Línguas de imigração

As receitas da imigração italiana: língua, culinária e memória no foco do IPOL

Equipe visita propriedade no bairro Tiroleses e conhecem a história de vida dos imigrantes locais.

Fotos: Elisabeth Germer

Fotos: Elisabeth Germer

No mês de setembro aconteceu mais uma roda de conversa entre a equipe técnica de produção do Projeto Receitas da Imigração e os moradores do Médio Vale do Itajaí. Segundo a historiadora timboense, Elisabeth Germer, que está acompanhando os profissionais neste trabalho, no dia 27 de setembro a equipe técnica do IPOL Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Línguística  esteve em Timbó. “A equipe busca informações, através de deliciosas conversas sobre histórias, memórias e tradições culinárias com descendentes dos imigrantes que se instalaram no Vale do Itajaí e que trouxeram consigo suas marcas culturais, identitárias e linguísticas”, explica Elisabeth ao contar que este está sendo o trabalho da equipe de produção do Projeto Receitas da Imigração. De acordo com a historiadora, os registros do Projeto, são carregados de emoção e vem acompanhados de depoimentos nas línguas brasileiras de imigração ainda hoje muito faladas nas cidades de Indaial, Gaspar, Blumenau, Timbó e Pomerode: polonês, italiano, pomerano e alemão.

De acordo com Elisabeth, são registros muito valiosos como o da família de Mário e Olívia Darui, moradores do bairro Tiroleses. “Estiveram presentes no encontro a filha Norma Darui, que é secretária do Consulado Italiano para o Sul do Brasil e sua filha Paola Dauri Gadotti”, observa Elisabeth ao contar que na oportunidade foram repassadas tantas lembranças das marcas trazidas pelos antepassados e das transformações que a família foi fazendo ao longo das gerações buscando adaptar-se ao novo clima, espaço, costumes e língua. O Projeto Receitas da Imigração é uma aventura gastronômica, histórica e linguística.

Na ocasião, a italiana Olívia Darui além de preparar uma “galinha caipira à moda da roça’, cozinhou uma polenta no “parolo”, sobre um fogão à lenha, tendo como acompanhamento a tradicional “fortai” e “radicci”. “Além disso, Mario e Olívia em entrevista relataram como era a vida do imigrante italiano, aqui no Médio Vale”, relata Elisabeth.

A historiadora destaca que o Projeto Receitas da Imigração, contará com as tradições culinárias das comunidades de imigrantes do Médio Vale do Itajaí como fio condutor para (re)contar a história e as memórias do estabelecimento daquelas populações na região. “Segundo eles, está previsto como principal produto deste projeto uma publicação de livro que contará a história do estabelecimento das famílias de imigrantes na região do Médio Vale do Itajaí. Essa história será contada, principalmente, através das receitas culinárias consideradas fundamentais no estabelecimento dos imigrantes na região. O livro será plurilíngue, ou seja, estará nas línguas de imigração e em português”, observa a timboense que além de ter muita história para contar sobre sua vida e da sua família, também é uma exime conhecedora da história de vida dos moradores mais antigos do Médio Vale do Itajaí, em especial dos municípios vizinhos à Timbó.

Elisabeth relata que o Projeto Receitas da Imigração é executado pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol) com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “As informações são dos dois profissionais que estiveram em minha casa, Peter e Mariela Silveira”, observa a historiadora ao relatar que os profissionais estiveram buscando junto à ela relatos de receitas, usos e costumes dos primeiros imigrantes. Por Clarice Graupe Daronc

Fonte: Jornal do Médio Vale

Sem Palavras/Speechless/Sprachlon: memórias do silenciamento linguístico

“Quando libertamos as memórias, elas provocam uma revolução em nossos pensamentos e nos contaminam de prazer e melancolia”:  assim se faz a abertura do documentário Sem Palavras, trazendo para a tela as memórias de descentes alemães  que viveram o silenciamento linguístico das Campanhas de Nacionalização do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Em 1930, milhares de imigrantes vindos da Europa Central e do Leste (alemães, italianos, poloneses, russos, pomeranos, etc)   vivam no Brasil,  tendo aqui estabelecido, desde sua chegada, iniciada em meados de 1800,  comunidades coesas,  tanto do ponto de vista linguístico como cultural. Sobre todos eles incidiram as políticas de nacionalização, que proibiram os usos de suas línguas em todos os espaços públicos, inclusive no ensino, impondo prisões e torturas a quem desobedecesse as leis. Entre eles, estavam  cerca de 280 mil imigrantes alemães que, de uma hora para a outra, tiveram suas escolas fechadas e sua língua proibida. Os que viveram aquele tempo dão agora seus testemunhos, em um documentário com direção e roteiro de Kátia Klock.

Assista!

Língua Hunsrückisch de Antônio Carlos recebe apoio e novo impulso

Projeto de resgate da língua Hunsrückisch em Antônio Carlos é um dos vencedores do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura
Não é de hoje que o município de Antônio Carlos busca resgatar e preservar sua diversidade cultural. Em 05 de outubro de 2010, por exemplo, foi aprovada na Câmara de Vereadores a Lei nº 132/2010, de autoria do então vereador Altamiro Antônio Kretzer, que cooficializou a língua Hunsrückisch como segunda língua do município.
Prof. Altamiro A. Kretzer, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

Prof. Altamiro A. Kretzer, SECRETÁRIO
DE EDUCAÇÃO E CULTURA

De acordo com a atual política linguística nacional, o Hunsrückisch é considerado como uma língua de imigração. As línguas de imigração foram, por muito tempo, vistas apenas como meros dialetos, o que as tornava “invisíveis” perante as línguas dominantes. Deste modo, ao substituir-se a denominação “dialeto” por “língua de imigração”, estas passam a ter o seu valor reconhecido em nosso país.
Neste sentido, o município de Antônio Carlos, com a lei de cooficialização do Hunsrückisch, é pioneiro no Estado de Santa Catarina no que diz respeito à adoção de políticas públicas com vistas ao resgate e a preservação de uma língua de imigração. Isto porque, segundo o autor da lei de cooficialização (Lei 132/2010), o atual Secretário de Educação e Cultura do município, o historiador Altamiro Antônio Kretzer, “a língua falada e escrita tem grande importância na formação cultural de uma população e, por isso, é também importante que os detentores das línguas tenham condições para preservá-las e desenvolvê-las”. Ainda segundo o Secretário Altamiro, “é urgente que façamos algo para resgatar a língua de nossos antepassados. Caso contrário, corremos grande risco de vermos este patrimônio imaterial de nossa cultura desaparecer nas próximas gerações”.
Foi justamente com o objetivo avançar no processo de resgate e preservação da língua Hunsrückisch que a Secretaria de Educação e Cultura de Antônio Carlos, através de sua Coordenadoria de Cultura, inscreveu um projeto no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura.
Promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura representa um investimento de R$ 7,2 milhões. Na edição deste ano foram recebidas 965 inscrições para as sete grandes áreas abarcadas no edital. Deste total de inscritos os membros do júri selecionaram 138 projetos. A decisão foi baseada nas diretrizes gerais norteadoras da avaliação para seleção dos projetos, que incluíam relevância cultural e artística da iniciativa proposta, orçamento compatível com os fins objetivados e adequação às finalidades e condições do regulamento. A assinatura dos contratos ocorrerá em 23 de setembro, às 9h, no Centro Integrado de Cultura.  O recurso será pago em parcela única e o proponente terá até 12 meses para a realização do projeto. “Tivemos um recorte muito bom do que o segmento cultural de Santa Catarina pode produzir em termo de arte e cultura”, disse, satisfeito, o secretário estadual de Turismo, Cultura e Esportes, Beto Martins.
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Antônio Carlos foi selecionada com o projeto “Patrimônio imaterial, Hunsrückisch” e receberá o valor de R$ 100 mil para desenvolver o mesmo.
O Projeto prevê a realização de um censo e de um diagnóstico linguístico do Hunsrückisch. O Censo Linguístico produz indicadores sobre a língua que permitem visualizá-la em suas funções básicas sociais e assim subsidiam e fundamentam a tomada de decisões sobre esta língua. Já o Diagnóstico Sociolinguístico tem o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre os usos do Hunsrückisch em Antônio Carlos, sobretudo quanto à modalidade escrita da língua. Este conhecimento, aliado aos resultados do Censo como um todo, poderá orientar a adoção de uma perspectiva para o ensino da língua no município, por exemplo, ou outras políticas linguísticas com vistas à preservação do patrimônio linguístico, oral e escrito, de Antônio Carlos.

UP POMERISCH SRIJWE UN LEESE LEIRE: viva o pomerano!

MILITANTES ENGAJADOS EM PRESERVAR A LÍNGUA POMERANA PROMOVEM APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ORAL E ESCRITA POMERANA ATRAVÉS DE REDE SOCIAL.


UP POMERISCH SRIJWE UN LEESE LEIRE, grupo criado em janeiro de 2013 no FACEBOOK, já possui mais de 300 membros que compartilham assuntos diversos sobre a cultura e a língua, e principalmente se propõe a aprender a ler e escrever na língua.

Por se tratar de uma língua com proposta de grafia recente um número significativo de pessoas têm buscado se apropriar da escrita através desse espaço.
Iniciativa que merece destaque porque além de difundir a língua escrita e ser um espaço democrático de participação e problematização das questões sobre a língua, é também uma estratégia de preservação desse patrimônio imaterial.
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Para participar da rede, solicite ao gupo UP POMERISCH SRIJWE UN LEESE LEIRE

Imigração do Hunsrück para o Brasil é tema de filme na Alemanha

O filme A outra pátria (Die andere Heimat) foi selecionado para participar também do Festival do Rio 2013, que ocorre entre 26 de setembro e 11 de outubro, no Rio de Janeiro.

Edgar Reitz retrata em seu novo filme uma história de amor comovente. O pano de fundo para o filme é a Alemanha rural, em meados do século 19, quando aldeias inteiras, impulsionadas pela fome e pela pobreza, emigraram para a distante América do Sul. No centro da trama, dois irmãos que um dia são colocados de frente com uma importante questão: sair ou ficar em seu país?

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http://forlibi.blogspot.com.br/2013/09/imigracao-do-hunsruck-para-o-brasil-e.html

Pelo reconhecimento do Talian, língua brasileira

FIBRAS – RS Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul

Serafina Corrêa, 30 de julho de 2013.

Estamos enviando a todos cópia de correspondência enviada a Sra. Marta Suplicy – DD. Ministra da Cultura. Informamos, que também enviamos correspondência de mobilização para oito (8) Estados da União envolvendo Governadores, Assembléias Legislativas, Deputados, Secretarias de Estado entre outros, além de Ministros, Senadores, Deputados Federais e Prefeitos.

Agora, chegou a nossa vez de fortalecermos o movimento em busca de nossos sonhos que é ver a nossa LÍNGUA TALIAN ser reconhecida como “LÍNGUA DE REFERÊNCIA CULTURAL BRASILEIRA E PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL”.  Leia o ofício:

 

Ofício nº36

Exma Sra. Marta Suplicy

Ministra da Cultura

Serafina Corrêa, 05 de Junho de 2013.

CARA MINISTRA,

Em 20.09.2005, com apoio de alguns Governadores, Presidentes de Assembleias Legislativas, Secretários do Estado, Deputados, Prefeitos e entidades representativas de Governo e Civis, em especial do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espirito Santo, encaminhamos ao Ministro da Cultura      – Sr. Gilberto de Passos Gil Moreira, o pedido de Reconhecimento e Registro da Língua Talian, como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Este pedido está protocolado Junto ao Instituto Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional sob nº 01450.012827/2005-43. Por certo, na época apresentamos dezenas de argumentos dezenas de argumentos para justificarmos nosso pedido. Porém, por sermos a primeira língua a solicitar tal distinção e por não haverem leis para tal reconhecimento provocamos uma série de acontecimentos que descrevemos a seguir:

Em 07.03.2006, foi realizado no Congresso Nacional, em Brasília por iniciativa da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, através de proposta do Deputado Carlos Abicalil – MT, um Seminário sobre a Diversidade Linguística Nacional, com objetivo de Criação do Livro de Registro de Línguas, onde foi estabelecido a criação de um Grupo de Trabalho sobre a Diversidade Linguística do Brasil (GTDL).

Este grupo de trabalho foi composto por diversos órgãos públicos (Câmara dos Deputados, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Orçamento e Gestão), pela sociedade civil (IPOL) e UNESCO. O grupo foi coordenado pela Sra. Márcia Sant’Anna – Diretora do Departamento de Patrimônio Cultural e Imaterial do IPHAN.

Em 13.12.2007, foi realizada no Congresso Nacional, em Brasília, também por iniciativa da Câmara dos Deputados, uma AUDIÊNCIA PÚBLICA com a participação de distintas comunidades, especialistas, parlamentares e representantes de inúmeras importantes instituições, onde o GTLD apresentou seu relatório elaborado para tratar de politicas públicas com propostas voltadas ao reconhecimento, proteção e preservação do multilinguíssimo no Brasil. Também foi apresentada metodologia para realização do INVENTÁRIO DAS LÍNGUAS, sendo proposto um projeto piloto envolvendo seis línguas. A língua Talian foi incluída neste projeto piloto.

De março de 2009 a abril de 2010, foram desenvolvidos trabalhos pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) em convênio com IPHAN, nº 771773/2008 e em maio de 2010 foi apresentado o RELÁTORIO FINAL DO INVENTÁRIO DA LÍNGUA TALIAN NO BRASIL.  

Em 19.12.2010, o Presidente do Brasil – Sr. Luiz Ignácio Lula da Silva, pelo DECRETO 7387, RECONHECE O INVENTÁRIO DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA NACIONAL:

      Art. 1º – Fica instituído o inventário nacional da diversidade linguística, sob a gestão do Ministério da Cultura, como instrumento de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referencia à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

     Art. 2º – As línguas inventariadas deverão ter relevância para a memoria, a histórica e a identidade dos grupos que compõem a sociedade brasileira.

      Art. 3º A língua incluída no inventário nacional da diversidade linguística, receberá o titulo de “Referência Cultural Brasileira”, expedido pelo Ministério da Cultura.

      Art. 4º O inventário nacional da diversidade linguística deverá mapear, caracterizar e diagnosticar as diferentes situações relacionadas à pluralidade linguística brasileira sistematizando estes dados em formulário específico.

      Art. 5º As línguas inventariadas farão jus a ações de valorização e promoção por parte do poder público…

Sendo protagonista desta importante discussão da Diversidade Linguística Nacional, podemos afirmar que a Língua Talian é uma língua originada dos diversos dialetos da imigração italiana no Brasil. Que o Talian é entendido e falado por milhões de oriundos dentre os 28 milhões existentes no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, Centro Oeste de Santa Catarina, Oeste do Paraná, nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Roraima, São Paulo e Espírito Santo. Que o Talian é a 2º Língua mais falada no Brasil, sendo para muitos ainda a 1º Língua. Que a Língua é a primeira identificação de um povo. Que a Língua Talian é o sustentáculo da cultura, usos, costumes e tradições da imigração italiana no Brasil e perdendo a língua fenece a cultura. Outras justificativas também poderiam ser representadas, mas com certeza já são do Vosso conhecimento.

Assim, Vossa Excelência há de convir, que sendo os pioneiros e já tendo nossa Língua Inventariada, deveríamos ter o privilégio de também sermos os primeiros a serem reconhecidos com o título: “TALIAN – LÍNGUA DE REFERÊNCIA CULTURAL BRASILEIRA”.

Com este propósito, solicitamos Vossa gentileza de informar trâmite do decreto presidencial e se possível agilizar para que tenhamos em curto espaço de tempo a resposta tão esperada pela Comunidade Italiana do Brasil.

Certos de Vossa amável acolhida, agradecemos com distinta consideração e apreço.

 

Paulo José Massolini

Presidente

 

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