Chamada aberta: “Pluricentrismo linguístico do português”

Chamada aberta — Edição especial

“Pluricentrismo linguístico do português: perspectivas para o ensino e a formação de professore(a)s”

Observatório de Português Língua Estrangeira / Segunda Língua (ObsPLE-PL2, UFBA/CNPQ)

Editores: Edleise Mendes (UFBA), Eduardo Lopes Piris (UESC), Jocenilson Ribeiro (UFS), Sílvia Melo-Pfeifer (Universidade de Hamburgo-UH)

1. Apresentação

As línguas pluricêntricas caracterizam-se por apresentar mais de um centro de referência, representando variadas normas linguísticas, nem sempre coincidentes do ponto de vista de seus usos. As normas variam internamente e, também, externamente, como é o caso de normas que diferem entre países ou regiões. De acordo com os principais teóricos que fundamentam os estudos sobre o tema (Michael Clyne; 1992; Rudolf Muhr, 2012), o pluricentrismo linguístico apresenta dois aspectos fundamentais: as relações entre linguagem e identidade e linguagem e poder. Esta última, sobretudo, tem demonstrado ser central para a compreensão das relações entre diferentes normas de uma língua pluricêntrica como o português.

As relações entre as variedades nacionais do português, por exemplo, têm sido de assimetria e de isolamento, pois assentam na competição entre as normas dominantes ou centrais, as normas brasileira e portuguesa, e o isolamento (ou mesmo apagamento simbólico) das outras variedades não-dominantes ou periféricas, dos demais países de língua oficial portuguesa, como os Países Africanos de Língua Portuguesa – PALOP e Timor-Leste. Desse modo, o conceito de pluricentrismo linguístico e suas implicações para o ensino e a formação de professore(a)s deve assumir-se como central para que possamos, a partir do posicionamento geopolítico do português hoje, pensar em perspectivas menos excludentes de gestão e de ensino da língua, que questionem a centralidade de duas normas em estado de competição, a portuguesa e a brasileira, para incluir e fortalecer as normas em desenvolvimento nos outros espaços da lusofonia (MENDES, 2016).

No debate recente sobre o tema, ainda são predominantes os estudos que estabelecem como foco a comparação entre sistemas de normas, numa perspectiva estritamente linguística, sem que sejam problematizados os aspectos sociais, políticos e culturais que impactam, diretamente, a promoção, a difusão e a projeção do português, especialmente nos campos do ensino e da formação de professore(a)s.

Desse modo, este Dossiê busca promover novas reflexões e debates sobre o pluricentrismo linguístico do português, com especial atenção para as diferentes dimensões éticas, políticas, teóricas e metodológicas que orientam o ensino e a formação de professore(a)s, em diferentes contextos de atuação no mundo.

A publicação, bem como seus/suas editores(as), integram o Observatório de Português Língua Estrangeira / Segunda Língua (ObsPLE-PL2), rede de pesquisadores(as) da área PLE/PL2, vinculados a universidades do Brasil e do exterior, em quatro continentes, interessados em estudos voltados para a língua portuguesa e sua grande diversidade linguística e cultural, em diferentes espaços do mundo.

2. Eixos temáticos

  • Políticas linguísticas em contexto do pluricentrismo do português
  • Língua, cultura, identidade e ensino pluricêntrico do português
  • Políticas de currículo para o ensino de Português Língua Pluricêntrica (PLP)
  • Perspectivas plurilingues, interculturais e críticas no ensino de PLP na formação de professore(a)s
  • Pluricentrismo linguístico e intercompreensão
  • Descolonização/decolonização do ensino da língua portuguesa na formação de professore(a)s
  • Abordagens e práticas de sala de aula de ensino de português numa perspectiva pluricêntrica
  • Contextos de ensino de português e pluricentrismo linguístico: PLE, PL2, PLA, PLH, PLAc.
  • Desenvolvimento de materiais e recursos para o ensino de PLP
  • Pluricentrismo linguístico e ensino on-line do PLP
  • Formação inicial e continuada de professore(a)s de PLP
  • Atitudes e crenças de professore(a)s e aluno(a)s sobre o pluricentrismo do português e o seu ensino

Submissões até: 30 março 2022

Informações para submissão:
https://periodicos.ufba.br/index.php/estudos/announcement/view/590

Lélia Gonzalez: conheça a mineira que criou o termo ‘pretuguês’

A intelectual, que nasceu em BH, foi fundadora do Movimento Negro Unificado e destacou a influência das línguas africanas no português falado no Brasil
O artista Denilson Tourinho sopra vela em um bolo formado por livros de Lélia Gonzalez
Coordenador do Prêmio Leda Maria Martins, Denilson Tourinho presta homenagem à Lélia Gonzalez (foto: Arquivo pessoal)
Natural de Belo Horizonte, Lélia Gonzalez completaria, neste 1° de fevereiro, 87 anos. O legado da intelectual inspira artistas e ativistas negros, inclusive Ângela Davis, e o ator Denilson Tourinho, que comemora aniversário no mesmo dia de uma das fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU). Coordenador do Prêmio Leda Maria Martins, que reconhece produções teatrais negras de destaque, Denilson homenageou Lélia na última edição do prêmio em dezembro.
“Lélia vem como referência não só de localidade, Belo Horizonte, Minas Gerais, lugar de origem da premiação e de nascimento dela. Ela é referência não só municipal, estadual ou nacional. É referência mundial, como Ângela Davis mesmo disse quando ela esteve, recentemente, em visita ao Brasil”, afirma Denilson, que é mestre em educação pela UFMG.
Lélia é uma referência fundamental para o feminismo negro. No entanto, o nome dela passou a ter visibilidade ampliada somente depois da visita de Ângela Davis ao Brasil em outubro de 2019. A intelectual e ativista norte-americana dos Panteras Negras em uma conferência, disse que aprendeu muito com Lélia e que as pessoas deveriam ler mais a obra da belo-horizontina.
“Minha avó foi precursora do feminismo negro no Brasil. No entanto, só agora ela tem visibilidade devida “, afirma Melina Lima, neta de Léla, cofundadora do projeto “Lélia Gonzalez Vive” e diretora de educação e cultura do Instituto Memorial Lélia Gonzalez.
Melina lembra que precisou de Ângela Davis trazer à tona o nome de Lélia para esse reconhecimento vir.  “Foi nesse momento que esse boom de reconhecimento. Quando Ângela Davis esteve no Brasil, todo mundo ovacionando ela, falando como ela era importante para luta racial, para luta feminista e ela falou: ‘vocês precisam ler Lélia Gonzalez. Lélia Gonzalez me ensinou'”.
Trata-se de um reconhecimento mais geral, uma vez que no movimento negro Lélia sempre teve destaque. “No movimento negro o lugar da minha avó sempre foi correto. O movimento negro sempre deu a importância e a visibilidade que ela merece. O movimento feminista começou a se aprofundar em Lélia depois da Ângela Davis falar.”

Pretuguês

Lélia Gonzalez com a mão para cima e sorrindo
Lélia Gonzalez é precursora do feminismo negro(foto: Divulgação)
Uma das contribuições teórica de Lélia é o conceito “pretuguês”, termo criado para pensar a formação da identidade cultural brasileira por meio das palavras provenientes de idiomas africanos.

Continue lendo

‘O Território’ relata luta do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia e ganha prêmios no Festival Sundance

‘O Território’, um documentário produzido com ajuda de indígenas Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, que mostra a história desse povo pela defesa de suas terras, venceu duas categorias no Festival Sundance de Cinema: Prêmio do Público e Prêmio Especial do Júri para Arte Documental.

O festival é conhecido por exibir o melhor do cinema independente e aconteceu entre os dias 20 e 30 de janeiro, nos Estados Unidos. Em 2022, por causa da propagação da variante ômicron, do novo coronavírus, todas as estreias foram realizadas de forma virtual.

O documentário foi primordialmente filmado em Rondônia, com participação de cineastas locais. Quem ajuda a traçar a linha narrativa é Bitaté, um jovem Uru-Eu-Wau-Wau, e a indigenista Ivaneide Bandeira, conhecida como “Neidinha”.

A partir deles, ‘O Território’ se apropria da arte e da linguagem audiovisual para denunciar desmatamentos, invasões de terras, queimadas e perseguições.

Foto: Reprodução/O Território

Bitaté também é fotógrafo, comunicador e foi uma das lideranças indígenas de Rondônia que esteve na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, no ano passado.

“É muito importante também mostrar como os indígenas estão ligados à arte, nas suas várias formas, como cinema, fotografia, música, nossas pinturas e mais”,

lembrou.

Bitaté, liderança indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Foto: Reprodução/O Território

Já a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, onde Neidinha atua, pontuou que chegar ao festival é relevante para colocar em evidência para todo o planeta a luta diária dos povos indígenas da Amazônia.

“Feito com sentido de urgência, o documentário é um testemunho em tempo real do avanço sobre terras indígenas já homologadas, estimulado pelas declarações e pela omissão do presidente Jair Bolsonaro, opositor das demarcações e aliado incondicional do agronegócio”, descreve a associação.

Ivaneide Bandeira, conhecida como “Neidinha”. Foto: Reprodução/O Território

Terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau

O território Uru-Eu-Wau-Wau passa por pelo menos 12 dos 52 municípios de Rondônia. Ele abriga nove povos indígenas, incluindo povos isolados. Entre as principais ameaças apontadas estão: desmatamento, queimadas e ações de grileiros, segundo o Instituto Socioambiental (ISA).

Também há registros de ameaças às lideranças indígenas. Em 2019, por exemplo, Awapu e Juwi Uru-Eu-Wau-Wau denunciaram à Polícia Federal (PF), em Porto Velho, que foram ameaçados de morte por madeireiros.

Segundo as vítimas, homens os procuraram pela aldeia, mas não os encontraram, pois o casal estava na capital participando de um treinamento de pilotagem de drones. O curso fez parte de um projeto da ONG World Wide Fund for Nature (WWF) para ajudar na proteção de terras indígenas em Rondônia.

No ano seguinte Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi encontrado morto em um distrito de Jaru (RO). Ele trabalhava registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro da aldeia, pois fazia parte do grupo de vigilância do povo indígena.

Ele foi morto durante a noite de 17 de abril de 2020 e o corpo foi encontrado na manhã seguinte, com sinais de lesão contundente na região do pescoço, que ocasionou uma hemorragia aguda.

Conforme um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), publicado em 2021, em Rondônia, há anos a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau sofre com invasões, desmatamento, grilagem e queimadas. As ameaças, segundo apontado pelo relatório, acabam deixando o povo sem liberdade e segurança mesmo no seu próprio território.

*Por Ana Kézia Gomes 

PORTAL AMAZÔNIA, COM INFORMAÇÕES DO G1 RONDÔNIA

ABERTO O 2.º CONCURSO IILP – ITAMARATY DE ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA

 

Estão abertas, de 06 de dezembro de 2021 a 31 de março de 2022, as inscrições para o 2.º Concurso IILP – Itamaraty de Artigos Científicos sobre a Língua Portuguesa, iniciativa financiada com base na contribuição extraordinária concedida pelo Brasil.

O concurso, que oferecerá prêmios em dinheiro aos autores dos melhores artigos, inclui duas categorias, Graduação/Licenciatura e Pós-graduação. Para requisitos de submissão de trabalhos e mais informações, confira abaixo o regulamento completo e os respetivos anexos.

Congresso Internacional em Sintaxe (CISyntax2022) | novo prazo

O Centro de Linguística da Universidade do Porto divulga a realização do Congresso Internacional em Sintaxe (CISyntax2022), que decorrerá em homenagem à Professora Doutora Ana Maria Brito.

O Congresso terá lugar nos dias 13, 14 e 15 de julho de 2022, em regime presencial, nas instalações da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), Portugal.

A Professora Doutora Ana Maria Brito é Professora Catedrática Jubilada da FLUP, desde o dia 1 de janeiro de 2021. Docente de Linguística e investigadora com vastíssima produção científica, desenvolveu a sua atividade principalmente na área da Sintaxe, não descurando, contudo, domínios de interface como Sintaxe-Semântica e Sintaxe-Morfologia. Reconhecem-se também como áreas da sua atuação a Sintaxe Comparada, a Variação Sintática e o Ensino da Sintaxe.

Tendo em conta as valências da nossa homenageada, este Congresso contará com os seguintes eixos temáticos:

  • Sintaxe (vários quadros teóricos)
  • Sintaxe e Interfaces
  • Sintaxe Comparada
  • Sintaxe e Variação Linguística
  • Sintaxe e Ensino

Aceitam-se trabalhos nas modalidades Comunicação oral (20 minutos de apresentação + 10 de discussão) e poster (exposição permanente, com breve apresentação).

Os resumos devem ser anónimos e ser enviados, em formato PDF, através da plataforma Easychair até 15 de fevereiro de 2022.

Consulte a chamada completa em anexo.

Para mais informações pode ser consultado o site do Congresso ou enviado um email para os organizadores: conferencia.ambrito@gmail.com

No AM, São Gabriel da Cachoeira se torna Capital Estadual dos Povos Indígenas

São Gabriel da Cachoeira é o maior reduto de indígenas do Brasil. (Divulgação/ Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira)

MANAUS – O município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus) se tornou a Capital Estadual dos Povos Indígenas. A Lei n.º 5.796 foi sancionada pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, em 12 de janeiro de 2022, e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) do Amazonas. A cidade destaca-se por abrigar 23 etnias indígenas e ter 90% da população composta por indígenas e descendentes.

O Projeto de Lei n. 423/2021 é de autoria do deputado estadual Tony Medeiros (PSD). “São Gabriel da Cachoeira é a cidade dos brasileiros originais. A cidade de quase 50 mil habitantes, banhada por rios e cercada por densa floresta que tem o índio – o primeiro brasileiro – como seu principal morador. Nove entre dez pessoas de São Gabriel da Cachoeira pertencem a esse grupo étnico”, diz a íntegra do documento.

O líder indígena em São Gabriel da Cachoeira André Baniwa, de 50 anos, destacou à CENARIUM que o reconhecimento da cidade como Capital Estadual dos Povos Indígenas é importante, porque vai valorizar a região, considerando a população, as culturas, as potencialidades de riqueza cultural, educação e turismo.

“Eu acho que os povos indígenas devem discutir, entender isso e aproveitar. Isso fortalece, na verdade, para levar adiante o princípio do desenvolvimento local sustentável, a partir dos conhecimentos culturais locais. Que seja sustentável, preservando, mas buscando sempre qualidade e o bem viver dos povos indígenas daquela região”, destacou.

 

Trecho da lei sancionada pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (Reprodução/ Diário Oficial do Amazonas)

A cidade

Acessível somente de barco ou de avião, São Gabriel da Cachoeira faz fronteira com a Colômbia e a Venezuela. O município, com população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021 de 47 mil habitantes, também é o principal acesso para o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, a 3.014 metros de altitude, e via de acesso para a Terra Indígena Yanomami, que engloba o Amazonas e Roraima.

O município foi o primeiro, no Brasil, a cooficializar as línguas indígenas Nheengatu, Tukano e Baniwa. Cerca de 25 mil indígenas vivem em 750 comunidades na região do Alto Rio Negro, com 11 terras indígenas que abrangem os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Izabel do Rio Negro e Barcelos.

Veja o Projeto de Lei n. 423/2021

 

Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

Texto copiado de:
https://agenciacenarium.com.br/no-am-sao-gabriel-da-cachoeira-se-torna-capital-estadual-dos-povos-indigenas/

Copyright © AGÊNCIA CENARIUM

Receba o Boletim

Facebook

Revista Platô

Revistas – SIPLE

Revista Njinga & Sepé

REVISTA NJINGA & SEPÉ

Visite nossos blogs

Forlibi

Forlibi - Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

GELF

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

Clique na imagem

Arquivo

Visitantes