A diversidade linguística como patrimônio cultural
A diversidade linguística como patrimônio cultural
Ministério da Cultura inicia, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, política de reconhecimento das diferentes línguas e dialetos falados no Brasil através de processos de inventários, apoio a pesquisas, divulgação e promoção
Marcus Vinícius Carvalho Garcia
A diversidade linguística encontra-se ameaçada. Estima-se que entre um terço e metade das línguas ainda faladas no mundo estarão extintas até o ano de 2050. As consequências da extinção das línguas são diversas e irreparáveis, tanto para as comunidades locais de falantes, quanto para a humanidade. Essa percepção se encontra na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, elaborada na cidade de Barcelona, Espanha, em 1996, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas Para Educação e Cultura (Unesco) e com a participação de representantes de comunidades linguísticas de diversas regiões do planeta. Segundo este documento, a situação de cada língua é o resultado da confluência e da interação de múltiplos fatores político-jurídicos, ideológicos e históricos, demográficos e territoriais; econômicos e sociais. Salienta que, nesse sentido, existe uma tendência unificadora por parte da maioria dos Estados em reduzir a diversidade e, assim, favorecer atitudes adversas à pluralidade cultural e ao pluralismo linguístico.
Instalação sonora entra em cartaz e revisita línguas indígenas da América Latina
Instalação sonora entra em cartaz e revisita línguas indígenas extintas da América Latina
Mostra “Papagaio de Humboldt” inicia no dia 2 de fevereiro no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. Conforme diretor da exposição, vozes indígenas foram coletadas em cerca de 14 países
Ver também página sobre a Mostra no site do Instituto Goethe.
Assim como preservar a biodiversidade de uma nação, conservar a sua diversidade linguística é de suma importância no Brasil, País onde 85% das línguas que eram faladas em meados de 1500 estão praticamente extintas hoje. Para exibir e resguardar esse patrimônio, a instalação sonora inédita “Papagaio de Humboldt” entrará em cartaz a partir do dia 2 de fevereiro nos três andares do Oi Futuro Flamengo, localizado no Rio de Janeiro. “A exposição surge para abordar e revisitar línguas em extinção não só no Brasil, mas na América Latina”, coloca o curador da mostra, o linguista alemão Alfons Hug.
Suspensão de liminar tem sido usada para violar direitos fundamentais de indígenas
Utilização Indiscriminada
Suspensão de liminar tem sido usada para violar direitos fundamentais
Por Felipe Almeida Bogado Leite* e Leandro Mitidieri Figueiredo**
No dia 12 de dezembro de 2013 caiu mais uma medida liminar que impedia o prosseguimento da construção de uma hidrelétrica na Amazônia Legal. Dessa vez, além do impacto ambiental, da ausência de participação da população afetada e da não realização de consulta às comunidades tradicionais atingidas, outro fundamento da medida liminar derrubada chamava a atenção: a inexistência do devido estudo do componente indígena, tendo em conta a presença de índios isolados na área impactada pela Usina Hidrelétrica São Manoel, a ser construída na bacia do rio Teles Pires, na divisa entre Mato Grosso e Pará.
Opinião: “Banco dos Brics, no tamanho correto”
Opinião:
Banco dos Brics, no tamanho correto
J. Carlos de Assis*
Um leitor questiona elegantemente minha “noção de grandeza” pelo fato de eu, a seu ver, superestimar o Banco dos Brics. É que ele terá “apenas” US$ 100 bilhões de capital no meio de 36 bancos de desenvolvimento que, ainda segundo ele, existem no mundo. Certamente, raciocina, não seria um banco desse tamanho, quase insignificante, que incomodaria os gestores da geopolítica e da geoeconomia dos Estados Unidos. Por comparação, cita o Banco do Brasil, de um país só, com R$ 536 bilhões de ativos, portanto aproximadamente o dobro do capital do Banco dos Brics.
Nomes em guarani ainda são rejeitados no Paraguai
Paraguai, uma nação bilíngue que rejeita os nomes em guarani
Apesar de 90% da população paraguaia se comunicar em guarani, o idioma ainda desperta receios em âmbitos como o da administração pública, onde o registro de nomes de pessoas nesta língua pré-colombiana causa desde o assombro até a aberta rejeição.
O nome de Lautaro Ñamandú, com o qual um casal quis registrar seu filho recém-nascido em Assunção, provocou uma reação irada por parte de uma funcionária do cartório civil, que se negou a registrar a criança alegando que “odiaria seus pais” pelos nomes escolhidos.
“A funcionária se tornou muito violenta, nos maltratou, e se negou a registrar nosso filho. Nos disse que este não era um nome para uma pessoa, e nos perguntou que tipo de pais íamos ser”, relatou a Efe Rubén Cáceres, pai da criança.
O Google e o imperialismo linguístico
Artigo
O inglês como língua pivô
O Google e o imperialismo linguístico
O imperialismo linguístico do inglês produz efeitos muito mais sutis do que permitem apreender as abordagens centradas na “guerra de idiomas”. O fato de utilizar como pivô sempre um único idioma introduz em todos os outros suas lógicas próprias, portanto, irrefletidamente, modos de pensar específicos
Frédéric Kaplan e Dana Kianfar*
No início de dezembro de 2014, quem procurasse no Google Tradutor o equivalente italiano para a sentença “Essa menina é bonita” encontraria uma frase estranha: “Questa ragazza è abbastanza”, literalmente “Essa menina é bastante”. A beleza foi lost in translation – perdida na tradução. Como um dos tradutores automáticos mais eficientes do mundo, com um capital linguístico inigualável, constituído por bilhões de frases, pode cometer um erro tão grosseiro? A resposta é simples: ele passa pelo inglês. “Bonita” se traduz por pretty, e pretty, por abbastanza.





