículo escolar: caminhos possíveis
Palestrantes:
Ingrid Kuchenbecker (CAp/UFRGS, Projeto PLURES) e Rosângela Morello
(IPOL – Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística)
Mediação: Cláudia Camila Lara (FURG, Campus São Lourenço do Sul)
Canal YouTube do Colegiado Setorial da Diversidade Linguística
Link para inscrições (aberto no período de 01/08 até 16/08/2021)
I Ciclo de Palestras “Educação para o Plurilinguismo”

O IPOL é umas das instituições apoiadoras do I Ciclo de Palestras “Educação para o Plurilinguismo” um evento organizado no âmbito do Colegiado Setorial da Diversidade Linguística como representação da sociedade civil no Sistema Estadual de Cultura (SEDAC – RS)
O I Ciclo de Palestras “Educação para o Plurilinguismo” é uma atividade promovida pelo Colegiado Setorial da Diversidade Linguística como representação da sociedade civil no Sistema Estadual de Cultura (SEDAC – RS), em parceria com o projeto PLURES: Plurilinguismo e Escola, do Colégio de Aplicação da UFRGS.
Seu objetivo é contribuir, com diferentes instâncias da sociedade e do Estado, para a reflexão sobre os fundamentos de uma educação para o plurilinguismo, no sentido de valorizar, compreender e visibilizar a diversidade linguística e cultural em contextos de ensino/aprendizagem, como uma questão especialmente significativa e presente em nosso estado, em áreas de fronteira, de imigração histórica, de populações indígenas e de comunidades quilombolas, bem como também de linguagens não-verbais como a Libras e da própria diversidade do português rio-grandense.
O Programa compõe-se de 05 encontros virtuais, com duração média de 1h30min, a serem realizados nas quintas-feiras dos dias 17 de agosto (Dia Estadual do Patrimônio Cultural) e 02, 09, 16 e 23 de setembro de 2021, no horário das 19h às 20h30min.
Canal YouTube do Colegiado Setorial da Diversidade Linguística
Link para inscrições (aberto no período de 01/08 até 16/08/2021)
A participação como ouvinte é livre e gratuita, porém, para obter certificado de extensão (PROREXT/UFRGS), é necessário realizar a inscrição através do link acima e ter no mínimo 75% de presença nas mesas redondas.
A experiência zambiana no verso e reverso das políticas linguísticas na educação
A história da política linguística educativa zambiana pode ser dividida em três períodos: pré-independência, entre 1920 até Outubro de 1964; de 1964 até 1991, aquando do anúncio da Terceira República; e o período contemporâneo.
Quatro factores foram determinantes para a adopção da política educativa do pré-independência: a Comissão Phelps-Strokes; o Instituto Internacional Africano; a UNESCO; e o factor Missionário.
Do ponto de vista filosófico, segundo Mubanga Kashoki em «Utilização das Línguas Africanas na Educação Básica: Lições da Experiência Zambiana», era consenso geral que a língua materna (língua primeira ou língua de casa) foi o veículo mais apropriado para ministrar a educação (i.e., conhecimentos e habilidades) aos povos submetidos à administração colonial. A Comissão Phelps-Stokes, por exemplo, opinava que “todos os povos têm um direito inerente à sua própria língua” e desmerecia o facto de que “no passado, praticamente, todas as nações, que dominavam outras, forçaram a sua língua aos povos nativos e desencorajaram o uso das suas línguas nativas”. Acrescenta que, a época, essa Comissão não deixou de constatar que “felizmente, nos dias de hoje, as únicas nações que ainda mantêm esta atitude nas suas possessões são os franceses e os portugueses – quaisquer que sejam os motivos – a política é insensata e injusta”.
Esta posição foi reforçada pelo Instituto Internacional de Línguas e Culturas (mais tarde, Instituto Internacional Africano) que, em 1930, emitiu a seguinte posição: “É um princípio universalmente reconhecido na educação moderna que uma criança deve receber instrução através da sua língua materna e este privilégio não deve ser negado à criança africana”.
Mais de duas décadas depois, a UNESCO reforçava a aprovação deste princípio num relatório de 1951, intitulado . “O Uso das Línguas Vernaculares na Educação”. Este relatório surge após a realização de um encontro de especialistas que chegaram à conclusão que, do ponto de vista psicológico e filosófico cardinal, “os alunos deviam iniciar a sua escolarização através do meio (de instrução) constituído pela língua materna”, acrescentando, por seu turno, que tal não implicava na negação aos africanos do acesso às línguas europeias ou metropolitanas. Num último ponto desse mesmo relatório, constava ainda o seguinte: “Nós reconhecemos que é indubitavelmente necessário para o progresso de África, que muitos africanos adquiram um conhecimento profundo de uma língua europeia para obter livre acesso à fonte da vida e pensamento ocidentais, mas este será melhor compreendido e apreciado pelo estudante se ele aprendeu a pensar primeiro na sua própria língua e a compreender a sua própria civilização.”
Por sua vez, também as missões católicas adoptaram as línguas africanas, tanto no campo da educação religiosa, como no campo da educação formal. Neste período, os quatro ou cinco primeiros anos do ensino primário eram feitos em línguas africanas, destacando-se, numa primeira fase: o Bemba, o Lozi, o Nyanja, e o Ronga. Posteriormente, o ensino primário também se fez em Kaonde, Lunda e Luvale. Paralelamente, o Inglês era ensinado como disciplina, com vista à criação dos pré-requisitos necessários à continuação dos estudos em classes mais avançadas. No ensino secundário o Inglês passava a ser o único meio de comunicação.
Contudo, ainda de acordo com Mubanga Kashoki, com a independência da Zâmbia optou-se pelo Inglês como único meio de instrução, logo a partir da 1ª classe, seguindo as recomendações feitas, em 1963, por uma Missão de Planeamento da UNESCO. Até que, em 1992, a Zâmbia regressou ao uso das línguas africanas como meios de aprendizagem, depois dos professores, sobretudo, das zonas rurais, entre 1974 e 1977, manifestarem esse desejo. Tal facto acabou por ser mais tarde entendido como resposta mais realista à situação então prevalecente no terreno: “a prescrição do Inglês como único meio de instrução não se coadunava muito com a prática corrente.”
No fundo, aqueles professores das áreas rurais “consideravam impraticável usar, como único meio de instrução ou comunicação entre professor e alunos, uma língua que as crianças, em primeiro lugar, não trazem de suas casas para a escola.” Com esta fundamentação de ordem prática, os professores, em exercício de funções, lançavam claros sinais para a priorização das necessidades educativas dos alunos, face à política educativa que fora levada a cabo entre 1964 a 1991.
Assim, o carácter endógeno da filosófica educativa voltou a prevalecer naquele país africano.
André da Costa*
Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais
Jornal de Angola
Debates, show e cinema incrementam a sexta edição de Mekukradjá
Com curadoria da antropóloga e cineasta Júnia Torres e do educador Daniel Munduruku, a programação on-line reúne lideranças indígenas
De 28 a 30 de julho (quarta-feira a sexta-feira), o Itaú Cultural transmite em seu site www.itaucultural.org.br e na página do Youtube, a sexta edição do Mekukradjá – Circuito de Saberes, com encontros dedicados às tradições, à resistência, às renovações e a outros aspectos dos universos indígenas no Brasil contemporâneo. Com curadoria da antropóloga e documentarista Júnia Torres e do educador Daniel Munduruku, esta edição tem como tema O futuro está na memória! e conta com participações de importantes lideranças do campo acadêmico, audiovisual, musical, literatura, artes visuais e de artes cênicas.
Em três dias de programações on-line e ao vivo, o evento traz conversas – ou Círculos de Saberes – que abordam assuntos relacionados à tradição, renovação e cultura dos povos originários. A representatividade indígena no mundo virtual, bem como suas iniciativas empreendedoras, participações ativas em produções culturais e a manutenção das práticas ambientais coletivas, são alguns dos temas abordados pelos 18 convidados de comunidades do Acre, Alagoas, Bahia, Roraima, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.
Destaque para as presenças do vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa Yanomami, do apresentador do podcast Copiô, Parente, Cristian Wari’u, a escritora de literatura indígena, Julie Dorrico, o cineasta, Ziel Karapotó, e o estilista e bailarino clássico, Edenilson Dias Delgado.
Sempre com duas mesas de debate por dia, às 10h e às 16h, a mostra exibe, ainda, O verbo se fez carne (2019), primeiro curta-metragem do diretor Ziel Karapotó e que será transmitido após a fala do cineasta.
Vencedor de 20 prêmios no circuito de cinema nacional, o filme fala sobre as cicatrizes deixadas pela invasão dos europeus em Abya Yala, que, na língua do povo Kuna, significa Terra madura, Terra Viva ou Terra em florescimento e é sinônimo de América. Na produção audiovisual, Karapotó utiliza seu corpo para denunciar a imposição da língua do colonizador aos povos indígenas, uma face do projeto colonialista.
Também está programada uma apresentação musical do Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do Brasil. Formado por jovens das etnias Guarani e Kaiowa, o conjunto traz em suas músicas letras marcantes, extrapola fronteiras físicas e imateriais e constrói pontes por meio do rap e das culturas indígena e do hip hop. Com o show RETOMADA, trabalho recente do grupo, a apresentação propõe divertimento, reflexão, informação e entretenimento ao público, que poderão desfrutar de um repertório que varia linguisticamente do português ao guarani, passando também pelo espanhol.
Confira abaixo a programação, com as sinopses das mesas e perfis dos participantes:











