MS tem 69 escolas indígenas e mais de 20 mil alunos; 64 ensinam na língua materna

.

Por: João Paulo Ferreira em 02/11/2026

Dados do Censo Escolar mostram unidades em 24 municípios, com internet em 68 delas

Escola Estadual Indígena Intercultural Guateka – Marçal de Souza, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, uma das 22 unidades indígenas da rede estadual - Foto: Juarez Júnior

Escola Estadual Indígena Intercultural Guateka – Marçal de Souza, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, uma das 22 unidades indígenas da rede estadual – Foto: Juarez Júnior

 

Mato Grosso do Sul tem 69 escolas indígenas, com 20.219 estudantes matriculados, distribuídas em 24 dos 79 municípios do Estado, o equivalente a 30,4% das cidades sul-mato-grossenses. Os dados são do Censo Escolar da Educação Básica 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento foi organizado pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS), programa da UFMS em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania.
Há escolas indígenas em Amambai, Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Caarapó, Campo Grande, Coronel Sapucaia, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Dourados, Eldorado, Japorã, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sete Quedas, Sidrolândia e Tacuru. Do total, 47 unidades pertencem às redes municipais e 22 à rede estadual.

Língua materna em 64 escolas
Das 69 escolas, 61 são bilíngues: ensinam a língua do povo atendido e também o português. Outras três utilizam somente a língua indígena, e cinco apenas o português. Pela legislação, a escola indígena não é definida apenas pela origem étnica dos alunos. A Resolução CNE/CEB nº 5/2012 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena estabelecem quatro critérios: proposta pedagógica própria, que integra os saberes da comunidade; uso da língua materna ao lado do português; gestão comunitária e territorial; calendário e materiais adaptados à realidade local. Por isso, a matrícula de estudantes não indígenas, como moradores do entorno ou filhos de servidores, não descaracteriza a escola.

Perfil dos alunos
Dos 20.219 estudantes, 17.900 (88,5%) se declaram indígenas, 1.075 (5,3%) pardos, 701 (3,5%) brancos, 23 (0,1%) pretos e 15 (0,1%) amarelos. Outros 505 (2,5%) não declararam cor ou raça. São 10.216 meninos (50,5%) e 10.003 meninas (49,5%).
O transporte escolar público atende 8.121 alunos: 6.794 pela rede municipal e 1.327 pela estadual.

Garantir o acesso a essas unidades virou preocupação recente em parte das aldeias. Em Tacuru, um dos municípios da lista, indígenas deixaram de beber água após servidores da prefeitura ameaçarem envenenamento. O caso é apurado pelo Ministério Público Federal.

 

Internet chega a 68 unidades

O acesso à internet está presente em 68 das 69 escolas. Há equipamentos multimídia em 61 e computador em 59. O laboratório de informática existe em 34 unidades, a biblioteca ou sala de leitura em 30 e a quadra de esportes em 57.

Duas escolas têm laboratório de Ciências. Outras 15 contam com sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), espaço de apoio pedagógico a estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) ou altas habilidades/superdotação.

Recursos de acessibilidade

Entre os recursos de acessibilidade, 25 escolas têm portas com vão livre de pelo menos 80 cm, 17 têm rampas, oito têm corrimão, oito têm piso tátil e uma tem elevador. Em 28 unidades, o Censo não registrou nenhum dos recursos listados.

“Reunir essas informações permite conhecer diferentes aspectos da educação escolar indígena em Mato Grosso do Sul, desde o número e o perfil dos estudantes até as condições de infraestrutura, acessibilidade e tecnologia das unidades. O papel do Observatório é organizar esses dados públicos e torná-los mais acessíveis para a sociedade e para quem atua no planejamento e na construção de políticas públicas”, afirma o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel de Oliveira.

 

Confira o link: https://osulmatogrossense.com.br/noticia/39289/ms-tem-69-escolas-indigenas-e-mais-de-20-mil-alunos-64-ensinam-na-lingua-materna

Deixe uma resposta

Receba o Boletim
Facebook
Revista Platô

Revistas – SIPLE

Revista Njinga & Sepé

REVISTA NJINGA & SEPÉ

Visite nossos blogs
Forlibi

Forlibi - Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

GELF

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

I Seminário de Gestão em Educação Linguística da Fronteira do MERCOSUL

Clique na imagem
Arquivo
Visitantes