INDL – IPOL realiza o Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira PNPI 05/2023
O IPOL realiza, após o guarani m’bya, hunsrick, pomerano e libras, mais um inventário de línguas brasileiras. Agora o foco é a língua polaca brasileira através do Projeto Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira, executado conforme o Termo de Colaboração nº 947721, celebrado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) pelo EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 05/2023 – PROGRAMA NACIONAL DO PATRIMÔNIO IMATERIAL.
As línguas eslavas chegaram ao Brasil, sobretudo, a partir da segunda metade do século XIX, anos 1860 e 1889, e se estenderam até 1950, no período Pós-Segunda Guerra Mundial. Dentre tais língua está a polonesa, cujos primeiros núcleos de colonização datam de 1847, com poloneses que chegaram ao Espírito Santo, provenientes da Prússia Oriental e da Silésia (Vicroski,2022).

Retrato de uma família de imigrantes / Museu Museu Sto Lat (Museu dos 100 Anos) fundado pela BRASPOL em 19/11/2005
Dentre os imigrantes eslavos estão os que entraram como russos, os quais vieram em três levas, também a partir de 1847 (BYTSENKO,2006). Os imigrantes ucranianos vieram por volta de 1895 e 1897 (Maciel, 2010). São considerados os primeiros imigrantes ucranianos a se instalarem no Brasil. De qualquer forma, mais justo e adequado se torna considerar as territorialidades constituídas por esses grupos, que abrangem seguramente uma área bem superior à atual Polônia.
Diante de tais circunstâncias, além do desafio da manutenção de uma língua eslava (o polonês), havia o contato interétnico que ocorria tanto com língua portuguesa, língua latina e oficial do Brasil, quanto com as demais línguas de outros grupos europeus que igualmente passaram a ocupar e colonizar o território brasileiro, particularmente a região sul do Brasil.

As famílias mantinham vivos os laços através de correspondências onde se contava sobre as terras e realidade brasileiras (Reprodução correspondência acervo famíliar de Dona Cacimira Nadloviski)
A história da imigração no Brasil está marcada, portanto, por fluxos de diferentes grupos étnico-linguísticos que, ao se estabelecerem em território nacional, trouxeram consigo suas línguas, culturas e tradições. Entre esses grupos, destaca-se a comunidade polonesa/polaca, cuja presença no país remonta ao século XIX. Nesse contexto, o Inventário da Língua polonesa/polaca brasileira configura-se como uma ação fundamental para o resgate, valorização e preservação dessa herança linguística, que ainda se mantém viva em algumas comunidades por meio da transmissão intergeracional.
Assim, entre os dias 7 e 16 de junho, uma das equipes do Instituto de Desenvolvimento em Política Línguística- IPOL responsável pelo Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira realizou mais uma etapa de pesquisa de campo em comunidades dos estados do Paraná e Santa Catarina.

Comunidade reunida na Igreja Centenária da Comunidade Água Branca – São Mateus do sul, responde a pesquisa
Durante a etapa de campo, foram desenvolvidas atividades de aplicação de questionários sociolinguísticos, realização de entrevistas, coleta de autorizações para participação na pesquisa e registro de listas de palavras, procedimentos metodológicos que permitem compreender a vitalidade linguística, as práticas culturais e os processos de transmissão intergeracional da língua. As atividades abrangeram as localidades de Colônia Dom Pedro, São Bento do Sul (Distrito de Bateias de Baixo), São Mateus do Sul (Colônia Iguaçu e comunidade Água Branca), Mallet (Distrito de Rio Claro), Paulo Frontin, Cruz Machado (incluindo a comunidade de Santana), União da Vitória, Porto União e Itaiópolis, contemplando diferentes contextos de manutenção da língua polonesa/polaca brasileira.
O material reunido constitui importante fonte para a caracterização das comunidades pesquisadas, contribuindo para a documentação da diversidade linguística brasileira e para a consolidação de informações que subsidiarão estudos, ações de salvaguarda e futuras políticas públicas voltadas ao patrimônio cultural de natureza imaterial.
A etapa também evidenciou o comprometimento das comunidades participantes com a preservação de seu patrimônio linguístico. Em localidades como Massaranduba e a comunidade Legru, em Porto União, os moradores manifestaram interesse na continuidade das atividades e solicitaram novos agendamentos em finais de semana, ampliando as possibilidades de participação da população local nas ações de pesquisa.

Josiane Choynaski, ativista de Paulo Frontin; Professor Evaldo José Drabeski de São Mateus; Sra. Ana Milczuk em Cruz Machado, distrito de Santana; izabel Landovski Kollross, Moinho Kollroos no bairro Paraguaçu, Itaiópolis, tombado pelo IPHAN; Irmãos Szymanak: Leon Szymanak e Polan Szymanak, Edvino Pedro Gaias e dona Francisca Szymaonska Gaia Cruz Machado – Distrito de Santanta; Aurea Lis e Aline Lis proprietárias do Restaurante Pierogarnia, Bairro Paraguaçu / Itaiópolis; a cruz está no cemitério de Paraguaçu / Itaiópolis
O Inventário da Língua Polonesa/Polaca Brasileira integra as ações de documentação do patrimônio cultural de natureza imaterial desenvolvidas pelo IPHAN com responsabilidade do IPOL e reafirma o compromisso institucional com a valorização da diversidade linguística brasileira. Por meio da pesquisa de campo e do diálogo com as comunidades detentoras desse patrimônio, o projeto contribui para registrar memórias, práticas culturais e formas de transmissão da língua, fortalecendo sua preservação e reconhecimento como parte da riqueza cultural do Brasil.
As próximas etapas do projeto darão continuidade às atividades de campo no Espirito Santo e no Rio Grande do Sul, comunidades de referências escolhidas para compor o inventário neste momento. E consequentemente ampliando a documentação e aprofundando o diálogo com os detentores desse patrimônio cultural, em consonância com as diretrizes do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.










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