Diversidade Linguística e Cultural

Mortes de indígenas idosos por Covid-19 colocam em risco línguas e festas tradicionais que não podem ser resgatadas

Por Carolina Dantas, G1

Aripã e Katica em terra indígena Karipuna, em Rondônia, em 2019 — Foto: Fabio Tito/G1

Aripã e Katica em terra indígena Karipuna, em Rondônia, em 2019 — Foto: Fabio Tito/G1

Covid-19 mata mais os idosos e são eles a fonte histórica dos indígenas brasileiros. Os antigos Guajajara, no Maranhão, cantam os rituais. Na aldeia dos karipuna, em Rondônia, Katica e Aripã têm as tatuagens tradicionais e mantêm a língua tupi-kawahib. Os anciãos, que ensinam os mais jovens, correm risco de morrer ou já foram perdidos para a doença.

Não há um balanço oficial de mortes indígenas por Covid-19 por idade. Sabe-se que são 187 mortes até esta quinta-feira (9), de acordo com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Ou, como diz o levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), 453 mortos. Não há consenso também sobre o número geral de vítimas da doença.

Cada caso é divulgado, então, por quem vive perto das aldeias. Aloisio Cabalzar, antropólogo do Instituto Socioambiental (ISA) no Rio Negro, diz que a tradição das sociedades indígenas é basicamente oral. Em geral, são as pessoas mais velhas que passam o conhecimento para as mais jovens.

“Os idosos são o principal grupo de risco. É o que está acontecendo: estamos perdendo o conhecimento” – Aloisio Cabalzar, antropólogo

São mais de 300 povos no Brasil e 200 línguas.

Feliciano Lana, ilustrador da cultura indígena, morre de Covid-19 — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

Feliciano Lana, ilustrador da cultura indígena, morre de Covid-19 — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

Na região do Rio Negro, o ilustrador Feliciano Lana, de 82 anos, desenhou por mais de 30 anos o que assistia na Amazônia. Era “calmo e generoso”, como descreveu Cabalzar.

“Produziu uma obra sensível, expressiva da cosmologia dos povos Tukano e quase onipresente nos trabalhos de antropólogos, historiadores e artistas que tratam do Rio Negro. Seus trabalhos estão em instituições diversas como o Museu de Arte de Belém, o Museu da Amazônia e o Museu Britânico, com o qual estava colaborando recentemente”.

Obra de Feliciano Lana — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

Obra de Feliciano Lana — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

Feliz, como era conhecido Lana, morreu em maio de Covid-19. Pouco mais de um mês depois, o Rio Negro também perdeu Poani Higino Pimentel Tenório. Ele pegou a doença em São Gabriel da Cachoeira, chegou a ser tratado, e foi transferido para Manaus. O governo do Amazonas informou que ele foi internado na UTI em uma ala indígena, mas que apresentou um quadro agravado por insuficiência respiratória aguda.

Cabalzar diz: “Tenório foi o principal líder do povo Tuyuka e por 20 anos foi educador da língua original aos mais novos”. Ele tinha muitas profissões: construtor de canoa, artesão, químico, professor, tradutor trilíngue e intercultural, gestor de organização indígena, pesquisador, especializado em petróglifos, escritor, produtor cultural.

Higino, em fotografia de Aloisio Cabalzar, em sua comunidade Tuyuka em 2008 — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

Higino, em fotografia de Aloisio Cabalzar, em sua comunidade Tuyuka em 2008 — Foto: Cortesia/Instituto Socioambiental

“Ele buscou os filhos indígenas em outras escolas, ensinou a língua tuyuka. Garantiu muito material escrito, vários trabalhos publicados. Ele foi a principal liderança do processo de retomada da língua tuyuka”, disse o antropólogo.

No Maranhão, Sônia Guajajara, líder indígena e coordenadora da Apib, vê um processo parecido. Os idosos morrem e levam o que sabem, diz ela. A doença já chegou em territórios próximos a povos isolados: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá; terra indígena Momoadate, no Acre; Vale do Javari, no Amazonas.

Mortes de indígenas por Covid-19 no Brasil — Foto: Arte/G1

Mortes de indígenas por Covid-19 no Brasil — Foto: Arte/G1

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Pesquisa analisa diferenças entre as línguas indígenas faladas em Mato Grosso do Sul

A presença marcante dos povos indígenas no estado é motivo de orgulho para o sul-mato-grossense. Mato Grosso do Sul possui, hoje, a segunda maior população indígena do país, contando com povos Guarani-Kaiuá, Terena, Kinikinau, Kadiwéu, Guató e Ofayé.

Acompanhando a importância da cultura indígena no contexto regional, a UFMS tem, em sua história, empregado esforços para se aprofundar, aprender e valorizar as práticas e conhecimentos  desses povos. Em Aquidauana, destaca-se a institucionalização do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, que desde 2019 oferece ingresso anual, em graduação específica, para os pertencentes às comunidades indígenas.

Além do ensino, a Universidade também atua de forma coordenada para a pesquisa indígena. São diversos os pesquisadores da Instituição que se dedicam ao saber científico na área. E os seus resultados têm contribuído para descobertas importantes, que se agrupam a um esforço mundial para desmistificar e desvendar os saberes dos povos nativos.

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Dia do Imigrante Pomerano – 28 de junho

No dia 28 de junho de 1859, as primeiras 27 famílias desembarcaram em Vitória, dando início à colonização Pomerana no Espírito Santo, 161 anos atrás.

 

https://www.facebook.com/watch/?v=558809974794663&t=90

Dia do Imigrante Pomerano

Hoje comemoramos o Dia do Imigrante Pomerano. No dia 28 de junho de 1859, as primeiras 27 famílias desembarcaram em Vitória, dando início à colonização Pomerana no Espírito Santo, 161 anos atrás. Foram tempos muito difíceis. Mas o povo Pomerano é forte, trabalhador e, com muita luta, conseguiu superar todas as dificuldades. No Espírito Santo, somos mais de 150 mil descendentes. Os pomeranos residem, em maior número, nos municípios de Santa Leopoldina, Pancas, Laranja da Terra, Domingos Martins, Vila Pavão, Afonso Cláudio, Itaguaçu, Itarana, Baixo Guandu, Vila Valério e Santa Maria de Jetibá, que concentra uma das maiores colônias pomeranas do mundo.Várias pessoas e instituições trabalham para preservar a Língua, a Cultura e as Tradições Pomeranas no nosso Estado.Por isso, a minha homenagem e o meu agradecimento a todos os Pomeranos residentes em terras capixabas! Eu tenho orgulho de ser Pomerano!#deputadoadilsonespindula #adilsonespindula #deputadoestadual #imigracaopomerana #pomerano #pomerana

Publicado por Adilson Espindula em Domingo, 28 de junho de 2020

Convocatoria “Intraducibles”, en Lenguas indígenas

Premio de Literaturas Indígenas de América 2020

PLIA

Con la finalidad de reconocer y estimular la creación literaria de los escritores en lenguas indígenas, LA UNIVERSIDAD DE GUADALAJARA, LA SECRETARÍA DE CULTURA DEL GOBIERNO DE LA REPÚBLICA, LA SECRETARIA DE CULTURA DEL ESTADO DE JALISCO (SCJ), LA SECRETARÍA DE EDUCACIÓN DEL GOBIERNO DEL ESTADO DE JALISCO (SE), EL INSTITUTO NACIONAL DE LENGUAS INDÍGENAS (INALI) Y EL INSTITUTO NACIONAL DE LOS PUEBLOS INDÍGENAS (INPI), convocan al PREMIO DE LITERATURAS INDÍGENAS DE AMÉRICA 2020, de conformidad con las siguientes bases:

PRIMERA: Para la edición 2020, el Premio de Literaturas Indígenas de América, se otorgará por obra inédita en el género de poesía, escrito originalmente en la lengua indígena del autor.

SEGUNDA: Podrán ser candidatos al Premio los escritores de los pueblos indígenas del Continente Americano, sin importar su lugar de residencia actual.

TERCERA: La obra del autor debe expresar o recrear los elementos estéticos, semánticos y discursivos propios de su cultura y lengua que contribuya al desarrollo, promoción y difusión de la misma.

CUARTA: El tema de la obra es libre, y debe contar con una extensión mínima de 60 cuartillas en lengua indígena y la cantidad de páginas que correspondan a la traducción en la lengua franca de su país de origen, con letra Arial de 12 puntos, y un interlineado de 1.5

QUINTA: Los escritores interesados podrán postular su obra vía internet, en la página www.cunorte.udg.mx/plia en la que se llenará una solicitud de registro y deberán anexar en formato pdf los siguientes documentos:

  • El trabajo inédito con el cual concursa, escrito en su lengua indígena y firmado únicamente con un seudónimo.
  • La traducción correspondiente en la lengua de su país de origen y firmado únicamente con un seudónimo.

SEXTA: En archivo por separado se enviarán los datos de identidad y localización del participante, así como una breve semblanza de su trayectoria en la promoción y uso de la lengua, mismos que quedarán bajo resguardo de la institución que administra el portal de registro y sólo se tendrá acceso para obtener los datos del ganador.

SÉPTIMA: La convocatoria quedará abierta para la recepción de trabajos a partir del 25 de mayo y cerrará el 11 de agosto de 2020 a las 23:59 horas de la Ciudad de México. Bajo ninguna circunstancia se aceptarán trabajos fuera de ese plazo.

OCTAVA: No podrán participar:

  1. Miembros de la Comisión Interinstitucional o trabajadores de las instancias convocantes.
  2. Miembros integrantes del jurado calificador.
  3. Quien se encuentre participando con la misma obra en otros concursos y esté en espera de dictamen o en proceso de premiación.

NOVENA: Tres destacadas personalidades del ámbito literario en América Latina (dos nacionales y uno extranjero) conformarán el jurado calificador, cuyo fallo será inapelable.

DÉCIMA: El monto del premio será único e indivisible por la cantidad de $250,000.00 (Doscientos cincuenta mil pesos mexicanos 00/100) y se entregará al ganador en fecha posterior a la ceremonia de reconocimiento.

DÉCIMA PRIMERA: Los resultados y el ganador del premio se darán a conocer por medio de una rueda de prensa el 27 de agosto de 2020.

DÉCIMA SEGUNDA: La ceremonia de reconocimiento se llevará a cabo el 5 de diciembre, en el marco de la Feria Internacional del Libro de Guadalajara en su edición 2020, en Jalisco, México.

DÉCIMA TERCERA. El ganador conferirá de forma exclusiva a la Comisión Interinstitucional del Premio de Literaturas Indígenas de América su consentimiento para la divulgación, publicación, comunicación pública, distribución al público y/o reproducción de la obra ganadora en formato impreso y/o electrónico, en los espacios y medios que acuerde dicha Comisión, con base en los recursos y la disponibilidad de medios; así como el derecho a su utilización sin fines de lucro por un lapso no mayor a cinco años.

DÉCIMA CUARTA: Los participantes se comprometen a asumir las bases que rigen la presente convocatoria. El incumplimiento de alguna de estas bases ocasionará la descalificación automática del participante.

DÉCIMA QUINTA: Las instituciones convocantes se eximen de cualquier responsabilidad imputable a los concursantes por la reproducción parcial o total de los trabajos de terceros que infrinjan la Ley Federal de Derechos de autor o cualquier otra disposición legal aplicable, en cuyo caso se sujetarán a lo que determinen las autoridades competentes.

DÉCIMA SEXTA: Los casos no previstos en la presente convocatoria, serán resueltos por la Comisión Interinstitucional del Premio, conformada por los representantes de las instituciones convocantes y su decisión será inapelable.

Informes:
Universidad de Guadalajara
Centro Universitario del Norte

www.cunorte.udg.mx/plia

Secretaría de Cultura
www.gob.mx/cultura

Instituto Nacional de Lenguas Indígenas
www.inali.gob.mx
enlace@inali.gob.mx

Herança Tupi: descubra palavras cotidianas que têm ligação com a língua indígena

Indígenas da aldeia Ekeruá (SP) comemoram o dia do Índio — Foto: Nicolle Januzzi/Arquivo Pessoal

Indígenas da aldeia Ekeruá (SP) comemoram o dia do Índio — Foto: Nicolle Januzzi/Arquivo Pessoal

Dia 19 de abril é considerado o dia do índio no Brasil. A data remete ao primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no mesmo dia em 1940 para discutir questões ligadas à situação dos povos indígenas.

Mais do que uma data comemorativa, o dia é uma oportunidade para apoiar a luta diária travada por esses povos que ainda sofrem para ganhar espaço e reconhecimento no cotidiano do homem branco, se engajando em diversas formas de manifestação para atingirem esse propósito.

A língua é, com certeza, uma das contribuições dos indígenas em nosso dia a dia. Segundo o último censo do IBGE, 274 línguas indígenas são faladas no Brasil.

Segundo o IBGE, no Brasil existem 305 etnias indígenas. — Foto: Ananda Porto/Arquivo Pessoal

Parte dessas línguas pertence à família Tupi-Guarani, que é considerada a maior família linguística no país. O professor do Departamento de Linguística da Unicamp, Wilmar D’Angelis, é especializado em línguas indígenas. Ele explica que quando os portugueses chegaram na costa brasileira, em 1500, perceberam uma grande semelhança nas línguas faladas pelos indígenas.

“Pode-se mesmo dizer que a maior parte dos povos indígenas que ocupavam esse litoral, entre São Luís do Maranhão e o Sul de Santa Catarina, era falante de alguma língua (da família) Tupi-Guarani: Tupinambás, Potiguaras, Caetés, Temiminós, Tupinaés, Tupiniquins, Tamoios, Carijós e vários outros”, conta.

Por esse motivo, os lusitanos reconheceram o Tupi como a língua geral da costa brasileira. “Muitas línguas deixaram algumas marcas no léxico do português brasileiro, mas nenhuma forneceu tantas palavras ao português como o Tupi, em suas diversas variantes”, afirma D’Angelis.

Na história a seguir, por exemplo, os termos em destaque indicam palavras de origem indígena:

“O Terra da Gente ama a natureza. Assistindo aos programas ou lendo os textos do site, é possível aprender mais sobre o mundo das aves. Se encantar com as cores das araras, descobrir o comportamento dos tucanos e até procurar o urutau entre os trocos. Na beira do rio, o encontro com as capivaras é rotineiro, mas às vezes um jacaré também aparece. A pescaria traz aventura e diversão na companhia dos pirangueiros, que vão atrás das enormes pirararas e das piraíbas e tentam evitar as piranhas. Na “Hora do Rancho”, todo mundo está pronto para a refeição. As receitas diversas ensinam desde churrasco, até pamonha e mousse de maracujá”.

Capivara (do tupi, kapi'wara) significa "comedor de capim". — Foto: Gabriel Arroyo/Arquivo Pessoal

Capivara (do tupi, kapi’wara) significa “comedor de capim”. — Foto: Gabriel Arroyo/Arquivo Pessoal

Isso mesmo, são onze palavras de origem Tupi-Guarani, entre milhares de outras opções. Arara (a’rara) significa aves de muitas cores, e os nomes tucano (tu’kã) e o urutau (uruta’ ui) eram usados para designar as espécies. A capivara (kapi’wara) é traduzida por comedor de capim e o jacaré ( îakaré ou jaeça-karé), significa “aquele que olha de lado”.

A palavra pirangueiro deriva do Tupi pirá (peixe) e designa os pescadores. Com o mesmo prefixo, temos a pirarara (pirá + a’rara), piraíba (pirá + aíba, que traduz para ruim) e piranha. A palavra piranha é considerada por alguns como a junção dos termos pirá e anha (dente), significando “peixe com dente” ou pirá e raim (o que corta), significando “peixe que corta a pele”.

Nos alimentos, a mandioca (maniok) faz referência à uma narrativa mítica sobre a origem do alimento e maracujá (mara kuya) é conhecido como o “fruto que se serve”.

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