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Projeto Wikikaingáng fortalece a presença digital da língua Kaingáng

Por Emanuelli Oliveira

A Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, sediada na Universidade Federal de Santa Catarina e coordenada pelo professor Gilvan Müller de Oliveira, concluiu, em maio de 2026, a assessoria ao projeto Wikikaingáng, iniciativa desenvolvida no âmbito da Ação Saberes Indígenas na Escolada Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenada neste ano pelo professor Bruno Ferreira Kaingang, com foco na criação da primeira Wikipédia em uma língua indígena brasileira.

O povo Kaingáng está entre os povos indígenas mais numerosos do Brasil, com presença principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Sua língua pertence ao tronco linguístico Macro-Jê, mais especificamente ao grupo Jê Meridional, apresentando diferentes variantes linguísticas relacionadas às diversas regiões onde as comunidades estão localizadas. Além disso, o povo Kaingáng possui uma importante atuação no campo da educação indígena onde diferentes escolas indígenas desenvolvem ações voltadas ao fortalecimento da língua, da memória e dos conhecimentos tradicionais nas comunidades.

O encerramento das atividades de assessoria da UCLPM ocorreu durante o encontro presencial realizado entre os dias 4 e 6 de maio, na Faculdade de Educação da UFRGS, em Porto Alegre/RS, reunindo orientadores, professores e lideranças Kaingáng.

Profº Gilvan M. de Oliveira, Profº Bruno F. Kaingang, Emanuelli Oliveira e Artur Correa. Fonte: GT Geopolíticas do Multilinguismo.

Ao longo dos três dias de atividades, os participantes compartilharam experiências pedagógicas desenvolvidas nas escolas indígenas, realizaram leituras coletivas de verbetes elaborados por eles, discutiram categorias próprias de organização do conhecimento Kaingáng, escreveram e aprimoraram novos verbetes e deram continuidade à tradução da interface da Wikipédia para a língua Kaingáng.

Os trabalhos envolveram diferentes eixos temáticos, como cantigas, alimentação, remédios, artesanato, histórias tradicionais, brincadeiras, frutas, memória coletiva, povo e escola indígena Kaingáng, fortalecendo a construção de uma plataforma digital alinhada às formas próprias de organização cultural e linguística do povo Kaingáng. Durante o encontro, houve um avanço expressivo no processo de tradução da interface da Wikipédia, alcançando a marca de 334 dos 584 principais termos traduzidos para o Kaingáng.

Por se tratar de um ambiente aberto e colaborativo, o projeto também foi pensado de modo a possibilitar a participação de diferentes regiões Kaingáng e de suas variedades linguísticas, buscando construir um espaço digital capaz de acolher a diversidade linguística presente entre as comunidades.

Outro ponto importante do encontro foi a discussão sobre a integração de recursos de áudio e vídeo aos verbetes, buscando valorizar a oralidade e os registros de memória da comunidade. Também houve troca de experiências com participantes da comunidade Mbyá-Guarani, fortalecendo o diálogo intercultural entre os povos indígenas envolvidos na iniciativa.

Desenvolvido entre novembro de 2025 e maio de 2026, o projeto contou com assessoria da UCLPM, com participação de Emanuelli Oliveira, do GT Geopolíticas do Multilinguismo, e de Artur Corrêa Souza, da Wikimedia Brasil. A iniciativa contou também com a participação ativa da equipe da Ação Saberes Indígenas nas Escolas do RS, composta pela profª Magali Mendes de Menezes, profª Daniela Pinheiro Machado Kern, Juliana Schneider Medeiros, Mariana Martins Maciel, Bianka Biazuz Vicente, Iracema Nascimento, Derli Bento e Sueli Krengre Candido.

Encontro na UFRGS: parte da equipe da Ação Saberes Indígenas na Escola e professores orientadores. Fonte: Ação Saberes Indígenas na Escola do RS.

Entre os principais resultados alcançados ao longo da assessoria, destacam-se a criação de 305 verbetes em língua Kaingáng na Incubadora Wikimedia, a formação de mais de 50 professores/as Kaingáng para atuação em ambientes digitais colaborativos e o fortalecimento das discussões sobre soberania linguística digital, circulação de conhecimentos indígenas e presença das línguas indígenas no ciberespaço. Mais do que uma proposta tecnológica, a Wikikaingáng consolidou-se como uma iniciativa voltada à valorização da língua Kaingáng, da memória coletiva e dos sistemas próprios de conhecimento indígena em ambientes digitais colaborativos, articulando universidade, comunidade e plataformas abertas de circulação do conhecimento.
Como encaminhamento final do projeto, está sendo elaborado o relatório técnico que será enviado ao Comitê de Novas Línguas da Fundação Wikimedia, etapa importante para a futura abertura oficial da Wikipédia em língua Kaingáng. O documento consolida os resultados alcançados ao longo da assessoria da UCLPM, fortalecendo a presença digital da língua Kaingáng e a circulação de conhecimentos indígenas em ambientes digitais.

Cacica Iracema Gãh Té e professora kaingáng. Fonte: Ação Saberes Indígenas na Escola do RS.

Emanuelli Oliveira

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina. Licenciada e bacharela em Letras – Língua Francesa e Literaturas e Graduada em Secretariado Executivo pela Universidade Federal de Santa Catarina.

 

Confira no link: https://geomultling.ufsc.br/projeto-wikikaingang-avanca-na-criacao-da-primeira-wikipedia-em-lingua-indigena-brasileira/

A única vila brasileira premiada pela ONU encanta como a “Itália Brasileira”, onde cerca de 80% da população ainda fala italiano

POR MAURA PEREIRA 20/05/2026
A única vila brasileira premiada pela ONU: a verdadeira Itália Brasileira onde 80% da cidade fala italiano

Antônio Prado, a Italia Brasileira na Serra Gaúcha (imagem ilustrativa)

Nas ruas de Antônio Prado, o “bom dia” soa como “bondì”. A 658 metros de altitude na Serra Gaúcha, essa cidade de 13 mil habitantes preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil, com casarões centenários de madeira que parecem ter saído de uma vila do Vêneto.

A última colônia italiana da serra que virou patrimônio nacional

Fundada em 1886 como a sexta e última colônia italiana da Serra Gaúcha, Antônio Prado nasceu às margens do Rio das Antas. Os imigrantes, vindos do norte da Itália, derrubaram matas e ergueram casarões com técnicas trazidas da Europa. O traçado das ruas, quadriculado, seguiu o padrão dos engenheiros militares do século XIX.

O isolamento geográfico que travou o crescimento econômico acabou preservando o casario intacto. Em 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico e urbanístico. São 48 edificações construídas entre 1890 e 1940, ornamentadas com lambrequins, os recortes decorativos de madeira que marcam os beirais. Em 2025, a ONU Turismo reconheceu Antônio Prado como uma das melhores vilas turísticas do mundo, a única brasileira entre 52 selecionadas.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano

Antônio Prado oferece o cenário de casarões centenários de madeira que transportam os 13 mil habitantes para uma autêntica vila do norte da Itália // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que 80% dos moradores ainda falam talian?

Porque o isolamento também preservou a língua. Cerca de 80% da população fala o talian, dialeto que mistura idiomas do norte da Itália com o português. Em 2014, a língua foi incluída no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), reconhecimento inédito para uma língua de imigração no país. Nas padarias, nas feiras de sábado e nas missas, o talian ainda é o idioma das conversas entre vizinhos.

A única vila brasileira premiada pela ONU: 48 casas tombadas e 80% da cidade falando italiano
Antônio Prado destaca-se na Serra Gaúcha, a 658 metros de altitude, como a cidade que preserva o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que visitar no centro histórico de Antônio Prado?

O centro cabe numa caminhada de duas horas. As 48 construções tombadas se concentram ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal, transformadas em cafés, bistrôs, museus e lojas de produtos coloniais.

  • Casa da Neni: primeiro imóvel tombado da cidade, construído em 1910. Abriga o Museu Municipal e a Central de Informações ao Turista. Visitantes caminham por cômodos com mobiliário original.
  • Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus: erguida entre 1891 e 1897, tem pinturas internas do artista italiano Emilio Zanon e vitrais restaurados após o tornado de 2003.
  • Casa Grezzana: casarão de 1915 que recebe exposições culturais e eventos da FenaMassa.
  • Monumento Leão de São Marcos: réplica do símbolo da República de Veneza, esculpida em pedra de Vicenza pelo artista Enrico Pasquale.
  • Sociedade Pradense de Mútuo Socorro: prédio de 1912 que já abrigou farmácia, escola dos Irmãos Maristas e, durante a Segunda Guerra, teve documentos em italiano recolhidos pela polícia.

Quem quer conhecer a cidade mais italiana do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 567 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra a gastronomia, o centro histórico e o interior de Antônio Prado:

Cachoeiras e rotas rurais além do casario

O interior do município, chamado de “colônia” pelos moradores, guarda paisagens que contrastam com a delicadeza do centro histórico. A 6 km da área urbana, as Cascatas da Usina formam duas quedas d’água separadas por 300 metros, com três mirantes de contemplação. No local funcionou a primeira hidrelétrica de Antônio Prado, na década de 1920.

A Gruta Natural de Nossa Senhora de Lourdes recebe fiéis desde os anos 1930. Escavada na rocha, abriga um campanário de madeira e trilhas curtas em meio à mata. Nas estradas rurais, 25 capitéis religiosos marcam o caminho e revelam a devoção herdada dos colonizadores. O Armazém do Prado, na Linha 21 de Abril, oferece passeios de tuque-tuque e piqueniques coloniais com vista para o vale.

Que pratos experimentar na cidade mais italiana do Brasil?

A mesa pradense preserva receitas passadas de geração em geração. A brachola com polenta e bacon frito, preparada na Linha 21 de Abril, foi eleita o melhor prato italiano do Brasil no programa “Minha Receita”, do chef Erick Jacquin, na Rede Bandeirantes.

  • Sopa de capeletti: servida como entrada em praticamente todas as cantinas, com massa feita à mão.
  • Polenta brustolada: fatias grelhadas que acompanham galeto e radicci com bacon.
  • Grostoli: tiras de massa frita polvilhadas com açúcar, presente em festas e padarias.
  • Vinho colonial: produzido em pequenas vinícolas familiares, servido em jarra nas cantinas do centro.

A FenaMassa (Festival Nacional da Massa) acontece em novembro na Praça Garibaldi, com mais de 50 variedades de massa e estrutura para milhares de visitantes. A Noite Italiana, em agosto, reúne jantar dançante com cardápio típico e música ao vivo.

Como chegar a Antônio Prado saindo de Porto Alegre?

Antônio Prado fica a 184 km de Porto Alegre pela RS-122 e a 50 km ao norte de Caxias do Sul. De carro, o trajeto desde a capital leva cerca de 2h30. Ônibus intermunicipais partem de Cias do Sul com frequência regular. Quem vem do litoral gaúcho pode usar a Rota da Uva e Vinho como caminho cênico pela serra.

A vila onde o Brasil ainda fala italiano

Antônio Prado é um daqueles lugares que fazem o visitante desacelerar. Os casarões de madeira, as cantinas com cheiro de massa fresca e as conversas em talian nas calçadas criam uma atmosfera que nenhuma outra cidade da Serra Gaúcha reproduz.

Você precisa caminhar pela Praça Garibaldi num fim de tarde e ouvir o som do talian misturado ao barulho dos pratos nas cantinas, é quando Antônio Prado se revela por inteiro.

Acesse a matéria no link: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/a-unica-vila-brasileira-premiada-pela-onu-encanta-como-a-italia-brasileira-onde-cerca-de-80-da-populacao-ainda-fala-italiano/#google_vignette

Multilinguismo Digital e Governança de Plataforma

Janny H. C. Leung (Universidade de Hong Kong)

Publicado online pela Cambridge University Press:23 de abril de 2026

De acordo com Leung, mais da metade dos oito bilhões de pessoas do mundo não têm um forte suporte digital para sua primeira língua. Isso resulta em uma falta desproporcional de acesso a informações vitais de saúde e segurança, oportunidades benéficas de comércio eletrônico e sites populares de mídia social. Essas disparidades para falantes de línguas minoritárias são exacerbadas pela abordagem de lucro das grandes plataformas de tecnologia para o mercado linguístico digital. Por exemplo, as plataformas digitais investem menos na moderação de conteúdo, deixando os palestrantes vulneráveis à violência causada por discurso de ódio; elas não fornecem sistemas de tradução automática confiáveis, levando a sérios erros de comunicação com consequências criminosas; e não fornecem acesso multilíngue a documentos legais importantes, deixando milhões de palestrantes sem os recursos necessários para participar de suas comunidades on-line de forma legal ou segura. Para abordar esses problemas sistêmicos na governança da plataforma, Leung fornece ideias práticas e soluções realistas em todo o seu Element, enfatizando que a linguagem é o proxy mais poderoso para entender e combater a injustiça digital global.

Resumo

Como guardiões do discurso público global hoje, as plataformas tecnológicas transnacionais governam quem pode falar, com quem e como. Embora tenham ajudado a documentar e revitalizar as línguas minoritárias e conectar as comunidades diásporas, também tomam decisões relacionadas à linguagem que podem prejudicar desproporcionalmente os falantes dessas línguas. Em plataformas como o Facebook, usuários que não são ingleses navegam em um ambiente linguístico onde a moderação de conteúdo geralmente é severamente insuficiente em comparação com a disponível para falantes de inglês. Eles podem não receber avisos sobre desinformação ou conteúdo perturbador, podem não ser informados sobre quais regras se aplicam e podem ter seu conteúdo removido incorretamente – ou violar conteúdo deixado intocado – porque nem moderadores humanos nem sistemas automatizados podem entender sua linguagem. Este Elemento examina formas de justiça linguística global que as plataformas criam e reproduzem, destacando uma dimensão crítica, mas subexplorada, da desigualdade estrutural na governança de plataformas contemporâneas. Este título também está disponível como Acesso Aberto no Cambridge Core.
“Multilinguismo Digital e Governança de Plataformas” examina as formas de justiça linguística global que as plataformas criam e reproduzem, expondo as desigualdades linguísticas estruturais na governança das plataformas. Recomendo este artigo, pois oferece uma perspectiva ampla, senão abrangente, sobre a importância da justiça multilinguística no âmbito digital.

Acesse aqui a Série elementos em Linguística Forense para ver outras publicações

Língua Tupi e Língua Indígena Potiguara de Sinais são oficializadas como língua cooficiais do território indígena de Monte-Mor em Rio Tinto (PB)

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O legislativo do município de Rio Tinto (PB), no Litoral Norte do Estado, realizou na tarde de hoje (29/04), a sua 7ª Sessão Ordinária, do 2º Período Legislativo, sobre o comando do vice-presidente, vereador Felipe Pessoa, na ausência do presidente Sandro Gomes, por conta de compromisso no Recife (PE).

A recente sessão ordinária foi marcada por intensos debates e uma pauta recheada, com destaque para Projeto de Lei Indicativo, nº 15/2026, de autoria da vereadora Claudecir Braz – Cacica Cal, que dispõe sobre a oficialização da Língua Tupi e da Língua Indígena Potiguara de Sinais, como língua cooficiais do território indígena de Monte-Mor, no município de Rio Tinto.

Durante a sessão, os vereadores apresentaram demandas da comunidade, fizeram o uso da tribuna para registrar cobranças e discutiram temas relevantes para o desenvolvimento do município. As falas reforçaram a importância do diálogo entre Legislativo, gestão municipal e população, especialmente em áreas que necessitam de atenção mais urgente.

Luan Potigura

O vereador Lua Potiguara parabenizou a vereadora Cacica Cal, pela propositura da lei. “Somos cinco vereadores indígenas na Casa de Ponciano Pessoa. Então é importante que a gente traga mais Projeto de Lei. Esse espaço que a gente ocupa faça com que assegure cada vez mais os nossos direitos”, disse.

Felipe Pessoa

“Eu acompanho o raciocínio do vereador Luan Potiguara. Parabenizo também a vereadora Cal, muito louvável e dizer que essa casa vai está aqui de portas abertas, irmanadas, para a gente garantir o direito do nosso povo, de quem tanto reivindica a cada um de nós, sendo a voz de quem mais precisa”, disse.

Gratidão

A vereadora Cacica Cal agradeceu a todos da ‘Casa de Ponciano Pessoa’. “Agradeço aos pares da casa pela colaboração, não só em relação a esse projeto que acaba de ser aprovado, mais por todas as proposituras acolhidas por todos. Minha gratidão”, disse Cal.

 

Acesse a matéria na fonte: https://www.valenoticiapb.com.br/lingua-tupi-e-lingua-indigena-potiguara-de-sinais-sao-oficializadas-como-lingua-cooficiais-do-territorio-indigena-de-monte-mor-em-rio-tinto-pb/

O IFMA realiza, em Santa Inês, a aula inaugural de um curso técnico voltado à formação de professores indígenas, fortalecendo a educação nas comunidades tradicionais.

Esse projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e o Ministério da Educação. Ele é considerado inédito porque é voltado para uma comunidade indígena de recente contato.

Segundo Batista Botelho,  Diretor de Direitos Humanos e Inclusão Social do IFMA

“O curso é uma iniciativa da FUNAI que pensou junto com o povo Awa Guajá a proposta do curso e  o Instituto Federal do Maranhão entrou como executor do projeto. É uma parceria importante  que a gente está se dando, entre FUNAI, MEC e Instituto Federal do Maranhão, executado aqui em Santa Ines, através do campus local. É um curso da modalidade EJA, Educação de Jovens e Adultos, um magistério intercultural para a formação de professores indígenas ao EJA que será executado também na modalidade de alternância, onde teremos a atividade campo na sede do campus aqui em Santa Inês e atividades comunitárias.”

Acesse o link abaixo para conferir a matéria no G1: https://globoplay.globo.com/v/14560328/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiba mais sobre os Awá Guajá:

Os Awa: uma escola na língua da gente, matéria publicada em 24 de junho de 2024, por

José Bessa Freire, Escritor. Indigenista. Conselheiro da Revista Xapuri.

https://taquiprati.com.br/cronica/1746-os-awa-uma-escola-na-lingua-da-gente

 

Povo indígena de recente contato fortalece educação intercultural no Maranhão 

Iniciativa integra o projeto do Curso Médio Técnico em Magistério Awa Pape Mumu’ũha Ma’a Kwa Mataha, voltado à formação de professores indígenas do povo Awa Guajá. Por Redação
25 de janeiro de 2026

https://portalamazonia.com/educacao/indigenas-educacao-maranhao/

 

Por que e para quem cantam, fazem filmes e escolas os Awa Guajá?

Os Awa Guajá cantam, filmam e criam escolas como forma de resistência política, valorização cultural e proteção de seu modo de vida caçador-coletor frente aos impactos do contato com não indígenas. Essas ações visam fortalecer sua identidade para as novas gerações e comunicar sua visão de mundo e denúncias de invasão territorial

Por Renata Otto e Ruben Caixeta

https://www.forumdoc.org.br/ensaios/por-que-e-para-quem-cantam-fazem-filmes-e-escolas-os-awa-guaja

Acesse e assista vídeos

https://www.youtube.com/user/forumdoc/videos?app=desktop

https://www.forumdoc.org.br/mostras/cine-takaja-awa-guaja-modos-de-inventar-o-passado-futuro

 

Cantos do povo Awá-Guajá são eternizados em livros e gravações no MA

Roda de conversa com cantores e cantoras Awa Guajá

O canto, jãnaha, é a principal forma de expressão musical dos Awa Guajá. A música vocal está presente em muitos momentos da sua vida, sejam eles rituais, mundanos, de celebração ou de luto. As crianças desde cedo brincam de cantar, imitando os adultos que cantam o tempo todo. O canto é também a forma de comunicação dos karawara, os seres que habitam as camadas celestes do cosmos, o iwa. É na viagem ao iwa que se aprende a cantar com os karawara. Uma das ocasiões privilegiadas para se cantar e ouvir os cantos é o ritual no qual os homens awa sobem ao céu, acompanhados dos cantos femininos, e os karawara descem ao chão para cantar e dançar. Preocupados com a transmissão intergeracional dos cantos e o registro de um repertório quase infindável, os Awa Guajá têm experimentado se apresentar fora das aldeias para que mais pessoas os conheçam e fortalecer o canto entre os Awa mais jovens. Nesse evento, um grupo de cantores e cantoras awa das Terras Indígenas Caru e Awa, ambas localizadas na Amazônia Maranhense, irão contar sua história, apresentar alguns desses cantos, falar dos seus significados e da experiência de compartilhá-los com plateias indígenas e não indígenas.

Pesquisadores: Guilherme Ramos Cardoso (Doutor em Antropologia em Social – Unicamp) Flávia de Freitas Berto (Doutora em Linguística e Língua Portuguesa – Unesp, professora da U.I.E.E.I. Pape Japoharipa ‘Yruhu)

Acesse o link:

O mistério do município brasileiro que preserva uma língua que não existe mais na Europa

Localizado no Espírito Santo, o município de Santa Maria de Jetibá se tornou uma cápsula do tempo para o pomerano, língua que foi apagada do mapa europeu após a Segunda Guerra Mundial

Vemos uma senhora idosa e uma criança em Santa Maria de Jetibá, em uma varanda rústica cercada pelas lavouras de café nas montanhas capixabas. Elas seguram um livro didático com o título claramente visível: 'POMMERANISCH LERNEN' / 'APRENDENDO O POMERANO'

A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano / Imagem ilustrativa

 

No entanto, um fenômeno linguístico raro transformou as montanhas do Espírito Santo em um “cofre” vivo. A cidade de Santa Maria de Jetibá tornou-se o principal refúgio global do pomerano, um idioma que foi praticamente apagado do continente europeu, mas que encontrou solo fértil no Brasil para sobreviver ao tempo.

A Pomerânia era uma região histórica entre a Alemanha e a Polônia que foi desmembrada após a Segunda Guerra Mundial.

Enquanto na Europa a língua original desapareceu devido às pressões políticas e geográficas, no interior capixaba o pomerano continuou a ecoar nas lavouras e no cotidiano das famílias.

Esse tipo de isolamento cultural não é um caso isolado em solo brasileiro.

O país abriga outros refúgios fascinantes, como o município onde o tempo parou para guardar os segredos de uma Ucrânia antiga, provando que o Brasil é um mosaico de culturas globais preservadas.

O idioma que sobreviveu ao próprio país

O pomerano não é uma curiosidade de museu em Santa Maria de Jetibá; ele é a língua do dia a dia.

É comum ouvir o dialeto nas feiras livres, nas rádios locais e nas conversas entre vizinhos no comércio.

Por décadas, o isolamento das comunidades agrícolas permitiu que o pomerano se mantivesse intacto, sem a influência direta do português.

Hoje, o município reconhece oficialmente o pomerano como língua cooficial.

Isso significa que placas de sinalização costumam ser bilíngues e o idioma tem o mesmo peso jurídico que o português em diversas instâncias municipais, um nível de reconhecimento raríssimo para línguas de imigrantes no Brasil.

Resistência nas salas de aula

A maior prova de vitalidade dessa cultura está nas novas gerações. Diferente de outros redutos europeus no Brasil onde a língua de origem se perdeu com o passar dos anos, em Santa Maria de Jetibá o pomerano é ensinado obrigatoriamente nas escolas municipais.

O ensino formal garante que os jovens mantenham o vínculo com a história de seus antepassados e consigam conversar com os mais velhos.

Como um patrimônio cultural imaterial, o pomerano deixou de ser apenas a herança de uma terra que não existe mais para se tornar um símbolo de identidade e resistência cultural no coração do Sudeste brasileiro.

 

 

 

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