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Saúde mental é foco de projeto com povo indígena Mura em Itacoatiara

 

Iniciativa desenvolvida pela Afya Faculdade de Ciências Médicas na Aldeia Correnteza, na TI Rio Urubu, une ciência e saberes tradicionais, para fortalecer as práticas de saúde e bem-estar.

Foto: Divulgação

Estudantes e docentes da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, no Amazonas, desenvolveram um projeto de extensão na área de saúde mental, voltado ao povo indígena Mura. A iniciativa, que está sendo implementada desde o segundo semestre de 2025, une conhecimento científico e saberes tradicionais, promovendo o cuidado emocional e fortalecendo as práticas coletivas de saúde e bem-estar na Aldeia Correnteza, localizada na Terra Indígena (TI) Rio Urubu.

 

O projeto, denominado ‘Saúde Mental Indígena: abordagem intercultural e promoção de saúde e bem-estar em comunidade originária’ nasceu a partir da identificação de vulnerabilidades emocionais decorrentes da perda de território, do choque cultural e de outros desafios enfrentados.

Diante disso, a instituição propôs uma ação de inclusão, voltada à valorização dos saberes tradicionais, por meio de uma abordagem intercultural, conforme detalha a diretora da Afya Itacoatiara, Soraia Tatikawa.

O Amazonas concentra a segunda maior população indígena do país, representando 12,45% dos habitantes do estado, segundo o Censo de 2022. Em Itacoatiara, 1.218 pessoas se autodeclararam indígenas. Boa parte das comunidades indígenas da região, entretanto, enfrenta barreiras históricas no acesso a serviços especializados.

Leia também: Pesquisa inédita inicia mapeamento na Região Norte sobre desafios de saúde mental em universidades

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) aponta a escassez de profissionais e a dificuldade de acesso a atendimentos psicossociais em áreas remotas, como problemas persistentes. Isso torna a atenção à saúde mental um dos maiores desafios dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).

A coordenadora do projeto da Afya Itacoatiara, professora Ádria Cortez, explica que a ação é uma resposta humanística e acadêmica direta a esse quadro. O projeto, diz ela, faz parte de um dos eixos de pesquisa da instituição. A ação se insere no eixo Projetos de Intervenção e Extensão na Educação Profissional em Enfermagem e Medicina (Piepe), que aborda a saúde mental.

Segundo Ádria Cortez, a instituição também foi motivada a implementar esse projeto com o objetivo de reconhecer e valorizar formas de cuidado e bem-viver dos povos originários, tema ainda pouco presente nos serviços tradicionais de saúde.

“Na região do Médio Amazonas, construímos um projeto que promove diálogo intercultural, respeitando os saberes e valorizando as práticas que fazem parte da vida dessa população”, acrescenta.

O projeto é executado na Aldeia Correnteza, que abriga 46 famílias e mais de 130 pessoas na TI Rio Urubu. A participação ativa das lideranças Mura foi crucial para garantir a pertinência cultural das ações. “A presença delas foi fundamental para que as atividades fossem culturalmente adequadas. As lideranças mediaram o conhecimento, orientando sobre as formas corretas de abordar determinados temas e ajudando a criar um ambiente de confiança entre a equipe e a comunidade”, reforça a coordenadora.

As atividades incluem rodas de conversa, dinâmicas, palestras educativas e consultas médicas, com o objetivo de valorizar a identidade cultural e incentivar o autocuidado.

“Antes das ações, ouvimos as lideranças. O planejamento foi construído de forma participativa, considerando o tempo, o espaço e os rituais da comunidade, para garantir uma comunicação acessível e respeitosa”, complementa a professora.

Para Ádria Cortez, a abordagem intercultural no campo da saúde mental é transformadora. “Significa reconhecer que existem múltiplas formas de compreender e tratar o sofrimento psíquico. Essa abordagem propõe um encontro entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, considerando o contexto espiritual, social e cultural de cada povo”, afirma. Na prática, ela ressalta, isso envolve escuta sensível, respeito aos rituais, uso do idioma local e valorização das práticas comunitárias de cura e acolhimento.

 

A participação de estudantes e professores da Afya é intrínseca à disciplina Piepe, articulando teoria e prática por meio de experiências de campo. “Os estudantes vivenciam o contato direto com as comunidades, aprendem sobre a importância da interculturalidade e desenvolvem competências humanísticas essenciais à formação em saúde”, destaca Ádria Cortez.

Essa vivência contribui para formar profissionais mais sensíveis à diversidade cultural amazônica. “O contato com as comunidades permite reconhecer as dimensões sociais, culturais e espirituais do cuidado. Essa experiência os torna profissionais mais empáticos, críticos e preparados para atuar em diferentes contextos da Amazônia”, completa a professora.

A diretora da Afya de Itacoatiara, Soraia Tatikawa, ressalta que a iniciativa reforça o compromisso social da instituição. “O projeto consolida o papel da faculdade como espaço que valoriza o saber local e atua de forma colaborativa, promovendo a troca de conhecimentos e o desenvolvimento regional sustentável”, observa.

Entre os resultados esperados, Soraia Tatikawa cita o fortalecimento do diálogo e a construção de práticas de saúde mental mais inclusivas. “A médio prazo, buscamos ampliar o número de comunidades atendidas. A longo prazo, pretendemos estabelecer uma rede de apoio e formação continuada voltada à saúde mental indígena”.

Nesse aspecto, a academia tem papel fundamental. A universidade, na sua visão, deve atuar como um espaço de diálogo intercultural, valorizando os saberes tradicionais e fortalecendo a identidade indígena. Assim, torna-se um agente de transformação social, comprometido com a equidade e o respeito à diversidade. … – Veja mais em https://portalamazonia.com/saude/faculdade-saude-mental-povo-mura/

Leia diretamente na fonte no link  https://portalamazonia.com/saude/faculdade-saude-mental-povo-mura/

GOVERNO ANGOLANO LANÇA MAPEAMENTO DAS LÍNGUAS NATIVAS DO PAÍS

 

O Estado angolano está a proceder ao mapeamento das línguas nativas em Angola. Sob execução do Ministério da Cultura, o mapeamento procura dar um estatuto as línguas que por essa altura não passa de línguas étnicas. Entretanto, o processo conhece casos complicados devido a grandes emigrações de pessoas do campo para as cidades. Mas ainda assim, o Ministro da Cultura Filipe Zau diz que o trabalho vai ser concluído, sem, no entanto, definir um horizonte temporal.

Siga a leitura conferindo o link abaixo e ouça comentários em trechos de áudio do ministro Filipe Zau:  https://rna.ao/rna.ao/2025/12/27/governo-angolano-lanca-mapeamento-das-linguas-nativas-do-pais/


 

Para saber mais, acesse o artigo “Línguas de Angola”, de Cristine G. Severo – Linguista e profa. da UFSC, pesquisadora do Instituto Kadila.

A distribuição estatística das línguas angolanas foi um dos focos do primeiro Censo Geral realizado em 2014. As línguas em Angola são faladas por diferentes grupos etnolinguísticos, distribuídos geograficamente pelo país. A classificação e distribuição das línguas em Angola seguem modelos de distribuição étnica. Por exemplo, Kajibanga (2003) propõe, a partir de uma perspectiva endógena, a existência de três “espaços socioculturais” que não se restringem aos limites territoriais e políticos:

  • Khoisan ou hotentote-bochimanes
  • Vá­twa ou pré-bantu
  • Bantu

Os espaços socioculturais Khoisan incluem os kede, nkung, bochimanes e kazama; os Vá­twa agregam os cuissis e cuepes; e os Bantu incluem os seguintes agrupamentos: ovibundu (umbundu), ambundu (kimbundu), bakongo (kikongo), lunda-tucôkwe (ucokwe), ngangela, ovambo, nyaneka, nkumbi, helelo, axindonga e luba.

Essas classificações usam o aspecto linguístico como critério de agrupamento étnico e cultural. Contudo, mesmo esse critério não é uniforme e homogêneo, pois se apoia em um conceito estrutural de língua que por vezes não considera as práticas comunicativas entre os indivíduos.

Para uma classificação das línguas de Angola, são apresentadas duas abordagens vinculadas entre si. (Siga a leitura no link https://kadila.cfh.ufsc.br/linguas-de-angola/#:~:text=Dentre%20as%20l%C3%ADnguas%20consideradas%20nacionais,do%20kimbundu%2C%20kikongo%20e%20chokwe.&text=O%20ensino%20nas%20escolas%20%C3%A9,ser%20ministrado%20nas%20l%C3%ADnguas%20nacionais.

 

Visite a página do Instituto Kadila:  https://kadila.cfh.ufsc.br/


 

Confira também o artigo “A PROBLEMÁTICA SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NACIONAIS NO SISTEMA ESCOLAR D’ANGOLA: UM CASO DE NEGLIGÊNCIA E DESVALORIZAÇÃO CULTURAL”, de autoria de Octavio Bengui José Hinda, Makosa Tomás David e  Justino Jorge José, publicado em  REVISTA EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL

Resumo:

O colonialismo português em Angola trouxe grandes consequências irreparáveis, sobretudo no extermínio das línguas nacionais (David, 2023). Com o fim da colonização e a chegada da independência as línguas africanas foram colocadas em segundo plano ou mesmo em último lugar. Com o uso de uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental, o artigo examina a relação entre currículo, multiculturalismo e políticas educacionais em Angola, com foco na inclusão das línguas nacionais no sistema de ensino, ou seja, como o discurso político angolano justifica a exclusão das línguas nacionais, alegando obstáculos práticos, enquanto a hegemonia do português reforça a alienação cultural e a extinção progressiva dessas línguas. O multiculturalismo é apresentado como uma abordagem essencial para a construção de um currículo inclusivo, capaz de integrar as realidades culturais e linguísticas dos estudantes. A adoção de um currículo multicultural que valorize as línguas e culturas locais é essencial para combater a alienação cultural e promover um ensino equitativo. Os dados analisados mostram que as barreiras políticas e práticas, associadas à hegemonia do português, perpetuam a exclusão das línguas autóctones, mesmo estas sendo fundamentais para a identidade cultural e social de Angola.

.LÍNGUAS NACIONAIS Angola

Ipol e Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo (UCLPM) no I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo awa guaja, em Santa Inês, Maranhão

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I seminário de formação Intercultural educação, língua e cultura do povo Awa Guajá

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Programação AWA

O IFMA realiza, de 15 a 17 de dezembro, no Campus Santa Inês, o I Seminário de Formação Intercultural: Educação, Língua e Cultura do Povo Awá Guajá, em parceria com a Funai.

A abertura do seminário acontece na segunda-feira (15), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV IFMA, no YouTube, ampliando o acesso ao debate sobre as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas de recente contato.A programação de abertura contará com mesa institucional e a palestra “Princípios da educação escolar indígena: bilíngue, diferenciada, específica e comunitária”, ministrada pelos professores Awá Guajá e José Bessa. Na parte da tarde uma mesa redonda aborda o tema Ensino e aprendizagem em contextos multilíngues com a presença de Rosangela Morello, coordenadora do IPOL.

Confira a cerimônia de abertura e assista ao vivo pelo canal da TV IFMA!

A programação do evento está aqui Seminário. Confira!!!


Para saber mais, confira a crônica  “Os Awa: uma escola na língua da gente”, publicado em junho de 2024 no site TAQUIPRATI por Jose Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Jose Ribamar coordenou durante 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO). Consultor do projeto Formação de Professores Indígenas Awa Guajá Awa Pape Mumu’u#771;ha Ma’a Kwa Mataha

https://www.taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente

UCLPM na 8ª edição do Saberes Indígenas nas Escolas do RS (UFRGS)

Por Emanuelli Oliveira

Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.

Nos dias 24 e 25 de novembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou a 8ª edição da ação Saberes Indígenas nas Escolas, coordenada pela Profa. Dra. Rosani Kamury[1], que contou com a assessoria da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na UFSC e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira. A convite da ação, a Cátedra atuou como assessora desta edição de formação de professores Kaingáng do estado do RS.

O projeto “Saberes Indígenas na Escola” (SIE) na UFRGS é um programa nacional de formação continuada para professores indígenas, focado na produção de materiais didáticos bilíngues (línguas originárias e português) e na valorização da cultura Kaingang e Guarani, formando uma rede de educadores que criam seus próprios currículos e fortalecem a autonomia das escolas indígenas no Rio Grande do Sul, com financiamento do Ministério da Educação do Brasil.

A proposta apresentada teve como foco a inserção e promoção da língua kaingáng no ciberespaço, ressaltando a importância de fortalecer sua circulação em ambientes digitais, ampliar o acesso ao conhecimento e combater processos de invisibilização linguística.

Durante a atividade, foi iniciado o projeto Wikikaingáng, que incentiva a criação de uma Wikipédia em língua kaingáng cujo primeiro passo é a produção de verbetes escritos em língua kaingáng. O objetivo é promover a produção e valorização de conteúdos na língua, integrando diferentes saberes em um espaço colaborativo de escrita.

A iniciativa contou com a participação ativa da comunidade Kaingáng do RS, incluindo falantes, professores, anciãos e lideranças culturais, assegurando a viabilidade do projeto e que os conteúdos reflitam suas perspectivas e modos próprios de expressão. Por se tratar de um projeto aberto e contínuo, a proposta poderá incluir outras comunidades interessadas, fortalecendo a presença digital de diferentes variedades linguísticas e ampliando o alcance colaborativo da ação.

Os resultados foram expressivos: mais de 30 verbetes foram criados e inseridos na Incubadora Wikimedia em apenas dois dias, demonstrando o potencial da iniciativa e o engajamento coletivo no fortalecimento da presença digital do kaingáng. Os próximos passos do projeto incluem o envolvimento dos alunos das escolas kaingáng, ampliando a formação para a comunidade escolar e estimulando a continuidade da criação de verbetes como prática pedagógica e de fortalecimento linguístico.

A assessoria da Cátedra conta com a participação fundamental de Artur Correa, assistente de projetos da associação Wikimedia Brasil, e Emanuelli Oliveira[2], integrante do GT Geopolíticas do Multilinguismo, a seção estudantil da Cátedra UNESCO LPM, e mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFSC.

Essa iniciativa e parceria reforça o compromisso com a presença digital das línguas indígenas, considerando metas da Década Internacional das Línguas Indígenas da UNESCO, destaca o papel das universidades públicas na promoção do multilinguismo e da valorização dos saberes tradicionais e, sobretudo, valoriza a agência dos professores indígenas na criação e desenvolvimento da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.

     

 

Siga a matéria na fonte: https://geomultling.ufsc.br/uclpm-na-8a-edicao-do-saberes-indigenas-nas-escolas-do-rs-ufrgs/

Adeus, Nacau Gakran!

 

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Adeus, Nacau Gakran!
É com muito pesar que anunciamos o falecimento hoje, em 09/12/2025, de nosso querido colega e colaborador Nacau Gakran.
Com palavras afetuosas e espírito acolhedor, Nacau fez parte de nossa equipe de pesquisadores e professores que atuam no campo da educação escolar indígena, sendo responsável por propor abordagens da e na língua xokléng/laklaño. Como aluno da Licenciatura Indígena da UFSC, afirmava sempre o seu compromisso com as demandas e sonhos de seu povo.
Com Nacau aprendemos que o que nos rodeia é parte de nós, e merece nossa atenção. Nacau nos deixou e por isso sentiremos saudade. Mas será sempre lembrado como um sopro de vida que cruzou nosso caminho. Nós do IPOL, agora queremos te dizer: vá em paz, querido Nacau!

Música do coração: rappers surdos reinventam estilo com Slam das Mãos

Grupo de rappers surdos foi criado por alunos e ex-alunos do curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Por Marília Parente

Rap em Libras fortalece a identidade e cultura surda/Marina Torres/DP Foto

Um grupo de rappers surdos ensaia em frente ao Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Olhos esbugalhados, peitos estufados e mãos entrelaçadas num vai-e-vem de sentidos que desafia a limitação da palavra. Para quem assiste ao espetáculo sem dominar a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a experiência é intranquila como um segredo. Há oito anos, essa cena se repete no local, onde alunos e ex-alunos de Letras fundaram o Slam das Mãos, um projeto coletivo de poesia de rua voltado para pessoas surdas.

A ideia surgiu em 2017, depois que um dos professores do curso, Cristiano Monteiro, conheceu uma iniciativa similar em São Paulo. “[Sinal de coração]. Eu já me considerava um poeta, em vários gêneros literários, mas o slam é muito diferente. Muito impactante”, conta Cristiano, em entrevista concedida ao Diario de Pernambuco com a ajuda da intérprete Monique Marie Andrade Lima, que também integra o Slam.

Em um primeiro sarau organizado no Marco Zero, Bairro do Recife, os primeiros participantes do grupo se conheceram. Depois do evento, vieram outros encontros, projetos culturais em conjunto e os primeiros recursos financeiros.

“Autores importantes acreditam que a língua de sinais utiliza expressões físicas, orientação da palma da mão e movimentação. O corpo e os movimentos também são linguística. Existe uma estrutura, uma gramática e também uma poesia na nossa língua”, destaca o professor.

Nascido surdo, Cristiano repete algumas vezes durante a entrevista que a Libras é sua língua materna, enquanto a língua portuguesa escrita funciona como um segundo idioma. Assim como na linguagem oral, a língua de sinais oferece coloquialismos, gírias, metáforas e figuras de linguagem de difícil interpretação para quem não domina a cultura surda.

No Slam das Mãos, as poesias absorvem, inclusive, influência da língua de sinais norte-americana, a exemplo do que acontece com o rap oralizado. “Na língua brasileira de sinais, existe uma forma de se comunicar mais formal. A gente modaliza isso, coloca as coisas de forma mais poética”, acrescenta Cristiano.

De acordo com o professor, na língua de sinais o ritmo da poesia também é fruto das expressões e sinalizações do artista. “Em uma disputa, os jurados também avaliam esse impacto na apresentação. Há estética”, acrescenta.

Som do coração

O silêncio absoluto acompanha Samuel Feijó, integrante do Slam das Mãos, desde seu nascimento. Para ele, o som é vibração sentida na pele, imaginação que conduz a dança, parede atravessada pela poesia. “É como se o mundo dos ouvintes fosse outro mundo. Quando estou com meus colegas do Slam, estou em casa”, resume.

Até conhecer Cristiano, seu ex-professor no curso de Letras, Samuel não sabia que existia literatura para surdos. Expressando-se em português escrito, ele era como um estrangeiro aprisionado a uma estrutura que não dava vazão às sutilezas da alma. “Minha escrita era diferente, tinha um conflito. Quando eu conheci a língua de sinais, me senti pertencente a uma comunidade. Comecei a fazer poesia”, diz.

No rap, o jovem prefere improvisar sobre temas conhecidos e ressalta sua experiência visual no mundo. “Olho como se fosse uma grande pintura”, complementa.

Identidade

Para o rapper Alisson Felipe Santana, os encontros proporcionados pelo Slam são momentos de fortalecimento de sua identidade. Ultimamente, sua poesia tem refletido as discussões sobre surdez e racismo em que se engajou na internet. “Me percebo como surdo, negro e resistente”, afirma.

Os acesso aos fóruns online aconteceu durante a pandemia de Covid-19. Era a primeira vez que ele tinha acesso a um debate sobre a surdez conduzido por pessoas negras. “Antes, eu não me identificava com a conversa. Hoje, represento minha identidade no rap”, conclui.

Evento

A partir das 17h do dia 23 de novembro, o Slam das Mãos se apresenta no Festival Consciência Hip-Hop, uma celebração das expressões do povo negro. o evento acontecerá na Rua Esperança, no calçadão de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.

Leia a matéria na fonte: https://www.diariodepernambuco.com.br/viver/2025/11/11700588-musica-do-coracao-rappers-surdos-reinventam-estilo-com-slam-das-maos.html

 

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