A nova ferramenta científica que finalmente mede o domínio real de idiomas — e mostra o quão multilíngue uma pessoa é de verdade

Falar mais de um idioma é comum, mas medir esse domínio sempre foi um desafio. Agora, cientistas criaram uma ferramenta que transforma habilidades linguísticas em números, revelando com precisão qual língua cada pessoa domina e em que grau — com implicações que vão da sala de aula ao consultório.
Pesquisadores quebram mistério sobre como o cérebro processa sinais© https://x.com/NeuroscienceNew/

Em um mundo cada vez mais conectado, ser bilíngue ou multilíngue deixou de ser exceção. Ainda assim, por décadas, a ciência careceu de uma forma objetiva de medir o real domínio de diferentes idiomas em uma mesma pessoa. As classificações tradicionais eram vagas demais. Isso começa a mudar com uma nova ferramenta desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Nova York, que propõe uma abordagem quantitativa, simples e cientificamente validada para mapear perfis linguísticos individuais.

 

O problema de medir o multilinguismo

Chinês, coreano e português dominam o ranking global de idiomas — e o mundo está estudando como nunca
© https://x.com/CookLibrary

Mais da metade da população mundial utiliza dois ou mais idiomas no dia a dia. Apesar disso, a maioria dos questionários e testes disponíveis até hoje se limitava a coletar informações gerais, sem traduzir essas respostas em métricas claras sobre o grau de multilinguismo ou sobre qual idioma é realmente dominante.

Segundo publicações da Cambridge University Press, faltava um padrão capaz de comparar indivíduos de forma objetiva. Ser “bilíngue” podia significar desde alguém fluente em duas línguas até alguém que apenas compreende uma segunda língua de forma limitada.

 

A calculadora que transforma idiomas em números

Para resolver essa lacuna, um grupo liderado por Esti Blanco-Elorrieta e Xuanyi Jessica Chen desenvolveu uma calculadora linguística baseada em dois pilares fundamentais: a idade de aquisição de cada idioma e uma autoavaliação estruturada das principais habilidades linguísticas.

A ferramenta solicita que o usuário informe, para cada idioma, quando começou a desenvolver compreensão oral, fala, leitura e escrita, além de avaliar seu nível de competência em cada uma dessas áreas. Esses dados são processados por uma fórmula validada cientificamente, que gera dois resultados centrais.

O primeiro é um índice de multilinguismo, que representa o grau global de domínio de múltiplas línguas. O segundo é um perfil de dominância, que indica qual idioma é efetivamente o mais forte para aquela pessoa — algo que nem sempre coincide com a língua materna.

Por que a autoavaliação funciona

À primeira vista, basear-se na autoavaliação pode parecer subjetivo. No entanto, os pesquisadores explicam que, quando estruturada de forma rigorosa, ela pode ser tão precisa quanto testes padronizados, com a vantagem de ser mais rápida, acessível e menos invasiva.

Os dados analisados mostram que esse método explica mais de 97% da variabilidade nas habilidades linguísticas medidas em compreensão, produção, leitura e escrita. Os resultados foram publicados e analisados em estudos acadêmicos citados por Neuroscience News.

A importância da idade de aquisição

Outro elemento-chave da ferramenta é o peso dado à idade em que cada idioma foi aprendido. Os resultados confirmam algo que a neurociência já vinha apontando: línguas adquiridas antes dos dez anos tendem a alcançar níveis mais altos de proficiência, enquanto aquelas aprendidas mais tarde têm menor probabilidade de atingir um domínio comparável ao nativo.

Esse ajuste torna o perfil final mais realista e alinhado ao que se sabe sobre plasticidade cerebral e aprendizado linguístico ao longo da vida.

Validação científica e precisão

A calculadora foi testada em jovens, adultos, idosos e até em pessoas com alterações linguísticas. Os perfis gerados foram comparados com métodos estatísticos avançados, como a análise de componentes principais (PCA), usada para resumir grandes volumes de dados complexos.

O resultado impressiona: mais de 94% dos participantes receberam a mesma classificação de dominância linguística nos dois sistemas, indicando uma concordância quase perfeita.

Aplicações práticas além da pesquisa

Um dos grandes diferenciais da ferramenta é sua simplicidade. Enquanto outros modelos exigem informações detalhadas sobre contexto social, frequência de uso ou histórico educacional, essa calculadora se concentra em apenas duas variáveis essenciais — sem perder precisão.

Ela permite avaliar até 50 idiomas diferentes, incluindo línguas de sinais e variantes personalizadas. Isso abre caminho para aplicações diretas na educação, no diagnóstico clínico, na seleção acadêmica e no desenvolvimento de estratégias de aprendizado personalizadas.

Repensando o que significa ser multilíngue

Para Blanco-Elorrieta, quantificar o domínio linguístico representa uma mudança de paradigma. Em vez de rótulos genéricos, a ferramenta oferece clareza baseada em evidências. Chen resume a proposta de forma direta: não se trata mais de dizer se alguém é bilíngue ou monolíngue, mas de medir o quão multilíngue essa pessoa realmente é.

Em um mundo globalizado, onde idiomas moldam oportunidades acadêmicas, profissionais e sociais, essa nova abordagem promete trazer rigor científico a algo profundamente cotidiano — e, até agora, surpreendentemente difícil de medir.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Leia matéria em : https://www.gizmodo.com.br/a-nova-ferramenta-cientifica-que-finalmente-mede-o-dominio-real-de-idiomas-e-mostra-o-quao-multilingue-uma-pessoa-e-de-verdade-39720

Saiba mais conferindo as fontes:

https://www.nyu.edu/about/news-publications/news/2026/january/neuroscientists-devise-formulas-to-measure-multilingualism.html?challenge=d06e90d7-4d8f-4b88-9d8c-10b73beb60f1

 

Multilingualism Calculator Reveals True Language Strengths

 

https://neurosciencenews.com/multilingual-neurotech-language-30084/

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