Prefeitura do Rio seleciona professores da rede para escolas bilíngues
A Secretaria municipal de Educação do Rio está com inscrições abertas para quem quer trabalhar no programa experimental de escolas bilíngues. Os docentes podem se cadastrar até o próximo dia 24. A seleção é aberta a professores de ensino fundamental e de educação infantil, em áreas como Educação Física, Artes Cênicas, Artes Plásticas, Educação Musical, Inglês e Espanhol, que já estejam dando aulas na rede municipal.
Os profissionais também devem ter disponibilidade para atuar em regime de 40 horas semanais e ser fluentes em Inglês ou Espanhol.
O programa atenderá alunos da educação infantil ao 6º ano do ensino fundamental, com aprendizagem de três línguas — Português, Inglês e Espanhol. Ele está sendo implantado nas escolas Dyla Sylvia de Sá, em Jacarepaguá, e Professor Afonso Várzea, em Inhaúma; e nos Cieps Francisco Cavalcante Pontes de Miranda, em Campo Grande, e Glauber Rocha, na Pavuna. O edital está no site www.rio.rj.gov.br/sme
Línguas minoritárias na Europa fazem-se ouvir
Num continente onde as questões linguísticas são, por vezes, fonte de tensões nacionais, os meios de comunicação minoritários desempenham um papel desconhecido, mas importante.
Nos últimos anos, o nome de Hedvig Malina foi frequentemente mencionado nas colunas dos jornais eslovacos. Em 2006, esta estudante de Horné Mýto, na Eslováquia, foi agredida por dois skinheads por ter falado húngaro num local público. O húngaro é uma língua minoritária, falada por cerca de 9% da população deste país. Mas foi após a sua saída do hospital que o seu calvário começou verdadeiramente. Nenhuma autoridade deu, de fato, crédito à sua história. Este iniciou um processo judicial exaustivo contra os seus agressores, mas deparou-se com a forte resistência do Governo eslovaco, que fez tudo para abafar o caso.
O jornal eslovaco de língua húngara Új Szó começou então uma investigação e, graças à determinação dos seus jornalistas, conseguiu chamar à razão os poderes públicos. No final de maio, o jornal recebeu o grande Premio Midas para Jornalismo em Proteção das Minorias e Diversidade Cultural na Europa, pela sua cobertura do caso. Não é apenas na Eslováquia que as minorias linguísticas enfrentam este problema. Estas também fazem parte da atualidade de outros países da Europa oriental e os jornais minoritários locais não têm seguramente falta de matéria. A Lituânia está integrando à força a imensa minoria polaca presente no país. Os nomes polacos são traduzidos em lituano, o ensino na língua polaca recua e os jornais minoritários têm dificuldade em ser financiados.
Brasil é 3º país em número de línguas em risco de extinção
O Brasil é o terceiro país do mundo com o maior número de línguas ameaçadas de extinção, segundo a nova edição do Atlas Interativo de Línguas em Perigo no Mundo, apresentado pela Unesco.
O Atlas, acessível a partir no site da Unesco, reúne 2,5 mil línguas ameaçadas no mundo, que podem desaparecer até o final deste século.
Segundo o levantamento, feito por 25 linguistas, 190 línguas indígenas correm risco de desaparecer no Brasil, sendo que 45 delas foram classificadas na categoria de risco mais elevado.
Dois exemplos são o kaixána, falado por apenas 1 pessoa em Japurá, no Amazonas, e o mawayana, preservado por somente 10 indígenas, na fronteira com a Guiana. 
O ensino do português em áreas de fronteira
É realmente uma empreitada das mais complexas o ensino do português nas áreas de fronteira, sejam elas étnicas ( no caso de povoamentos indígenas) ou entre países ( como no caso da fronteiras do MERCOSUL, coma relação entre a língua portuguesa e a espanhola). Resolver os problemas de lecionar o português neste tipo de situação e passar o conhecimento da língua para as populações inseridas neste contexto torna-se mais do que nunca vital para uma melhor inclusão destes povos num mundo cada vez mais globalizado e reforçar os laços de cooperação mutua.
De fato vivemos num pais monolinguista (a língua do estado brasileiro oficialmente é o português). Mas nestas áreas de fronteira as línguas minoritárias fazem parte do cotidiano da população, são heranças e traços culturais enraizados em seu modo de viver. O ensino da língua portuguesa é necessário para a inclusão desta camada da população para o acesso a educação, saúde, emprego e tantos outros bens essências a vida. Cabe então que a política aplicada no ensino nesta situação referida seja comprometida tanto quanto ao aprendizado eficaz e produtivo do português, sem, no entanto esquecer-se da importância que a língua herdada das tradições dos povos em situação de risco perante a opressão e opulência cultural da língua oficial do estado nacional.
As línguas Ameríndias
Se o espanhol e o português são línguas essenciais para as relações econômicas da América Latina e em temas de redes e comunicação, do ponto de vista do patrimônio cultural não há que esquecer das línguas chamadas “indígenas”. Não obstante, há que levar em conta que o espanhol e o português nem sempre se mantiveram afastados das línguas indígenas. Eventualmente misturaram-se com elas, tomaram algumas e as adaptaram. Deixaram outras e se adaptaram ao meio, assim como a população, pois a linguagem vive, cresce e se adapta.
As chamadas línguas indígenas constituem um bem histórico, único, às vezes escasso, muitas vezes em perigo de desaparecer. Tão necessárias de proteção como possa ser um patrimônio arqueológico ou musical. Portanto, sua recuperação e manutenção são obrigatórias.
As principais línguas indígenas da América Latina são o guarani, o aimara (aymara), o quechua (+quichua), o náhuatl e o maya. A quantidade de falantes é difícil de se assegurar, e os dados variam de fontes para outras. Pegamos os dados encontrados na Wikipedia.
Escrita, língua portuguesa e poder em Moçambique
A pequena nação, a nação da escrita, é absolutamente minoritária em Moçambique, escreve Mia Couto, relatando o caso de um camponês julgado em tribunal por desrespeito para com uma petrolífera estrangeira. «O que aconteceu na sala (…) não é senão a tradução dessa espécie de nova trindade: escrita, língua portuguesa e poder são os três nomes de uma mesma hegemónica entidade.» Crónica publicada na revista África 21 de Dezembro-Janeiro de 2013, sob o título original “Um cabrito para uma multinacional”, que a seguir se transcreve na íntegra, com a devida vénia ao autor e à revista dirigida por Carlos Pintos Santos.
Existe em Moçambique um desafio enorme em balancear o valor e a legitimidade da expressão escrita e oral. Somos uma sociedade que fala. As coisas são o que são porque se convertem em palavra e verbo. O que está escrito e é sagrado para outras sociedades possui aqui uma vivência diferente e restrita. Mudanças económicas sucedem-se a um ritmo acelerado e investimentos estão ocorrendo em regiões rurais onde domina em absoluto a oralidade e as línguas de origem africana.
Relato aqui um desses episódios que traduz bem esse divórcio de mundos. Um camponês que conhecia já antes veio ter comigo para me contar as suas recentes desventuras. Ele tinha sido acusado de desrespeito para com os investidores estrangeiros. O homem tinha-se excedido numa discussão com a empresa petrolífera que o havia contratado. As autoridades locais julgaram que era preciso tomar medidas para tranquilizar os estrangeiros. Um «tribunal popular» iria julgá-lo no dia seguinte. Autorizaram que eu assistisse ao julgamento. O edifício do tribunal era um dos três únicos construídos em alvenaria e escolhera-se aquele cenário para emprestar dignidade à instituição. Mas era melhor que o não tivessem feito. O estado do pequeno edifício era da mais miserável decadência. Havia rombos no telhado de zinco, não havia portas nem janelas. Para mim seria preferível terem escolhido uma das palhotas de colmo da aldeia. Todavia, naquela aldeia, os lugares são medidos por outros critérios. E aquele edifício albergava espíritos vindos de muito longe e de há muito tempo.


