História: brasileiros foram escravizados e proibidos de falar suas línguas

Segundo estimativas, falavam-se mais de mil idiomas no Brasil na época do “descobrimento”

A Estação Primeira de Mangueira venceu o Carnaval 2019, no Rio de Janeiro, mostrando heróis brasileiros que ficaram fora dos livros de História, e a verdade sobre os Bandeirantes, descritos como heróis na História oficial, mas que escravizavam e vendiam os homens indígenas, estupravam mulheres indígenas e massacravam aldeias.

Muitos eventos importantes ficam de fora dos livros do Brasil, e a maioria dos brasileiros desconhece a História do país.

O Brasil tem duas línguas oficiais: português e libras (Língua Brasileira de Sinais). Contudo, línguas minoritárias do Brasil são faladas em todo o país. O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no país, que falam 274 línguas diferentes. É estimado que se falavam mais de mil idiomas no Brasil na época do “descobrimento”.

O litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil, no começo do século XVI. Como o objetivo dos colonos era a obtenção de lucro e exploração da nova terra, não demorou muito para começarem a escravizar indígenas.

Com o estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, os colonos precisavam de grande quantidade de mão de obra. Muitos senhores de engenho recorreram à escravização de indígenas. Eles organizavam expedições que invadiam as tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para sequestrarem os indígenas jovens e fortes para levarem-nos até o engenho. Muitos estupros de índias ocorreram também.

Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses, que adotaram um idioma misto baseado na língua tupi, chamado nheengatu. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como língua geral.

Com o decorrer dos séculos, os índios foram exterminados ou aculturados pela ação colonizadora e, com isso, centenas de seus idiomas foram extintos. No século XVIII, a língua portuguesa tornou-se a oficial do Brasil, o que culminou na quase extinção da língua comum.

A primeira política de Estado evidente foi o Diretório dos Índios, de 1758, no qual o Marquês de Pombal exigia o uso do português na colônia e proibia o ensino das línguas indígenas (em especial da denominada língua geral, idioma de base tupi que predominou no Brasil até o século XVIII). Mas não apenas as línguas indígenas foram alvo desse tipo de ação, também os idiomas trazidos pelos diversos grupos de imigrantes que aportaram no Brasil.

Tanto o Estado Português quanto o Estado Brasileiro independente adotaram políticas visando ao extermínio de outros idiomas falados no país, um processo denominado de glotocídio (assassinato de línguas), no qual o português foi substituindo outras línguas anteriormente faladas.

O povo brasileiro absorveu o idioma português com base em modelos precários, distantes do padrão culto da língua. No início do século XVIII, apenas 0,5% da população era letrada. O idioma se desenvolveu no país por meio da oralidade do cotidiano, de ouvido, pela a ausência de uma normatividade adquirida pela escolarização.

Os mesmos problemas que enfrentamos séculos atrás ainda assombram os brasileiros de hoje. A escravidão é um deles. No ano passado, a fiscalização do governo federal encontrou 1.723 pessoas trabalhando em condições análogas às de escravo no país, das quais 1.113 foram resgatadas.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor

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