Armindo Ngunga fala sobre a importância das línguas moçambicanas
O linguista moçambicano Armindo Ngunga dispensa qualquer apresentação. Recentemente, o @Verdade encontrou-o na Escola Superior de Jornalismo onde ia ministrar a aula inaugural sobre as línguas Bantu e aproveitou a ocasião para lhe formular três perguntas.
@Verdade: Que a importância possui a língua materna numa sociedade como a moçambicana, por exemplo?
Armindo Ngunga: A língua materna é a coisa mais importante que todos nós temos, em qualquer sociedade. Ela confunde-se com o que cada um de nós é. O que seria de mim sem a minha língua? O mundo estaria fechado e, em resultado disso, eu não poderia comunicar-me com ninguém. As pessoas não se abririam para mim – o sentido inverso é válido – o que seria um autêntico sufoco. A língua materna faz parte da identidade de cada cidadão e de cada sociedade. E como partilhamos a língua materna com os outros, ela mantém os nossos laços de relacionamento, daí que ela se reveste de grande importância.
@Verdade: Que contributo o uso da língua materna pode trazer nas repartições públicas como os hospitais, os tribunais e as academias, por exemplo?
Armindo Ngunga: Eu não sei como é que uma pessoa se sente quando é julgada numa língua que não percebe. De repente, sucede que ela se encontra numa cela sem saber as razões, porque o juiz o julgou utilizando um idioma estranho e, nesse caso, ele nem percebeu o que aconteceu. Portanto, a língua é um instrumento muito importante na nossa vida como pessoas que vivem numa sociedade. Penso que cada pessoa devia respeitar a língua materna do outro, enquanto direito humano de se comunicar e de se defender, porque é a partir dela que isso se faz da melhor forma.
Em Moçambique, a língua materna de determinadas pessoas – 10 porcento – é o português. No entanto, há pessoas que, não falando o português, é-lhes recusada a possibilidade de sobreviver porque os médicos, por exemplo, não se comunicam com elas nas suas línguas. Por essa razão, invariavelmente, os doentes não explicam devidamente de que padecem. Quando o paciente e o médico não partilham a mesma língua, o doente corre sérios riscos de vida. A língua é um meio importante que, se bem utilizado, pode salvar a nossa vida, mas também nos pode matar.
@Verdade: Que contributo a língua materna pode trazer no acesso às fontes de informação, em Moçambique, tendo em conta as várias áreas do saber?
Armindo Ngunga: Se a comunicação social, por exemplo, usasse as línguas maternas moçambicanas nós teríamos uma vasta área de conhecimento a gerar algum tipo de interacção no nosso seio. Qualquer língua é sempre um meio activo para o acesso ao intelecto. Por isso, acredito que se nós utilizássemos as nossas línguas maternas nos estabelecimentos de ensino, como meio de acesso à informação universal – e porque ao longo do tempo, os seres humanos aperfeiçoaram os conhecimentos veiculados em determinadas línguas pré-seleccionadas – resolveríamos facilmente e melhor os nossos problemas, na academia, do que agora que utilizamos as línguas estrangeiras.
As línguas maternas permitem que as crianças se sintam confortáveis na escola. A sua não utilização provoca um sufoco aos petizes, porque eles não compreendem o que o professor diz e nem podem reagir porque não têm como fazê-lo. Até podem reprovar nos exames porque não conseguem dizer aquilo que sabem na língua que a norma lhes obriga a fazê-lo.
Fonte: http://www.verdade.co.mz/
Embaixador reitera posição do Brasil de cumprimento do acordo ortográfico
O embaixador brasileiro Mario Vilalva enviou, no último dia 20, uma carta aos deputados portugueses onde aponta a posição do Brasil sobre o AOLP (acordo ortográfico da língua portuguesa). O parlamento de Portugal debate e vota, na próxima sexta-feira (28), três projetos de resolução sobre o Acordo Ortográfico
O deputado Acácio Pinto, Deputado do PS, do Distrito de Viseu, publicou em seu blog e transcreveu parte do documento: “Começo por reiterar o compromisso do Governo brasileiro com o cumprimento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Como se recorda, depois de assinado em 16 de dezembro de 2007, o Acordo foi ratificado pelo Congresso Nacional (Câmara e Senado) e sua implementação passou a ser obrigatória em todo o país por força do Decreto nº 6.583/08, publicado no Diário Oficial da União, em 30 de setembro de 2008, ressalvado o período de transição, ampliado recentemente por decreto legislativo até final de 2015, a fim de assegurar a assimilação das novas regres entre os quase 200 milhões de habitantes, em um território de 8,5 milhões de km2.” Leia Mais
Aprovado o Plano de Ação de Lisboa
O Plano de Ação de Lisboa, resultante da II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, foi aprovado pelo XII Conselho Extraordinário de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no dia 20 de fevereiro de 2014, em Maputo. Leia a resolução, clique aqui .

Suiça diz que ameaças de boicote da UE pelas novas cotas de imigração são exageradas
País com 4 línguas oficiais ( alemão, romanche, francês e italiano) exemplo de respeito à diversidade e liberdade dos seus cidadãos, a Suíça com o referendo limitando a imigração, estremece e gera constrangimento na sua relação com a União Européia
O ministro da defesa suíço disse que é “impensável” que os acordos de seu país com a União Europeia sejam encerrados como resultado do referendo para travar a imigração, afirmando que ameaças de retaliação por parte do bloco são exageradas. Os eleitores suíços neste mês apoiaram, com pequena margem a favor, uma proposta para reduzir a imigração, um movimento que poderia violar o pacto de livre circulação dos cidadãos com o bloco europeu com seus 28 membros, que entrou em vigor em 2002.
O tratado é parte de um pacote de sete acordos visando a cooperação econômica e tecnológica, contratos públicos, e uma série de outras áreas entre a União Européia e a Suiça. O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, alertou que as medidas de imigração suíças teriam “consequências graves” para os laços com a UE, que já adiou as negociações com o país em programas de investigação e de ensino de vários bilhões de dólares.
“A União Europeia e a Suíça têm interesse em chegar a uma solução sensata” disse Ueli Maurer, um membro da extrema-direita Partido do Povo Suíço (SVP), que encabeçou a proposta, disse à Schweiz am Sonntag. “É impensável que os acordos bilaterais sejam encerrados, quer pela Suíça ou pela UE. Ambos os lados se beneficiam deles.”
Um cartaz contra a “iniciativa imigração em massa” do partido socialista SPS é visto através da cerca de arame farpado na Praça Federal antes de uma campanha na capital Berna em 29 de janeiro de 2014.
Maurer disse ao jornal que ele não aguardava muito progresso antes das eleições para o Parlamento Europeu em maio, mas espera conversas “construtivas” depois. Outros líderes da UE adotaram um tom mais conciliador, como a chanceler alemã Ângela Merkel , que alertou contra a retaliação, dizendo que os próprios interesses da Europa serão mais bem servidos esperando para ver como a Suíça implementara o resultado do referendo.
UNESCO publica em português e espanhol o manual para jornalistas investigativos
A investigação a partir de histórias: um manual para jornalistas investigativos é um guia amplamente reconhecido por jornalistas investigativos de várias partes do mundo, publicado pela primeira vez em 2009, em diversas línguas. Naquele momento, as versões em espanhol e português não estavam disponíveis. Cinco anos mais tarde, devido à grande demanda, a UNESCO lança nessas línguas, gratuitamente, esta notável publicação (baixe aqui, em português e em espanhol). Ambas versões já estão disponíveis para download, e se somam às outras cinco línguas previamente publicadas.
O valor e a importância da precisão, do cuidado e da busca detalhada de informações pelo jornalismo investigativo em uma democracia são cada vez mais reconhecidos. Suas contribuições são essenciais para a governabilidade democrática. A existência de um watchdog público que expõe e informa aos cidadãos e cidadãs sobre as eventuais más práticas dos membros supostamente confiáveis da sociedade ou do governo é fundamental para uma democracia que está funcionando de forma saudável.

No entanto, Mark Lee Hunter sugere que o jornalismo investigativo envolve não somente cobrir o que não funciona bem. Ao longo da publicação, ele reforça: “Por fim, não busque apenas coisas que envolvam transgressões. É frequentemente mais difícil realizar um bom trabalho de reportamento sobre algo que está dando certo – entender um novo talento, ou um projeto de desenvolvimento que alcançou as suas metas, ou uma empresa que está gerando riqueza e empregos. Identificar os elementos replicáveis do sucesso, ou as ´melhores práticas´, é um valioso serviço aos seus expectadores.”
Bulgária, Hungria e Romênia condenam abolição de lei sobre línguas na Ucrânia
Os governos da Bulgária, Hungria e Romênia submeteram a severas críticas a decisão da Suprema Rada (parlamento ucraniano) de revogar a lei do uso ampliado de línguas minoritárias.
O Ministério das Relações Exteriores da Bulgária divulgou esta quarta-feira um comunicado em que exorta os novos líderes políticos da Ucrânia a buscar a integração de todos os grupos étnicos na sociedade ucraniana e respeitar os direitos humanos e a primazia do direito. De acordo com as autoridades oficiais búlgaras, a decisão do parlamento ucraniano vai afetar os 200 mil búlgaros que vivem no sul da Ucrânia, onde o búlgaro tinha recebido o estatuto de língua regional.
Manifestantes no centro da capital ucraniana, Kiev. (foto: Marcos Mucheroni )
O chanceler da Hungria, Janos Martonyi, também exigiu respeitar o direito dos 150 mil húngaros residentes na Ucrânia a usarem livremente sua língua materna. Ele condenou as ações dos ativistas do “Setor Direito” que haviam impedido uma manifestação da comunidade húngara na cidade transcarpatiana de Beregovo.
Por sua vez, o presidente romeno, Traian Basescu, disse que a Ucrânia, que abriga 400 mil romenos étnicos, poderá permanecer íntegra apenas se as minorias forem devidamente respeitadas por parte das autoridades atuais.
Fonte: Voz da Russia.


