Política Linguística

IFSC terá uma política de ensino de línguas

“Não podemos tratar as línguas como um problema, mas como direito e recurso”. Foi com esta premissa que o renomado professor do programa de pós-graduação em Linguística da UFSC, Gilvan Muller de Oliveira, orientou os servidores presentes na palestra de abertura do II Fórum de Ensino de Línguas do IFSC. O evento foi realizado nos dias 14 e 15 de junho em Florianópolis e reuniu os professores de línguas (português, espanhol, inglês e libras) do Instituto. Refletir sobre qual tratamento dar às línguas na instituição e como construir uma política de ensino de línguas foram alguns dos objetivos da segunda edição do Fórum.

Professor Gilvan Foto: Jornalismo IFSC

Em sua palestra intitulada “Internacionalização, tecnologias linguísticas e multilinguismo”, o professor da UFSC enfatizou a importância de se superar a visão da língua como um problema para que seja tratada como um direito. “Temos a necessidade de apoiar e promover as línguas minorizadas e chegarmos à ideia da língua como recurso estratégico, de internacionalização e até comercial”, disse Oliveira.

Quando se fala em internacionalização, significa ver as línguas como recursos para que se atue em outros países e se estabeleça parcerias. Mais do que isso, segundo o linguista, internacionalizar é refletir sobre o modo de organização da produção. “Precisamos ter abertura para outras comunidade linguísticas se quisermos nos internacionalizar para atuar no mundo e trabalhar na língua dos nossos parceiros”, aconselhou o professor.

A ampliação da visão que se tem sobre as línguas foi outro ponto bem enfatizado pelo palestrante. “Nos convém olhar a língua não só como a língua oficial materna, mas como segunda língua, estrangeira, de herança, de acolhimento, de memória, de integração e internacional”, destacou. Oliveira citou, inclusive, como exemplo de uso da língua como forma de acolhimento, os cursos que alguns câmpus do IFSC ministraram para imigrantes haitianos que incluíram aulas de Português.

Foto: Jornalismo IFSC

Neste contexto, o multilinguismo é uma realidade e é preciso pensar em uma educação para o multilinguismo e numa formação de professores que saibam lidar com todo o pluralismo existente. “Para isso, precisamos respeitar as diferenças entre as línguas e combater o preconceito”, afirmou Oliveira.

Segundo o professor, a educação linguística passa pela aceitação de que todo mundo tem sotaque no mundo multilíngue e de que a função da escola não é corrigir a fala das pessoas. “Isso é ineficiente do ponto de vista metodológico e temos que considerar que todas as formas linguísticas são boas epistemologicamente”, destacou.

E o papel do professor de línguas nesse processo é fundamental, podendo ser considerado como o “porteiro para o mundo” de acordo com o palestrante. “Precisamos facilitar o contato com outras comunidades linguísticas, preparar novas línguas para o multilinguismo, inserir novas línguas no mundo digital, atuar no campo das tecnologias das línguas e, finalmente, pensar que, se somos educadores linguísticos, não podemos ver a língua dos nossos alunos como um problema, mas como recursos em produção em que os alunos são nossos parceiros neste processo”, finalizou Oliveira.

Sobre o Fórum

A partir da primeira edição do evento, realizada em 2014, foram identificados todos os professores de línguas do IFSC para que houvesse uma articulação do trabalho. Atualmente, o Instituto conta com 101 docentes na área. Com uma programação que incluiu palestras, painéis, debates e reuniões de grupos de trabalho, o II Fórum, realizado nesta semana, deu continuidade às discussões iniciadas há dois anos e permitiu ao IFSC avançar em uma proposta de política linguística para a instituição.

Entenda melhor a importância de se discutir uma política linguística em entrevista feita pela Comissão Organizadora do II Fórum com o professor Gilvan Muller de Oliveira, palestrante de abertura do evento:

Na cerimônia de abertura do evento deste ano, o pró-reitor de Ensino, Luiz Otavio Cabral, destacou a necessidade de o Instituto ter uma harmonização na oferta de cursos de línguas, bem como no ensino de idiomas nos cursos. “Acreditamos que essas diretrizes fortalecem o trabalho dos professores e a própria instituição”, afirmou.

Uma política em construção

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II Fórum de Línguas/2016 Foto: Jornalismo/ IFSC

A presidente da Comissão Organizadora do II Fórum, Daniela de Carvalho Carrelas, ressalta que o IFSC está se encaminhando para isso. Com toda a discussão gerada nos dois dias do evento, o grupo de servidores presentes concebeu uma formação que dará origem à proposta de minuta da política de Ensino de Línguas do IFSC. “O trabalho agora irá continuar numa capacitação disponibilizada pelo Centro de Referência em Formação e EaD em que os servidores que integram o Fórum irão fazer um trabalho coletivo e de maneira organizada utilizando o moodle como espaço de socialização e registro das discussões”, explica.

A autoformação será iniciada a partir de agosto. Todos os servidores presentes no Fórum terão que fazer uma unidade comum de Política de Línguas. Depois, os grupos de trabalhos constituídos no evento irão aprofundar o referencial teórico de cada temática e propor diretrizes para cada assunto. “Nossa expectativa é ter uma minuta construída coletivamente no final do primeiro semestre de 2017 e até o final do próximo ano já ter a política de Ensino de Línguas do IFSC aprovada”, conta Daniela.

Os temas para a constituição dos grupos de trabalho foram estabelecidos a partir das discussões do I Fórum de Línguas. São sete GTs: Ensino de Línguas para fins específicos, Ensino de línguas como oferta complementar, Formação de professores para o Ensino de Línguas, Pesquisa no Ensino de Línguas, Ensino de Línguas como extensão, Ensino de língua materna e letramento e Ensino de literatura e leitura crítica.

Quem compareceu ao evento, no ato da inscrição, já escolheu um grupo para participar. Os professores de Línguas que não puderam participar do Fórum poderão se inscrever na capacitação EaD e passar a integrar um GT.

Abertura do evento

A solenidade de abertura do II Fórum foi realizada na terça-feira (14) no auditório da Reitoria. Além do pró-reitor de Ensino, participaram da cerimônia a a reitora, Maria Clara Kaschny Schneider; a assessora de Assuntos Estratégicos e Internacionais, Consuelo Sielski; e o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Clodoaldo Machado

Uma terceira edição do Fórum de Línguas deve ser realizada daqui a dois anos. Servidores interessados nesta discussão e construção podem entrar em contato com Comissão Organizadora do evento, formada pelas seguintes servidoras: Daniela de Carvalho Carrelas (Câmpus Florianópolis-Continente), Ana Lúcia Machado (Reitoria), Ana Paula Kuczmynda da Silveira (Gaspar), Mara Lúcia Massuti (Cerfead), Telma Amorim (Câmpus Garopaba) e Maria Rosa da Silva Costa (Câmpus Garopaba).

Está disponível para consulta o Atlas Lingüístico de la Península Ibérica (ALPI)

alpipA página do CSIC (Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Espanha) dedicada ao ALPI reúne informação sobre o projecto histórico do «Atlas Lingüístico de la Península Ibérica», concebido por Ramón Menéndez Pidal e dirigido por Tomás Navarro Tomás no Centro de Estudios Históricos nos anos vinte e trinta do século passado, e sobre os trabalhos de elaboração e edição que actualmente se levam a cabo, coordenados pelo CSIC, para publicar os seus materiais inéditos.

Como é habitual em Geografia Linguística, o ALP permitirá disponibilizar o resultado dos seus trabalhos de campo em mapas que sirvam para dar conta da distribuição espacial das respostas ao seu questionário e, a partir desses dados, estudar a realidade das variedades românicas peninsulares naqueles anos do século XX e compará-las com informações linguísticas posteriores.

A responsável pelos conteúdos da página é Pilar García Mouton, Professora de investigação do CSIC e coordenadora do projeto da edição do ALPI, que conta com uma equipa formada por Inés Fernández-Ordóñez (Universidad Autónoma de Madrid – Real Academia Española); David Heap (University of Western Ontario); Maria Pilar Perea (Universitat de Barcelona); João Saramago (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa) e Xulio Sousa Fernández (Instituto da Lingua Galega da Universidade de Santiago de Compostela).
 

Visite a página do projeto em http://www.alpi.csic.es/pt-pt

Fonte: Platataforma 9

Secretaría de Políticas Lingüísticas del Paraguay presenta nuevo sitio web en guaraní e castellano

nuevapaginaLa Secretaría de Políticas Lingüísticas (SPL) activó desde día 5 de mayo su nueva página web: www.spl.gov.py más versátil, con un moderno diseño virtual y con énfasis especial en la atención al público en ambas lenguas oficiales guaraní y castellano.

Continue lendo

2º Seminário Nacional dos Movimentos Bilíngue dos Surdos 26 e 27 de Maio, em Balneário Camboriú

cartaz librasDias 26 e 27 de Maio acontece em Camboriú, Santa Catarina, o 2º Seminário Nacional dos Movimentos Bilíngue dos Surdos. Os objetivos do evento é refletir sobre do bilíngue a educação de Surdos no Brasil, promovendo assim a compreensão da LIBRAS, da cultura e das identidades Surdas no campo socioeducacional; promover o debate sobre a língua de sinais, Escritas de sinais, e politicas linguísticas e como elas contribuem significativamente para o processo de escolarização do educando surdo; destacar a importância da educação bilíngue para os surdos, no que tange  seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e linguístico  e socializar investigações desenvolvidas na área da educação de surdos com foco em bilinguismo nas redes regulares de ensino.

Mais informações sobre o evento em: http://eventosmaislibras.wix.com/eco-design-pt#!blank-1/c24vq ou no email: eventos.maislibras@gmail.com

Fonte: Divulgação Eventos Mais Libras 

Colóquio Internacional “Língua Portuguesa: Ações e Projeções”

cartaz-colc3b3quio-praia-2016-fundo-escuroO Colóquio Internacional «Língua Portuguesa: Ações e Projeções» decorrerá no dia 11 de maio, às 15 horas, na sede do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), na cidade da Praia, em Cabo Verde. Continue lendo

IV Jornadas Internacionales de Lenguas Extranjeras, UNL de Santa Fé, Argentina

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Foto: Divulgação

  O Prof. Gilvan Müller de Oliveira é convidado da IV Jornadas Internacionales de Lenguas Extranjeras, na UNL – Universidade Nacional do Litoral, em Santa Fé, Argentina, entre 30 de Junio y 1 de julio de 2016. Os organizadores divulgaram a 4a circular: 4a-circular-iv_jornadas-internacionales-de-lenguas-extranjeras-unl.pdf (1) (1) (1)

O evento de 2016 terá como temática central “Políticas lingüísticas y lenguas extranjeras en el nivel superior”. Declarado de interés institucional por Res. Rectoral Nº 788/15 .

Prazo para envio de trabalhos encerra hoje, 2 de maio.

Mais informações sobre o evento: www.unl.edu.ar

FonteUNL/ Divulgação

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