Paraguaios lutam para preservar língua guarani
Primeira língua indígena a dividir com o espanhol o título de idioma oficial em um país da América Latina, o guarani chegou à internet, mas é cada vez menos falado pelas crianças nos lares paraguaios. Analistas dizem acreditar que o idioma pode desaparecer em “duas gerações”.
Segundo o professor de linguística e de antropologia David Galeano, da Universidade de Assunção, o guarani era o idioma original dos países da América do Sul “antes da chegada dos conquistadores”, nos séculos passados.
A língua chegou a ser utilizada em boa parte do centro-sul do Brasil, mas é no território paraguaio que resiste atualmente.
O professor Ramón Silva, que fez um doutorado na língua, diz que o país foi o primeiro a reconhecê-lo e incluí-lo em sua Constituição, em 1967.
Alguns países chegam a reconhecer idiomas indígenas por meio de resoluções ou de forma circunscrita a determinadas regiões de seu território. Na Bolívia, por exemplo, a Constituição de 2009 estabelece como idiomas oficiais do Estado o castelhano e “todos os idiomas das nações e povos indígenas originários camponeses” – entre eles o guarani.

A sobrevivência do guarani no Paraguai foi abordada em um seminário internacional sobre o “bilinguismo” no país, realizado essa semana em Assunção. O evento foi organizado pelo governo local e pela Organização de Estados Ibero-americanos (OIE), e teve também a participação de americanos e europeus.
Os especialistas divergem sobre até quando a língua resistirá “em tempos de tecnologia e de globalização”.
“O guarani sempre foi o idioma nas nossas ca
sas. Agora as crianças aprendem, na escola, a ler e a escrever, mas não a falar guarani. Para sobreviver, a língua deve ser falada. Por isso, acho que a tendência é que ela acabe em duas gerações”, disse Ramón Silva à BBC Brasil.
A diretora de promoção de línguas da Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai, Susy Delgado, discorda. “Se o guarani sobreviveu até aqui por que não sobreviveria em novos séculos?”, afirmou.
As políticas linguísticas nas democracias multilíngues discutidas na UPO de Sevilla-Espanha
O simpósio contou com a participação de 38 especialistas na área das 23 universidades europeias e cinco norte-americanas.
A Universidade Pablo de Olavide realizou entre 12 e 13 de dezembro, a conclusão das simpósio “As políticas lingüísticas nas democracias multilíngues: É possível evitar conflitos?”, uma reunião em que um total de 38 especialistas de 23 universidades européias e cinco norte-americanas estavam envolvidas .
O objetivo do simpósio, organizado por professores Juan Jiménez Salcedo, do Departamento de Tradução e Filologia Olavide e Cagiao e Jorge Conde, da Universidade de Tours (França),foi analisar as políticas lingüísticas implementadas pelos territórios com responsabilidade importa, colocando-os no contexto de Estados-nação da qual eles fazem parte. Como o professor Jiménez Salcedo disse que “a atenção dos estudiosos tem se concentrado talvez muito em gerenciamento de estado da diversidade linguística (como gere o Estado essa questão?), No quadro constitucional e legal prevista, tendo a referida estrutura e limite intransponível dentro do qual se faz uso de autonomia linguística. A realidade, no entanto, que o quadro não é tão rígido como pretendido e sim mais permeável à interpretação, a ação política e mudar os atores com capacidade política e pretende introduzir legislação para / de baixo. Esta é a perspectiva que queremos privilégio.”

A reunião teve a participação de especialistas como Philippe Van Parijs (Université Catholique de Louvain), Piet Van de Craen (Vrije Universiteit Brussel), Juan Carlos Moreno Cabrera (Universidade Autónoma de Madrid) e Jaume Vernet (Universitat Rovira i Virgili ).
O português agora quer ser língua oficial nas organizações internacionais
Terceira nas redes sociais e nos negócios de gás e petróleo, a língua portuguesa é a quinta mais falada na Internet. A 2.ª Conferência sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial ocorreu no fim de Outubro em Lisboa.
A difusão da língua portuguesa entrou num “novo patamar” – passou de um objetivo centrado na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para se projetar além-fronteiras. A ambição é também outra quando o Instituto Camões, a CPLP e um conjunto de universidades portuguesas se juntam na organização de uma conferência em Lisboa para desbravar caminhos no sentido da “difusão do português como língua internacional”. “A língua portuguesa já não é apenas a língua dos povos da CPLP”, diz Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões.
O mote foi assim lançado para a 2.ª Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que se segue à 1.ª Conferência de 2010 em Brasília. O evento juntou em Lisboa dezenas de importantes academicos e especialistas da língua portuguesa, nos dias 29 e 30 de Outubro. A conferencia antecedeu reuniões políticas e um conselho dos ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP ao qual foi adotado um Plano de Ação de Lisboa – à semelhança do Plano de Ação de Brasília que em 2010 definiu a internacionalização da língua portuguesa como objetivo comum dos países lusófonos. .
“O esforço de promoção da língua portuguesa entrou num novo patamar depois dos esforços de promoção interna do português”, sintetiza Ana Paula Laborinho, que preside a comissão organizadora da conferência, antes de adiantar resultados e delinear objetivos.

Na Internet, o português já é a quinta língua mais usada. Nas redes sociais – Facebook e Twitter – é a terceira. Também alcançou esse ranking, terceiro mundial, nos negócios de gás e petróleo, em grande parte graças a Angola e Brasil. Entre as áreas a conquistar, estão a ciência e a diplomacia.
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Justiça falando em Guarani No Paraguai
A língua Guarani é a nova ferramenta que a Justiça paraguaia anexou ao seu trabalho diário em todo o país. A partir de agora, em todas as ações e procedimentos o uso da segunda língua oficial tem peso no tribunal.
Depois de um longo processo, a Secretaria de Política Linguística, da Suprema Corte paraguaia, apresentou o dicionário Geral Digital Guarani.
Com esta nova ferramenta introduzida língua Justiça Guarani em linguagem jurídica e também em relação aos mecanismos processuais.

O renomado professor Ramón Silva foi quem liderou uma equipe que compilou trabalho de longos anos para chegar a este dicionário. Assim, o Poder Judiciário é a primeira instituição do Estado para implementar o uso das duas línguas em suas atividades.
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8 Línguas que podem desaparecer em breve
Ameaçada é uma palavra que geralmente associamos com espécies animais, mas algumas línguas também estão chegando ao fim. Existem ao total mais de 7 mil línguas vivas, de acordo com o Ethnologue, um catálogo internacional que acompanha a evolução e distribuição das línguas em todo o mundo.
Mesmo com tamanha diversidade, algumas dessas línguas correm sério risco de serem extintas e esquecidas. É estimado que, caso a morte de línguas continue no ritmo atual, metade das línguas do mundo podem sumir do mapa até o final deste século. Enquanto algumas dessas línguas contam com milhares falantes para mante-las vivas, outras estão confinadas em vilas isoladas e possuem apenas alguns poucos nativos.

Pomeranos agora têm dia para celebrar sua cultura no RS
A sessão plenária da última quarta-feira (11) foi especial para o deputado Pedro Pereira (PSDB) e para os descendentes de pomeranos em todo o Rio Grande do Sul. Nesse dia foi aprovado, por unanimidade, pelos deputados gaúchos o projeto de lei de autoria do tucano, criando o Dia da Etnia Pomerana no Estado. “O principal é preservar os valores culturais e resgatar as características históricas desse povo, que teve sua pátria roubada por sucessivas guerras, tendo a necessidade de tentar um novo começo em terras estrangeiras. A maneira com que fizeram isso e a influência pomerana no Brasil são notáveis e não poderiam continuar sem reconhecimento”, diz Pereira. O tucano também destaca a busca por esse resgate cultural realizado pelos pomeranos no Brasil, através da edição do Dicionário Pomerano-Português, pelo pesquisador e antropólogo Ismael Tressmann, em 2006 e dos trabalhos feitos pela Universidade Federal do Espírito Santo e pelas Universidades, Federal e Católica, de Pelotas para conservar e recuperar a língua, a tradição e a cultura desse povo.
Os pomeranos, descendentes de Eslavos que chegaram ao Estado em 1858, se instalando no interior de São Lourenço do Sul, logo partiram para outras terras. Sendo um povo de acentuada vocação para a agricultura, sempre cultivaram o trigo, a cevada, beterraba açucareira, centeio, pastagens e, posteriormente, a batata. Atualmente a influência da cultura, hábitos e língua pomerana é significativa nos municípios de São Lourenço do Sul, Canguçu, Turuçu, Chuvisca, Arroio do Padre, Morro Redondo e Pelotas, sendo que em alguns destes municípios os descendentes chegam a constituir 70 % da população.
A influência cultural pomerana é acentuada na música, com suas bandas típicas, na língua pomerana, falada fluentemente no interior dos estabelecimentos comerciais, na religião, de predominância luterana e na culinária, com pratos típicos como cucas e pães. A stipa, semelhante a uma serenata, que acontece no sábado de aleluia, onde pessoas caracterizadas visitam as famílias, acompanhadas de músicos e são recepcionados pelos donos da casa com doces, cucas, bebidas e recebem uma pequena quantia em dinheiro para cobertura do deslocamento.
O Dia da Etnia Pomerana no Rio Grande do Sul será comemorado em cada 18 de janeiro, data em que chegaram os primeiros colonos pomeranos ao Estado.
Fonte: Assembléia legislativa do RS


