Povos originários

Para o povo Krenak, justiça chega meio século depois

Em 13 de setembro, a juíza Anna Cristina Rocha Gonçalves condenou o Governo Federal, o governo do estado de Minas Gerais e a Fundação Nacional do Índio (Funai) pelos crimes cometidos contra o povo Krenak no sudeste de Minas Gerais durante a ditadura militar (1964 a 1985). Ela ordenou que o Governo Federal organize uma cerimônia de desculpas públicas com cobertura nacional.

“A justiça, embora lenta, está sendo feita”, disse o líder indígena Geovani Krenak, neto de Jacó Krenak, à Mongabay. “O espírito de nossos guerreiros assassinados, como meu avô, [agradece] essa decisão.”

Integrantes do povo Krenak protestam contra projeto de lei anti-indígena em Brasília este ano. Foto: Geovani Krenak.

Falar na língua Krenak, beber álcool, manter relações sexuais, ficar ocioso (“vadiagem”), desrespeitar o toque de recolher, deixar o local sem permissão prévia e resistir à ocupação de suas terras por fazendeiros eram atitudes proibidas pelos militares da época, de acordo com relatórios e depoimentos de testemunhas. Confinamento arbitrário, tortura e espancamento eram punições comuns. Muitos Krenaks morreram nos campos, embora os números exatos ainda sejam desconhecidos.

A decisão, tomada em 13 de setembro, também ordenou que a Funai conclua o processo de demarcação da Terra Indígena Sete Salões, além de uma série de medidas para reabilitar a língua e a cultura Krenak.

A Advocacia Geral da União (AGU), que representa o governo federal e a Funai no caso, confirmou que recebeu a decisão, mas recusou-se a comentar. “Qualquer eventual manifestação ocorrerá no âmbito do caso”, escreveu o gabinete da AGU à Mongabay em um e-mail. A Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais não respondeu aos pedidos de comentário da reportagem.

Pelo menos 8.350 indígenas foram mortos durante a ditadura militar, e muitos mais perderam suas terras ou foram torturados, de acordo com o relatório da Comissão Nacional da Verdade de 2014.

Minas Gerais foi palco de algumas das medidas mais cruéis. Em 1969, o militar Manoel dos Santos Pinheiro criou os campos de concentração indígenas conhecidos como Reformatório Krenak e Fazenda Guarani, que abrigaram um total de 121 indivíduos de 17 etnias diferentes nos municípios de Resplendor e Carmésia, de acordo com dados de uma pesquisa acadêmica compilados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica.

Famílias Krenak na Fazenda Guarani no começo dos anos 70 depois de serem retiradas à força de suas terras. Foto: Ligia Simonian, 1987 / Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Os indígenas considerados rebeldes pelo regime militar eram enviados sem julgamento a esses dois campos de concentração, de acordo com provas constantes de um processo apresentado pelo Ministério Público Federal em 2015. “Os indígenas não eram submetidos a julgamento. Eles não tinham direito de praticar sua cultura e rituais, nem mesmo de falar sua própria língua”, diz o promotor federal Edmundo Antônio Dias, um dos coautores do processo.

O regime militar também criou a Guarda Rural Indígena, um grupo de indígenas treinados por oficiais militares para punir e torturar outros indígenas, o que causou uma ruptura nos modos de auto-organização e resistência entre as comunidades indígenas, dizem os promotores. Durante a cerimônia de graduação da primeira turma da Guarda Rural Indígena, um homem preso pelas mãos e pés num cabo de madeira – método de tortura chamado pau-de-arara – foi apresentado aos oficiais, que foram capturados em filme pelo antropólogo Jesco Von Puttmaker em 1970.

Indígena é exibido no instrumento de tortura conhecido como pau-de-arara em Belo Horizonte em 1970, durante a cerimônia de graduação da primeira turma da Guarda Rural Indígena. Foto: Jesco von Puttkamer.

Num testemunho que fez parte do processo, Douglas Krenak, outro dos netos de Jacó Krenak, contou as violações que seu avô sofreu nas mãos do regime: “Ele chegou em casa e dois militares o aguardavam. Pediram que ele ajoelhasse e assoprasse, dizendo que estava embriagado. Ele então teve as mãos amarradas com uma corda presa à sela de um cavalo e foi arrastado pela aldeia até a prisão, onde foi detido.”

Continue lendo

ON lamenta falecimento do professor Germano Bruno Afonso, referência em Astronomia Indígena Brasileira

“Todos os mistérios estão no céu”. Era o que afirmava o professor Germano Bruno Afonso, nacionalmente conhecido como um dos maiores difusores da Astronomia Indígena Brasileira. Germano faleceu na tarde de quinta-feira (26), aos 71 anos, em decorrência da Covid-19.

Natural de Ponta Porã, uma cidade pequena do Mato Grosso do Sul, Germano tem raízes indígenas, de origem Guarani, e aprendeu com os pais a observar as estrelas como os índios. Seu interesse pela ciência, em particular pela astronomia, surgiu da observação das constelações indígenas e seus mitos.

Germano graduou-se em Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1973 e, pela mesma instituição, concluiu o mestrado em Ciências Geodésicas em 1977. Ele foi o primeiro coordenador do Programa de Pós-graduação em Física e trabalhou por quase três décadas na UFPR, entre 1974 e 2003.

Em 1980, foi para a França, onde formou-se doutor em Astronomia de Posição e Mecânica Celeste pela Université Pierre et Marie Curie. Já em 1993, o professor concluiu o pós-doutorado no Observatoire de la Cote d’Azur.

Suas principais áreas de estudo eram: Astronomia Indígena Brasileira, Arqueoastronomia, Popularização da Astronomia, Etnoastronomia, Efeitos das Marés no Sistema Terra-Lua e Modelagem de Forças Não-Gravitacionais em Órbitas de Satélites Artificiais e de Fragmentos de Asteróides Rasantes à Terra.

Germano é autor do artigo “Mitos e Estações no Céu Tupi-Guarani” publicado na edição especial da Scientific American Brasil, em 2006. Além disso, foi fundamental para a construção de Observatórios Solares Indígenas em aldeias e desempenhou um papel de destaque na estruturação do Parque das Ciências Newton-Freire Maia no Estado do Paraná, e do Museu da Amazônia.

Em 1991, Germano foi agraciado com o Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia, que  visa reconhecer e estimular a produção científica, tecnológica e de extensão paranaense. Em 2000, recebeu o Prêmio Jabuti com o livro “O Céu dos Índios Tembé” na categoria Melhor Livro Didático.

De diferentes maneiras, Germano ajudou as aldeias, sendo elas indígenas ou urbanas, a resgatarem o conhecimento astronômico de culturas contemporâneas. Da mesma forma, com seu vasto trabalho e dedicação, ajudou a conscientizar a todos nós sobre a cultura e a ciência indígena.

“Para o indígena do Brasil, a Terra nada mais é do que o reflexo do céu. Então, toda a explicação está lá em cima: a origem do Universo, a criação do ser humano e a relação com o meio ambiente… É muito bonito e eu fui aprendendo isso já desde pequeno, nessa visão não ocidental”, disse Germano em uma entrevista em 2011.

Em uma de suas composições, o músico Hélio Ziskind homenageia o Prof.Germano, contando um pouco de sua pesquisa e entoa:

“Professor Afonso que história mais bonita que o senhor descobriu”

O Observatório Nacional lamenta profundamente o falecimento de Germano e envia suas condolências aos colegas, amigos e familiares do professor.

Via Observatório Nacional 

‘Brasileiro não percebe a questão indígena como um problema seu’, diz analista ante marco temporal

Desde o dia 22, milhares de indígenas estão acampados em Brasília protestando contra o marco temporal. A Sputnik Brasil entrevistou analista para saber o que pode acontecer com a comunidade indígena brasileira se essa medida for aprovada.

Na quinta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se demarcações de terras indígenas devem seguir o chamado “marco temporal”. Por esse critério, indígenas só podem reivindicar a demarcação de terras que já eram ocupadas por eles antes da data de promulgação da Constituição de 1988, segundo o G1.

A decisão pode definir o rumo de mais de 300 processos de demarcação de terras indígenas que estão em aberto no país. Nesta semana, índios de todo o Brasil acamparam na Esplanada dos Ministérios em protesto contra o marco.

“Na realidade é um retrocesso. […] Infelizmente o movimento indígena tem pouquíssimos representantes no Congresso, e isso mostra uma fragilidade e desvantagens para os povos indígenas. Por outro lado, a sociedade brasileira também se mostra apática em relação a esta pauta danosa aos ambientes e aos povos indígenas”, destacou Nelcioney José de Souza Araújo, professor de geografia da Universidade Federal do Amazonas citado pelo Correio Brasiliense.

A Sputnik Brasil entrevistou Ricardo Cid Fernandes, professor de antropologia do Departamento de Antropologia e programa de pós-graduação de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Paraná para entender mais sobre o assunto.

Indígena protesta contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e contra o marco temporal em Brasília, Brasil em 27 de agosto de 2021
© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Indígena protesta contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e contra o marco temporal em Brasília, Brasil em 27 de agosto de 2021

Fernandes diz que a sociedade brasileira se mostra apática a questões indígenas porque há pouco conhecimento e interesse sobre a questão, além disso, o brasileiro concebe, até hoje, uma visão do indígena associada ao passado e a lugares remotos e distantes.

“O brasileiro não percebe a questão indígena como um problema seu”, disse o professor.

O mesmo ainda ressalta que o assunto está mais em alta neste momento porque vem sendo associado ao discurso ambientalista, que também está em evidência no mundo todo.

Demarcação de terras indígenas

Fernandes elucida que a demarcação de terras para povos indígenas é de extrema importância uma vez que se trata “de um direito fundamental, é como um direito à vida”.

“O direito ao território é a compreensão da terra como local da história dos antepassados, local da vida possível do presente, local onde os simbolismos estão associados, local dos poderes da natureza. A garantia do direito territorial é fundamental, a vida só é possível considerando o direito ao território.”

O professor também salienta que as terras indígenas são as terras ambientalmente mais protegidas do Brasil, “a floresta está em pé onde os índios estão”.

“No Sul do país, onde houve retomada de terras nos últimos 30, 40 anos, as terras recuperaram sua qualidade ambiental e contrastam fortemente com o território de exploração da agricultura que são desmatados. Os indígenas prestam serviço ambiental de extrema importância que é o de manter a floresta em pé.”

Indígenas participam de protesto em Brasília contra o marco temporal em Brasília, 26 de agosto de 2021
© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Indígenas participam de protesto em Brasília contra o marco temporal em Brasília, 26 de agosto de 2021

Marco temporal

Conforme citado anteriormente, na semana passada, o Supremo começou a julgar se demarcações de terras indígenas devem seguir o chamado “marco temporal”, critério pelo qual índios só podem reivindicar a demarcação de terras que já eram ocupadas por eles antes da data de promulgação da Constituição de 1988.

Segundo Fernandes, o cerne da discussão acontece porque há dois tipos de interpretações diante da demarcação de terras. De “um lado os índios afirmam e a história comprova” que a presença indígena nas terras tradicionalmente ocupadas foi impossibilitada por vários processos oriundos da colonização.

“Ocupar tradicionalmente uma terra para os indígenas não significa estar permanentemente nela, significa reconhecer esse território, lutar por ele e demonstrar os processos de violação que acontecem em seus direitos territoriais.”

Indígenas da etnia Xokleng participam de protesto em Brasília, 25 de agosto de 2021
© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Indígenas da etnia Xokleng participam de protesto em Brasília, 25 de agosto de 2021

Já a outra interpretação, entende que para uma terra ser considerada tradicionalmente ocupada é preciso estar constantemente presente na mesma.

“Em resumo, a discussão sobre o marco temporal coloca em lados opostos os termos da Constituição, que definem que os indígenas têm direito às terras tradicionalmente ocupadas, e de outro lado, os instrumentos de aplicação dessa lei que são o decreto nº 1775 e a portaria nº 14, ambos de 1996, que são legislações que organizam e normatizam o processo de demarcação de terras. Por um lado, a Constituição garante terras tradicionalmente ocupadas, por outro, os estudos são baseados na caracterização da ocupação permanente das terras”, explicou o professor.

Diante desse cenário, Fernandes afirma que há “um desencontro entre Constituição e legislação infraconstitucional” e que esse desencontro é contornado através de estudos que “acabam demonstrando que a ocupação permanente pelos indígenas foi muitas vezes inviabilizada”.

Povos indígenas carregam um caixão improvisado durante protesto contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e pela demarcação de terras em frente ao Palácio do Planalto em Brasília, 27 de agosto de 2021
© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Povos indígenas carregam um caixão improvisado durante protesto contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e pela demarcação de terras em frente ao Palácio do Planalto em Brasília, 27 de agosto de 2021

“Terra tradicionalmente ocupada não significa terra permanentemente ocupada, e essa é a origem do problema”, complementou.

O professor clarifica que quem defende o marco temporal considera que não deve mais acontecer demarcações de terras indígenas no Brasil, ou seja, apenas as terras ocupadas pelos indígenas até 1988 teriam seu reconhecimento como pertencentes aos mesmos.

“Quem defende o marco temporal hoje exclui de todo um processo de demarcação a maioria dos indígenas do Brasil. […] Se pensarmos nos últimos 100 anos, a ocupação de terras no Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste foi muito intensa, e o relato cotidiano de muitos indígenas envolve a reivindicação de terras que foram expropriadas. […] Há muitos casos documentados de grupos que foram violentados e exterminados por todo Brasil, e esses processos não ocorreram apenas após a Constituição, ocorreram ao longo de toda história da colonização.”

Adicionalmente, Fernandes diz que uma das formas de reparar a violência contra os indígenas é reconhecer seus direitos territoriais, reconhecimento esse que o marco temporal não legitima.

O especialista também explica que o caso foi parar no STF porque é um problema do Estado, a partir do momento que “as procuradorias estaduais entram com uma ação contra a União. É o Estado contra a Fundação Nacional do Índio [Funai], o Estado contra o Ministério da Justiça que demarcou a terra, e por isso está no STF”.

“Não podemos esquecer que a o território é tradicionalmente ocupado por indígenas, mas a terra é um bem da União, quem dispõe da terra em última estância é a União, os indígenas têm usufruto das terras, eles não são proprietários. Toda terra indígena está escrita no Departamento de Patrimônio da União”, esclareceu o professor.

Criança indígena é fotografada durante protesto no primeiro dia do julgamento do STF contra caso histórico sobre os direitos à terra dos indígenas em Brasília, 25 de agosto de 2021
© REUTERS / ADRIANO MACHADO
Criança indígena é fotografada durante protesto no primeiro dia do julgamento do STF contra caso histórico sobre os direitos à terra dos indígenas em Brasília, 25 de agosto de 2021

Posição do governo federal

O professor afirma que o governo Bolsonaro é totalmente favorável ao marco temporal porque “considera que já há muitas terras demarcadas, e que o importante é o Brasil ter segurança jurídica, como eles dizem, terras que não serão reivindicadas por indígenas para que possa se desenvolver o agronegócio e a exploração de minas”.

“A posição é favorável ao marco temporal e ignora a luta e os massacres sofridos ao longo do século XX pelos indígenas. […] É um governo que não se posiciona perante a chave da reparação histórica, mas sim perante uma chave desenvolvimentista.”

Fernandes acredita que a chance da lei ser aprovada é grande, mas também enfatiza que a chance dos indígenas seguirem lutando é maior ainda.

“Se de certa forma eles sofreram calados e pressionados no século XX, no século XXI eles já demonstraram que encontraram parceiros e aliados, sabem operar com as mídias, sabem operar dentro do sistema legal e pressionar politicamente. Esse será um século mais indígena do que o XX, com certeza.”

Esse fato pode ser evidenciado após cerca de mil lideranças indígenas decidirem no sábado (28) continuarem acampadas em Brasília até o dia 2 de setembro, para esperar o julgamento do marco temporal pelo STF, segundo o G1.

O acampamento, chamado de “Luta pela Vida”, está montado desde domingo (22) e mostra que o índio de hoje não fica mais calado, e manifesta sua luta através da resistência.

Indígenas no acampamento Luta pela Vida durante manifestação em defesa dos povos indígenas locais, em Brasília, 23 de agosto de 2021
© REUTERS / ADRIANO MACHADO
Indígenas no acampamento Luta pela Vida durante manifestação em defesa dos povos indígenas locais, em Brasília, 23 de agosto de 2021

Violência contra indígenas

Fernandes explica que a violência é um problema da colonização, pois esse processo ocorre na base da truculência e agressividade, e quando se trata de violência contra indígenas, mostra que “a colonização não é um fenômeno do passado, ela é um modo de ser que se reproduz constantemente”.

“A violência em terras indígenas precisa ser o assunto, ela não pode ser tratada como excepcionalidade ou como uma circunstância especifica, não, ela é um assunto do cotidiano das relações entre índios e não índios, entre os próprios indígenas, entre instituições e as relações exploratórias dos madeireiros”, elucidou.

O professor também enfatiza que a violência envolvendo índios “informa mais sobre a nossa sociedade do que sobre a sociedade indígena, informa mais sobre o lugar que nós reservamos a essa população na nossa sociedade” e que a dinâmica acontece de forma coletiva, por parte dos indígenas, mas de forma individual por parte de um agente de violência.

Indígena torce um pano durante um protesto em Brasília, 25 de agosto de 2021
© REUTERS / ADRIANO MACHADO
Indígena torce um pano durante um protesto em Brasília, 25 de agosto de 2021

“O indígena sempre aparece como um direito coletivo, uma comunidade, do outro lado é sempre um agente de violência, um mandante, um fazendeiro com um projeto individual.”

Fernandes também chama atenção para as prisões de índios, uma vez que os dados sobre esses encarceramentos são de difícil acesso. Como exemplo, o professor cita que os dados do Departamento Penitenciário do estado do Paraná informam que não há indígenas presos, quando se sabe que existe, pois ao entrarem no sistema prisional eles perdem a sua condição indígena e viram “presos comuns”.

“Há presos no estado do Paraná que nem falam português, mas não são considerados índios. O problema da violência é um problema brasileiro que os indígenas acabaram fazendo parte, infelizmente.”

O que fazer para indígenas viverem em paz?

O especialista aponta que o direito à terra é fundamental, e estando com esse direito garantido, a “tranquilidade se instala”.

Fernandes também evidencia que esse direito à terra não pode ser “ter só um espaço” e vive-se ali de qualquer jeito. Essa terra tem que ser um território com tamanho apropriado para que o mesmo conceba e autorize um projeto indígena.

O professor afirma que ao olharmos para o mapa indígena do Brasil, 98% das terras estão concentradas na Amazônia, o restante, que somam apenas 2%, estão divididas pelo país, ou seja, esses 2% mostram como são pequenos esses territórios.

Indígenas acendem velas e participam de protesto pela demarcação de terras e contra o governo do presidente, Jair Bolsonaro, junto ao Congresso Nacional em Brasília, 24 de agosto de 2021
© REUTERS / ADRIANO MACHADO
Indígenas acendem velas e participam de protesto pela demarcação de terras e contra o governo do presidente, Jair Bolsonaro, junto ao Congresso Nacional em Brasília, 24 de agosto de 2021

“Há terras com 200 hectares onde vivem mil pessoas, há terras como Dourados [MS] onde vivem 14 mil indígenas, terras superlotadas, além de terras que foram extintas e os índios vivem na margem de estradas em acampamentos em condições absolutamente marginais. Não há paz de espírito nessa condição.”

Fernandes complementa que o verdadeiro direito à terra, é direito a uma terra que tenha uma qualidade ambiental, que tenha referências com o sagrado, com os antepassados.

“Não adianta uma terra pequena com índios amontoados sem condição de produzir, sem condição de se reproduzir socioculturalmente, essa terra vai ser uma terra fonte de conflito. O equilíbrio demográfico, sustentável e fundiário é fundamental para que a paz de espírito se recoloque na questão indígena.”

Por Via Sputnik Brasil  

Nada justifica o olho gordo em nossas terras

“Minha língua materna é a ze’egete, que significa “a fala boa”. Sou formada em letras, também conheço muito bem o português. “Narrativa”, palavra favorita dos seguidores do presidente Jair Bolsonaro, é definida no dicionário como “texto em prosa cujos personagens figuram situações fictícias, imaginárias”. E ela define a fala má dita na semana passada por Bolsonaro sobre o julgamento da tese do marco temporal no Supremo Tribunal Federal: “Se mudar o entendimento passado, de imediato nós vamos ter que demarcar, por força judicial, uma outra área equivalente à região Sudeste como terra indígena. Acabou o agronegócio”. Como é possível caber tanta ficção em apenas duas frases?”

Confira o Artigo de opinião completo de  Sonia Guajajara na Folha 

Acampamento Luta Pela Vida – Brasília

Com seis mil pessoas em Brasília, povos indígenas realizam maior mobilização pós Constituinte
Lideranças indígenas de 170 povos estão mobilizadas no acampamento Luta pela Vida, pela garantia de seus direitos originários e contra o marco temporal

Vindos de todas as regiões do país, cerca de 6 mil indígenas, de mais de 170 povos, estão mobilizados na capital federal, pela garantia de seus direitos originários e contra o marco temporal, nesta que tem sido a maior mobilização indígena pós-constituinte.

Mobilizados no acampamento “Luta pela Vida”, previsto para durar 7 dias, de 22 a 28 de agosto deste ano, a pauta principal está relacionada com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que é considerado pelo movimento indígena o processo mais importante do século sobre a vida dos povos indígenas, previsto para iniciar nesta quarta-feira, (25). Além disso, os povos também denunciam os projetos anti-indígenas em trâmite no Congresso Nacional e o agravamento das violências contra os povos originários dentro e fora dos territórios tradicionais.

Os ministros do STF irão analisar a ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng, referente à Terra Indígena (TI) Ibirama-Laklãnõ, onde também vivem os povos Guarani e Kaingang. Com status de “repercussão geral”, a decisão tomada neste julgamento servirá de diretriz para a gestão federal e todas as instâncias da Justiça, também como referência a todos os processos, procedimentos administrativos e projetos legislativos no que diz respeito aos procedimentos demarcatórios.

“A decisão tomada neste julgamento servirá de diretriz para a gestão federal e todas as instâncias da Justiça, também como referência a todos os processos, procedimentos administrativos e projetos legislativos”

“Estamos realizando a maior mobilização de nossas vidas, em Brasília, porque é o nosso futuro e de toda humanidade que está em jogo. Falar de demarcação de terras indígenas, no Brasil, é falar da garantia do futuro do planeta com as soluções para a crise climática”, reforça Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib.

“O acampamento ‘Luta pela Vida’ já diz no nome os motivos que fazem os povos indígenas estarem, em Brasília, em plena pandemia. Estamos trabalhando todas as medidas sanitárias, incluindo a testagem dos participantes e reforçando a vinda de pessoas já vacinadas”, enfatiza Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib.

De acordo com a Apib, foram desenvolvidos para o acampamento protocolos sanitários dedicados a reforçar todas as normas já existentes e recomendadas para o combate à Covid-19. A equipe de saúde do acampamento conta com profissionais indígenas de saúde em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com a Fundação Oswaldo Cruz de Brasília e do Rio de Janeiro (Fiocruz DF e RJ), com o  Ambulatório de Saúde Indígena da Universidade de Brasília (Asi/UNB) e com o Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Com uma intensa programação de plenárias, agendas políticas, marchas, manifestações públicas e culturais, os indígenas ficarão acampados na Praça da Cidadania, na Esplanada do Ministérios.

“O acampamento ‘Luta pela Vida’ já diz no nome os motivos que fazem os povos indígenas estarem, em Brasília, em plena pandemia”

Texto da  Assessoria de Comunicação do Acampamento Luta Pela Vida via CIMI
Fotografias do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena
A cobertura colaborativa pode ser acessada aqui.

Nhe’ē Porã – As Línguas Sagradas dos Povos Originários

Que tal aprender uma nova língua, se aproximar da cultura indígena e além disso ainda apoiar a causa desses povos? 🏹

É com muita alegria que o Nhe’ē Porã – Línguas Originárias convida você para a abertura de novas turmas online das línguas originárias dos povos Tupi e Guarani. 🌱

São três meses de encontros e trocas semanais com com os próprios representantes dos Povos Tupinambá, Guarani Mbya, Guarani Nhandewa e Tupi Guarani. 🌎

Através da língua, cultura, música, espiritualidade e toda a contribuição de cada professor, somado às trocas em grupo, o Nhe’ē Porã propõe uma experiência valiosa que todes podem fazer parte. ✨

Para + informações e inscrições acesse o formulário:
https://forms.office.com/r/x0kxn1PfhN

Oferecemos preços promocionais com 30% de desconto para professores da rede municipal, estadual e Waldorf. Acreditamos que educadores podem ser grandes parceiros do aprendizado dessas línguas e defensores desses povos. ✊🏼✊🏾✊🏿

IPOL Pesquisa

Receba o Boletim

Facebook

Revista Platô

Visite nossos blogs

Clique na imagem

Clique na imagem

Visitantes

Arquivo