Conheça Virgilio Soares, o tradutor de Libras que viralizou na web

 Nayra Mesquita / Divulgação Vídeo no qual o brasiliense Virgilio dança ao som de É D’Oxum foi visto 1 milhão de vezes e compartilhado por 22 mil pessoas, até o momento

mbora seja uma figura conhecida do teatro brasiliense, muita gente ainda não tinha esbarrado com o trabalho de Virgilio Soares. Nos últimos dias, no entanto, dois vídeos do tradutor de Libras de 39 anos viralizaram pelo Distrito Federal e sensibilizaram os internautas. Neles (que você confere logo abaixo), Virgilio traduz duas canções da MPB para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), com direito a um diferencial: em vez de se valer somente dos sinais, ele dança e acompanha o ritmo das composições É D’Oxum (Gerônimo e Vevé Calazans) e Toda Menina Baiana (Gilberto Gil). As “traduções-poéticas”, como o próprio Virgilio intitula, chamaram a atenção e foram compartilhada por milhares.

Tradutor-intérprete da UnB na esfera acadêmica, o paraibano Virgilio está em Brasília há mais de uma década e trabalha com tradução desde a adolescência. Foi a partir da curiosidade pessoal que Virgilio se interessou pela Libras, quebrando a falsa impressão (principalmente entre os leigos) de que tradutores de Libras estão sempre e diretamente conectados à questão da acessibilidade (por serem filhos ou netos de surdos, por exemplo).

Foi preciso apenas um filme para Virgilio se apaixonar pelo universo da Libras. “Eu tinha 12 anos quando assisti a Filhos do Silêncio (1986), que conta a história de uma surda e de um professor que sabia língua de sinais. Fiquei sensibilizado com aquilo tudo e acabei tendo a chance de aprender Libras em um curso que acontecia dentro de uma igreja”, relembra o servidor da UnB, em conversa com o Metrópoles. Mal sabia ele que estava descobrindo ali o ofício que o carregaria à vida adulta.

É D’Oxum

A tradução-poética surge já em Brasília, principalmente por meio do contato de Virgilio com o meio acadêmico, artístico e literário, a partir do desejo de que o surdo “possa ter uma acessibilidade estética, que não se limite aos significados literais das palavras”. Mestre em tradução, o intérprete defende que a “imagem mental possa se aproximar, na língua de chegada, ao que foi idealizado pela língua de partida”, gerando esse conteúdo poético. Não à toa, ele se tornou nome recorrente e querido nos espetáculos teatrais da cidade que atendem a comunidade surda e recorrem à língua de sinais.

Vale ressaltar que a própria canção É D’Oxum tem relação afetiva com essa história. Foi a senhora das águas doces (também conhecida como Ndandalunda, entre as religiões afro-americanas) que convidou Virgilio para dançar e nunca mais parar. Ele, inclusive, acabou recebendo a dijína Mbandi Luango por conta da iniciação no candomblé de matriz Angola, pela qual gosta de ser chamado.

Toda vez que eu escutava É D’Oxum, eu não conseguia me controlar, eu começava a dançar

Virgilio Soares

E não teria sido diferente durante a Jornada de Pesquisa em Estudos da Tradução, na UnB, onde foi filmado durante a tradução performativa. Mais uma vez, É D’Oxum tocou e Virgilio (ou melhor, Mbandi) se pôs a dançar. Dessa vez, por conta do flagra no celular, ele emocionou não somente os presentes, mas também as mais de 1 milhão de pessoas que já assistiram ao vídeo até o momento. Um alerta sobre a importância da inclusão social da comunidade surda. Aliás, sobre a inclusão poética seja de quem for.

Fonte: Metropoles

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