História de grupo de rap indígena vira inspiração para o filme “A Pele Morta”, com filmagem em Dourados

Oitenta pessoas, entre atores, diretores e técnicos estão, desde o início de outubro, em Dourados (MS) gravando o filme “A Pele Morta”, uma produção da Araçá Filmes. O roadmovie tem direção de Denise Moraes e Bruno Torres e roteiro de Daniel Tavares.

Integram o elenco principal os atores: César Troncoso, Luan Rodrigues e Ivana Gomez. César Troncoso é um ator uruguaio com uma filmografia extensa com filmes no Brasil, Uruguai, Argentina e Espanha, e possui vários prêmios. Entre os filmes que já participou estão “O Banheiro do Papa” e “Faroeste Caboclo”. Luan Rodrigues foi um dos atores escolhidos nas seleções de elenco realizada na cidade. A equipe está realizando filmagens na área central, bairro e aldeias indígenas do município. 

Uma difícil viagem

A história do filme tem início exatamente em Dourados, de onde os personagens Justo e Saulo viajam rumo à Ponta Porã e cruzam a fronteira do Paraguai por estradas clandestinas. “O filme percorre diferentes fronteiras (físicas e sociais) da América Latina a partir do ponto de vista de um jovem índio que sai de sua aldeia em busca de si mesmo”, destacou a diretora Denise Moraes.

A história do grupo de rap Brô MC´s, composto por quatro indígenas Guarani Kaiowá, foi uma inspiração para o roteiro da obra.

Segundo Solange Lima, produtora, no filme, a paisagem natural e humana é tão personagem quantos os indivíduos que a percorrem.

Esta não é a primeira vez que Dourados é “palco” de gravações. Em 2016, o longa “Em Nome da Lei” que se baseava na história do juiz Odilon de Oliveira teve cenas no município. O filme “Terra Vermelha”, de 2012, teve cenas na Reserva Indígena de Dourados.

Sinopse

“A Pele Morta” conta a trajetória de personagens em constante reinvenção. A bordo de um antigo caminhão de mudanças, um drama cinematográfico em plena estrada, onde a paisagem natural e social são tão personagens como os indivíduos que a atravessam: três almas inquietas que buscam romper com seus destinos, do Brasil ao Paraguai e à Bolívia, pelas veias abertas do coração da América do Sul.

Justo é um motorista uruguaio que acaba de ser despejado da oficina mecânica que ocupou durante décadas na fronteira brasileira. Decidido a buscar frete no interior do Paraguai, ele leva consigo o borracheiro Saulo, um jovem guarani-kaiowá da região de Dourados e que tem na força de sua rima o grito de seus irmãos. Quando conseguem serviço transportando uma mudança na direção do Chaco paraguaio, fronteira com a Bolívia, eles dão carona a Rosário, uma jovem paraguaia com a mochila nas costas, disposição para o trabalho e uma carta recebida da irmã.

Aos poucos, a cumplicidade entre eles enche de vida a boleia do veículo, abrindo estradas para a esperança e para tantos destinos possíveis, seja seguindo sempre em frente, seja regressando renovado à luta. Falado em português, espanhol e guarani, o filme é uma viagem pelas fronteiras invisíveis da América Latina, uma terra que se move, que pulsa e que levanta a voz.

 

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