“Amnésia ou ignorância?” Artigo de Evanildo Bechara sobre o Acordo Ortográfico
Amnésia ou ignorância?
Evanildo Bechara*
Enquanto não passavam de desacertadas opiniões de pessoas desinformadas da história das propostas iniciais, expostas em 1885 e consubstanciadas na primeira reforma ortográfica, de 1911, íamos mostrando, em jornais e revistas, a tais reformistas a sem-razão de adotar oficialmente algumas sugestões de simplificação ortográfica, entre as quais a abolição do h inicial – oje por hoje – ou a redução da forma quero em qero. Embora os defensores dessas simplificações nunca tenham chamado a atenção dos seus leitores para o fato de que algumas dessas propostas muito parecidas já tivessem sido anunciadas, cabe lembrar que a pretensa novidade data, pelo menos, do século 19.
A própria Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1907, tentou um movimento simplificador, que teve no filólogo João Ribeiro grande adepto. Todavia ele reconheceu: “Tudo aconselha a adotar um sistema conservador, embora difícil, em vez de outro qualquer, arriscado e susceptível de anarquizar a escrita”.
Desenvolvimento econômico ‘leva idiomas à extinção’, diz estudo
Desenvolvimento econômico ‘leva idiomas à extinção’, diz estudo

Pesquisadores afirmam que quanto mais desenvolvido um país, maior o risco para a diversidade de línguas.
Um estudo da Universidade de Cambridge concluiu que um dos efeitos colaterais do desenvolvimento econômico é o risco de extinção de alguns idiomas.
Analisando diversas partes do mundo, inclusive regiões desenvolvidas como a Europa, América do Norte e a Austrália, o estudo concluiu que o progresso econômico caminha de mãos dadas com a dominação das línguas faladas por minorias por uma, dominante, mais poderosa.
Cerca de 25% das línguas do mundo estão ameaçadas atualmente, estima o coordenador da pesquisa, Tatsuya Amano.
Ele diz que idiomas com poucos nativos, como o alto tanana, que é falado por menos de 25 pessoas no Alasca, nos Estados Unidos, estão na “linha de frente” da ameaça de extinção.
Na Europa, a língua sami de Ume, da Escandinávia, e o occitano auvernês, da França, também estão sumindo.
“Muitos idiomas em todo o mundo estão se perdendo rapidamente. É uma situação muito séria. Por isso, queríamos investigar como a extinção se distribui globalmente”, disse Amano, que normalmente estuda as taxas de extinção entre animais.
Os pesquisadores divulgaram suas conclusões na publicação Proceedings of the Royal Society B (baixe o artigo aqui).
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Tese investiga práticas, atitudes e identidades linguísticas entre jovens moçambicanos plurilíngues
Tese investiga práticas, atitudes e identidades linguísticas entre jovens moçambicanos plurilíngues
A tese de doutorado intitulada “As línguas não ocupam espaço dentro de nós”: práticas, atitudes e identidades linguísticas entre jovens moçambicanos plurilíngues foi recentemente defendida por Letícia Cao Ponso, aluna do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a orientação da Profª Drª Cláudia Roncarati (in memoriam), do Prof. Dr. Xoán Lagares e coorientada pelo Prof. Dr. Gregório Firmino.
Confira abaixo o resumo da tese.
RESUMO Esta tese investiga as atitudes, as práticas e as identidades linguísticas de uma comunidade de estudantes do curso de Letras na cidade de Maputo (Moçambique) acerca do estatuto das línguas autóctones moçambicanas e do português, língua ex-colonial em processo de nativização. A partir de uma pesquisa etnográfica, realizada durante o ano de 2012, proponho-me a descrever e a analisar os estatutos atribuídos às línguas pelos falantes plurilíngues, bem como relacioná-los às experiências particulares e concretas dos sujeitos da pesquisa nos âmbitos em que hoje se articulam movimentos de persistência e emancipação plurilinguísticas: a radiodifusão em línguas locais, as práticas religiosas, o comércio nos mercados, a educação bilíngue, os ritos tradicionais, as vivências familiares. Busco compreender os significados sócio-simbólicos de “ser plurilíngue” segundo os valores e as relações culturais específicas dessa comunidade, nas práticas sócio-históricas que as tornaram possíveis em meio ao cenário de colonização e descolonização linguística ocorrida em Moçambique nas últimas décadas. O aporte teórico advém da Etnografia da Fala e da Sociolinguística Interacional de base interpretativa (Hymes, 1962; Hymes, Gumperz, 1964; Goffmann, 1979; Blom; Gumperz, 1972; Gumperz, 1982a, 1982b). Valho-me também da reflexão feita por teóricos da pós-colonialidade (Fanon, 1968; Wa Thiong’o, 1986; Bhabha, 1994 e 1998; Mignolo, 2003 e 2010; Santos; Meneses, 2010; Santos, 2004, 2006 e 2011, Ramose, 2011) para tecer uma discussão desse objeto de tese em meio aos processos de minorização das línguas efetuados pelo encontro colonial em África e seus desdobramentos na construção de identidades linguísticas híbridas. A contribuição deste estudo é propor uma metodologia quali-quantitativa de base etnográfica para os estudos contatuais (especialmente de atitudes linguísticas) nos contextos multilíngues pós-coloniais.
Baixe a tese aqui: PONSO_2014_DO_plurilinguismo_atitudes_Mocambique
EUA: seus Estados onde o inglês é língua oficial
States where English is the official language
By Hunter Schwarz
Five states are considering legislation this year to make English their official language. If passed, they would join the 31 states with existing official language laws.
In some states, an official language is treated similar to how official flowers, birds, or trees are treated: as just a designation without any particular guidelines for what to do about it. In Illinois, for example, its English law states simply, “The official language of the state of Illinois is English.”
In Missouri, it’s even more vague, more of an observation than a designation: “The general assembly recognizes that English is the most common language used in Missouri and recognizes that fluency in English is necessary for full integration into our common American culture.”
Abertas inscrições para o GT “Plurilinguismo na Escola e na Sociedade” no XI Encontro do Celsul em Chapecó-SC
Abertas inscrições para o GT “Plurilinguismo na Escola e na Sociedade” no XI Encontro do Celsul em Chapecó-SC
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ormamos que estão abertas, até 19 de agosto, as inscrições de participantes com apresentação de trabalhos em Grupos de Trabalho (GT) no XI Encontro do Celsul – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul!
O XI Encontro do Celsul acontecerá na UFFS, campus Chapecó, de 12 a 14 de novembro de 2014.
Dentre as propostas de grupos participantes está o GT “Plurilinguismo na Escola e na Sociedade“, coordenado pelos professores Cléo Vilson Altenhofen (UFRGS) e Maristela Pereira Fritzen (FURB-Blumenau).
Confira a seguir o resumo do GT:
Carlos Alberto Faraco: “Devemos alterar o acordo ortográfico de 1990?”
Devemos alterar o acordo ortográfico de 1990?
Carlos Alberto Faraco
Qualquer pessoa que estuda a história ortográfica das línguas sabe que, por razões econômicas e culturais, não se deve mexer em ortografias estabilizadas. Mudanças “simplificadoras” ou “racionalizadoras”, embora propostas sempre com a maior das boas intenções, resultam, se implantadas, em desastre.
Apesar dessa lição histórica, os filólogos da geração de Antônio Houaiss, portugueses e brasileiros, entenderam que era necessário superar a duplicidade de ortografias oficias do português. Depois de décadas de debates, chegaram ao Acordo Ortográfico de 1990, pelo qual se fizeram pequenos ajustes em cada uma das ortografias vigentes para submetê-las a um único conjunto de princípios. Na proposta desses filólogos, não houve propriamente uma “reforma ortográfica”, na medida em que o núcleo duro das bases da ortografia estabelecidas em 1911 não se alterou.


