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Eleições 2026: cartazes em línguas indígenas orientam votação em aldeias de São Paulo

Materiais em Guarani e Guarani Mbya trazem orientações sobre a votação e outros serviços da Justiça Eleitoral para o pleito de 4 de outubro

Garantir o direito ao voto também significa considerar as diferentes realidades de quem vive em regiões mais isoladas ou de difícil acesso. Nas Eleições 2026, eleitoras e eleitores indígenas terão acesso a cartazes com orientações sobre o pleito em suas próprias línguas. Os materiais reúnem informações sobre temas como proibição do uso do celular na seção eleitoral, justificativa, boca de urna, entre outros. A iniciativa integra o Programa de Inclusão Político-Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que, além de atuar nos territórios indígenas, desenvolve ações com o eleitorado quilombola, caiçara e de outras comunidades tradicionais que vivem em locais de difícil acesso.

Para o pleito deste ano, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRE-SP preparou modelos específicos para 15 zonas eleitorais que possuem eleitores da etnia Guarani-Mbya. Os cartazes explicam a ordem de votação, o uso da cola eleitoral e as regras de preferência na fila de votação, de acordo com as necessidades dessas comunidades. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também produziu e encaminhou ao estado cartazes na língua Guarani, que serão enviados a 14 aldeias.

A medida ocorre em um cenário de crescimento no estado do eleitorado que se identifica como indígena. São Paulo tem mais de 7.400 eleitoras e eleitores indígenas aptos a votar nas Eleições 2026, o dobro dos 3.700 registrados nas Eleições Municipais de 2024, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A iniciativa está alinhada à Resolução do TSE nº 23.659/2021, que estabelece que o atendimento aos povos indígenas deve considerar sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. A norma também assegura o uso das línguas maternas no atendimento eleitoral.

                      Cartaz transferência Guarani Mbya – TRE-SP

Voto mais perto de casa

Além do eleitorado índigena, as ações do TRE-SP contemplam ainda quilombolas, caiçaras e outras comunidades tradicionais com a transferência temporária de eleitoras e eleitores, o transporte e a participação de pessoas das próprias comunidades no atendimento durante o pleito.

Em 2026, por meio do Programa de Inclusão Político-Eleitoral, foram realizadas ações itinerantes e facilitadas de transferências temporárias para pessoas que vivem nessas localidades. Com as mudanças, alguns eleitores que antes precisavam percorrer cerca de duas horas para votar poderão chegar à seção em aproximadamente 20 minutos.

No entanto, quando o deslocamento ainda é necessário, o transporte também faz parte do planejamento. Neste pleito, 16 aldeias indígenas e quilombos terão transporte fornecido pela Justiça Eleitoral. Em outras regiões, o deslocamento será feito por meio de linhas disponibilizadas pelas prefeituras. Em Ilhabela, também houve articulação com a Polícia Militar para o transporte de urnas, materiais e pessoas até as comunidades caiçaras isoladas de Bonete e Castelhanos.

                  Cartaz manual do eleitor traduzido para Guarani Mbya

Apoio de quem conhece a comunidade

A preparação para o pleito conta ainda com a participação de pessoas que conhecem de perto a realidade de cada comunidade. Em diferentes zonas eleitorais, foram designados apoios logísticos e colaboradores para auxiliar no atendimento ao eleitorado indígena. Esses profissionais poderão prestar informações no idioma local, organizar o fluxo nos locais de votação, esclarecer dúvidas e ajudar na articulação do transporte entre as aldeias e as seções eleitorais.

Na 403ª Zona Eleitoral — Jaraguá, houve treinamento específico sobre os cartazes traduzidos, além da atuação de mesários e apoios indígenas. Na 381ª ZE — Parelheiros, foi convocado apoio indígena e estabelecida interlocução com lideranças e servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para reforçar o atendimento nas escolas que recebem eleitorado da Terra Indígena Tenondé. Em outras regiões do estado, também foram adotadas medidas para contar com integrantes das próprias comunidades ou colaboradores articulados com as lideranças locais.

imprensa@tre-sp.jus.br

 

Confira a matéria na fonte: https://www.tre-sp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/eleicoes-2026-cartazes-em-linguas-indigenas-orientam-votacao-em-aldeias-de-sao-paulo

Instituto Federal abre 300 vagas em especialização EaD gratuita em Línguas Indígenas de Sinais

Por Marina Damasceno

 

O  Instituto Federal da Bahia (IFBA), por meio do Campus Porto Seguro, abriu 300 vagas gratuitaspara a Especialização em Línguas  Indígenas de Sinais (LIS). O curso será oferecido a distância, tem 450 horas e inscrições de 3 a 18 de outubro de 2026. A seleção, regulamentada pelo Edital nº 24/2026/PRPGI/IFBA, alcança candidatos de todas as regiões do país.

IFBA abre edital para Especialização em Língua Brasileira de Sinais:

O curso é uma pós-graduação lato sensu gratuita, conduzida em ambiente virtual institucional. A programação combina atividades síncronas e assíncronas, permitindo que os conteúdos sejam acessados ao longo da semana, de acordo com a organização de cada estudante. A duração prevista é de 12 meses.

O foco formativo é relevante porque as línguas de sinais usadas em povos  indígenas não devem ser reduzidas a uma simples variação da Libras. Elas podem ter vocabulários, usos sociais e formas de transmissão ligados a histórias e comunidades específicas. Na escola, ignorar essa dimensão pode produzir barreiras de comunicação e de participação, mesmo quando há boa intenção de inclusão.

Para docentes, coordenadores e equipes de apoio, o curso pode contribuir para qualificar o diálogo entre  educação especial, educação escolar indígena e práticas pedagógicas interculturais. O ganho não está em prometer uma solução pronta para cada realidade, mas em construir repertório para escuta, planejamento conjunto e encaminhamentos respeitosos com as comunidades e suas lideranças.

Vagas por região

As vagas não foram concentradas apenas na Bahia. O edital prevê a mesma quantidade de lugares para cada região geográfica brasileira, uma distribuição que pode favorecer a formação de redes de troca entre profissionais de diferentes territórios. A classificação e as reservas de vagas devem ser verificadas diretamente no documento oficial.

Região Vagas
Norte 60
Nordeste 60
Centro-Oeste 60
Sudeste 60
Sul 60
Total 300

Quem pode se inscrever

O edital é voltado a profissionais graduados. Entre os perfis destacados pelo IFBA estão professores de comunidades indígenas com licenciatura, egressos de cursos de Licenciatura ou Bacharelado em Letras-Libras, Licenciatura Intercultural Indígena, Pedagogia Intercultural Indígena e Pedagogia. Também entram no público potencial professores não indígenas, gestores e técnicos da Educação Básica pública ou privada.

Há ainda a possibilidade de participação de graduados de outras áreas que pretendam contribuir para a estruturação de redes de ensino para indígenas surdos, desde que atendam às exigências previstas. Essa abertura não dispensa a conferência cuidadosa do edital: o candidato deve checar se sua formação, o nível de conhecimento linguístico e os documentos solicitados correspondem à modalidade de concorrência escolhida.

Como fazer a inscrição

As inscrições são exclusivamente on-line, no site do  IFBA Campus Porto Seguro, de 3 a 18 de outubro de 2026.

Etapa Informação
Inscrições 03 a 18/10/2026
Curso Especialização em Línguas Indígenas de Sinais (LIS)
Modalidade Educação a Distância, com atividades síncronas e assíncronas
Custo Gratuito

O candidato deve usar um e-mail que acompanhe com frequência e guardar os comprovantes de envio. Eventuais retificações, cronograma detalhado, critérios de seleção e o acesso ao formulário são divulgados na página do processo seletivo. Não deixe a conferência de documentos para o último dia, principalmente se precisar obter declarações de experiência ou de formação.

Inscrições abertas até 18 de outubro de 2026

A seleção é gratuita e ocorre pela internet. Consulte as regras, os documentos e o formulário na página oficial do IFBA Campus Porto Seguro.

Acessar o Edital nº 24/2026/PRPGI/IFBA

Confira a matéria na fonte: https://www.pebsp.com/instituto-federal-abre-300-vagas-em-especializacao-ead-gratuita-em-linguas-indigenas-de-sinais/

 

NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras (ISSN: 2764-1244) lança nova publicação

v. 6 n. 4 (2026): Educação inclusiva e inovação pedagógica: desafios e competência para a educação do futuro

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Prezados leitores, Prezadas leitoras!

Voltamos mais uma vez com uma produção científica. Trata-se do Vol.6, nº 4 (2026)composto por vinte artigos que somam 367 páginas. O interesse pela pesquisa e pela publicação é de salutar e faz parte da vida acadêmica e profissional.  Criamos  esta revista (Njinga & Sepé)  gratuita e de acesso livre para permitir a circulação do conhecimento de qualidade e proporcionar debates permanentes entre investigadores, docentes e estudantes. Pesquisar é examinar, é observar um fenomeno, um objeto a partir de uma prisma ou por uma perspectiva. Todas as perspectivas podem ser válidas a partir do ponto em que observamos e isso torna o conhecimento científico mais democrático. Nenhuma sociedade evoluiu sem apostar em estudos e pesquisas que  revelam novas reflexões, caminhos e descobertas. Por isso, a Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Linguas Africanas de Brasileiras (ISSN: 2764-1244) aposta no compartilhamento de estudos e pesquisas redigidas por pesquisadores brasileiros e dos países africanos, europeus, asiáticos, americanos e australianos. Esta revista é a única no Brasil (talvez no mundo) que respeita as linguas dos povos minoritários (muitas dellas não oficiais) e aceita a publicação de materiais em línguas brasileiras, em línguas africanas (incluindo as  línguas de sinais).

Esta publicação resulta de parcerias entre a Revista Njinga & Sepé (UNILAB) e as universidades africanas. Desta feita convidamos três docentes angolanos para organizar a publicação. Convidamos o Prof.  Leonardo Tuyenikumwe Pedro (FCSH – Universidade do Namibe), o Prof. Dinis Fernando da Costa (FCSH – Universidade do Namibe) e o Prof. Reginaldo Ngola dos Santos Brinco (ISCED-Huila). Eles aceitaram o desafio e nos proporcionam este momento rico de aprendizagem a quem agradecemos.

Agora convidamos ao leitor e à leitora a percorrer a revista, compartilhando e lendo os trabalhos publicados. A democratização do conhecimento passa necessariamente por permitir que pesquisadores, docentes e estudantes de outros países (muitos deles sem revista na sua universidade) possam ter a oportunidade de divulgar seus trabalhos, estudos e pesquisas. Por isso caro e caro leitor aproveite o máximo nesta revista revista. No fim de cada artigo colocamos as possiveis formas de apresentar as referências em trabalhos acadêmico-científicos. Copie e cole as referências do seu artigo lido e citado.

Caso deseja organizar uma publicação entre em contato com o Editor-Chefe por meio do e-mail da revista. Agradecemos aos avaliadores, aos tradutores e aos organizadores pela dedicação na organização desta obra. O nosso muito obrigado, pois sem vocês seria impossivel. Esta publicação é uma das primeiras de tantas outras que serão publicadas ao longo do semestre.  Encontrem nesta publicação temáticas linguisticas, literárias, de educação, de Gestão, de Psicopedagogia,  entre várias.

Desejamos a todos uma boa leitura!

Alexandre António Timbane (Editor-Chefe)

Conheça o Repositório institucional da UNILAB. Lá encontra muitos livros, anais, revistas e outras publicações que podem ser úteis para a sua pesquisa. Visite:

1.A gramaticalização do português nas suas variedades e as políticas linguísticas para a autoestima e democracia linguística

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7815

2.Ensino-aprendizagem de línguas e estudos literários na perspectiva cultural no século XXI

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7816

3.As línguas africanas e o português na África lusófona: reflexões, descrições e políticas de ensino

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/4424

4.A lexicografia, a lexicologia e a onomástica em português: a língua em constante evolução
https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7814

5.O português de/em Angola: peculiaridades linguísticas

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/2305

6.O cabo-verdiano e o português em convivência: descrição, ensino, literatura e cultura

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/3527

7.Estudos linguísticos, literários e culturais da Guiné-Bissau

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/7487

8.Descrição linguística, educação e cultura em contextos pós-coloniais

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/2966

 

Publicado: 17-09-2026

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Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Bolívia: Rumo ao novo Tawantinsuyo

Por IELA em 25 de setembro de 2026

Diante das grandes mobilizações na Bolívia, as comunidades seguem se organizando e pensando estratégias de enfrentamento. No Primeiro Fórum Internacional – Povos Originários e Camponeses da América do Sul  – convocado pelo governo de Oruro, Bolivia, nos dias 21 e 22 de setembro a organização MUSUQ TAWANTINSUYU elaborou um documento com sua análise e reivindicações.  

MUSUQ  TAWANTINSUYUMAN  PACHAKUTISUN (RUMO AO NOVO TAWANTINSUYU) COM O EMPODERAMENTO DE NOSSA IDENTIDADE MILENAR

“Dessa forma, os tiranos seriam extintos, para finalmente dar lugar a um governo de quatro pessoas equilibradas, que não podiam chegar ao poder sem o aval de seu *Ayllu*, de sua família, de seu bairro. Hoje em dia, qualquer degenerado, qualquer delinquente tem o direito de ser eleito presidente; não precisa, de forma alguma, do aval de seu *Ayllu* ou de sua família.”[1]

O 1º Fórum Internacional de Povos Indígenas – Originários e Camponeses do Sul do Continente “Rumo ao Pachakuti”, realizado em Oruro (2026), na Bolívia, assume um caráter histórico em um momento em que o império do norte implementa medidas concretas de restauração do colonialismo — sobretudo em nosso continente, Abya Yala, e também na Bolívia — sob a denominação de “Escudo das Américas” e a doutrina “Donroe”. Onde a raiz colonialista permaneceu, brota o colonialismo capitalista que, além de escravizar seus vassalos, vive em guerra permanente. Sua cobiça por matérias-primas não tem limites. A estrutura de poder e a hierarquização social colonial mantêm-se presentes na mente, na fala e nas ações dos agentes coloniais. Sua essência é o racismo, o desprezo por toda forma de vida, o domínio absoluto sobre a vida no mundo e a sua gradual eliminação física. Eles se valem de seus vassalos de direita e de esquerda, de mentalidade escrava, que muitas vezes se autodeclaram mestiços. Fizeram-nos acreditar que fazemos parte de um Estado-Nação onde apenas eles, com sua essência corrupta, detêm o poder econômico-financeiro, midiático e educacional. Do colonialismo histórico até o presente, jamais respeitaram tratados ou acordos firmados com nossos representantes. Na Bolívia, o governo de fato de Paz Pereira eliminou nossa Constituição Plurinacional e todo vestígio da democracia demagógica. Não possui outro programa de governo além das imposições do FMI. Mantém-se no poder matando nossos irmãos e irmãs originários que o enfrentaram durante os 52 dias de bloqueio. Mantém nossos líderes encarcerados sem que nenhum órgão de direitos humanos interceda por eles. O pouco conteúdo e a institucionalidade construídos desde a República estão sendo destruídos por seus próprios autores, os centenários. Diante dessa ofensiva colonialista, nós, os originários milenares dos *Ayllus*, reunidos no I Fórum Internacional, decidimos proclamar e executar a RESTITUIÇÃO DO MUSUQ TAWANTINSUYU com as seguintes reivindicações específicas:

1. Pela obrigatoriedade de falar nossas línguas — Quechua, Aymara e outras. A Constituição nos garante o direito de exercer nossas línguas. Existem leis que nos autorizam a usá-las, mas ninguém as cumpre. Tivemos um presidente originário que não fala sua língua materna e se comunica em um espanhol precário. Autoridades do Órgão Eleitoral Plurinacional são corruptas e as ignoram intencionalmente. O censo de 2024 mostra que falamos cada vez menos nossas línguas. O originário urbanizado transformou-se, consciente e inconscientemente, em cúmplice da destruição de nossas raízes milenares. Antes éramos multilíngues; agora somos monolíngues iludidos. Enquanto o mundo caminha para o multilinguismo, a doença do monolinguismo apoderou-se dos originários. Estamos perdendo a riqueza fonética, semântica e cultural de nossas línguas. O que fazer, então? O princípio jurídico processual é claro: se ninguém pede a nulidade, a norma se consolida. Ou seja, o descumprimento das leis tornou-se a norma, e ninguém faz nada contra essa desobediência. É preciso haver a imposição de multas e sanções. Os promotores devem ser originários multilíngues. Precisamos de medidas punitivas para garantir o cumprimento das leis. Devemos adotar uma postura firme e transformadora — um *Pachakuti* — que incorpore a perspectiva feminina: é necessário criar sanções econômicas para aqueles que não respeitam as leis relativas ao uso de nossas línguas, incluindo políticos em cargos administrativos, meios de comunicação (tanto estatais quanto privados) e autoridades educacionais que não criem espaços concretos para a prática de nossos idiomas. As multas devem servir para constituir um fundo de fomento às nossas línguas. O Estado, os governos regionais e as prefeituras devem investir e — por meio da criação de impostos específicos — apoiar e incentivar todos os projetos de recuperação e revitalização de nossas línguas, com base em nossos saberes ancestrais e modernos, voltados para crianças, jovens e adultos.

 2. Pela participação de 80% dos nossos *Ayllus* nas empresas privadas, mistas e estatais. Desde a época colonial, as riquezas do nosso solo e subsolo têm apenas beneficiado outros países, empresas e famílias. As riquezas mundiais concentram-se nas mãos de poucos, nos centros coloniais. Os poderosos decidiram agora “higienizar” esses espaços e expulsar de lá qualquer pessoa que se assemelhe ao imigrante do Sul. Continuamos economicamente pobres, apesar de a Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais reconhecer o direito à terra e ao território como um aspecto fundamental para a subsistência, a cultura e a espiritualidade dos povos originários. Num ciclo de alternância, a direita privatiza e a esquerda nacionaliza… No fim das contas, a riqueza permanece nas mãos de famílias colonialistas, tanto de esquerda quanto de direita. Além disso, a nossa *Pachamama* está sendo envenenada, inclusive por pessoas de origem indígena com mentalidade colonizada. Os departamentos de Oruro, Potosí (onde se encontra a maior reserva mundial de lítio) e La Paz são exemplos desse desastre, sem falar nos rios contaminados por metais pesados ​​e nas florestas incendiadas na Amazônia.

3. Precisamos de um *pachakuti* tectônico: nós, os *ayllus*, exigimos uma participação de 80% na propriedade — nacional e internacional — dos consórcios que exploram os nossos minérios. A nossa parcela será coletiva, indivisível, impenhorável e não transmissível por herança individual. As nossas riquezas possuem um valor monetário superior ao registrado nas principais bolsas de valores do mundo. Convocamos os povos indígenas originários de todo o planeta — e também aqueles que não o são — a unir esforços para viabilizar a defesa dos nossos recursos naturais e o cultivo da vida. O direito à língua originária e o direito ao uso dos recursos naturais são dois pilares fundamentais para a sobrevivência, a identidade e a autonomia dos povos indígenas e comunidades nativas. Ambos os direitos estão profundamente interconectados, uma vez que a língua é o meio pelo qual se transmitem os conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o território.

4. Pela restituição de nossos lugares sagrados e pela formação institucionalizada de guias de turismo. Uma sociedade que não cuida de suas raízes culturais históricas está destinada a tornar-se escrava e submissa à cultura predatória e destrutiva que é a cultura ocidental. O Estado, em todas as suas esferas, deve destinar recursos financeiros concretos, com base em leis de investimento, para a pesquisa e a restauração de centros arqueológicos de nossas culturas. Com base no mapeamento de centros espirituais e rotas turísticas — como o Qhapaq Ñan, as Wak’akuna, etc. —, devem ser desenvolvidas iniciativas comunitárias, privadas e mistas de turismo nas comunidades. Paralelamente a essa iniciativa, deve haver o incentivo a instituições de formação multilíngue para guias territoriais e culturais, a fim de evitar que a energia de cura desses lugares seja depredada pelo turismo, como ocorreu no Peru com Machu Picchu.
Patentear, abrir e potencializar mercados e feiras controladas para nossos produtos originários. O mercado nasce na mente. Depois, apodera-se do nosso consumo diário. Os meios de comunicação e as instituições o consolidam. Sobretudo, os povos originários que vivem nas cidades caíram na tentação do *fast food*, propagada constantemente pela mídia. Nos mercados, nos supermercados e até na vendinha da avó, encontram-se produtos fabricados em centros coloniais. São produtos não apenas de procedência duvidosa, mas que também contêm substâncias como plásticos, as quais envenenam a vida de todos. Nossas crianças não sabem que são herdeiras de muitos produtos que hoje alimentam o mundo, como a batata, a quinoa, a oca, o amendoim e outros.
O Estado e os governos regionais devem destinar recursos financeiros para patentear, respeitar e, sobretudo, proteger — tanto na Bolívia quanto no exterior — todos os nossos produtos. Devem incentivar feiras urbanas e rurais para produtos orgânicos agropecuários, frutos do cuidado com a Pachamama. Não se deve poupar esforços para promover o consumo de nossos produtos orgânicos, manufaturas e instrumentos artísticos nos meios de comunicação privados e estatais. É preciso que a única feira mundial da quinoa, em Challapata, disponha de todas as condições padrão de uma feira internacional de primeiro nível mundial. Nossa quinoa vale mais do que o lítio.

Que viva o novo Tawantinsuyu,
Tawantinsuyumanta Amawtakuna (TA),
Conselho Amawtico do Tawantinsuyu (C.A.T)

Oruro, 22 de setembro de 2026

[1] (Ninan Kuyuchij Arze de la Barra Yupanqui. La Sociedad Tetraléctica. 2016, p. 65)

Saiba mais lendo a matéria diretamente na fonte, siga o link do IELA, INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS, Universidade Federal de Santa Catarina

https://iela.ufsc.br/bolivia-rumo-ao-novo-tawantinsuyo/

Iphan reconhece novos bens como Patrimônio Cultural do Brasil

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Publicado em 22/09/2026

Apreciação ocorreu na 114ª reunião do Conselho Consultivo, nesta terça-feira (22)

114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural

pessoas com mõa levantada

Foto: Mariana Alves/Iphan

Importantes patrimônios culturais brasileiros foram apreciados nesta terça-feira (22) durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), e a Capela do Cristo Operário tiveram seu registro e tombamento aprovados pelo Instituto. Além disso, o Conselho declarou o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz (no Rio de Janeiro – RJ) e revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE).

Confira as deliberações da parte da manhã aqui.
Confira as deliberações da parte da tarde aqui.

O Quilombo Ferreira Diniz está localizado no bairro da Glória, na capital fluminense, e é o primeiro quilombo do estado tombado pelo Instituto, conforme a Portaria nº 135/2023. O reconhecimento formaliza a inscrição do local no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, que reúne bens relacionados à presença e à trajetória das comunidades quilombolas. Mais do que um espaço de moradia, o quilombo é lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira.

O registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), tradição que leva, anualmente, a cada Domingo de Páscoa, cerca de dois mil cavaleiros às ruas da cidade, será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. O cortejo reúne duas tradições: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba; e a devoção afro-católica.

Também foi aprovado o tombamento da Capela do Cristo Operário, localizada em São Paulo (SP). Remanescente da antiga Fábrica Unilabor, a edificação é reconhecida como importante lugar de memória da história social, industrial e do movimento operário paulistano entre as décadas de 1930 e 1950. O bem será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.

A programação da 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural segue nesta quarta-feira (23), com a apreciação de novos processos relacionados à proteção e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. A transmissão pode ser acompanhada neste link.

Mais informações

Assessoria de Comunicação Iphan – comunicacao@iphan.gov.br
www.iphan.gov.br
www.instagram.com/iphangovbr/
www.facebook.com/IphanGov
www.x.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr

Categorias

Cultura, Artes, História e Esportes

Confira a matéria na fonte: http://ipol.org.br/wp-admin/post-new.php

 


Saiba mais:

Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito: fé e tradição tropeira

Em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista, o Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. Realizada anualmente no Domingo de Páscoa, a manifestação reúne cerca de dois mil cavaleiros que percorrem as ruas da cidade.

A celebração articula duas tradições profundamente presentes na formação cultural da região: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro-católica. O cortejo mantém viva essa combinação de práticas, religiosidade e memória coletiva, transmitida ao longo das gerações.

Cavalaria de S. Gonçalo e S. Benedito - foto Alberto Lefèvre - Iphan

Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito

 

Los hablantes potenciales de español en Brasil ya son el 9 % de la población del país

El estudio Brasil como territorio hispanohablante. Análisis demolingüístico, publicado por el Observatorio Global del Español del Instituto Cervantes, revela que más de 20 millones de personas hablan o conocen el español en Brasil, lo que supone el 9 % de la población brasileña y podría superar el 10 % si se incluyera a los estudiantes actuales.

El informe, elaborado por Francisco Moreno Fernández y Héctor Álvarez Mella, ha sido presentado este domingo 6 de septiembre en el marco de la Bienal del Libro de São Paulo, en un acto bajo el título «Español y portugués: lenguas abrazadas, culturas en conversación» en el que ha participado el director del Instituto Cervantes, Luis García Montero.

Este estudio ofrece un análisis microdemolingüístico de la presencia del español en el mayor país lusófono del mundo. A partir de los datos del censo de 2022 y de fuentes demográficas, migratorias y educativas, la publicación estudia tanto a los hablantes con dominio nativo como a aquellos que poseen habilidades limitadas en la lengua.

Los resultados muestran que la presencia del español en Brasil es «más intensa y extensa» de lo reflejado en estimaciones anteriores. El estudio identifica cerca de 1,84 millones de hablantes con dominio nativo y más de 20,19 millones con habilidades limitadas. Estos últimos son, principalmente, antiguos estudiantes de enseñanza preuniversitaria y habitantes de la franja fronteriza.

Inmigración y realidad fronteriza

El estudio también destaca el papel de la inmigración en la configuración del español en Brasil. Así, dentro del grupo con dominio nativo, contabiliza 1,3 millones de residentes hispanohablantes no nacionalizados y 141.000 nacionalizados brasileños. A ellos se suman los hablantes de herencia y los brasileños vinculados a territorios fronterizos.

Brasil limita con siete países hispanohablantes y comparte con ellos la mayor frontera lingüística del mundo. En esta extensa franja, alrededor de tres millones de brasileños pueden conocer y utilizar el español con distintos grados de competencia.

«El contacto entre ambas lenguas forma parte de la vida cotidiana en la educación, el trabajo, los servicios y el comercio transfronterizo», apunta el informe. Además, la publicación subraya que esta realidad no es homogénea: las mayores concentraciones de hablantes potenciales se localizan en los estados del sur, en las zonas fronterizas y en las grandes ciudades.

El peso de la enseñanza

La educación constituye otro de los factores decisivos para explicar la presencia del español en Brasil. Tras más de una década de incorporación de esta lengua a la enseñanza secundaria, el informe estima que 16,6 millones de antiguos alumnos conservan algún grado de competencia en español.

El volumen propone reforzar la oferta de español en el Ensino Médio, impulsar un plan nacional de formación del profesorado y ampliar el Programa de Escuelas Interculturales de Frontera. Asimismo, recomienda mejorar los registros educativos e incorporar preguntas lingüísticas a las encuestas nacionales para conocer con mayor precisión los usos sociales de las lenguas.

El estudio concluye que el español no puede considerarse únicamente una lengua extranjera o de inmigración en Brasil. «Su arraigo educativo, social y fronterizo lo convierte en una dimensión relevante de la realidad lingüística del país que debe ser atendida en sus políticas educativas, sociales y culturales», indica.


Obelisco de la Plaza Internacional, en la “Frontera de la Paz”, ciudades de Livramento (Brasil) y Rivera (Uruguay) Fuente: Wikipedia Commons

 

Lea aquí la introducción del estudio:

INTRODUCCIÓN

Brasil es el mayor país lusófono del mundo y uno de los que ofrece una mayor riqueza idiomática de América. La realidad multilingüe de Brasil se configura en torno a dos ti- pos de lenguas, junto al portugués: las lenguas indígenas y las lenguas de inmigración. La lengua española se encuentra entre las lenguas de inmigración, pero también es una lengua de frontera, con la especial condición de ser mayoritaria en los países que circun- dan la geografía brasileña.

Estas páginas presentan un análisis microdemolingüístico de la lengua española en Bra- sil, prestando atención tanto a los hablantes que tienen un dominio nativo de la lengua como a los que tienen un dominio o habilidades limitadas en ella. El análisis deja a un lado las estadísticas de los aprendices o estudiantes de español, aunque valora la situa- ción del sistema educativo brasileño a lo largo del presente siglo.

Los recuentos realizados a partir de fuentes oficiales, principalmente el Censo 2022, muestran que la presencia del español en Brasil es más intensa y extensa de lo indicado en análisis anteriores. Al cuantificar los egresados del sistema educativo con estudios de lengua española, así como los residentes en larga franja de la frontera, junto con otros perfiles sociolingüísticos, la cifra de hablantes potenciales de español se sitúa por encima de los 20 millones, cantidad que supone una proporción de conocedores de es- pañol superior al 9 % del total de la población de Brasil. La cifra es lo suficientemente importante para que las autoridades la tengan en cuenta a la hora de planificar sus polí- ticas educativas, sociales y culturales.

Dentro de Iberoamérica, Brasil constituye el espacio hispano-lusófono más relevante por su dimensión demográfica, territorial y geopolítica. La alta proximidad léxica entre el español y el portugués, así como la existencia de una intercomprensión oral parcial, aun- que asimétrica, entre ambas lenguas, han llevado con frecuencia a asumir la existencia de un bilingüismo brasileño prácticamente universal. Sin embargo, entre tal afirmación y su contraria, la invisibilización de una amplia comunidad de hispano-lusófonos en Brasil, resulta necesario examinar el volumen, la composición y la distribución geográfica y so- cial de esta población desde las coordenadas cuantitativas de la demolingüística.

El análisis demolingüístico del español en Brasil resulta relevante también desde la pers- pectiva de la geopolítica iberoamericana. En los últimos años, la cooperación entre los países de lengua española y portuguesa se ha intensificado en el marco de una crecien- te convergencia cultural, educativa e institucional, impulsada por organismos multilate- rales como la Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI) y la Secretaría General Iberoamericana (SEGIB). Además de los vínculos culturales e históricos comunes y la geografía, el pilar de la geopolítica iberoamericana es la existencia de un espacio lingüístico hispano-lusófono o iberófono (Durántez Pra- dos, 2018; Armesilla Conde, 2022) compuesto por una comunidad de hablantes nativos cercana a los 800 millones de personas. En este contexto, la comunidad hispano-lu- sófona presenta condiciones excepcionales (como su historia compartida, afinidad so- ciocultural, cooperación institucional y peso demográfico) que le permiten proyectarse con una identidad propia y relevante a nivel global. Su dinamismo cultural y sus víncu- los transatlánticos la consolidan como una alternativa estratégica y complementaria a otros espacios lingüísticos, especialmente en el sur global, reforzando su capacidad de influencia y diversificación en el ámbito internacional.

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