Dia Internacional da Língua Materna
Luanda – A 21 de Fevereiro, comemora-se o Dia Internacional da Língua Materna, o primeiro veículo de comunicação que o ser humano tem no seio familiar, independentemente do grupo etnolinguístico a que pertence.
Neste contexto, uma criança cujos progenitores tenham línguas maternas diferentes (português ou inglês), mas ser o espanhol o veículo de comunicação em casa, com o qual os pais interagem com ela, torna-se para a mesma a sua língua materna (LM).
Ao comemorar-se o Dia Internacional da Língua Materna, pretende-se proteger todas as línguas faladas no mundo, honrando tradições culturais e respeitando a diversidade linguística.
A data foi proclamada pela Unesco em 1999 e reconhecida formalmente pelas Nações Unidas, em homenagem ao movimento de defesa do reconhecimento do Bengali no Bangladesh, LM da maioria da população daquele país, cujos protestos contra a oficialização do Urdu como língua oficial provocou a morte de estudantes universitários e activistas políticos que ousaram enfrentar as forças policiais.
Segundo dados da Unesco, estima-se hoje que metade das quase seis mil línguas faladas no planeta Terra esteja em risco de desaparecer.
Na mesma vertente, o sociólogo e director da área do património da Igreja Metodista Unida, João da Graça, refere que a LM é assim designada por serem as mães a educar os filhos na primeira infância, transmitindo as noções básicas de como satisfazer as suas necessidades, aprendidas tanto por imitação como por indução comportamental.
O responsável considera importante e vantajosa a transmissão de conteúdos numa LM, porquanto permite melhor comunicação, compreensão, criatividade, aplicação e assimilação de conteúdos.
Um exemplo prático verifica-se na República Democrática Congo, onde o ensino da Matemática é feito em lingala, com bons resultados.
A realidade linguística de Angola apresenta um quadro de coexistência pacífica entre a língua portuguesa, sob tutela do Ministério da Educação, e as línguas nacionais ou regionais, sob tutela do Ministério da Cultura, respeitando a diversidade cultural e linguística.
Neste âmbito, em 1979, criou-se o Instituto Nacional de Línguas, transformado, em 1985, em Instituto de Línguas Nacionais, voltado para o estudo das línguas regionais e das tradições orais.
Através da Resolução n.º 3/87, de 23 de Maio, o Conselho de Ministros aprovou, a título experimental, os alfabetos das línguas Kikongo, Kimbundu, Côkwe, Umbundu, Mbunda e Oxikwanyama e as suas respectivas regras de transcrição fonética.
A língua portuguesa é a LM mais usada e falada em Angola, através da partilha de conhecimentos dos sistemas educativos. Apesar das vicissitudes da opressão da dominação colonial, foi implantada no seio das comunidades, tornando-se num veículo da cultura entre as populações.
O português constitui, em Angola, um forte laço de unidade nacional e de promoção da paz, democracia, do Estado de Direito, dos direitos do homem e da justiça social.
A Unesco considera que existe uma consciência crescente de que as línguas desempenham papel vital no desenvolvimento, na garantia da diversidade cultural e no diálogo intercultural.
São, igualmente, fundamentais no fortalecimento da cooperação e da educação de qualidade para todos, na construção de sociedades do conhecimento inclusivas, na preservação do património cultural e na mobilização política.
As línguas, com as suas implicações complexas para a identidade, comunicação, integração social, educação e desenvolvimento, têm importância estratégica para as pessoas e para o planeta.
Em luta contra o “separatismo islâmico”, Macron limita ensino do árabe e presença de imãs estrangeiros
O Presidente francês diz que não quer “estigmatizar, mas antes integrar” a comunidade muçulmana francesa, mas toma a ofensiva, a menos de um mês das eleições municipais.

Emmanuel Macron rodeado de crianças em Mulhouse JEAN-FRANCOIS BADIAS/REUTERS
O Presidente francês, Emmanuel Macron, quer lutar contra o que chama de “separatismo islâmico” em França, e por isso anunciou o fim do ensino de línguas originais dos filhos de imigrantes nas escolas, ministradas por professores dos países de origem – o seu alvo são os países muçulmanos, que ministram o árabe e o turco, por exemplo. Pretende também acabar com o sistema através do qual países como a Argélia, Marrocos e Turquia enviam líderes religiosos (imãs) para as mesquitas francesas.
“Na República, não há lugar para o islão político. Não devemos jamais aceitar que as leis da religião possam ser superiores às leis da República”, declarou Macron, numa deslocação a Mulhouse, no Leste de França.
Cerca de 300 imãs são enviados todos os anos para França por aqueles países muçulmanos, e o facto de as autoridades francesas não terem uma palavra a dizer sobre a sua escolha tem sido um motivo de irritação. Muitas vezes estes imãs não falam francês e estão sob suspeita de espalharem ideias radicais. O Presidente francês garantiu que 2020 é o último ano em vigora este sistema.
A integração, ou falta dela, da população muçulmana francesa, é um tema de ataque constante da líder da extrema-direita Marine Le Pen a Macron. Frisando que não quer “estigmatizar, mas antes integrar”, relata o Le Monde, o Presidente tenta tomar a iniciativa. Até porque as eleições municipais estão à porta – a primeira volta é já a 15 de Março –, e não se prevê um resultado muito famoso a nível nacional para o seu partido, A República em Marcha, sendo este o género de assunto fácil de capitalizar em campanha por Le Pen.
Além da questão dos imãs, prometeu também acabar com o ensino da língua de origem dos estudantes imigrantes ou filhos de imigrantes na escola pública, pago por nove governos estrangeiros. Este programa vai ser substituído por um de ensino de línguas estrangeiras. Macron disse ter chegado a acordo com todos os países, excepto a Turquia. “Não se pode deixar ter a lei turca em solo francês. Não pode ser”, declarou.
Mas Najat Vallaud-Belkacem, ministra da Educação no anterior Governo socialista, do qual Macron fazia parte, ouviu este discurso e diz quase ter caído da cadeira. No Twitter, garantiu que ela própria tinha lançado o fim deste programa (que Portugal integrava) em 2016. O actual ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, respondeu na rádio Franceinfo que o fim do programa “foi pensado pelo Governo anterior, mas apenas foi terminado com Portugal e a Tunísia”. “Vamos fazê-lo com todos os países, de verdade.”
Ministerio de Cultura: TC revalora uso de lenguas originarias con noticiero en quechua
Precisa que 4.5 millones de peruanos hablan una de las 48 lenguas indígenas del país

La viceministra de Interculturalidad, Angela Acevedo, encabezó ceremonia de reconocimiento en la sede central del Ministerio de Cultura.
Como parte de las actividades por la conmemoración del Día Internacional de la Lengua Materna, la viceministra de Interculturalidad, Angela Acevedo, destacó hoy que el Tribunal Constitucional (TC) revalora el uso de las lenguas originarias con su noticiero en quechua.
Noticiero Constitucional
Defesa de Dissertação de Karai Tataendy
Aconteceu no dia 14 de fevereiro de 2020, no Horto Botânico do Museu Nacional-UFRJ, a defesa da dissertação de Karai Tataendy (José Benites), intitulada “Proposta para um sistema ortográfico unificado da língua Guarani
Mbya falada no Brasil”. O trabalho pretende contribuir para os estudos da língua Guarani Mbya,especificamente, para as investigações envolvendo o estabelecimento desistemas de escrita e definição de sistemas ortográficos de base fonológica para línguas de forte tradição oral, como é o caso do Mbya.
O sistema ortográfico proposto por Robert Dooley e por professores Mbya(1982/1998) é atualmente, o sistema utilizado pela maioria do povo Mbya (Sule Sudeste do Brasil). Somente poucas comunidades Mbya do Espírito Santo
optaram por um sistema ortográfico diferenciado, o que trouxe como resultado certo conflito ortográfico. O objetivo do trabalho de Karai Tataendy, portanto, é apresentar uma proposta de unificação do sistema ortográfico do Mbya falado no Brasil, a qual toma como base o sistema ortográfico de Dooley (1982/1998). Além disso, a partir da análise do sistema fonológico do Mbya, a proposta recomenda tanto a exclusão quanto a inclusão de grafemas consonantais.
De acordo com Karai Tataendy, esta proposta de unificação deve ser entendida como preliminar, já que deverá ser avaliada pelo povo Mbya, que decidirá se pode ou não ser implementada. Como um empreendimento complexo que é, caso seja aprovada, exigirá um comprometimento tanto do povo Mbya, quanto dos órgãos do Estado brasileiro responsáveis por políticas linguística e educacionais.
Vale salientar que este trabalho de pesquisa se inscreve no programa pós- graduação Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas – PROFLLIND, que é oferecido de forma pioneira pelo Museu Nacional- UFRJ.
É um Curso de pós-graduação stricto sensu presencial e seu público-alvo é constituído por egressos de Cursos de Graduação ou de Cursos de Terceiro Grau indígena com atuação profissional marcada pelo desafio de enfrentar a
materialidade das línguas indígenas e os elos de sua inserção em contextos sociais e culturais específicos. E, ainda, por todos aqueles que necessitem dos instrumentos da Linguística para lidar com as línguas indígenas que são
parte do seu universo de trabalho. Como parte de seus resultados, está a capacitação específica ligada à pluralidade linguística e cultural existente no Brasil. A apropriação, por parte dos profissionais a serem formados, de
conhecimentos e técnicas no domínio da Linguística, deverá habilitá-los ao desenvolvimento de suas práticas e à transmissão de habilidades específicas em contextos de uso de línguas indígenas e/ou de reflexão sobre a herança
linguístico-cultural indígena, resultando daí valor pedagógico agregado em linguagem.”

Rosangela Morello (IPOL)
(Membro Titular Externo)- TELÃO
Da esquerda para a direita:
Jaqueline dos Santos Peixoto (PROFLLIND- MN- UFRJ)
(Membro Titular Interno)
Karai Tataendy
Marci Fileti Martins (PROFLLIND- MN- UFRJ)
(Orientadora)

Rosangela Morello (IPOL)
(Membro Titular Externo)- TELÃO
Da esquerda para a direita:
Jaqueline dos Santos Peixoto (PROFLLIND- MN- UFRJ)
(Membro Titular Interno)
Marília Lopes da Costa Facó Soares (COORDENADORA PROFLLIND- MN- UFRJ)
Karai Tataendy
Marci Fileti Martins (PROFLLIND- MN- UFRJ)
(Orientadora)
Luiz Claudio Falcão (Secretário PROFLLIND-MN-UFRJ
Puerto Rico declara el español lengua oficial y relega el inglés a segundo idioma
El Senado de Puerto Rico ha aprobado este jueves el proyecto de ley que declara el idioma español primera lengua oficial y relega el inglés a segundo idioma.

El Proyecto del Senado 1177, que establece la utilización del español en primer lugar en las ramas ejecutiva, legislativa y judicial del Estado Libre Asociado de Puerto Rico, ha sido aprobado por el Senado este jueves con 15 votos a favor y 11 en contra, informa el periódico puertorriqueño ‘Primera Hora‘.
La medida fue presentada en agosto de 2014 por Antonio Fas Alzamora, expresidente del gobernante Partido Popular Democrático (PPD), y a pesar de haber sido aprobada el pasado 25 de junio, no salió adelante en la votación final. Tras ello, el Alto Cuerpo reconsideró el proyecto de ley declarándolo como asunto pendiente de discusión hasta que este jueves se volvió a llevar a votación.
“Al establecer el español como primer idioma oficial fortaleceremos nuestra identidad cultural y validamos la realidad de que más del 80% de los puertorriqueños no entienden ni hablan inglés (…). Es imperativo que le demos a nuestra lengua vernácula el sitial que se merece”, ha declarado Fas Alzamora, añadiendo que “tratar de equiparar cualquier otra lengua extranjera” al español en asuntos oficiales es un acto que demanda “atención y rectificación”.
El proyecto tiene como objetivo derogar la Ley 1-1993, que denominó “indistintamente” el español y el inglés lenguas oficiales en la isla para los asuntos gubernamentales. La medida fija multas de entre 1.500 y 10.000 dólares para los funcionaros de dependencias que incumplan sus disposiciones.
Además, Fas Alzamora sostiene que desde “la invasión de EE.UU. (…) se han puesto en vigor diferentes iniciativas dirigidas a la asimilación del pueblo puertorriqueño” y afirma que la realidad boricua “en términos culturales, históricos, geográficos y jurídicos” es muy diferente de la de sus conciudadanos estadounidenses.
Comunidade de Juína ganhará primeira biblioteca comunitária indígena de Mato Grosso
Com recursos do Edital da Rede de Pontos de Cultura de Mato Grosso, a BiblioÓca será instalada na comunidade Rikbaktsa, em Juína.
Foto:Jan Moura – Secel
Preservar e valorizar a memória do povo indígena, fortalecer o sentimento de pertencimento e identidade cultural, perpetuar a cultura e o conhecimento tradicional das etnias. Estes são alguns dos objetivos da BiblioÓca, primeira biblioteca comunitária indígena em Mato Grosso, que será instalada na comunidade de Rikbaktsa, localizada às margens do rio Juruena, na divisa dos municípios de Brasnorte e Juína (735 quilômetros a Noroeste de Cuiabá).
Com recursos do edital da Rede de Pontos de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a BiblioÓca foi lançada na quarta-feira (05.02), na comunidade Rikbaktsa, com a presença do secretário da Pasta, Allan Kardec, do adjunto de Cultura, José Paulo Traven, do prefeito Altir Peruzzo, lideranças indígenas, outras autoridades locais, servidores da Secel e da Prefeitura Municipal.
“Estamos muito felizes com esse projeto, pois será uma biblioteca pensada pelo povo indígena, com acervo sobre a cultura tradicional indígena e ribeirinha, e que terá ênfase nas histórias, na literatura e no conhecimento oral e escrito desses povos”, ressalta o secretário.
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Lançamento da BiblioÓca na comunidade Rikbaktsa, em Juína.
Créditos: Jan Moura – Secel
Além disso, o espaço cultural será construído pelo povo Rikbaktsa, respeitando a arquitetura e o modo de vida local. “A comunidade está abraçando o projeto com muita alegria e é muito importante para nós poder mostrar nossa cultura e estimular os jovens a estudar a história do nosso povo”, destaca o cacique Jaime Rikbaktsa.
De outro lado, a presidente da Associação das Mulheres Indígenas, Marciane Rikbaktsa, explica como o projeto irá impactar positivamente a vida deles. “Vai melhorar nossa vida, pois, além de mostrar a nossa cultura, a divulgação e venda dos nossos artesanatos será uma fonte de ajuda para as nossas mulheres”.
De acordo com o prefeito de Juína, este é um projeto sonhado desde 2017 pelo Departamento Municipal de Cultura e o povo indígena Rikbaktsa, que foi concretizado por meio do Edital da Rede de Pontos de Cultura da Secel.
“Estamos muito felizes com essa parceria, principalmente por envolver a representação indígena através da Associação das Mulheres Indígenas da Comunidade de Rikbaktsa. A previsão é de que em 60 dias a BiblioÓca esteja pronta para ser o elo de ligação entre as culturas indígenas e não indígenas na região”.
Uma das lideranças indígenas à frente da iniciativa é Nelson Mutzie, que também comemora a implementação da BiblioÓca. “Vamos mostrar para sociedade que o povo indígena também é cultura, também é vida. Nós preservamos, cuidamos da terra, e tudo isso que fazemos com o maior cuidado e carinho é para a sociedade. Esperamos que as pessoas tenham essa compreensão ao divulgar nossa cultura e mostrar nosso espaço”.
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Lançamento da BiblioÓca na comunidade Rikbaktsa, em Juína.
Créditos: Jan Moura – Secel
Primeira biblioteca comunitária indígena
A coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso, Waldineia Almeida, destaca que a BiblioÓca está sendo chamada de primeira biblioteca indígena comunitária do Estado porque não será um depósito de livros, como existe em outros lugares.
Diferente disso, a BiblioÓca atenderá a requisitos de classificação de bibliotecas públicas, que devem ser espaços culturais que ofereçam serviços de utilidade pública, contribuam para o fortalecimento da cultura local e, acima de tudo, sejam reconhecidos pela população como um ambiente de difusão de conhecimento e vivências culturais.
Waldineia ressalta que a BiblioÓca terá um acervo bilíngue, com obras escritas em línguas indígenas e estará integrada ao modo de vida do povo, com a comunidade produzindo informação e realizando atividades culturais no espaço. Também será um ambiente para gerar renda, onde serão comercializados artesanatos produzidos nas comunidades locais.
Vale lembrar que a construção do espaço será feita pela comunidade local, em parceria com os alunos do curso de arquitetura da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O Departamento Municipal de Cultura de Juína auxiliará na composição de acervo e na organização do espaço.
O projeto prevê que o espaço seja um ponto de concentração de conteúdo composto por publicações, pesquisas, resultados de projetos sobre os índios Rikbaktsa que estão espalhados nos ambientes acadêmicos e institucionais. O acervo será especializado em temas dos povos indígenas do Brasil, política indigenista e questão ambiental em terras indígenas, bem como terá exemplares da literatura brasileira e mato-grossense. Contará ainda com dicionários e livros na língua Rikbaktsa.
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