Demanda reprimida

Cresce o interesse pelo estudo de “línguas estrangeiras minoritárias” nas redes públicas, mas a oferta de cursos ainda é incipiente

 

Apesar de termos sempre presente a explicação de a unidade nacional em um território tão grande ser tributária da unidade linguística, o Brasil é portador de considerável diversidade também neste campo. Estima-se que pelo menos 35 línguas sejam faladas por imigrantes e descendentes dentro do território, além de outros 180 idiomas
indígenas remanescentes.

 Essa variedade linguística tem reflexos no âmbito da educação pública. Um número crescente – mas que no conjunto é ainda insignificante – de escolas de ensino médio, principalmente em cidades com forte histórico de imigração, tem aberto as portas para o ensino das chamadas “línguas estrangeiras minoritárias”, como o italiano, o alemão, o japonês, o polonês e até mesmo o ucraniano. Na Amazônia e no Centro-Oeste, onde está concentrada a maioria das etnias indígenas, tentativas também têm sido feitas para alfabetizar as crianças em português e na língua nativa.

Cursos de línguas não necessariamente de imigrantes, mas com prestígio devido ao lastro histórico-cultural ou ao poderio econômico do país falante do idioma, vêm igualmente aumentando de número. É o caso do francês – que até o predomínio do inglês nos anos 1960 foi o idioma estrangeiro mais importante no Brasil e cujo status parece em franca recuperação – e do mandarim, a língua oficial da China.

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Plataformas angolanas de aprendizagem de línguas nacionais

por Global Voices (Vozes Globais) e Mário Lopes

“Em média, a cada quinze dias desaparece uma língua, e África é o continente mais ameaçado”, apontou o escritor José Eduardo Agualusa num artigo, de 2011, sobre a evolução das línguas em Angola. Mas ao longo do último ano foram criadas várias plataformas online em favor da salvaguarda das línguas nacionais do país.

Angola é um país plurilíngue, com seis línguas africanas reconhecidas como nacionais a par do português enquanto língua oficial. Para além disso, estima-se que existam 37 línguas e 50 dialetos em uso no país. O blog Círculo Angolano Intelectual reportou no final de Outubro de 2013, que 30% da população de Angola (cerca de 8,5 milhões de angolanos) “só fala as línguas nacionais que não fazem parte de nenhum programa educacional, social”, acrescentando: isto é mais um dos fatores que gera exclusão social.

Num artigo de Agualusa, publicado pelo Instituto Cultural de Formação e de Estudo sobre Sociedades Africanas em São Paulo, Casa das Áfricas, o escritor premiado versa sobre “uma proposta de paz” para a coexistência das línguas nacionais e da língua portuguesa (“língua materna versus língua madrasta”), e  questiona: Porquê que é que em Angola, país de muitas línguas, os escritores apenas utilizam o português?

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Estudantes criam protótipo de pulseira que traduz linguagem de sinais

Estudantes da Universidade da Ásia criaram um conceito capaz de diminuir as barreiras de comunicação com deficientes auditivos através da linguagem de sinais. Batizado de Sign Language Ring, este dispositivo é composto de uma pulseira e 6 anéis, que funcionariam como um tradutor de gestos para fala e vice-versa.

 O design foi inspirado nos colares budistas usados em orações. Quando vestidos, o usuário teria que colocar 3 anéis em cada mão, que, com sensores de movimentos, interpretariam o que o deficiente estivesse falando, emitindo a tradução por uma caixa de som na própria pulseira. Os anéis poderiam ser presos à própria pulseira, facilitando o transporte e não exigindo o uso constante pelo usuário. Ilustração do funcionamento dos acessórios na tradução da linguagem de sinais. (Foto: Divulgação/Asia University)

O sistema também teria ainda um microfone, com o intuito de captar o que a outra pessoa fala, traduzir para texto e exibir em uma pequena tela de LED presente na pulseira. O sistema também permitiria ao deficiente gravar movimentos próprios, personalizando o equipamento com movimentos específicos do usuário.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 360 milhões de pessoas no mundo são deficientes auditivos. Dispositivos como esse poderiam facilitar a inclusão dessas pessoas na sociedade. O conceito foi um dos vencedores do prêmio de design Red Dot, que é realizado anualmente. Agora é torcer para que algum dia ele se torne um produto e chegue ao mercado.
Fonte: Techtudo

Muitas línguas para um outro mundo

Nos fóruns sociais, tradutores permitem as trocas entre centenas de militantes. Entretanto, a falta de meios às vezes acaba por privilegiar certas línguas em detrimento de culturas minoritárias, suscitando incompreensões e tensões, enquanto o vocabulário altermundialista coloca problemas inesperados aos intérpretes.

Democracia participativa, gestão responsável dos recursos e dejetos, comércio sustentável, software livre… − um fórum social deve refletir em sua própria organizaçãoas mudanças que conclama com seus desejos. Ele deve em particular garantir o direito dos participantes de se comunicar na língua de sua escolha, pois, nessa área, não escapamos aos mecanismos de dominação. Depois do recurso a um serviço convencional de tradução simultânea em espanhol, português, francês e inglês para as sessões plenárias das duas primeiras edições do Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre, em 2001 e 2002, centenas de militantes se mobilizaram pela diversidade linguística e para garantir a tradução durante o primeiro Fórum Social Europeu (FSE) de Florença. Assim nasceu a rede internacional Babels, presente durante a maior parte dos fóruns organizados nos dez últimos anos.

Além das incontornáveis línguas veiculares, a Babels propõe aquelas do local onde acontece o Fórum: o hindi e o marata no FSM de Bombaim em 2004, o quéchua no Fórum Social das Américas de Quito em 2004, o catalão no Fórum Social Mediterrâneo de Barcelona em 2005, o grego no FSE de Atenas em 2006, o sueco no FSE de Malmö em 2008, a língua dos sinais britânica (BSL) no FSE de Londres em 2004 e a brasileira (Libras) no FSM de Porto Alegre em 2005, e o árabe no FSM de Túnis em 2013. Acrescentam-se a isso os idiomas estratégicos para a extensão dos fóruns nas regiões sub-representadas: línguas indianas (telugu, bengali, malaiala) e asiáticas (coreano, indonésio, japonês e tailandês) em Bombaim, línguas mediterrâneas e da Europa Central e do Leste em Londres, Barcelona e Atenas.

Para além da diversidade linguística, os discursos, as palavras e os conceitos trocados durante essas manifestações apresentam dificuldades para os tradutores-intérpretes profissionais. Para preparar o terreno, os voluntários da associação Ecos, estabelecida na Faculdade de Tradução e Interpretação da Universidade de Granada, inventaram a preparação situacional (sit-prep). Essa formação, organizada segundo as línguas e os níveis de dificuldade, permite aos novatos treinar a interpretação simultânea com vídeos gravados durante os fóruns precedentes.

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Vaticano autoriza missa em línguas indígenas no México

Quando os sinos tocam na igreja Templo la Caridad, na cidade colonial de San Cristóbal de las Casas, no México, o bispo local conduz um grupo de adolescentes indígenas em seu próximo passo na instrução religiosa. A Crisma é um tiro de passagem importante para qualquer católico devoto. É o momento em que eles repetem os compromissos e promessas para Deus feitos em nome deles quando foram batizados. Mas para estes jovens, o que se fala na cerimônia ressoa particularmente. A Crisma está sendo celebrada em tzotzil, a principal língua maia nesta parte do México. Durante séculos, a Igreja católica no Estado de Chiapas, ao sul do país, só realizou cerimônias oficiais em latim ou espanhol. “Quando os padres falam comigo em espanhol, eu não sei o que eles estão dizendo ou explicando”, diz Maria Teresa, de 16 anos. Assim como 65% da população de Chiapas, ela faz parte do povo maia e fala pouco espanhol. “Mas quando eu ouço as palavras na minha própria língua, eu entendo tudo e sinto como se o próprio Jesus Cristo estivesse falando comigo.”

Nova abordagem

Apesar de o espanhol permanecer como a linguagem da Igreja no México, gerações de catequizadores e missionários católicos traduziram a Bíblia para o tzotzil e para o tzeltal, outra língua indígena bastante popular na região.

Bispo diz que tradução da Bíblia capturou sentido das palavras em idiomas maias

Nos últimos sete anos, a diocese de San Cristóbal – uma das mais antigas do país – liderou os pedidos ao Vaticano para reconhecer oficialmente a liturgia nas línguas maia. O pedido recebeu atenção em outubro, quando o papa Francisco deu o sinal verde para que a celebração da missa semanal e alguns rituais-chave do catolicismo, como a confissão e o batismo, possam ser feitos nas duas línguas indígenas. O bispo auxiliar de San Cristóbal, o reverendo Enrique Díaz, diz que conseguir o reconhecimento de Roma foi um processo longo e complicado. “Isto é a aceitação não só de uma simples tradução, mas de um estudo meticuloso que captura o sentido das palavras da liturgia e da Bíblia”, diz, enquanto se houve o clero cantar hinos religiosos em tzotzil dentro da Igreja. O bispo dá parte do crédito ao papa Francisco, que o ajudou a conseguir a autorização. “Sem dúvida o papa Francisco trouxe consigo uma nova abordagem”, diz, argumentando que o fato de o pontífice ser argentino influenciou sua atitude em relação à América Latina. “Ele é mais próximo de nós tanto em termos de pensamento latino-americano como sobre os povos indígenas.” “Mesmo que não haja uma presença indígena grande na Argentina, ele passou algum tempo com comunidades indígenas e nos entende bem”, diz Díaz, que viajou para o Vaticano para discutir o papel da Igreja nas comunidades maias com o papa.
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