Outros

Direto da roça

A inusitada herança agrária da linguagem

Luiz Costa Pereira Junior

Nos primórdios, o latim era um dialeto restrito às margens do rio Tibre, língua de lavradores e pastores, que suavam para superar o terreno difícil e os pântanos do Lácio, região central da atual Itália. Parada para caravanas que cruzavam o norte e o sul italianos, o Lácio virou base de propagação do latim. A origem de muitas palavras herdadas do latim é rural. Mas mesmo termos criados há pouco ou importados de idiomas não românicos parecem ter um pé na cultura agrícola.

Ler e escrever

Legere, matriz do português “ler”, significava “colher” frutos. Scribere, ancestral de “escrever”, nomeava o ato de gravar inscrições em árvores ou gado.  É sugestiva a ideia de encarar a leitura como um ato de colheita e a escrita como forma de deixar uma marca no mundo.

Delirar

Os camponeses do Lácio tinham em alta conta a habilidade de cultivar e cuidar dos animais – por tabela, condenando tacitamente o trabalho displicente. Por isso, “delirar” nomeava a negligência de quem erra a pontaria ao jogar uma semente no sulco da terra, na “lira”.http://barbaranonato.files.wordpress.com/2011/11/caipira.jpg

Caducar

No mesmo contexto de “delirar”, “caducar” carrega o sentido de decadência explícito: caducus (do verbo cadere, cair) é o fruto que desaba de uma árvore, de tão apodrecido.

Leitura

“Leitura” deriva do latim tardio lectura (comentário). Surgiu quando “ler” já perdera o vínculo agrícola, passando a significar o ato de percorrer o olho por algo, para decodificá-lo. Ler é colher com os olhos, capturar com a vista. A leitura seria um passo além, o de tecer comentário. Há quem leia sem fazer, de fato, leitura, sem usar o ato de ler para captar todas as possibilidades do texto. Leia Mais

A voz e as canções de protesto em várias línguas de Joan Baez

Cantora americana de 73 anos apresentou 21 canções durante 1h23min no Araújo Vianna, Em Porto Alegre.

Em um mês onde muitos brasileiros querem lembrar para esquecer ou revisar os anos 1960, por causa do golpe de 1964, uma das principais vozes do ativismo político pela música daqueles anos mágicos nos Estados Unidos e Europa e de chumbo no Brasil, fez um show emocionante, irrepreensível e recheado de canções de protesto em inglês, espanhol e português durante 1h23min, na noite desta quarta-feira no Auditório Araújo Vianna.

Após um curto show de abertura da gaúcha Vanessa Longoni, que apresentou músicas dos seus dois CDs, Ouro de Oslo e Canção para Voar, a musa da contracultura com 55 anos de carreira, Joan Baez, de 73 anos, subiu ao palco às 21h15min, com o seu violão, a sua voz, o seu carisma, acompanhada dos músicos Dirk Powell (acordeon, violões, banjo e piano) e Gabriel Harris (percussão). Um pouco atrapalhada e contando com o apoio da assistente, técnica afinação de violão e também vocalista Grace Stumberg, Joan leu em português o tema da primeira música God is God, de autoria de Steve Earle, música que abre o mais recente disco da cantora, compositora e instrumentista, “Day After Tomorrow”, de 2008. “Eu acredito em profecias e milagres. Há um só Deus. Deus é Deus”, disse.

http://blog.grings.s3.amazonaws.com/grings/wp-content/uploads/2014/03/joan-baez-web.jpg

Logo após disparou a primeira do ex-namorado da década de 60, Bob Dylan, “Farewell Angelina”, seguindo também com a clássica balada folk “Lily of the West”, seguida da hispano “La Llorona” e da música de Woody Guthrie, “Deportees”, que fala de emigrantes mexicanos que morrem no avião quando são deportados dos Estados Unidos de volta ao México. Na sexta música, novamente o espectro de Dylan acompanhou Joan com a execução de It´s All Over Now Baby Blue, (que ganhou no Brasil uma linda versão chamada Negro Amor, de Zé Ramalho, cantada por nomes como Gal Costa e Engenheiros do Hawaii). Leia Mais

Governo da Ucrânia promete manter a língua russa como oficial no país

Idioma terá status de regional

Em discurso para os habitantes do sul e do leste da Ucrânia na terça-feira, 18, o Primeiro-Ministro interino, Arseniy Yatsenyuk , disse que o idioma russo tem o mesmo status e as mesmas capacidades e direitos da língua ucraniana nas regiões onde os falantes de russo são predominantes, garantindo que ninguém está proibido de utilizar a língua no país.

http://tipografos.net/glossario/cyrillicgr.gifSegundo ele, o Presidente interino Oleksandr Turchynov tomou a decisão de manter em vigor a atual lei sobre as línguas, adotada em 2012, com o intuito de dar ao russo ou a qualquer outro idioma o caráter de língua regional, podendo ser utilizada em tribunais, escolas e outras instituições públicas.

Yatsenyuk  também aproveitou a oportunidade para anunciar novas reformas visando à descentralização da administração do país, destacando que todas as alterações serão delineadas na nova edição da constituição ucraniana. Ao mesmo tempo que permitirão a manutenção da unidade nacional, as mudanças levarão em conta a expansão dos poderes regionais, afetando principalmente os setores de saúde, habitação, segurança e serviços. Especificidades locais, de acordo com o premier, serão seriamente consideradas nas questões relativas à educação, cultura e história de cada região.

Fonte: Diário da Rússia.

Um pouco sobre a língua de sinais

Muitas pessoas pensam que a língua de sinais, em todo o mundo, é igual. No entanto, é importante ressaltar que essa é uma língua natural, com léxico e gramática próprios. Assim, cada comunidade de surdos desenvolveu a sua língua de sinais ao longo dos tempos, assim como cada comunidade de ouvintes desenvolveu a sua língua oral. Existem países que apresentam mais de uma língua de sinais.

Os linguistas que estudaram as diferentes línguas gestuais concluíram que elas apresentam diferenças consideráveis entre si. Além disso, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar-se com pessoas que utilizam uma língua diferente. Esses fatores justificam que cada país tenha a sua própria língua gestual. No Brasil, por exemplo, tem-se a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), enquanto que em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP).

http://4.bp.blogspot.com/-C5zK4AzuFSw/TY83vL07Q0I/AAAAAAAACK4/nOi2e_g4MwI/s1600/libras.jpgDa mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria Língua de Sinais, que podem ser consideradas regionalismos ou dialetos. Essas variações ocorrem devido à existência de culturas diferentes e influências diversas no sistema de ensino do país.

Existe ainda uma língua de sinais universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.

A língua de sinais também é usada em situações em que pessoas sem quaisquer deficiências visuais ou auditivas necessitem se comunicar, sem que possam utilizar sons. Exemplos disso são a comunicação entre mergulhadores e aquela ocorrida em rituais de iniciação entre aborígenes australianos, em que é proibido falar oralmente por um período de tempo.

Leia Mais

Encontro Internacional – Metáforas nas línguas indígenas

http://laliunb.com.br/metaforas2014/cariboost_files/metaforas2014_cartaz_v03.jpg

Este é o primeiro encontro realizado no Brasil sobre metáforas nas línguas indígenas Sul Americanas. O encontro reunirá linguistas, psicologos, antropólogos, historiadores e pesquisadores de outras áreas do conhecimento cujas pesquisas têm focalizado as relações intrínsecas entre cultura, língua e cognição. O evento terá como objetivo principal o de contribuir para a discussão sobre (a) o uso metafórico da linguagem nas expressões de tempo e espaço, seja o tempo atual, onírico, histórico e/ou mitológico; (b) metáforas e sistemas de quantificação; (c) as bases culturais para o significado das fraseologias; (c) extensões metafóricas de substantivos, verbos e outras classes de palavras; (d) aplicação e avaliação das teorias cognitivistas de metafora no estudo de linguas indigenas menos conhecidas.

Mais informações: http://laliunb.com.br/metaforas2014/evento.html

A memória da repressão às línguas de imigração na recuperação de um Atlas Geográfico

Editorial IPOL

Um exemplar do Atlas Geográfico (UNIVERSAL ATLAS, escrito por Friedrich Volckmar e publicado em meados de 1909 em língua alemã), foi salvo por um menino de uma fogueira destinada à destruição de publicações didáticas em línguas de imigração, por volta da época da segunda Guerra Mundial (1939-1945). O aluno teria visto o livro “escorregar” entre a pilha de livros em chamas no pátio da Escola Isolada da Estrada Carolina, no interior do município de Gaspar em Santa Catarina.

Segundo a professora aposentada Edith Manke, este aluno, com receio da forte repressão linguística* que ainda imperava, manteve a publicação escondida no sótão de sua casa até decidir entregá-lo novamente à escola. Muitos anos mais tarde e pelo fato de D. Edith lecionar em língua alemã nesta mesma escola, o Atlas Geográfico acabou ficando sob sua responsabilidade.

atlas 1

 

atlas

Fotos de antes e depois da restauração feita no Atlas

No ano de 2012, a equipe de pesquisadores do IPOL no âmbito do Projeto “Receitas da Imigração: Língua e Memória na Preservação da Arte Culinária” tiveram o privilégio de conhecer um pouco da história de vida de D. Edith e sua ligação com a localidade da Estrada Carolina. Na ocasião, ela nos confiou a posse deste documento histórico. Para ela, mais importante do que estar de posse do Atlas é fazer como que sua história seja conhecida e preservada.

Leia Mais

Receba o Boletim

Facebook

Revista Platô

Revistas – SIPLE

Revista Njinga & Sepé

REVISTA NJINGA & SEPÉ

Visite nossos blogs

Forlibi

Forlibi - Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

GELF

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

Clique na imagem

Arquivo

Visitantes