acesso a educação

Conselho Universitário aprova reconhecimento de línguas indígenas brasileiras para acesso à pós-graduação

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou a possibilidade de que línguas indígenas brasileiras possam ter equivalência com idiomas estrangeiros nos processos seletivos de ingresso aos programas de pós-graduação da Universidade. O texto estabelece que “para alunos indígenas brasileiros, falantes de português e uma língua indígena, a mesma poderá ser considerada como equivalente a idioma estrangeiro para fins de proficiência, mediante aprovação do Colegiado”.

O dispositivo será incorporado à nova Resolução Normativa dos cursos de pós-graduação stricto sensu na Universidade, cuja minuta está em debate pelo CUn. A proposta de inclusão foi aprovada na sessão realizada nesta terça-feira14 de setembro, com voto de 50 conselheiros (89%). A aprovação completa da Resolução ainda depende de pelo menos mais uma sessão do Conselho.

A medida foi sugerida por integrantes do próprio Conselho, inspirada em uma política já adotada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC, que promove o reconhecimento das línguas faladas pelos estudantes indígenas no âmbito da validação das autodeclarações étnicas da Política de Ações Afirmativas (PAA).

A conselheira Iclícia Viana, que apresentou a proposta, afirmou que é importante reconhecer a pluralidade de situações envolvendo indígenas. “Não estamos falando de fazer uma prova de proficiência em kaingang, mas no sentido do reconhecimento de que aquela pessoa fala outra língua além do português”. O reconhecimento, acrescentou, segue a mesma perspectiva política e ética da Política de Ações Afirmativas na pós-graduação da UFSC, recentemente aprovada pelo Conselho Universitário.

Universidade inclusiva

A doutoranda de Antropologia Joziléia Daniza Kaingang participou da sessão como convidada e fez a defesa da inclusão. “Ter no âmbito da Universidade línguas indígenas reconhecidas também como línguas faladas, línguas possíveis de pensamento para construção de novas epistemes, é de extrema relevância, considerando que os nossos conhecimentos e saberes muitas vezes não conseguem ser traduzidos para a língua portuguesa”. Ela mencionou que a comprovação de proficiência em idiomas estrangeiros em muitos casos funciona como uma barreira para que os estudantes indígenas consigam acessar os cursos de pós-graduação.

A reunião teve falas veementes em defesa da proposta e também colocações sobre as questões operacionais e conceituais relacionadas à medida. Alguns conselheiros propuseram que a regulamentação dessa questão fosse deixada a cargo da Câmara de Pós-Graduação, por resolução específica, mas essa posição acabou vencida.

A secretária de Ações Afirmativas e Diversidades da UFSC, Francis Tourinho, destacou a importância da decisão. “O Brasil é um país plurilíngue, com mais de 50 línguas ativas só no Amazonas. E essa diversidade linguística representa uma grande importância para a sociedade inclusiva e que preserva a cultura de seu povo. A Organização das Nações Unidas (ONU) em 2019 criou o ano Internacional das Línguas Indígenas, pois a diversidade deve ser melhor conhecida, documentada e preservada. A aprovação da língua indígena ser considerada como equivalente a idiomas estrangeiros para proficiência, bem como a Política de Ações Afirmativas na pós-graduação, mostra o avanço e o pioneirismo da UFSC como uma universidade plural, inclusiva e que respeita cada um em sua diversidade”.

 

UFSC aprova Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica em caráter permanente

Fundação Nacional do Índio -  FUNAIProlindFNDEMinistério da Educação

Após dez anos de história na Universidade Federal de Santa Catarina, o curso de Licenciatura Intercultural Indígena no Sul da Mata Atlântica foi aprovado em caráter permanente, com a aprovação também do seu Projeto Pedagógico na Câmara de Graduação. A decisão ocorreu nesta quarta-feira, 25 de agosto, em meio a uma semana decisiva para os povos originários, por conta da retomada das discussões sobre o chamado marco temporal no Supremo Tribunal Federal. O curso contempla os povos Guarani, Kaingang e Laklãnõ Xokleng.

Com números que impressionam pelos baixos índices de evasão e altos índices de aprovação e integralização dos currículos pelos estudantes, a licenciatura da UFSC é considerada referência nacional para cursos assemelhados. “O eixo integrador de nosso curso de Licenciatura Intercultural Indígena é Territórios e Conhecimentos Indígenas no Bioma Mata Atlântica – reforçando o nosso reconhecimento sobre a importância dos territórios para os povos originários e somando-se à luta por seus direitos territoriais”, explica a professora Juliana Salles Machado, coordenadora do curso.

A professora explica que as duas turmas anteriormente formadas haviam sido aprovadas como turmas únicas, vinculadas a editais do Ministério da Educação. Com a aprovação do caráter permanente, as entradas quadrienais passam a ser regulares. “Esta conquista garante a continuidade da presença dos estudantes indígenas nesta universidade e atende a demanda dos três povos por uma formação de professores indígenas para atuarem e fortalecerem a educação escolar indígena diferenciada em suas terras originárias”, comenta.

Em 2011 foram oferecidas 40 vagas para cada povo, com a formação de 23 estudantes Guarani, 34 Kaingang e 21 Laklãnõ-Xokleng. Já para a turma de 2016, foram oferecidas 15 vagas por povo, tendo sido formados 15 estudantes Guarani, 09 Kaingang, e 12 Laklãnõ-Xokleng. “A presença de uma Licenciatura Intercultural Indígena na UFSC permitiu que estudantes indígenas circulassem, atuassem e transformassem o espaço universitário durante estes 10 anos. A presença dos estudantes indígenas em um curso diferenciado transforma positivamente a própria universidade, que se repensa a partir de novos diálogos e aprendizados”, contextualiza a coordenadora.

EBES – Enciclopédia Brasileira de Educação Superior

Informamos que a ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR – EBES, coordenada pela Prof. Marília Morosini (PUCRS) e resultado do trabalho coletivo do Grupo de pesquisadores que integra a Rede de Investigadores da Educação Superior – RIES, no contexto do Projeto PRONEX/FAPERGS/CNPq, já está disponível para download, em dois volumes.

Acesso aberto para baixar gratuitamente.

Volume 1

Enciclopédia Brasileira de Educação Superior – EBES (Volume 1)

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Webinar: Alfabetizar e letrar

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Eduplay é o novo portal de conteúdos audiovisuais para universitários

Universitários do país contam agora com acesso gratuito a conteúdos audiovisuais exclusivos produzidos por instituições federais de ensino superior por meio de uma nova plataforma digital: o portal Eduplay.

Lançada nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação, a ferramenta foi desenvolvida em parceria com a RNP, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.

O Eduplay conta com tecnologia de transmissão em múltiplos formatos e, atualmente, disponibiliza mais de 30 mil vídeos educativos. Para otimizar o tempo dos estudantes, as transmissões ao vivo, videoaulas, programas de televisão, rádio e podcast são livres de propagandas comerciais.

Durante a cerimônia de lançamento da plataforma, o ministro de Educação, Milton Ribeiro, destacou que a pandemia conferiu importância ainda maior às ferramentas digitais.

O portal também dá acesso a canais de TV e rádio, como o Canal Saúde, da Fiocruz, e a TV Escola, além dos produtos da nossa EBC, Empresa Brasil de Comunicação. A programação ao vivo da TV Brasil e da Rádio Nacional estão disponíveis no site.

Destinada a alunos universitários, professores e pesquisadores, e aberta para visualização pública, a Eduplay quer se tornar o maior repositório de conteúdos audiovisuais para o ensino superior no Brasil.

O Secretário de Educação Superior, Wagner Vilas Boas, destacou que a ferramenta é resultado de conhecimentos adquiridos ao longo de anos.

O MEC informa que está desenvolvendo o uso de inteligência artificial para geração de legendas e interpretação automática no site em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Os conteúdos já estão disponíveis e podem ser acessados na plataforma do Eduplay.

Edição: Bianca Paiva/ Beatriz Arcoverde

Por Daniella Longuinho, Repórter da Rádio Nacional – Brasília

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