Mais de 5.000 alunos aprendem português nas escolas de Macau
Mais de 5.000 alunos de Macau estão atualmente a aprender português como disciplina regular ou extracurricular nas escolas locais, de acordo com dados facultados pelos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) à agência Lusa.
No corrente ano letivo, um total de 2.144 alunos, distribuídos por nove escolas oficiais de Macau têm o português integrado no currículo. Outros 1.641 alunos frequentam cursos de língua portuguesa como disciplina regular ou complementar em 16 escolas particulares, cujo ensino é veiculado em língua chinesa ou inglesa, enquanto 520 alunos frequentam duas escolas particulares de língua veicular portuguesa, a Escola Portuguesa de Macau e o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes.
O Brasil de muitas línguas
O Plurilinguismo no Brasil é tema de um curso ministrado pelo prof. Gilvan Müller de Oliveira, atual diretor do IILP e coordenador do OBEDF pela Universidade Federal de Santa Catarina. O curso acontece nos dias 05 ,06, 11 e 12 de junho, sendo promovido pelo Instituto de Letras e o Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia próximo. Leia dois textos sobre o assunto.
Censos linguísticos no Brasil: Políticas linguísticas no Brasil meridional
Políticas linguísticas e políticas públicas
As retratações pelos genocídios históricos e a guerra de Belo Monte: que Estado é esse?
O Estado Brasileiro, em recente data, e por meio de seu chefe, o então presidente Lula, se retratou diante da África por ter praticado a escravidão de negros em sua história de país democrático. E também em recente data, esse mesmo Estado tem se esforçado para rever suas politicas de discriminação, silenciamento e exclusão contra negros, índios, pobres, mulheres, campesinos ou trabalhadores rurais, propondo ações politicas que, embora ainda não sejam suficientes, são fundamentais para que essa maior parcela do povo brasileiro possa usufruir de algumas melhorias sociais, econômicas e simbólicas em seus cotidianos. E em seu porvir.
O Estado Brasileiro, na atual data, e por meio de sua chefe, a presidenta Dilma, é chamado ao diálogo pelos indígenas que ocupam os canteiros de Belo Monte em defesa de seus direitos à terra e a um modelo de desenvolvimento que sempre foi o deles, contínuo e qualificado.
Mas esse Estado Brasileiro se vê envolto no manto de um outro modelo de crescimento econômico tantas vezes almejado por nossos anteriores governantes, ao ponto de, ao longo de sua história, ter se empenhado no extermínio de todos aqueles que pudessem se colocar como barreira aos objetivos de seus interessados genitores e gestores. Sua brutalidade institucionalizada pelo SPI e latifundiários contra os indígenas nos chega documentada pelo relatório Figueiredo. Felipe Canêdo, na sua reportagem Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido, publicada em 19 de abril de 2013, comenta:.
Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988.
Pois bem, o Estado Brasileiro, agora diante de outra guerra pelo desenvolvimento, é chamado a dialogar.
Mas o Estado desenvolvimentista a qualquer preço parece surdo, parece que não dialoga. O outro Estado dos Direitos Sociais e Humanos parece que esperará o tempo futuro para se retratar de uma tragédia que ele mesmo, agora, neste exato momento, se isenta de assumir e de buscar alternativas. Afinal, que Estado é esse?
A guerra declarada em Belo Monte nos liga a uma história de massacres do passado cuja consciência questiona o tradicional papel do Estado. A atual demanda dos indígenas por diálogo, amplamente divulgada, oferece a oportunidade histórica para que o Estado brasileiro abra-se a inovações e assuma novos posicionamentos em face do progresso e do patrimônio humano e natural que o constitui, protagonizando efetivamente o respeito à diferença e a justiça econômica e social.
Sim, o fato presente nos liga com nossa história. Mais do que isso, a história de massacres obriga que o Estado do presente tenha outro papel e que seja de bem estar para todos. Não precisamos de retratação futura. Precisamos de um presente com vida.
Rosângela Morello, junho de 2013.
Carta no. 8: o massacre foi anunciado e só o governo pode evitar
Nós ocupamos o canteiro de obras de Belo Monte. Nós estamos defendendo nossa terra. Uma terra muito antiga que sempre foi nossa. Uma parte vocês já tomaram. Outra vocês estão tentando tomar agora. Nós não vamos deixar.
Vocês vão entrar para matar. E nós vamos ficar para morrer. Nós não vamos sair sem sermos ouvidos.
O governo federal anunciou um massacre contra os povos indígenas, os 170 guerreiros, mulheres, crianças e lideranças e pajés que estão aqui. Esse massacre vai acontecer pelas mãos das polícias, da Funai e da Justiça.
Vocês já mataram em Teles Pires e vão matar de novo quando for preciso para vocês. Vocês mataram porque nós somos contra barragens. Nós sabemos do que vocês são capazes de fazer.
Agora quem pediu para nos matar foi a Norte Energia, que é do governo e de empresários. Ela pediu para o juíz federal, que autorizou a polícia a nos bater e matar se for preciso. A culpa é de todos vocês se algum de nós morrer.
Chega de violência. Parem de nos ameaçar. Nós queremos a nossa paz e vocês querem a sua guerra. Parem de mentir para a imprensa que estamos sequestrando trabalhadores e ônibus e causando transtornos. Está tudo tranquilo na ocupação, menos da parte da polícia mandada pela Justiça mandada pela Norte Energia mandada pelo governo. Vocês é que nos humilham e ameaçam e intimidam e gritam e assassinam quando não sabem o que fazer.
Nós exigimos a suspensão da reintegração de posse. Até dia 30 de maio de 2013, quinta-feira de manhã, o governo precisa vir aqui e nos ouvir. Vocês já sabem da nossa pauta. Nós exigimos a suspensão das obras e dos estudos de barragens em cima das nossas terras. E tirem a Força Nacional delas. As terras são nossas. Já perdemos terra o bastante.
Vocês querem nos ver amansados e quietos, obedecendo a sua civilização sem fazer barulho. Mas nesse caso, nós sabemos que vocês preferem nos ver mortos porque nós estamos fazendo barulho.
Canteiro de obras de Belo Monte, Vitória do Xingu, Pará, 29 de maio de 2013
Fonte: Ocupação Belo Monte
O papel da língua portuguesa: o português em debate na Sorbonne
Entre o português como língua de trabalho e como língua de cultura, o objetivo é fazer com que o português deixe de ser visto em França “como uma língua de imigração”.
Quarenta anos depois do grande fluxo migratório que chegou a fazer da capital francesa a segunda maior cidade portuguesa, é ainda preciso “quebrar de vez com a ideia do português como língua minoritária, de imigração”, diz Isabelle Oliveira, diretora da Faculdade de Línguas, Civilizações e Sociedades da Sorbonne e presidente do comitê organizador do Congresso Internacional de Língua e Culturas Lusófonas no Mundo, a decorrer na terça e quarta-feira em Paris, entre o Instituto do Mundo Anglófono da Sorbonne e a sede da UNESCO, co-organizadora do evento. Este encontro, ao contar com a presença de representantes dos países de língua portuguesa e institudos como a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e o IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) pretende questionar e refletir sobre o valor da língua e como estimular seu uso no mundo.
Carta do Observatório da Educação na Fronteira

Mesa de abertura | Foto: Peter Lorenzo
Entre 15 e 18 de maio de 2013 foi realizado o III Seminário do Observatório de Educação na Fronteira: Educação Linguística no contexto Plurilíngue da Fronteira: ações e perspectivas, no Auditório Elke Hering da Universidade Federal de Santa Catarina. Participaram do evento as escolas parceiras do projeto OBEDF, coordenadores e bolsistas.
O seminário estabeleceu o encerramento do projeto, buscando promover mais um encontro da equipe para compartilhar as experiências e iniciativas, bem como refletir sobre os desafios encontrados neste período a fim de propor novas ações e perspectivas para continuar com o trabalho que não deve se findar com o término do projeto.


