Como tornar a língua portuguesa mais influente no mundo
Como tornar a língua portuguesa mais influente no mundo
Virgílio Azevedo*

Brasil. Mercado em São Paulo: os 200 milhões de falantes do português na grande economia emergente da América do Sul podem aumentar o protagonismo da nossa língua na globalização – Foto: Damir Sagolj/Reuters.
O português é um gigante global no mundo das línguas graças ao Brasil, mas a sua influência cultural e preparação tecnológica estão muito abaixo do seu peso demográfico. Estudos científicos recentes explicam como resolver este paradoxo.
A língua portuguesa tem 240 milhões de falantes em quatro continentes, é a quinta mais falada no mundo e em número de utilizadores da internet, bem como a terceira no Twitter e no Facebook, mas a sua influência global não parece ser muito grande. E está pouco preparada para a era digital.
Estudos científicos recentes constatam esta realidade de forma muito precisa, mas mostram como se podem superar estes problemas de modo a que o português se transforme numa língua verdadeiramente global. Tudo passa, antes de mais, por políticas públicas e iniciativas da sociedade civil, através do sistema de ensino, que aumentem o número de estrangeiros que falam a nossa língua e que promovam a cultura portuguesa através da tradução de obras de autores nacionais para outras línguas. E, noutra frente, por investir na tecnologia da linguagem (software) em áreas cruciais como a tradução automática, a análise de texto ou o processamento da fala.
Alunos da rede pública criam aplicativos de celular
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Adolescentes do 8º ano apresentaram apps voltados à alimentação, saúde e combate ao bullying na final do Projeto Ismart Online, em SP
Por Filipe Prado
“Nós não apoiamos a automedicação, mas achamos importante informar sintomas e tratamentos para o paciente poder questionar o médico”, explica Gabrielli Fonseca, 13 anos, integrante da equipe Democráticos, que criou o aplicativo Médico Virtual para o Projeto Ismart Online. Ela conta que o app já teve 257 downloads e traça planos para aperfeiçoar o produto. “Queremos melhorar o app, queremos que seja útil. A gente quer pensar em uma alguma parceria ou patrocínio para essa segunda versão para alcançar mais usuários”.
Opinião: “Assim (não) se vê a influência da língua portuguesa”
Opinião
Assim (não) se vê a influência da língua portuguesa
Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
Muito poucas línguas deveriam estar acima da língua portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão.
Num interessante artigo publicado no dia 22 de Dezembro (“Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas diferentes”, [republicado no e-Ipol aqui]), o jornal Público reproduz os dados essenciais de um estudo saído na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Neste, defende-se que “ao contrário do que se poderia pensar, a influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas, e, em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam ‘falar’ entre si”.
Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes
Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes
Ana Gerschenfeld

Na rede de ligações linguísticas derivada do Twitter, o português é das línguas mais influentes a nível global.
Leia também: Opinião: “Assim (não) se vê a influência da língua portuguesa”
Nem o número de falantes, nem a riqueza económica são o que mais condiciona a influência de uma dada língua a nível global, conclui estudo com participação portuguesa.
Está a pensar em aprender chinês (ou melhor, mandarim) ou a aconselhar os seus filhos a optarem por essa segunda língua estrangeira? É certo que, quando olhamos para o astronómico número de pessoas que fala hoje chinês – e para o crescente poderio económico da China –, temos tendência para pensar que, a par (ou talvez em vez) do inglês, o chinês é que será a língua do futuro. Porém, a acreditar nas conclusões de um estudo realizado por uma equipa internacional, entre os quais um cientista português, essa escolha poderá não ser a mais acertada… A língua franca do futuro poderá ser outra – e as mais importantes no ranking mundial também poderão ser outras.
Os resultados, publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostram que, ao contrário do que se poderia pensar, influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas. E em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam “falar” entre si.
Doze páginas da internet para fazer download de livros legal e gratuito
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Se dominar a língua espanhola e inglesa, as opções de escolha aumentam exponencialmente. Mas até a multinacional Amazon disponibiliza ebooks em português.
É viciado em livros, recebeu um eReader no Natal, mas não tem dinheiro para gastar? Milhares de livros clássicos e contemporâneos, em português, inglês ou espanhol, entre outras línguas, estão só a distância de um clique. E nem sempre estão escondidos em páginas recônditas. O jornal espanhol El Confidencial fez uma lista das melhores páginas para fazer download legal de ebooks.
Projeto preserva e propaga línguas indígenas através de aplicativo
Projeto preserva e propaga línguas indígenas através de aplicativo
Quem pensa que os índios estão atrasados no tempo, está muito enganado. O projeto Aplicativo Digital Educativo em Línguas Indígenas do Brasil procura expandir, ensinar e preservar a língua indígena brasileira a partir do uso de smartphones, conciliando o aumento de assinatura em telefonia celular entre jovens indígenas com a implementação de um planejamento linguístico, educacional e cultural para o Brasil do século XXI.
Desenvolvido por João Paulo Ribeiro, Pesquisador em Línguas Indígenas pela Universidade de São Paulo (USP), a iniciativa enriquece oportunidades educacionais em diversos ambientes através de aparelhos móveis, estimulando e multiplicando inovadoras situações de uso de línguas indígenas e implementando uma política cultural num país marcado por suas multi etnias.
A criação de aplicativos educacionais propõe a revitalização da linguagem buscada diretamente nas comunidades, sendo exemplo de empreendedorismo social e estímulo à economia criativa. Segundo o Censo de 2010, existem 274 línguas indígenas faladas no país, que infelizmente são praticadas cada vez menos, portanto é importante o resgate e preservação de uma linguagem que tem suas raízes brasileiras.
O projeto venceu a categoria Culturas Indígenas do Prêmio Brasil Criativo, iniciativa da ProjectHub com chancela do Ministério da Cultura e patrocínio da 3M, que se tornou oficialmente a premiação da criatividade brasileira.
Fonte: Catraca Livre




