As línguas Ameríndias
Se o espanhol e o português são línguas essenciais para as relações econômicas da América Latina e em temas de redes e comunicação, do ponto de vista do patrimônio cultural não há que esquecer das línguas chamadas “indígenas”. Não obstante, há que levar em conta que o espanhol e o português nem sempre se mantiveram afastados das línguas indígenas. Eventualmente misturaram-se com elas, tomaram algumas e as adaptaram. Deixaram outras e se adaptaram ao meio, assim como a população, pois a linguagem vive, cresce e se adapta.
As chamadas línguas indígenas constituem um bem histórico, único, às vezes escasso, muitas vezes em perigo de desaparecer. Tão necessárias de proteção como possa ser um patrimônio arqueológico ou musical. Portanto, sua recuperação e manutenção são obrigatórias.
As principais línguas indígenas da América Latina são o guarani, o aimara (aymara), o quechua (+quichua), o náhuatl e o maya. A quantidade de falantes é difícil de se assegurar, e os dados variam de fontes para outras. Pegamos os dados encontrados na Wikipedia.
Escrita, língua portuguesa e poder em Moçambique
A pequena nação, a nação da escrita, é absolutamente minoritária em Moçambique, escreve Mia Couto, relatando o caso de um camponês julgado em tribunal por desrespeito para com uma petrolífera estrangeira. «O que aconteceu na sala (…) não é senão a tradução dessa espécie de nova trindade: escrita, língua portuguesa e poder são os três nomes de uma mesma hegemónica entidade.» Crónica publicada na revista África 21 de Dezembro-Janeiro de 2013, sob o título original “Um cabrito para uma multinacional”, que a seguir se transcreve na íntegra, com a devida vénia ao autor e à revista dirigida por Carlos Pintos Santos.
Existe em Moçambique um desafio enorme em balancear o valor e a legitimidade da expressão escrita e oral. Somos uma sociedade que fala. As coisas são o que são porque se convertem em palavra e verbo. O que está escrito e é sagrado para outras sociedades possui aqui uma vivência diferente e restrita. Mudanças económicas sucedem-se a um ritmo acelerado e investimentos estão ocorrendo em regiões rurais onde domina em absoluto a oralidade e as línguas de origem africana.
Relato aqui um desses episódios que traduz bem esse divórcio de mundos. Um camponês que conhecia já antes veio ter comigo para me contar as suas recentes desventuras. Ele tinha sido acusado de desrespeito para com os investidores estrangeiros. O homem tinha-se excedido numa discussão com a empresa petrolífera que o havia contratado. As autoridades locais julgaram que era preciso tomar medidas para tranquilizar os estrangeiros. Um «tribunal popular» iria julgá-lo no dia seguinte. Autorizaram que eu assistisse ao julgamento. O edifício do tribunal era um dos três únicos construídos em alvenaria e escolhera-se aquele cenário para emprestar dignidade à instituição. Mas era melhor que o não tivessem feito. O estado do pequeno edifício era da mais miserável decadência. Havia rombos no telhado de zinco, não havia portas nem janelas. Para mim seria preferível terem escolhido uma das palhotas de colmo da aldeia. Todavia, naquela aldeia, os lugares são medidos por outros critérios. E aquele edifício albergava espíritos vindos de muito longe e de há muito tempo.
Primeira Jornada de estudos sócio-antropológicos na Argentina
Evento acontecera entre os dias 5 e 6 de dezembro na UNAM( Universidad Nacional de Misiones)Argentina.

A conferência pretende ser um fórum para o diálogo, reflexão, construção e difusão do conhecimento em várias áreas de Ciências Humanas e sociais. O tema transversal baseia-se nas questões socioculturais e repensar métodos e alternativas para contornar os problemas contemporâneos da região num sentido amplo e inclusivo.
Veja aqui a terceira circular sobre o evento: https://docs.google.com/file/d/1FOpT5WJQoDEjlCW6ojENxy2XroVscqcfxEmeL_z7-qNNGgdM2A5HlgLEQ0ma/edit?usp=sharing
X CONSIPLE 2013
X CONSIPLE 2013: Evento acontece entre os dias 14 e 16 de Novembro na Universidade federal da Bahia, em Salvador.
O X CONSIPLE tem entre seus objetivos propiciar a interação entre professores, pesquisadores e estudantes e promover o encontro e aproximação de ideias e práticas que são desenvolvidas na área do ensino, da formação e do desenvolvimento de políticas para a área de PLE/PL2, em diferentes contextos e em diferentes partes do mundo. Além disso, este evento visa contribuir para promover, projetar e difundir a língua portuguesa, na perspectiva de uma língua internacional, policêntrica e diversa culturalmente. Nessa dimensão, estará em foco os diversos contextos em que o português é língua de uso, de ensino e de formação de professores como língua estrangeiro-segunda língua, em toda a complexidade que essas denominações abarcam.
Site ajuda a conectar línguas minoritárias com o mundo via Twitter
Um site chamado Indigenous Tweets pretende conectar falantes de línguas ameaçadas de extinção em todo o mundo.
Ideia de Kevin Scannell, Diretor de Ciência da Computação da Universidade Saint Louis, o Indigenous Tweets foi lançado em meados de março e oferece informações sobre pessoas tuitando em 54 idiomas.
De acordo com a National Geographic, a cada duas semanas uma língua morre, levando consigo uma riqueza de conhecimentos sobre história, cultura e meio ambiente natural. Em 2100, é previsto que mais da metade das 7.000 línguas faladas na Terra, muitas deles ainda não registradas, podem desaparecer.
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A carta das línguas minoritárias e suas vulnerabilidades na Europa
O recente Congresso Internacional sobre Línguas Ameaçadas realizado no Minde trouxe à tona a necessidade de medidas imediatas para reverter a situação de mais de uma centena de línguas em perigo de extinção na Europa. As discussões propostas nos convidam a aprofundar o debate, relembrando os preceitos da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias.
A Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias é um tratado europeu (CETS 148) adotado em 1992 pelo Conselho Europeu para promover e proteger as línguas regionais e minoritárias históricas da Europa. Aplica-se somente aos idiomas empregados tradicionalmente (excluindo, portanto, idiomas empregados pela imigração recente de outros continentes), que possuem diferenças significativas com a língua majoritária ou oficial. Visa a salvaguarda dos direitos humanos e da democracia pluralista, através da regra de direito
As línguas que são oficiais em regiões ou províncias de unidades autônomas em um estado descentralizado (como o catalão, o galego o basco e o aranês na Espanha) não estão classificadas como línguas oficiais do estado e, portanto, podem se beneficiar da Carta. Estima-se que cerca de 40 milhões de cidadãos europeus utilizam regularmente línguas regionais ou minoritárias, sendo que a Unesco calcula que cerca de 30 linguas europeias minoritárias ameaçada.
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