Línguas | Criados dicionários ‘online’ Português/Chinês e Chinês/Português
Mais um trabalho pioneiro e feito a partir de Macau. Foram lançados, no dia de ano novo chinês, os dicionários ‘online’ Português/Chinês e Chinês/Português. A autoria é de Ana Cristina Alves que contou com a colaboração da também académica Ao Sio Heng. O objectivo foi disponibilizar um instrumento acessível a todos
Os primeiros dicionários ‘online’ Português/Chinês e Chinês/Português agora disponibilizados foram feitos a partir de Macau por Ana Cristina Alves. Demoraram cerca de um ano, e da equipa que o produziu consta uma professora chinesa de português e mandarim.
Doutorada em Filosofia da História e da Cultura Chinesa, Ana Cristina Alves disse à agência Lusa que quando lhe foi feito o desafio pensou que “não iria ser capaz”, pois à data leccionava na Universidade de Macau e “não tinha tempo”. Continue lendo
Advogada conservação das línguas nacionais
O historiador Altino Menezes defendeu na Terça-feira, na cidade do Cuito, província do Bié, a necessidade da valorização das línguas maternas, como meio para fortalecer a identidade nacional, bem como de afirmação da cultura.
Por ocasião do 21 de Fevereiro, consagrado ao Dia Internacional da Língua Materna, o académico Altino Menezes é de opinião que as línguas nativas sejam enquadradas no currículo escolar, pese embora algumas escolas do ensino médio e superior tenham inserido o ensino do Umbundu. Em seu entender, as línguas maternas faladas nesta parcela do país têm estado a perder o valor, pelo facto, sobretudo, de os citadinos motivados pelo fenómeno globalização usarem-nas pouco, até mesmo nas suas próprias comunidades. Continue lendo
O Dia Internacional da Língua Materna
No dia 21 de Fevereiro, comemora-se em todo mundo o Dia Internacional da Língua Materna, uma data instituída pela UNESCO, há dezanove anos, e que lembra a responsabilidade que os Estados, as instituições e as pessoas têm de promover o multilinguismo, a diversidade linguística e cultural.
Em Angola, há um largo segmento da população que possui uma das línguas nacionais como materna, razão pela qual há a protecção constitucional reservada pelo Estado. Não há dúvidas de que há igualmente um grande segmento da população angolana, cada vez mais crescente, que não fala nenhuma das línguas nacionais e que têm o português como língua materna.
A Carta Magna, no seu artigo 19. º, dispõe no seu número dois que “o Estado valoriza e promove o estudo, o ensino e a utilização das demais línguas de Angola, bem como das principais línguas de comunicação internacional”. E embora haja o “guarda-chuva” protector da Constituição da República, na verdade, há ainda um longo caminho a percorrer para alcançarmos metas de satisfação relativamente à preservação, uso e continuidade das línguas nacionais. Continue lendo
Salvar o romanche antes que ninguém mais o fale
Há oitenta anos, 92 por cento dos eleitores (masculinos, pois na época só os homens tinham direito de voto) disseram “sim” ao reconhecimento do romanche como quarto idioma nacional. Hoje, apesar dos esforços, é uma língua ameaçada. Um grupo de interesse exige agora mais apoio do governo.
O romanche é o mais antigo idioma nacional ainda falado no país. Surgiu como uma mistura de latim popular e as línguas faladas na região que é hoje o cantão dos Grisões. Todavia, segundo a UnescoLink externo, o romanche está ameaçado de desaparecer. Apenas 0,5% da população domina o idioma, apesar de todo o apoio dado à sua sobrevivência.
Há oitenta anos a ameaça vinha de fora: concretamente, na forma do fascismo introduzido por Benito Mussolini. O ditador considerava o romanche um dialeto da Lombardia e, dessa forma, o cantão dos Grisões pertenceria à Itália, assim como o cantão italófono do Ticino. Continue lendo
O suíço-alemão da Pensilvânia: uma língua que persistiu
As comunidades Amish e Menonitas não sãos as únicas que falam dialetos suíço-alemães hoje, nos Estados Unidos. Para Douglas Madenford que falou o suíço-alemão da Pensilvânia a vida toda, uma recente tendência para recuperar a língua tradicional é uma prova de sua riqueza e durabilidade.
“Guder Mariye, liewe Kinner!” (Bom dia, crianças queridas!)
Começo quase todo os dias com essas quatro palavras. O mais interessante sobre essa declaração é que eu sou americano. Minha família imigrou para a colônia da Pensilvânia nos anos 1700 e ficou por aqui até hoje. Doze gerações depois, ainda falamos a língua que nossos antepassados trouxeram quando cruzaram o Atlântico: o suíço-alemão da Pensilvânia (Pennsylvaanisch Deitsch, ou PD). Continue lendo
No Festival de Berlim, indígenas lançam manifesto contra intolerância
O documento foi lido após a exibição do documentário “Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi, sobre a evangelização de povos indígenas.

Dirigido por Luiz Bolognesi, “Ex-Pajé” foi produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane
A magia da floresta veio para o frio de Berlim, e junto com a magia vieram também o drama da violência do etnocídio, do proselitismo religioso e da destruição da Amazônia. Foi exibido no sábado 17 de fevereiro, na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, o filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane (time que volta a Berlinale depois do sucesso de Como Nossos Pais, de Laís, ano passado), um belíssimo documentário que mostra a violência do etnocídio dos povos indígenas no Brasil.
O filme acompanha Perpera, um antigo xamã do povo Paiter-Suruí que foi convertido ao evangelismo, tendo que abandonar não só os poderes espirituais, como toda a transmissão de conhecimento ligada as práticas xamãnicas. Estavam junto na sessão em Berlim os indígenas Ubiratã e Kabena Suruí, mãe e filho — Perpera permaneceu no Brasil por não viajar de avião. Após a sessão, o diretor Bolognesi leu um manifesto contra o etnocídio escrito por lideranças indígenas, que reproduzo na íntegra abaixo. Continue lendo




