Sem Palavras/Speechless/Sprachlon: memórias do silenciamento linguístico

“Quando libertamos as memórias, elas provocam uma revolução em nossos pensamentos e nos contaminam de prazer e melancolia”:  assim se faz a abertura do documentário Sem Palavras, trazendo para a tela as memórias de descentes alemães  que viveram o silenciamento linguístico das Campanhas de Nacionalização do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Em 1930, milhares de imigrantes vindos da Europa Central e do Leste (alemães, italianos, poloneses, russos, pomeranos, etc)   vivam no Brasil,  tendo aqui estabelecido, desde sua chegada, iniciada em meados de 1800,  comunidades coesas,  tanto do ponto de vista linguístico como cultural. Sobre todos eles incidiram as políticas de nacionalização, que proibiram os usos de suas línguas em todos os espaços públicos, inclusive no ensino, impondo prisões e torturas a quem desobedecesse as leis. Entre eles, estavam  cerca de 280 mil imigrantes alemães que, de uma hora para a outra, tiveram suas escolas fechadas e sua língua proibida. Os que viveram aquele tempo dão agora seus testemunhos, em um documentário com direção e roteiro de Kátia Klock.

Assista!

Acordo Ortográfico ainda por ratificar em Angola e Moçambique, 23 anos depois

Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico, assinado pelos oito países lusófonos há 23 anos e, à exceção de Portugal e do Brasil, os restantes não definiram datas para a sua aplicação.

O Governo angolano alega que pretende aprofundar a sua reflexão sobre o Acordo Ortográfico para salvaguardar aspetos de interesse do país, ligados à sua identidade cultural, nomeadamente a diversidade de línguas nacionais, bem como as implicações financeiras.

“Nos últimos quatro anos têm sido produzidos um conjunto de manuais escolares que representam mais de 50 milhões de exemplares, que em princípio são utilizados nas escolas primárias e secundárias do primeiro ciclo, e isso seria uma implicação financeira importante”, disse em julho passado o ministro da Educação angolano, Pinda Simão.

Apesar da relutância na ratificação, Angola vai financiar os trabalhos do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa com 35 mil euros, segundo disse à Lusa, em julho, Gilvan Müller de Oliveira, presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, responsável pelos trabalhos.

Já em Moçambique, o Acordo Ortográfico foi ratificado pelo Governo em junho de 2012, um mês antes de o país assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas falta ainda a ratificação pelo parlamento.

Portugal definiu como data para a aplicação global do acordo maio de 2015 e o Brasil dezembro do mesmo ano, tendo adiado a data anteriormente estabelecida, que era janeiro de 2013.

Quanto aos restantes países lusófonos que já ratificaram o acordo, apenas São Tomé e Príncipe avança uma data provável para a sua aplicação.

Em declarações à Lusa, o ministro da Educação, Cultura e Formação são-tomense, Jorge Bom Jesus, avançou como data provável para o início da aplicação do acordo setembro de 2014, no arranque do próximo ano letivo, mas ressalvou que é preciso “ter um plano de implementação com etapas claras”.

“Vamos tomar a decisão muito rapidamente (…) nós vamos implementar o acordo por etapas porque é preciso sensibilizar e mobilizar os vários setores, desde logo a imprensa escrita e falada, a administração pública, poder apresentar o acordo, explicar o que é que muda e o que é que desaparece”, disse.

O ministro são-tomense alertou para a necessidade de se avançar rapidamente na aplicação do acordo, sob pena de se “caminhar para uma espécie de funcionamento da língua a duas velocidades”.

Em Cabo Verde, um dos primeiros países a ratificar o Acordo Ortográfico, a implementação esteve inicialmente marcada para 05 de maio de 2009, mas acabou adiada “sine die”, porque alguns Estados lusófonos defenderam a necessidade de mais consensos e discussões em torno do projeto.

Também sem se comprometer com datas para a aplicação do acordo, que Timor-Leste ratificou em setembro de 2009, o chefe da diplomacia timorense, José Luís Guterres, referiu que o Governo está “a fazer os possíveis para implementar o que foi acordado”.

“A língua portuguesa representa um papel extremamente importante na formação do nosso caráter nacional e dá-nos o caráter de sermos únicos aqui na região e, por outro lado, é o elo profundo que temos com a CPLP e por isso valorizamos a língua portuguesa”, disse o ministro.

O parlamento da Guiné-Bissau aprovou Acordo Ortográfico em novembro de 2009, mas na prática ainda não foi aplicado, disse à Lusa o ministro de transição com a pasta da Educação, Alfredo Gomes.

“Não temos manuais revistos para seguir o acordo, nem há meios para realizar ações sobre as alterações da língua”, disse.

“Não que a aplicação do acordo não seja uma prioridade, mas os obstáculos são muitos”, referiu o ministro, exemplificando que as diferentes variedades do português em África não foram tidas em conta.

O Acordo Ortográfico deveria ter entrando em vigor a 01 de janeiro de 1994, mas, nessa altura, só Portugal, Brasil e Cabo Verde o tinham ratificado.

Entretanto, foram aprovados dois protocolos de alteração, o segundo dos quais, de 2004, prescindia da aplicação unânime e reconhecia a entrada em vigor a partir de três ratificações.

 VM/MYB/LFO/MSE/JSD/NME // VM

Lusa/Fim – Agência Lusa

Chego e rimo o RAP Guarani e Kaiowa

Com uma melodia que encanta, Bro Mc’s – Eju Orendive –  constroi no RAP um chamado a uma nova forma de convivência entre indígenas e não indígenas. “Faço por amor, escute por favor” é uma entre tantas expressões que, entrelaçando as linguas, nos convoca a um novo olhar sobre o Brasil e seus povos.  “Povo contra povo, não pode se matar, levante sua cabeça¨ e ouça esse RAP.

http://www.youtube.com/watch?v=oLbhGYfDmQg

II Conferência Internacional: “O Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial”

A II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que se segue à I Conferência de 2010, em Brasília, ocupará a Universidade de Lisboa entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro de 2013 e vai reunir numerosos especialistas e e responsáveis políticos e institucionais dos países lusófonos

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O IILP, um dos organizadores do evento, apresentará aos convidados e ao público presente o que foi desenvolvido ao longo da gestão da atual direção executiva, como as Cartas de Maputo, da Praia, de Guaramiranga e de Luanda formuladas nos quatro colóquios internacionais organizadas pela instituição em 2011 e 2012 e que servem de contribuição do instituto para o Plano de Ação de Lisboa para a Promoção, Difusão e Projeção da Língua Portuguesa.

Na II Conferência serão lançados, também, as primeiras versões do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE), plataforma que disponibilizará recursos didáticos gratuitos dos diversos Estados Membros da CPLP para o ensino e aprendizagem da língua e do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), integrado por diversos vocabulários ortográficos nacionais, construídos segundo uma metodologia comum consensuada.

 Veja a programação completa, clique aqui

Fonte: http://iilp.wordpress.com/

Cursos de línguas em aeroportos brasileiros

Aeroportos da Infraero têm cursos de idiomas para a Copa do Mundo 2014

A Infraero, em parceria com o Ministério do Turismo e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), está promovendo cursos de capacitação em idiomas estrangeiros para os funcionários que trabalham nas lojas comerciais dos aeroportos das cidades-sede da Copa de 2014. Os cursos são realizados no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e vão qualificar cerca de 1200 pessoas.

foto: canaldointercambio.com

foto: canaldointercambio.com

Nesta semana, os aeroportos de Congonhas (SP) e de Fortaleza (CE) iniciam as atividades. Em São Paulo, o curso começa nesta segunda-feira (21) e terá duração de seis meses, totalizando 180 horas de aula. Já na capital cearense, as aulas serão iniciadas na próxima quinta-feira (24), qualificando 119 alunos, com a carga horária de 160 horas. Os estudantes serão divididos em seis turmas e terão aulas duas vezes por semana.

Para a psicóloga do Aeroporto de Fortaleza, responsável pela área de Treinamento, Luana Santos do Nascimento, aprender um novo idioma traz mais segurança aos funcionários. “Esta é uma oportunidade que o governo está dando para quem trabalha direto com os estrangeiros. Conhecer uma nova língua melhora o atendimento ao passageiro porque traz também segurança aos colaboradores que lidam com o público”.

O objetivo da ação é capacitar os colaboradores em idiomas para atender aos visitantes de outros países durante os jogos, que acontecem entre os dias 12 de junho e 13 de julho do ano que vem. Os cursos são realizados nas dependências dos aeroportos, com o uso de recursos audiovisuais.

“Pra mim é uma ótima oportunidade. Aprender uma nova língua me ajudará não somente no ano que vem durante a Copa do Mundo, mas me tornará um profissional mais completo”, disse o funcionário da Livraria LaSelva, do Aeroporto de Congonhas, Carlos Alberto Soares, de 25 anos.

A expectativa da Infraero é que, até o final do ano, novas turmas de línguas estrangeiras ainda sejam formadas nos outros aeroportos das cidades-sede. Nos aeroportos de Santos Dumont (RJ), Confins (MG), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR), os cursos já estão em andamento e a previsão é que sejam concluídos no primeiro semestre do ano que vem.

Sobre o Pronatec
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego é uma iniciativa de capacitação profissional do Governo Federal estabelecida em 2011 com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. No âmbito do Ministério do Turismo, o programa contempla 44 atividades ligadas ao setor turístico, além de cursos em inglês, espanhol e na Língua Brasileira de Sinais  (Libras). No momento, a parceria entre o Ministério e a Infraero contempla a oferta de cursos de idiomas aos colaboradores da comunidade aeroportuária.

Fonte: Portogente.com.br (escrito por Infraero)

Há 250 línguas ameaçadas na Europa e metade vai desaparecer em duas gerações

O minderico, ou Piação dos Charales do Ninhou (língua dos habitantes de Minde), está hoje sob a ameaça de extinção, apresentando uma comunidade de mil falantes passivos, 250 falantes ativos, 25 dos quais fluentes e dez não falantes.

linguas europa

Mais de metade das 250 línguas minoritárias na Europa vão desaparecer no espaço de uma a duas gerações, concluíram cerca de cem investigadores, presentes no Congresso Internacional sobre Línguas Ameaçadas, que se está a realizar hoje em Minde.

“Estão identificadas 250 línguas ameaçadas em toda a Europa e, a cada duas semanas, há uma que desaparece, quando se perde o último falante”, disse à agência Lusa a presidente do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS), Vera Ferreira, que organiza o congresso.

“Em todo o Mundo existem 6700 línguas e vamos perder mais de metade dessas línguas no espaço de uma a duas gerações. Identificá-las, estudá-las, preservá-las e divulgá-las é o que nos move, enquanto comunidade científica preocupada em intervir e defender a paleta da pluralidade linguística mundial”, advogou.

O Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, com sede em Minde, Alcanena, organizou o primeiro congresso dedicado a línguas ameaçadas na Europa (ELE 2013 – Endangered Languages in Europe), que reúne, desde quinta-feira, cerca de uma centena de investigadores e linguistas de todos os países europeus e dos “quatro cantos do Mundo”, da Austrália ao Gana, Sri Lanka, Uganda e Nepal, para debaterem e partilharem o estado atual e o futuro das línguas ameaçadas e minoritárias.

“Foi o primeiro Congresso realizado nestes moldes em toda a Europa, e foi um sucesso, desde logo com o cruzamento da informação trabalhada a este nível, em todo o mundo, e aferir aquilo que se faz, não se faz, ou se pode fazer para preservar as línguas minoritárias”, disse a linguista à agência Lusa.

“Uma das conclusões do congresso é sobre a importância premente de investir na tecnologia da linguagem e na linguística documentacional, ou seja, como tratar e desenvolver material didático e de investigação”, apontou.

“É importante dar condições e meios à comunidade falante para preservar, divulgar e ensinar a língua ameaçada, desenvolvendo métodos, técnicas e tecnologias da linguagem para chegar aos jovens em ambiente escolar – no nosso caso ensinando o minderico”, defendeu.

O minderico, ou Piação dos Charales do Ninhou (língua dos habitantes de Minde), está hoje sob a ameaça de extinção, apresentando uma comunidade de mil falantes passivos, 250 falantes ativos, 25 dos quais fluentes e dez não falantes, numa população total de 3293 habitantes.

“É uma língua claramente ameaçada”, notou Vera Ferreira, tendo referido que o minderico está a ser alvo de alguns projetos de revitalização, através de aulas para as várias faixas etárias, formação contínua de professores, criação do primeiro dicionário bilingue acompanhado de uma versão multimédia, ou a utilização do minderico em festas, ementas, placas e preçários da vila.

O Congresso organizado pelo CIDLeS, fundado em 2010 por um grupo de investigadores e linguistas, resultou em convites para estabelecimento de parcerias com várias universidades europeias.

“O ELE [congresso] permitiu a criação de ‘pontes’, e esta iniciativa vai continuar, talvez já em 2014, com projetos e convites de parcerias solicitados por várias universidades europeias, [entre as quais] a universidade de Toulouse, França, a universidade de Vigo, em Espanha, e a SOAS [School of Oriental and African Studies], da Universidade de Londres, que estuda essencialmente as línguas ameaçadas no continente africano”, revelou Vera Ferreira.

O ELE 2013 encerra esta noite com a realização de um Festival de Bandas de Línguas Ameaçadas, na Fábrica da Cultura de Minde, no concelho de Alcanena, em que participam projetos representando as línguas nativas de seis países.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Por Agência Lusa
publicado em 19 Out 2013 – 18:36

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