Observatório da Educação na Fronteira disponibiliza livro em PDF para download

O livro “Política Linguística em Contextos Plurilíngues: Desafios e Perspectivas para a Escola” organizado por Rosângela Morello e Marci Fileti Martins está disponível para download no link abaixo.

As fronteiras como linhas limítrofes de territórios e como espaços habitados por múltiplas outras fronteiras, materiais e imateriais, simbólicas sempre, que se erigem por razões políticas, econômicas, étnicas ou linguísticas e que afetam o ensino público constituem o tema central desse livro. Nele estão reunidos textos que tematizam políticas que impõem fronteiras, que falam da experiência de viver nas e com as fronteiras, de poder ou não reconhecê-las e atravessá-las. São textos que falam das fronteiras como limites subjetivos construídos por crenças e evidências e que também expressam o deslumbramento dos momentos em que se pode olhar e ir além desses limites. Textos que falam também das inseguranças e dos desa fi os implicados nesse ir
além e dos desejos de construção de novos territórios, novas possibilidades. A palavra escrita nem sempre deu conta de tantos sentidos sentidos. No entanto, ela nos possibilitou ancorar, ainda que provisoriamente, algumas histórias para a travessia compartilhada no âmbito do projeto Observatório da Educação na Fronteira (OBEDF), um projeto que tematizou uma das mais
e fi cientes fronteiras construídas para a consolidação da nacionalidade e da cidadania brasileira: o monolinguismo em língua portuguesa.

O OBEDF colocou em discussão os confrontos entre o aparato do monolin-guismo e a realidade multilíngue de escolas brasileiras situadas na faixa de fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia. Por dois anos e meio (início de 2011 a meados de 2013), professores e pesquisadores de Escolas de Ensino Fundamental de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, Guajará Mirim, em Rondônia e Epitaciolândia, no Acre, e das Universidades Federais de Santa Catarina e Rondônia, observaram o lugar das línguas nas práticas de alfabetização e letramento nos anos iniciais, participaram do diagnóstico sociolinguístico coordenado pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) e, em seminários presenciais e à distância, discutiram hipóteses, desa fi os e iniciativas voltadas à promoção de um  ensino mais inclusivo, ensino este que considerasse as línguas dos alunos e professores como importante recurso de aprendizagem e ensino.

A construção coletiva de um espaço de escuta para os sujeitos e suas línguas se tornou uma prática fundamental no projeto e também um dos seus principais resultados. Os textos aqui reunidos expressam essa dinâmica da pesquisa. Eles trazem, às vezes na forma de relatos, a marca indelével do permanente processo de escuta e da constante busca por compreensão das situações e questões que foram se apresentando. Abrindo a coletânea, o texto Línguas, fronteiras e perspectivas para o ensino bilíngue e plurilíngue no Brasil contextualiza o OBEDF no quadro do multilinguismo do Brasil, apresenta políticas linguísticas voltadas ao reconhecimento das línguas brasileiras e discute as condições históricas e políticas para uma educação bi e plurilíngue.

Na sequência, explora alguns resultados do OBEDF e defende a perspectiva de abordagem das línguas como recurso educativo que promove um ensino inclusivo, qualifica a formação escolar dos alunos e amplia as possibilidades de atuação dos professores. Em Educação Bilíngue em Zona de Fronteira: Pensando Modelos e Programas, o leitor encontrará uma análise de modelos de educação bilíngue e uma sistematização de elementos que os integra segundo seus objetivos educacionais, sociais e políticos. A partir dessa análise, a autora discute as diretrizes apontadas na Portaria MEC no. 798 de 10/06/2012 que versa sobre educação intercultural para zona de fronteira no Brasil.

Com Alfabetização de Alunos Plurilíngues nas Escolas Brasileiras de Fronteira entramos na Escola Municipal Maria Lígia Borges Garcia, ouvimos os relatos sobre o silêncio imposto aos falantes das línguas guarani e espanhol e acompanhamos o sensível deslocamento dos professores para uma posição atenta às interações linguísticas em suas especi fi cidades, a partir da qual
passam a questionar valores, ideologias, concepções e possíveis preconceitos linguísticos presentes no cotidiano escolar.

O Legado do Projeto OBEDF em Sena Madureira (Acre): o Português, o Jaminawa, o Bilinguismo e o Ensino da Língua O fi cial resulta da pesquisa realizada na Escola Pública Municipal de Ensino Fundamental Messias Rodrigues de Sousa, na cidade de Sena Madureira. Por meio da análise de
produções orais e escritas de alunos indígenas Jaminawa e alunos não indígenas, traz para o debate as di fi culdades enfrentadas, por um lado, por  professores que não estão preparados para receber os alunos Jaminawa bilíngues vindos de diversas aldeias da região, e por outro lado, pelos alunos
Jaminawa que não conseguem dominar a língua portuguesa ensinada na escola.

Dialogando com este texto está o Apontamentos sobre a Ortogra fi a da Língua Jaminawa: entre o Linguístico e o Não Linguístico, que contribui para a documentação e descrição da língua Jaminawa através de uma descrição fonética preliminar dos sons da língua e da problematização das duas propostas ortográ fi cas existentes para o alfabeto Jaminawa: o Guia del Alfabeto Yaminawa e a Cartilha Jaminawa, produzidos na Bolívia e no Brasil, respectivamente. A partir de um corpus que tomou como base os 70 itens lexicais elencados nas referidas propostas ortográ fi cas e de uma lista de aproximadamente 80 itens que incluem termos de fauna e flora, de partes
do corpo, dentre outros, o trabalho serve como indicador para os estudos da fonologia Jaminawa, subsidiando a implementação de uma ortogra fi a para essa língua e seus usos na escola.

O Ensino e Aprendizagem na Escola Bela Flor antes e depois do Projeto Observatório da Educação na Fronteira relata o processo de sensibilização linguística vivido pela escola acreana a partir das intervenções propostas pelo OBEDF e socializa alguns resultados que re fl etem o poder mobilizador de uma política linguística adequada às demandas locais. Nessa mesma direção temos o texto sobre a Construção Curricular na Perspectiva de uma Escola Bilíngue na Fronteira Brasil X Bolívia em que a equipe da escola Durvalina Estilbem de Oliveira, de Guajará-Mirim/RO,
na fronteira Brasil/Bolívia, re fl ete sobre a necessidade de construção de um currículo escolar intercultural bilíngue/plurilíngue de fronteira que atenda aos anseios da comunidade escolar com uma proposta ou modelo de ensino com ênfase no ensino do português e do espanhol.

A identificação dos modos pelos quais a Escola Floriza Bouez tem lidado com o multilinguismo constitui o mote inicial para o texto Diferenças e Preconceitos Linguísticos: desa fi os para a Escola Pública. Associando as práticas da escola com a necessidade de atender a demandas socioeconômicas, apresenta um panorama das di fi culdades de aprendizagem dos alunos
descendentes de bolivianos e tematiza o desa fi o que sua presença impõe aos educadores.

Fonte: Apresentação do Livro

Link para download Livro Política Linguística OBEDF

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