Memorial da América Latina realiza curso de formação de tradutores e intérpretes comunitários
Aulas serão iniciadas em 18 de outubro e contarão com módulo prático e seminários, que poderão ser realizados em conjunto ou separadamente
No próximo dia 18 de outubro, o Memorial da América Latina dará início ao curso de Formação de Tradutores e Intérpretes Comunitários do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), em parceria com pesquisadores do projeto Mobilang, da Universidade de Brasília (UNB) e do Programa de Extensão da UNILA, além do apoio dos professores do Departamento de Letras Modernas (FFLCH – USP) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Com duração total de 40h, e dividido entre Práticas e Seminários, o curso tem o objetivo de formar intérpretes e tradutores para atuarem como mediadores linguísticos entre solicitantes de refúgio, refugiados, apátridas, migrantes, indígenas, pessoas surdas ou ensurdecidas no contexto migratório e instituições governamentais e sociais.
O trabalho de um tradutor ou intérprete comunitário está voltado para a tradução oral ou de sinais de uma língua para outra em vários contextos situacionais, que vão de serviços públicos ou privados nas áreas de saúde, educação, social (como documentação, solicitação de refúgio etc.), em juízo (fóruns, delegacias de polícia, cartório) até causas humanitárias, em que pode ocorrer a necessidade de intermediação linguística ou intercultural, como conflitos armados, desastres ambientais, dentre outros.
ETAPAS DO CURSO
A formação será composta por dois módulos que podem ser feitos separadamente ou em conjunto. Haverá emissão de certificados para participantes das duas etapas: 20h de Práticas; 20h de Seminários ou 40h para quem concluir ambos. A frequência mínima é de 80% e as inscrições podem ser realizadas pelo formulário: https://forms.gle/SD2rCimi4uhH6Sxd8.
O módulo Práticas está dividido em dez encontros virtuais pelo Zoom, sempre às segundas-feiras, das 17h às 19h. As aulas serão ministradas por Jaqueline Nordin, intérprete forense, autora e pesquisadora na área de interpretação forense e formadora de intérpretes. Para participar do módulo Práticas é necessário ter conhecimento de uma segunda língua, além do português.
O módulo Seminários, coordenado pelo Memorial da América Latina, também será dividido em dez encontros de 2h cada e ocorrem às segundas-feiras, das 19h às 21h. Os Seminários serão conduzidos pela tradutora e professora associada da Universidade de Brasília, Sabine Gorovitz, atual orientadora dos bolsistas do projeto de pesquisa, ensino e extensão 2021 do CBEAL, e pela tradutora e coordenadora da Cátedra UNESCO Memorial, profa. Luciana Latarini Ginezi.
Os encontros contarão com palestras de professores da FFLCH/USP, da UNILA e de pesquisadores do CBEAL. As explanações tratarão sobre pesquisas e projetos da área e serão abertos para o público geral. Não há pré-requisitos para a participação nos Seminários, que serão transmitidos pelo Zoom para inscritos e também no Youtube no endereço: www.youtube.com/MemorialdaAmericaLatinasp.
O curso Formação de Intérpretes Comunitários e Tradutores é uma ação da Rede de Cooperação UNITWIN para Integração na América Latina (Cátedra Unesco Memorial), sediada no Memorial da América Latina, com o apoio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), da Universidade de Brasília (UNB) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Serviço:
Curso Formação de Tradutores e Intérpretes Comunitários
A partir de 18 de outubro
Práticas: segundas-feiras, das 17h às 19h
Seminários: segundas-feiras, das 19h às 21h
Inscrições aqui
Haverá emissão de certificados para quem cumprir 80% de frequência nas aulas práticas, no seminário ou em ambos.
Almires Martins Machado – Liderança Guarani/Terena é novo professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPA
O Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPA – PPGD inova trazendo aos quadros de professores Almires Martins Machado, liderança indígena Guarani/Terena. O nome do professor foi aprovado através de um processo seletivo especial para indígenas doutores e é financiado pela fundação Ford e CLUA. A contratação representa, segundo a professora Jane Beltrão (PPGD/UFPA), um grande avanço do movimento pelas políticas afirmativas na UFPA, iniciado pelo PPGD da UFPA em 2006. Almires Machado passa a ser hoje o primeiro professor indígena da história do Instituto de Ciências Jurídicas e um dos poucos da história da UFPA. Para o professor Saulo de Matos, coordenador do PPGD/UFPA, a vinda do professor Almires Machado para o PPGD representa um passo em direção à transformação das práticas hierárquicas e racistas do ensino jurídico, que reproduzem em grande medida a desigualdade e exclusão de grupos vulnerabilizados da sociedade brasileira.
Webinário Direitos Linguísticos e Direitos Humanos
Um ciclo de debates inédito – promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) e a Universidade de Brasília (UNB) – quer ampliar a discussão sobre direitos linguísticos como parte dos direitos humanos no País. O webnário “Direitos Linguísticos e Direito Humanos – por políticas compensatórias à repressão linguística no Brasil” será transmitido nos dias 7 e 14 de outubro e 11 e 18 de novembro, às 16h, pelos canais do YouTube da Escola Nacional da DPU (ENADPU) e do IPOL.
Acompanhe a programação!
Webnário discute políticas públicas para compensar a repressão linguística no Brasil
Um ciclo de debates inédito – promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) e a Universidade de Brasília (UNB) – quer ampliar a discussão sobre direitos linguísticos como parte dos direitos humanos no País. O webnário “Direitos Linguísticos e Direito Humanos – por políticas compensatórias à repressão linguística no Brasil” será transmitido nos dias 7, 14, 28 de outubro e 4 de novembro, às 16h, pelos canais do YouTube da Escola Nacional da DPU (ENADPU) e do IPOL.
Entre os objetivos evento está o de divulgar a nota técnica conjunta – de autoria do defensor nacional de Direitos Humanos (DNDH) da DPU, André Ribeiro Porciúncula; da coordenadora do IPOL, Rosângela Morello; e Sabine Gorovitz, da Universidade de Brasília (UNB) – que contextualiza a repressão linguística praticada no País desde o período colonial, além de sugerir a adoção de diversas políticas públicas pelo Estado brasileiro como forma de se buscar a extinção do preconceito linguístico.
Segundo a nota técnica, o Brasil possui cerca de 300 línguas, de diferentes povos indígenas, descendentes de imigrantes, pessoas surdas, afrodescendentes, estando entre os oito países com maior número de línguas no mundo. Desde 2005, o Brasil é considerado país bilíngue, com duas línguas oficiais, Português e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). No entanto, ao longo de sua história, o Estado brasileiro adotou políticas que impuseram a língua Portuguesa como a única legítima dos cidadãos brasileiros, ao mesmo tempo em que negligenciou a adoção de medidas contrárias ao extermínio e desvalorização de centenas de outras línguas.
“A nota técnica reivindica medidas contra o apagamento da história, da memória e dos saberes linguísticos de centenas de cidadãos e cidadãs brasileiros, e contra a exclusão histórica das línguas brasileiras e seus falantes de espaços institucionais”, destaca Rosângela Morello.
O ciclo de debates é produto da parceria entre o IPOL, o Núcleo de Tradução da Defensoria Pública da União (NUTRAD/DPU) e o grupo de pesquisa MOBILANG, da Universidade de Brasília (UnB).
Clique aqui para acessar, na íntegra, a nota técnica sobre diversidade linguística.
Webinário Direitos Linguísticos e Direitos Humanos / ENADPU e IPOL
Acompanhe o lançamento do Webinário Direitos Linguísticos e Direitos Humanos, que acontecerá no dia 7 de outubro de 2021, quinta-feira, a partir das 16h no canal do Ipol no youtube.
Do Dia Internacional da Tradução
Celebrou-se a 30 de setembro o Dia Internacional da Tradução, instituído pela Resolução n.º 71/288 da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de 24 de maio de 2017. O dia 30 de setembro foi escolhido por ser o dia de São Jerónimo (sécs. III-IV a. C), que é um dos 36 doutores da Igreja Católica e também o santo padroeiro dos tradutores.
No ponto 1 do texto da Resolução n.º 71/288 afirma-se que a tradução profissional, como negócio e como arte, desempenha um importante papel no apoio às propostas e princípios da ONU, unindo nações, facilitando o diálogo, a compreensão e a cooperação e contribuindo para o reforço da paz e da segurança mundiais. Na página web da ONU sublinha-se ainda que a transposição de trabalho literário ou científico e técnico de uma língua para outra, i. e., a tradução profissional em sentido lato (incluindo tradução propriamente dita, interpretação e terminologia), é indispensável para preservar clareza, clima positivo e produtividade no discurso público internacional e na comunicação interpessoal.
A ONU, com seis línguas de trabalho (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, russo) e com intervenção em praticamente todas as áreas relevantes para as sociedades, constitui um dos maiores empregadores de profissionais da tradução em sentido lato. Também outras grandes organizações internacionais sustentam a sua atividade no trabalho destes profissionais; é o caso da União Europeia (UE), com os seus 27 Estados-membros e as suas 24 línguas oficiais. Nestes casos, a adoção de uma multiplicidade de línguas de trabalho e/ou oficiais valoriza o multilinguismo e a diversidade cultural dos seus membros e sustenta-se em alicerces ideológicos, visto, num caso e em outro, estarmos a falar de instituições que têm entre os seus alicerces constitutivos a necessidade e o desejo de contribuir para a preservação da paz mundial e europeia, respetivamente. Este tipo de solução linguística acarreta elevados custos para as organizações e há até quem defenda, sobretudo na UE, a adoção de uma língua de trabalho (o inglês, língua minoritária na União após o Brexit, representada por Irlanda e Malta), três ou quatro línguas (inglês, francês e alemão, incluindo ou não o espanhol).
Certamente existem organizações que não privilegiam uma abordagem tão diversificada à questão linguística: a NATO e a OCDE têm como línguas de trabalho o inglês e o francês; o Banco Mundial conta apenas com o inglês. Nestes casos, sendo o trabalho de tradução imprescindível ao acesso à informação, os custos inerentes serão suportados pelos Estados-membros, que necessitarão de transpor a documentação para as suas línguas próprias.
Mas a tradução não floresce apenas em ambiente de diálogo, cooperação e paz. Na guerra, desempenha um papel não menos crucial e nas últimas semanas fomos alertados para a importância do trabalho dos tradutores em situações de conflito. Ficou claro para o grande público o quanto o trabalho do tradutor é imprescindível em qualquer forma de contacto internacional em zonas de conflito e do quão perigoso pode ser o exercício da profissão.
O trabalho do tradutor nem sempre é devidamente respeitado e valorizado pelas sociedades, e muitos tradutores veem a sua atividade constantemente ameaçada pelo uso inadvertido de ferramentas de tradução automática em situações inapropriadas e pelo trabalho precário e mal remunerado, ainda que todos nós beneficiemos todos os dias do seu labor.
Por Margarita Correia Via Diário de Notícias







