Pelo reconhecimento do Talian, língua brasileira
FIBRAS – RS Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul
Serafina Corrêa, 30 de julho de 2013.
Estamos enviando a todos cópia de correspondência enviada a Sra. Marta Suplicy – DD. Ministra da Cultura. Informamos, que também enviamos correspondência de mobilização para oito (8) Estados da União envolvendo Governadores, Assembléias Legislativas, Deputados, Secretarias de Estado entre outros, além de Ministros, Senadores, Deputados Federais e Prefeitos.
Agora, chegou a nossa vez de fortalecermos o movimento em busca de nossos sonhos que é ver a nossa LÍNGUA TALIAN ser reconhecida como “LÍNGUA DE REFERÊNCIA CULTURAL BRASILEIRA E PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL”. Leia o ofício:
Ofício nº36
Exma Sra. Marta Suplicy
Ministra da Cultura
Serafina Corrêa, 05 de Junho de 2013.
CARA MINISTRA,
Em 20.09.2005, com apoio de alguns Governadores, Presidentes de Assembleias Legislativas, Secretários do Estado, Deputados, Prefeitos e entidades representativas de Governo e Civis, em especial do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espirito Santo, encaminhamos ao Ministro da Cultura – Sr. Gilberto de Passos Gil Moreira, o pedido de Reconhecimento e Registro da Língua Talian, como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Este pedido está protocolado Junto ao Instituto Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional sob nº 01450.012827/2005-43. Por certo, na época apresentamos dezenas de argumentos dezenas de argumentos para justificarmos nosso pedido. Porém, por sermos a primeira língua a solicitar tal distinção e por não haverem leis para tal reconhecimento provocamos uma série de acontecimentos que descrevemos a seguir:
Em 07.03.2006, foi realizado no Congresso Nacional, em Brasília por iniciativa da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, através de proposta do Deputado Carlos Abicalil – MT, um Seminário sobre a Diversidade Linguística Nacional, com objetivo de Criação do Livro de Registro de Línguas, onde foi estabelecido a criação de um Grupo de Trabalho sobre a Diversidade Linguística do Brasil (GTDL).
Este grupo de trabalho foi composto por diversos órgãos públicos (Câmara dos Deputados, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Orçamento e Gestão), pela sociedade civil (IPOL) e UNESCO. O grupo foi coordenado pela Sra. Márcia Sant’Anna – Diretora do Departamento de Patrimônio Cultural e Imaterial do IPHAN.
Em 13.12.2007, foi realizada no Congresso Nacional, em Brasília, também por iniciativa da Câmara dos Deputados, uma AUDIÊNCIA PÚBLICA com a participação de distintas comunidades, especialistas, parlamentares e representantes de inúmeras importantes instituições, onde o GTLD apresentou seu relatório elaborado para tratar de politicas públicas com propostas voltadas ao reconhecimento, proteção e preservação do multilinguíssimo no Brasil. Também foi apresentada metodologia para realização do INVENTÁRIO DAS LÍNGUAS, sendo proposto um projeto piloto envolvendo seis línguas. A língua Talian foi incluída neste projeto piloto.
De março de 2009 a abril de 2010, foram desenvolvidos trabalhos pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) em convênio com IPHAN, nº 771773/2008 e em maio de 2010 foi apresentado o RELÁTORIO FINAL DO INVENTÁRIO DA LÍNGUA TALIAN NO BRASIL.
Em 19.12.2010, o Presidente do Brasil – Sr. Luiz Ignácio Lula da Silva, pelo DECRETO 7387, RECONHECE O INVENTÁRIO DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA NACIONAL:
Art. 1º – Fica instituído o inventário nacional da diversidade linguística, sob a gestão do Ministério da Cultura, como instrumento de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referencia à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Art. 2º – As línguas inventariadas deverão ter relevância para a memoria, a histórica e a identidade dos grupos que compõem a sociedade brasileira.
Art. 3º A língua incluída no inventário nacional da diversidade linguística, receberá o titulo de “Referência Cultural Brasileira”, expedido pelo Ministério da Cultura.
Art. 4º O inventário nacional da diversidade linguística deverá mapear, caracterizar e diagnosticar as diferentes situações relacionadas à pluralidade linguística brasileira sistematizando estes dados em formulário específico.
Art. 5º As línguas inventariadas farão jus a ações de valorização e promoção por parte do poder público…
Sendo protagonista desta importante discussão da Diversidade Linguística Nacional, podemos afirmar que a Língua Talian é uma língua originada dos diversos dialetos da imigração italiana no Brasil. Que o Talian é entendido e falado por milhões de oriundos dentre os 28 milhões existentes no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, Centro Oeste de Santa Catarina, Oeste do Paraná, nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Roraima, São Paulo e Espírito Santo. Que o Talian é a 2º Língua mais falada no Brasil, sendo para muitos ainda a 1º Língua. Que a Língua é a primeira identificação de um povo. Que a Língua Talian é o sustentáculo da cultura, usos, costumes e tradições da imigração italiana no Brasil e perdendo a língua fenece a cultura. Outras justificativas também poderiam ser representadas, mas com certeza já são do Vosso conhecimento.
Assim, Vossa Excelência há de convir, que sendo os pioneiros e já tendo nossa Língua Inventariada, deveríamos ter o privilégio de também sermos os primeiros a serem reconhecidos com o título: “TALIAN – LÍNGUA DE REFERÊNCIA CULTURAL BRASILEIRA”.
Com este propósito, solicitamos Vossa gentileza de informar trâmite do decreto presidencial e se possível agilizar para que tenhamos em curto espaço de tempo a resposta tão esperada pela Comunidade Italiana do Brasil.
Certos de Vossa amável acolhida, agradecemos com distinta consideração e apreço.
Paulo José Massolini
Presidente
II Conferência Livre do Talian


A Associação dos Difusores do Talian (ASSODITA) e a Federação das Associações Ítalo-Brasileiras (FIBRA) promovem a segunda edição da II Conferência Livre do Talian, que acontece juntamente da Conferência Municipal da Cultura em Serafina Corrêa neste sábado, dia 13 de julho, no Auditório Escola Leonora Bellenzier. Confira a programação:
Abertas as inscrições para o III POMERBR
Nos próximos dias 15, 16 e 17 de agosto acontece o III POMERBR, em Pomerode, Santa Catarina. Comemorando os 155 anos da imigração pomerana no Brasil. O evento conta com palestras, comunicações debates, mesas de discussão e exibições cinematográficas, buscando explorar aspectos da cultura pomerana, língua, comportamento e suas relações.
Conforme apresentado no site do evento, trata-se de um “evento nacional para discutir as questões da cultura, do pertencimento e dos modos de ser dos pomeranos, nasce dentro do contexto da diversidade cultural”.
Promoção de línguas brasileiras de imigração: em pauta na mídia e nos municípios brasileiros
Em destaque no Jornal A Gazeta de São Bento do Sul (SC), esteve a presença e a promoção das línguas brasileiras de imigração faladas naquele município, a saber: Hochdeutsch, Bayerisch, italiano, polonês e ucraniano. A pesquisadora do Ipol, Ana Paula Seiffert, que realizou um diagnóstico sociolinguístico em São Bento do Sul em sua dissertação de mestrado (UFSC/2009), participou da matéria com alguns esclarecimentos sobre os usos e representações de cada uma dessas línguas de imigração na localidade, sinalizando, inclusive, para a necessidade de ações de promoção dessas línguas que estão em processo de perda (em diferentes estágios) na localidade. No referido estudo, a pesquisadora defende que as ações para revitalização e manutenção dos idiomas minoritários na localidade precisam passar pela recuperação do prestígio, do status das línguas de imigração e, para isso, sugere o envolvimento da comunidade na elaboração de estratégias que garantam a preservação do patrimônio linguístico da cidade. Conhecendo-se detalhadamente a realidade linguística do município e através de ações discutidas e elaboradas com a participação dos falantes, como a criação de um Conselho de Línguas (a exemplo de outras cidades) e a inclusão dos idiomas minoritários nas grades curriculares das escolas municipais, a pesquisa aponta para a possibilidade de reverter o quadro de desaparecimento dessas línguas brasileiras de imigração.
As línguas brasileiras de imigração e sua promoção, atualmente, tem despertado maior interesse dos meios de comunicação e do público em geral mas também dos governos, sobretudo nos municípios que passam a perceber e a valorizar a diversidade e o patrimônio linguístico que possuem. Isso fica evidente quando se observa, por exemplo, a quantidade de municípios brasileiros que cooficializaram línguas brasileiras de imigração: Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Pancas, Laranja da Terra e Vila Pavão no Espírito Santo e Canguçu no Rio Grande do Sul cooficializaram o Pomerano; Serafina Corrêa no Rio Grande do Sul cooficializou o Talian; Antônio Carlos em Santa Catarina o Hunsrükisch e Pomerode, Santa Catarina, o Alemão.
Ações de promoção como a cooficialização estão em pauta no Forlibi, o Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração. Fundado pelo Ipol, pela FIBRA-RS (Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul), pela Prefeitura Municipal de Santa Maria de Jetibá (ES) e pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o Fórum reúne e promove o diálogo sobre as iniciativas de promoção das línguas brasileiras de imigração entre falantes, pesquisadores e instituições parceiras, propondo-se a ser um “espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas”.
Na promoção das línguas de imigração, além de integrar o Forlibi, atualmente o Ipol participa do Conselho da Língua Alemã de Blumenau (SC) e e também está executando o Projeto Receitas da Imigração – Língua e Memória na Preservação da Arte Culinária (IPHAN/PNPI 2012). Esse projeto está produzindo uma publicação plurilíngue (línguas de imigração/português) com as histórias das imigrações tais como contadas nas línguas das comunidades linguísticas da região do Vale do Itajaí através das tradições culinárias desses grupos.
Línguas de imigração na mídia
No dia 25 de março, o Pomerano, língua de origem germânica, variante do alemão, recebeu especial atenção do jornal A Tribuna, do Espírito Santo. A Língua Pomerana hoje se encontra praticamente extinta na Pomerânia original, mas ainda é exercitada cotidianamente no Brasil, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo. O Pomerando é língua cooficiial em cinco municípios no Espírito Santo, Santa Maria do Jetiba, Pancas, Vila Pavão, Domingos Martins, Laranja da Terra; e em Canguçu, no Rio Grande do Sul. Nos municípios capixabas tem sido ensinado nas escolas juntamente com o português desde 2004. Além disso, o bilinguismo pomerano-português também é promovido em Pomerode, em Santa Catarina.
Na reportagem publicada n’A Tribuna trata-se, especialmente, da necessidade do poder executivo de alguns municípios do estado em fazer uso da língua para atender o eleitorado. Leia na íntegra.
Complementando o assunto, o jornal A Gazeta, de São Bento do Sul, destacou o trabalho da pesquisadora Ana Paula Seiffert sobre a gama de línguas utilizadas diariamente na cidade e a necessidade de sua preservação através de políticas públicas. Leia na íntegra.
Germania, uma história sussurrada no dialeto de Volga
A obra prima de Maximiliano Schonfeld reconstitui os conflitos de uma colônia alemã de Entre Rios (Argentina), da perda de seu lugar no mundo até o futuro incerto. “Germania”, que estreou no dia 21/03, recebeu o Prêmio Especial do Juri, no último BAFICI (Buenos Aires Festival Internacional de Cinema Independente).
Em seu filme Germania (2012), Maximiliano Schonfeld retrata suas origens, a vida dos descendentes alemães de Volga que formaram numerosas colônias na província de Entre Rios. Trata-se de um universo circular, articulado pela coesão familiar e religiosa que lhes permitiu manter intactas suas tradições e o dialeto Wolgadeutsche. “As histórias relatadas pelas famílias alemãs sempre mantém o sabor do mito distante, da história contada aos sussurros, proibida. Quis transformar aquela tradição oral em imagem cinematográfica”, afirma Schonfeld.


