Língua e Tecnologias

Websérie apresentada em língua de sinais mostra cultura do Amazonas para a comunidade surda

Produção audiovisual que prioriza a comunicação em Libras, teve um diretor surdo trabalhando representatividade e inclusão social

Pela primeira vez no Amazonas, um produto audiovisual é produzido utilizando integralmente a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua principal. A websérie “Amazonas em Libras”, lançada oficialmente hoje, 6, já está disponível nas  plataformas de streaming e pelo instagram

Apesar de haver legenda e narração em português para que o público ouvinte acompanhe a programação, a websérie é apresentada em Libras para dar foco a comunidade surda, como explica a idealizadora do projeto, jornalista e produtora cultural, Natália Lucas.

“A comunidade surda, diante da cultura ouvinte, está sempre representada em segundo plano por meio de legendas ou janelas de interpretação em língua de sinais. Na ‘Amazonas em Libras’ buscamos trazer para um único plano, para uma única tela a língua oficial da comunidade surda”, destaca.

A produção, além de colocar a Libras em primeiro plano, empoderou e inseriu os surdos dentro do universo audiovisual. Isso porque a produção contou com o estudante surdo de Letras Libras Ednilton Barreto que, além de dividir a direção, atuou como diretor e consultor de acessibilidade do projeto.

“O Ednilton teve papel primordial dentro de todo o processo. Nada era feito sem a validação dele. Foi muito bonito perceber que ele se sentia parte do processo e que isso despertou nele a vontade de se aprofundar nesse universo e buscar mais essa representatividade”, lembra Natália.

A Amazonas em Libras também teve a participação de dois tradutores intérpretes de Libras que, de acordo com a idealizadora, o projeto seria apresentado por um surdo, mas que devido a pandemia não pôde ser realizado.

“O público surdo, assim como diversas outras comunidades linguísticas minorizadas tem carência de equidade, direitos e acessibilidade linguística, projetos como a ‘Amazonas em Libras’, que protagonizam a língua de sinais, são extremamente necessários. Oportunizar o acesso de pessoas surdas não só nesse ambiente de trabalho, mas em espaços de discussão e construção de conhecimento é dar vez e lugar à cultura e a língua de povo que resiste”, destaca.

Para Andrei Severiano, que ficou responsável por mediar a comunicação dos ouvintes com o surdo, conta que a experiência transformou seu olhar para as produções e para as demandas da comunidade. “Foi desafiador e totalmente novo trabalhar como intérprete nesse projeto. Me possibilitou fazer novas tarefas e ações até mais técnicas dentro dessa área”, explica.

A websérie foi contemplada no prêmio Feliciano Lana, com recursos da Lei Aldir Blanc, promovido pelo Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa,  e apoio do Governo Federal – Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura.

Blumenauense que faz conteúdo sobre educação financeira em Libras concorre a prêmio nacional

O blumenauense Rafael Souza Silveira está concorrendo ao prêmio XP de transformação da educação financeira na categoria de nanoinfluenciador. O projeto dele foca no ensino de educação financeira para pessoas com deficiência auditiva. As aulas são 100% em Libras e de uma forma descontraída.

A premiação foi organizada pelo Instituto XP com o objetivo de reconhecer pessoas que realizem projetos voltados para a área financeira. A votação vai do dia 27 de novembro até o dia 6 de dezembro. A premiação acontece no dia 8 de dezembro.

Rafael, formado em administração e em Letras-Libras, criou o projeto Cifrão na Mão com o intuito de ensinar pessoas com deficiência auditiva sobre assuntos de administração financeira, investimento e assuntos relacionados ao mercado financeiro, de forma acessível e através Lingua Brasileira de Sinais (Libras) de uma forma acessível e descontraída.

“Eu acho que todos nós precisamos de educação financeira. Me senti na obrigação de fazer isso em Libras por ver toda a falta de acessibilidade enfrentada pela comunidade surda”, relata ele.

Casado com uma pessoa surda, ele sempre esteve em contato com esta comunidade. Vendo todos os problemas de acessibilidade enfrentados diariamente, Rafael percebeu que boa parte dos conceitos básicos envolvendo dinheiro não chegavam para a maioria dos surdos como chega para pessoas ouvintes, já que existem vídeos e outros conteúdos na internet.

Como estudava finanças desde a faculdade, por ser um assunto que achava bastante interessante, por perceber a falta de conteúdos em Libras e por ver muitas pessoas próximas tendo dificuldades financeiras, Rafael começou a pensar em uma forma de ajudar essas pessoas.

Dessa forma, ele começou a conversar com seu irmão, Fabio Souza Silveira, e os dois começaram a desenhar um projeto no segundo semestre de 2019. Como Fabio já entendia sobre redes sociais, no final de 2019 eles já tinham alguns conteúdos e vídeos gravados e prontos, e no início de 2020, o canal Cifrão na Mão já havia sido criado.

“Finanças pode parecer chato pra muitas pessoas, então tentamos deixar o canal um pouco mais descontraído. Eu criava os roteiros e atuava nos vídeos em língua de sinais. Meu irmão cuidava da edição, layout re propagandas. Criamos então um Instagram pra ajudar a divulgar. E nos divertimos muito”, comenta Rafael.

Conforme o canal foi crescendo, mais uma pessoa integrou o projeto, Otávio Lenzi, que também entendia de finanças e redes sociais.

Como votar

Rafael relata que descobriu a premiação através do Instagram do Instituto XP, e pensou que seu canal se enquadrava nos critérios que o Instituto estavam avaliando. Dessa forma, ele conversou com seu time para inscrever o projeto.

“Confesso que ficamos surpresos de termos chegado na final, porque são muitos canais legais concorrendo”, comenta ele.

O projeto Cifrão na Mão está entre os finalistas da premiação, na categoria nanoInfluenciador, que integra influenciadores que possuem públicos bem específicos.

Para votar é necessário entrar no site da premiação, na aba de finalistas, e clicar na categoria nanoinfluenciador. Depois é só clicar em votar embaixo do nome de Rafael e pronto, o voto foi contabilizado.

Via O Município Blumenau

Programa Livros Acessíveis

Em São Paulo, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência está disponibilizando em seu site os livros “A Aldeia Sagrada”, de Francisco Marins (Editora Ática), “A mulher que matou os peixes”, de Clarice Lispector (Editora Rocco), “Come, menino”, de Letícia Wierzchowski (Editora Ediouro), em formato acessível contendo libras, legenda, áudio, imagem e leitura simples.  Ação faz parte do programa Livros Acessíveis e celebra o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado no dia 3 de dezembro, próxima sexta-feira.

O programa, fruto da parceria entre a Secretaria e a ONG Mais Diferenças, com o apoio do Centro de Tecnologia e Inovação (CTI), realiza a produção dos livros acessíveis seguindo as diretrizes dos princípios do Desenho Universal, que possibilita que um livro possa ser disponibilizado para públicos com diferentes tipos de deficiência simultaneamente.

Os títulos estão em formato audiovisual e contam com recursos de acessibilidade como texto, descrição das imagens, tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), glossário em Português e Libras com imagens e áudio, além de desenho de som. O título infanto-juvenil “A Aldeia Sagrada” também conta com texto em Leitura Fácil, no audiovisual e em formato PDF para impressão.

Com o objetivo de proporcionar o acesso de pessoas com deficiência ao mundo da literatura, o programa Livros Acessíveis já disponibiliza em seu site 14 obras literárias acessíveis. São elas: “Uma Nova Amiga”, de Lia Crespo; “Serei Sereia?”, de Kely de Castro; “O Discurso do Urso”, de Julio Cortázar; “O Menino no Espelho”, de Fernando Sabino; “A Bolsa Amarela”, de Lygia Bojunga; “Frritt Flacc”, de Júlio Verne; “Bem do seu Tamanho,” de Ana Maria Machado; “Sei por Ouvir Dizer”, de Bartolomeu Campos de Queirós e Suppa; “Volta ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne; “Peter Pan”, de J. M. Barrie; “As Cores no Mundo de Lúcia”, de Jorge Fernando dos Santos; “O Menino Azul”, de Cecília Meireles e Lúcia Hiratsuka; “Kafka e a Boneca Viajante”, de Jordi Sierra I. Fabra; “Um sonho no caroço do abacate”, do Moacyr Scliar..

As obras  contribuem com a equiparação de oportunidades e o fortalecimento das políticas, programas e projetos relativos aos direitos das pessoas com deficiência, com ênfase no acesso ao livro e à leitura, introduzindo a questão da acessibilidade e inclusão, de forma articulada e transversal.

O programa estadual garante o acesso de todas as pessoas aos livros acessíveis, que possuem diversos recursos de acessibilidade como narração e texto em português, audiodescrição e animação das imagens, tradução e interpretação em Libras e leitura fácil – que traz adequações em relação à linguagem, conteúdo e forma para ampliar a compreensão.

Além disso, realiza oficinas de formação e sensibilização de profissionais da educação, cultura, assistência social, bibliotecários, mediadores de leitura e outros profissionais interessados às práticas acessíveis e inclusivas voltadas à leitura.

Acesse a página do Programa Livros Acessíveis  

Duolingo anuncia 5 novos cursos de idiomas ameaçados de extinção

Há anos a UNESCO vem alertando sobre os idiomas ameaçados de extinção. De acordo com a organização, pelo menos 43% das seis mil línguas faladas no mundo podem simplesmente desaparecer. Entre os idiomas em perigo, 190 deles estão no Brasil.

O Duolingo, plataforma de aprendizado de idiomas mais popular e o app educacional mais baixado do mundo, está desenvolvendo cinco novos cursos pensando nestas formas de linguagem ameaçadas.

Devem entrar na plataforma cursos de maori (Nova Zelândia), crioulo haitiano (Haiti), tagalo (Filipinas), zulu e xhosa (África do Sul). As aulas estão em processo de criação e serão incluídas na plataforma em breve, se juntando aos 100 cursos em mais de 40 idiomas diferentes já disponíveis no Duolingo.

Todas estas línguas são pouco conhecidas ou ameaçadas de extinção, ou seja, têm poucos falantes, com pequenas chances de serem transmitidas para as gerações seguintes, e podem perder todos os seus falantes nativos.

O desenvolvimento dos seus cursos faz parte de uma iniciativa do Duolingo que visa ajudar a proteger estes idiomas e as suas culturas. O aplicativo já conta com sete idiomas minoritários em seu catálogo como o havaiano, navajo, escocês gaélico, irlandês, galês, guarani e iídiche – lançado no início de 2021.

Feitos em parceria com a ONG Nal’ibali, que promove a leitura plurilinguística, os cursos de línguas sul-africanas (zulu e xhosa) trarão uma maneira totalmente diferente de aprender, já que um dos maiores desafios desses idiomas é o clique, som feito com a língua e usado para falar muitas palavras.

Foto: Getty Images

“Aprender um novo idioma vai muito além do que apenas compreender uma nova língua, é sobre saber interpretar a cultura do outro país e preservar a riqueza do seu passado. E não há maneira melhor de manter estas culturas vivas do que tornar o seu idioma acessível para todos, com diversão, eficácia e motivação, que são os pilares do Duolingo”, diz Analigia Martins, diretora de marketing do Duolingo no Brasil.

Todos estes cursos estão sendo criados, inicialmente, para falantes de inglês, e devem estar disponíveis no app no início de 2022.

Redação Hypeness 

 

Wikipédia já integra conteúdos na língua emakhuwa

Jovens escritores em Moçambique exploram a internet para difundir conhecimento através das línguas nativas. A integração de conteúdos em emakhua na plataforma Wikipédia é o primeiro passo.

Para os especialistas, a iniciativa de explorar o potencial da enciclopédia colaborativa digital de conhecimento livre Wikipédia para integrar conteúdos em emakhua, que já conta com mais de 100 artigos, é promissora. Mas pode enfrentar desafios de literacia e padronização da escrita.

O emakhua, a língua materna mais falada em Moçambique  – com cerca de seis milhões de cultores – já é um instrumento de produção e difusão de informação e conhecimento na plataforma Wikipédia.

A iniciativa, a primeira envolvendo as línguas locais de África lusófona, começou com a capacitação de mais de 70 redatores de conteúdos voluntários que dominam o emakhua, resultando na produção de perto de 100 artigos nesta língua.

O mentor do projeto em Moçambique, Jessemusse Cacinda, co-fundador e diretor da editora Ethale Publishing, explica, em emakhua, que este é um ponto de partida para a transformação das línguas moçambicanas em mecanismo de aproximação de culturas e identidades em África e no mundo.

O linguista Francisco Pedro, da Universidade Rovuma, destaca o carácter inovador da iniciativa e recorda que a promoção da literacia é fundamental para a garantia do acesso ao conhecimento disponível.

Fonte: https://noticias.mmo.co.mz/2021/09/wikipedia-ja-integra-conteudos-na-lingua-emakhuwa.html#ixzz77BxRhAL3

Curta de animação “Teyxokawa Puri” (Resistência Puri), produzido pela‘Txâma Xmabé Puri’ – Assista!

 

Curta bilíngue (Puri-Port) estreia no agosto Indígena da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

O filme conta a História de resistência do povo Puri e sua retomada linguística.
Foi produzido reunindo desenhos da família de Chicão Puri, em sua memória.

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